REVISTA AMALUZ - 35



O PORTAL DO PARADOXO - 1


CANALIZAÇÃO, em 15/ 10/ 1998:
GERMANE, ATRAVÉS DE LYSSA ROYAL



SAUDAÇÕES

Saudações a todos. Aqui fala Germane. É um prazer estar com vocês aqui nesta noite, e como o canal já disse, por favor me considerem seu amigo. Não há formalidades, simplesmente nos reuniremos como amigos e falaremos sobre o universo e todos os demais assuntos como amigos.

Gostaríamos de começar, contudo, com um assunto específico que, neste momento, achamos que poderia ser importante para vocês, especialmente porque a energia de seu planeta está acelerando à medida que vocês se aproximam do que chamam o novo milênio. Como sabem, muitas pessoas e a própria consciência de massa estão pondo muita energia em formas-pensamento relativas justamente ao caos, entre todos os tipos de situações dramáticas que estão acontecendo. A esta altura, sentimos que seria prudente ajudá-los com diferentes ferramentas para que possam observar o que está acontecendo no mundo sentindo-se mais capacitados em suas vidas do dia-a-dia, bem como espiritualmente, à medida que atravessam este portal chamado novo milênio.

O MODELO DE POLARIDADE

Queremos falar nesta noite sobre a idéia de polaridade e paradoxo, pois vocês descobrirão que a perspectiva que vamos lhes proporcionar hoje é uma ferramenta-chave para tudo o que fizerem no resto de suas vidas, se souberem usá-la. Talvez muitas vezes tenhamos de usar analogia para explicar este conceito. Nesta realidade na qual todos habitamos juntos, inclusive nós, o modelo é a polaridade. Pode-se dizer preto/branco, yin/yang, masculino/feminino e assim por diante, mas não importa como a polaridade se manifeste, ela é encontrada por toda parte na realidade. O desafio de todos vocês, em especial quando encarnam numa realidade física, é o desafio de aprender a viver com esta polaridade, não como se fossem vítimas dela, e sim aprendendo a usá-la para elevar-se a um nível superior de consciência.


Em seu mundo, há muitas questões com uma grande carga emocional, seja aborto, controle de armas, a pena de morte, seja lá o que for, mas vamos lhes pedir um tema hipotético.

CONTROLE DE ARMAS

Vamos ficar com controle de armas. Em seu mundo, desde quando se entendem por gente, vocês estão inconscientemente (e às vezes talvez mesmo conscientemente) programados para formar opiniões sobre coisas e se aferrar a essas opiniões. Muitas vezes, essas opiniões adquirem vida própria dentro de sua consciência, e quando o fazem, criam ao redor delas um muro, de forma que vocês, a partir da opinião, não conseguem ver o outro lado. As pessoas na outra extremidade também têm suas próprias couraças ao redor de suas opiniões, e quando ao se encontrarem, vocês colidem. Esta tem sido a natureza de sua realidade há eons, como se pode ver por todas as guerras em seu mundo.


Então, como podem as pessoas ainda ter opiniões, ainda ter sentimentos intensos e passionais sobre algo como controle de armas, como podem ainda obviamente manifestar o modelo de polaridade, mas ao mesmo tempo, ver os dois lados de forma que, em vez de estar numa extremidade ou outra do espectro, possam passar ao ponto central?

O PONTO CENTRAL, O PONTO DE PODER

O ponto central é o ponto de poder, pois dali pode-se ver os dois lados. Agora, vocês talvez queiram pender para um lado ou outro — nenhum problema — mas a primeira chave é ser capaz de ver os dois lados e ter compaixão pelas pessoas que vivem nos dois lados. Assim que vocês conseguirem sentir compaixão, estarão no rumo do ponto central, o ponto de equilíbrio. Quanto mais compaixão e amor sentirem pelas pessoas da outra extremidade da polaridade, na verdade mais se aproximarão do centro e do equilíbrio.


À medida que caminham rumo a esse ponto central (como modelo estamos usando aqui uma linha tendo em cada extremidade uma das duas polaridades), vocês vão encontrar um desafio que confunde as pessoas desde que elas passaram a ponderar sobre o universo. Esse desafio que vocês encontram no ponto central se chama paradoxo.


Todos sabem o que é um paradoxo. A maioria de vocês se deparou com seus próprios paradoxos. Mas gostaríamos de lhes dar uma nova definição da idéia de paradoxo: Um paradoxo acontece quando a pessoa se encontra no ponto central, vendo igualmente ambas as polaridades.


Se vocês experimentarem paradoxos em sua vida, encontrarão uma entrada para a grande verdade, pois significa que atingiram aquele ponto central. Sabem o que queremos dizer com isto? As pessoas de seu mundo às voltas com muitas discussões intelectuais com freqüência não entendem o valor do paradoxo, pois quando encontra um paradoxo, a pessoa governada pelo intelecto tentará desafiar o paradoxo intelectualmente, demoli-lo, para alimentar certa polaridade. Então, quando alguém desafia intelectualmente um paradoxo, perde o momento desse ponto de equilíbrio, que é muito centrado no coração e compassivo, voltando para a polaridade.


