Wagner Borges 148



Dois Textos de J. J. Benitez





Vento do Nascente

Como uma faca rente ao chão.


Assim passou por mim o vento da SABEDORIA.


E interroguei-o sobre a aflição.


- Não há maior aflição no Cosmo - silvou - do que não haver estado aflito nunca.


E as procissões de adagas seguiram acutilando o poente.


- Mas, dize-me, onde posso encontrar a VERDADE?


E antes que o vento do nascente pudesse responder, interroguei-o outra vez:


- Talvez no fim do caminho!


As facas se transformaram em serpentes sem cabeça que, entrando na poeira do meu caminho, sentenciaram:


- A VERDADE é exatamente o caminho.


- Dize-me, o que é a impaciência?


- Veneno para o espírito.


Enroscado em si mesmo, o vento do nascente continuou levantando a poeira dos bosques.


- E a cólera?


E o vento, distraidamente, sussurrou em meus ouvidos:


- A cólera é uma pedra lançada num vespeiro.


- Em ti, ó vento da SABEDORIA, está o poder de envelhecer os que buscam a VERDADE. Como poderei encontrá-la antes de ficar velho?


E as facas rente ao chão se afastaram e foram cravar-se no Sol, gravando em meu coração uma última resposta:


- A VERDADE não se encontra, sente-se... sente-se... sente-se...


(Texto extraído do excelente livro “A Outra Margem” – J. J. Benítez – Editora Mercuryo).


Texto <853><27/05/2008>





As Três Religiões

(Ao padre Eutimio, uma exceção).


Em busca da RELIGIÃO PERFEITA, capaz de aplacar minha constante insatisfação, olhei para trás.


Então vi uma humanidade primitiva, que adorava o raio e se prostrava temerosa diante do Sol e da Lua. E uns homens pintados, cobertos por máscaras e plumas dançavam ao redor do fogo, invocando o deus da chuva, clamando pela indulgência do deus dos ventos e pedindo a proteção do deus dos mortos. E aqueles feiticeiros eram temidos e servidos pelos homens, seus escravos.


Era a religião do medo.


Procurei então no presente. A humanidade não temia mais as forças da Natureza. O progresso havia dado um passo para uma nova religião: a da mente. Um sem-fim de igrejas lutava pela posse exclusiva da VERDADE. Todas dispondo de sua própria teologia e todas elas fazendo do princípio dogmático e da autoridade - que não deixa margem a discussões - as bases de sua existência.


Milhões e milhões de seres humanos aceitam sem discussão o agasalho que lhes dão tais religiões, que, em troca, entretanto, pedem-lhes uma submissão cega e total. Estabelecidas e cristalizadas, essas igrejas são o refúgio mais cômodo para aquelas almas que se vêem assaltadas por dúvidas e incertezas. O preço a pagar é o da submissão e concordância intelectual a uns princípios, ritos e dogmas que, apesar de seu infantilismo e fossilização, são tidos e considerados como revelações divinas, manifestações sagradas e caminho de perfeição.


Diante dessas igrejas, vi centenas de milhares de novos feiticeiros, empenhados sobretudo na vigilância e manutenção desse princípio de autoridade. Com certeza não dançam ao redor do fogo nem fustigam seus fiéis com o látego, mas sua tirania acaba sendo mais cruel e desgastante: utilizam a obscura magia de palavras como Fé ou Salvação para destruir qualquer tentativa de liberdade e de busca espiritual.


É a religião do dogma.


Dirigi então meu olhar para o futuro. Por instantes senti-me perplexo: não vi nem igrejas nem religiões. Que teria acontecido?


A humanidade, em seu incessante avanço, havia terminado por compreender que o aprofundamento e o sempre parcial conhecimento das realidades eternas, da bondade do Pai Criador e do seu infinito poder e misericórdia nascem unicamente pelo espírito e por meio da vivência pessoal.


As cerimônias supersticiosas, as feitiçarias e as rígidas estruturas eclesiásticas haviam desaparecido, deixando lugar para a apaixonante aventura da busca pessoal. Os homens tímidos, vacilantes e temerosos de antanho eram já ousados e incansáveis "viajantes" de si mesmos, em constante e vivificante evolução. Da estagnação das religiões se havia passado à mais promissora das experiências, ou seja, encontrar Deus por nós mesmos e dentro de nós.


Será a RELIGIÃO do ESPÍRITO.


(Texto extraído do excelente livro “A Outra Margem”, de J. J. Benitez, escritor e pesquisador espanhol – Editora Mercúryo).


Texto <854><01/06/2008>





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Nota de Euro Oscar

Postado por: Admin (o próprio Wagner Borges) em domingo, 10 de Agosto
de 2008 às 20:30 e às 20:36, respectivamente, no seu site www.ippb.org.br

Fonte

www.ippb.org.br - Wagner Borges concedeu-me, muito gentilmente, permissão específica para eu aqui aproveitar os interessantes e úteis materiais do seu amplo site. Wagner Borges, além de ter programas no rádio é conferencista de renome internacional, na área da espiritualidade, paranormalidade e metafísica em geral, proporcionando uma visão abalizada e holística aos interessados. Seu Instituto, o IPPB, ministra excelentes cursos. Muito obrigado ao Wagner pela sua valiosa colaboração.

Retribuição e autorização pública

Wagner Borges não me pediu, porém tem a minha permissão, caso assim queira, para aproveitar no seu site (www.ippb.org.br) qualquer material de minha autoria contido neste site (www.eurooscar.com), a saber: minhas poesias, charadas, palavras cruzadas e textos.
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