Sua consciência de massa é como aquela bola de neve a rolar colina abaixo agora, ganhando bastante impulso à medida que se aproxima da entrada do novo milênio. Muitos de vocês estão se defrontando com a sensação de que devem formar uma opinião sobre algo, ou então estão vendo as pessoas a seu redor se tornando muito polarizadas e firmes em suas opiniões. Quando vocês virem isso, então talvez sintam uma distância em relação a essas pessoas. Estão experimentando isso?


Agora, não significa que elas são menos espirituais que vocês, e não significa que existe alguma coisa errada com vocês porque já não conseguem tolerá-las. Nada mais significa além de que vocês estão se aproximando mais do ponto central de equilíbrio, sendo muito mais capazes de ver a polaridade fora de si mesmos e mais capazes de ver as pessoas ainda empacadas nessas questões diferentes, sejam lá quais forem. Se essas pessoas quiserem, vocês serão, então, muito mais capazes de auxiliá-las. Vocês encontrarão maior paz de espírito se forem capazes de conservar esse ponto central e ver a polaridade a seu redor estando fora dela. Se seus amigos e pessoas queridas tentarem envolvê-los em seu drama ou polaridade, vocês ainda podem ser infinitamente compassivos, sem contudo compartilhar esse drama.


No princípio, isto pode parecer algo como equilibrar muitas bolas ou aprender a andar de bicicleta sem saber como, mas logo vocês perceberão que esse estado de afastamento pode ser um sentido profundo de compaixão. À medida que vocês passarem a se familiarizar mais com este estado, serão capazes de manter essa freqüência ou estado de espírito por períodos cada vez mais longos. Isso acabará por se difundir às pessoas a seu redor. Quanto mais pessoas de seu mundo conseguirem manter esse ponto central de compaixão, mais vocês experimentarão uma alteração de paradigma como consciência de massa, como espécie. Vocês então já não permitirão que a polaridade os domine. Em vez disso, poderão usar a polaridade para ajudá-los a experimentar o estado de paradoxo‚ que é um portal para a verdade maior. Isso faz sentido?


Por favor, não pensem que vocês precisam permitir que seus amigos e pessoas amadas os envolvam nas diferentes estruturas de polaridade. Se vocês pensarem assim, se sentirem essa pressão de alguém, respirem fundo algumas vezes e entrem naquele centro, aquele espaço sossegado dentro de si, e descubram onde mora a compaixão. Então vejam se conseguem gerar compaixão pela situação da pessoa que quer envolvê-lo. Encontrem amor pela pessoa. Amar essa pessoa não significa se unir a seu drama, e isto é algo com que os seres humanos vêm se confundindo há bastante tempo. Vocês podem amar plenamente sem partilhar o drama.


Agora vamos lhes dar exercícios para suas horas vagas, um pouco de dever de casa — muito, muito fácil. Talvez fosse bom fazê-lo à noite, antes de ir dormir.

EXERCÍCIO PARA GERAR COMPREENSÕES SOBRE ESCURIDÃO E LUZ

Acendam uma vela e se deitem em sua cama. Olhem a chama, então observem a dança das sombras na parede. Se houver ar circulando em seu quarto, as sombras se moverão.


Comecem a se abrir a observações mais sutis sobre escuridão e luz usando a chama da vela, a luz da vela e as sombras que ela lança como exemplos de escuridão e luz em forma física. Vejam o que conseguem aprender, vejam que tipo de compreensão podem gerar simplesmente observando a luz da vela e as sombras que projeta.


Podem fazer isto durante dez minutos se quiserem, mas quanto mais o fizerem e quanto mais profundamente se permitirem se desprender e apenas observar, mais insights terão sobre si mesmos, sua própria luz, suas próprias sombras, e como as sombras ou a escuridão se manifestam externamente em sua vida, como sua própria luz se manifesta externamente. Haverá muitas, muitas camadas de compreensão enquanto observarem. Mas mais do que em qualquer outra época, agora é importante não ser ameaçado pela polaridade, não sentir como se vocês tivessem de ser vítimas dela, e sim conservar esse centro da forma como puderem.


Cada um de vocês pode descobrir seu próprio truque para fazer isto, seja observando a vela, seja encontrando compaixão por meio do coração, seja lá o que for. Então serão uma luz infinita para os que estiverem a seu redor também buscando esse equilíbrio. Esta é uma maneira de cada um de vocês prestar um serviço sem ter de saber de coisa alguma, sem ter de ser professor espiritual, sem ter de estudar, mas simplesmente sendo vocês. Facílimo. O paradoxo é uma ferramenta maravilhosa.


O que você quer dizer com um portal para a verdade maior? Refere-se a integração, ou o quê?
Sabem, temos de ter permissão de provocá-los às vezes. Se lhes contássemos o que havia por trás da porta, talvez vocês não quisessem ir. [Risos.] O paradoxo intelectual pode conduzir a uma sensação intensa de paradoxo, mas há um momento em que vocês encontram a profundidade total do paradoxo que pode realmente ser sentida no corpo, se vocês forem sensíveis o suficiente. É muito difícil descrever, especialmente porque não tenho corpo, mas vocês sentirão uma alteração, uma sensação de ativação da visão dual quando experimentarem profundamente a energia do paradoxo. Nesse momento, quando tiverem essa visão dual, vocês criarão um portal que poderá levá-los a jornadas fora do domínio da polaridade.


Digamos apenas que o portal os leva a reinos nos quais a polaridade não é necessariamente o tema de ensino dominante. As pessoas de seu mundo que mais trabalharam com o portal do paradoxo foram os monges tibetanos e outras tradições orientais, mas principalmente a tibetana. No passado, claro, os monges ponderavam talvez a vida toda sobre esse portal, mas como a energia está se modificando em seu mundo e as pessoas estão passando por suas lições muito mais depressa, vocês não precisam ponderar sobre esse portal a vida inteira. Vocês podem de fato experimentá-lo um pouco de cada vez.


A verdade que vocês encontram ao atravessar o portal do paradoxo será diferente para cada um. Pode se relacionar diretamente com sua vida pessoal: de repente vocês talvez tenham uma visão muito clara sobre o que fazer em certa situação. Ou talvez não tenha nada a ver com sua vida física, pode ser uma jornada espiritual que conduza a um enriquecimento maior do seu eu. Será diferente para cada pessoa, mas quando vocês intuírem o portal do paradoxo e senti-lo — e vocês o sentirão — a jornada será única para cada um de vocês. Não podemos ser mais específicos.


Tenho um exemplo. Dez anos atrás uma cliente me disse que havia sonhado que tinha ido para a Alemanha e visto um campo de concentração, e havia flores crescendo. Ela perguntou: "O que será que isso significa?" Isso me levou a um nível totalmente diferente, simplesmente ponderar ao mesmo tempo essas duas imagens.


Obrigado. Vamos lhes dar outro exemplo, que mais ou menos esclarece esse outro. Foi tirado da própria experiência da canal quando ela foi para Hiroshima, Japão. No ponto de impacto, onde a bomba fora lançada, existe algo chamado Parque da Paz, um parque dedicado à paz global. Quando se vai para lá, os símbolos de paz levam as pessoas às lágrimas. No meio do parque há um edifício em ruínas — o único edifício que sobreviveu à incineração. Lindas garças de papel feitas por colegiais de todo o país ornam as árvores. Há flores, pessoas meditando e rezando, e colegiais cantando. Então anda-se talvez 40 metros e chega-se ao Museu de Hiroshima. Quando se entra, há um bloco de pedra, que antes era a parede de um edifício, com uma sombra humana. A pessoa foi incinerada na explosão. O horror que há neste museu fica além da compreensão, mas quando se sai dele, a sensação de alegria e paz é extraordinária. Quando sentamos naquele parque experimentamos o portal do paradoxo. Ou quando sentamos naquele campo de concentração, sentindo os horrores e admirando as flores, experimentamos esse portal do paradoxo. Talvez isto lhes proporcione um exemplo tangível, de forma que vocês possam olhar as coisas diferentes de sua vida nas quais existe o paradoxo.

Quando tenho experiências como essa, me parece uma expansão do coração.
Sim, porque a única maneira de se deslocar e se expandir no universo é por meio do coração. Então, o portal do paradoxo é um portal que passa pelo coração, sem dúvida. Nossa orientação, na qualidade de entidades, não é física, e é por isto que gostamos tanto destas conversas com vocês. Vocês podem trazer o elemento físico, que ajuda a comunicar mais claramente o que estamos tentando dizer. Gostamos muito disto.


O portal do paradoxo não seria semelhante ao amor incondicional?
Sim, é nisso que se transforma. Porém, em sua realidade aqui, embora muitos de vocês tenham tido momentos de amor incondicional, muitas vezes vocês são afastados dele pela polaridade. É a natureza da realidade. Não tem nada a ver necessariamente com sua incapacidade como humanos, mas quando vocês atravessarem esse portal, sim, vocês experimentarão amor incondicional. Quando vocês se sentam no Parque da Paz ou naquele campo de concentração, seu coração se abre a todas as pessoas que sofreram ali e sentem a beleza do lugar. Esta é a essência do amor incondicional. Muito bem colocado.

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(http://www.amaluz.com.br). Publicado originariamente na revista Amaluz, que não mais tem sido editada, embora fosse uma ótima publicação. Fazemos votos de que possa renascer, com a mesma qualidade de antes.




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