REVISTA AMALUZ - 39



A BELEZA DA VIDA


O QUE FALA MUITAS VERDADES
POR ROBERT SHAPIRO



COMPAIXÃO: A CHAVE PARA A
COMUNICAÇÃO COM TODA VIDA

Esta noite eu gostaria de falar sobre o método pelo qual a comunicação com toda vida se torna possível: é a compaixão. Com a compaixão existe a conexão do coração. Todos estes exercícios sobre o aquecimento do coração são baseados na compaixão. Não é que vocês se aproximem de outro ser de maneira que é psicológica, é mais como se houvesse um calor, um sentimento, uma sensação de que toda vida vale a pena. Esse sentimento é a compaixão.


A compaixão é levemente mal definida em seus dicionários, porque é definida muito estreitamente, portanto estou ampliando um pouco a definição, a fim de que possam ver como funciona na prática. Quando se aproximarem de outro ser vivente, seja ele uma planta ou um animal — ou mesmo quando estiverem simplesmente andando e se movimentando com esse sentimento no coração — descobrirão que alguma coisa acontece para vocês e com vocês que é diferente, digamos, de alguém passeando pela floresta assobiando uma alegre canção.


Com esse sentimento no coração, de compaixão, toda a vida da floresta se inclina em sua direção; as árvores movimentam seus galhos porque sentem em vocês um ser semelhante; os animais vão em sua direção. Eles não correm para vocês, mas inclinam-se em sua direção ou então não fogem, sejam eles muito pequenos ou muito grandes.


Com os seres humanos é diferente porque os seres humanos nem sempre têm essa conexão. Nós nascemos com ela, sim, mas ela tem que ser ensinada e educada no lar e na sociedade para ser mantida e desenvolvida. Mesmo assim, se houver gente muito jovem ali, crianças, elas também podem ser atraídas, ou os sensitivos podem ser atraídos.


Em alguns casos os muito velhos podem também se sentir bem. Isso não quer dizer que outros seres humanos não se sintam benevolentes em relação a vocês, mas com seres humanos é diferente. Digamos que vocês parem. Sentem uma grande sensação de calor vinda de uma planta; talvez seja uma videira ou talvez, quando se aproximarem, percebam que não se trata de uma planta, mas de uma joaninha parada em uma folha. E vocês se dirigem a ela muito gentilmente, assim...

O dedo indicador esquerdo e o dedo médio estão apontados bem para a frente e na horizontal, com a palma para baixo.


Vocês não a tocam, só apontam para ela. Se o calor em seu peito ou na áreas do plexo solar ficar mais forte enquanto estiverem apontando na direção da joaninha, então vocês saberão que é a joaninha e não tanto a planta. Então vocês param, talvez se ajoelhem um pouco, e acontece aquela troca de calor entre vocês. Esta é uma combinação da responsabilidade da compaixão e suas recompensas.


A responsabilidade da compaixão é que é necessário conseguir. Apenas permitam que o calor esteja dentro de vocês, deixando que ele naturalmente se irradie. Não permitam se sentirem exaustos. Se se sentirem exaustos, então não estarão fazendo aquilo muito certo. O mais provável é que o que estejam fazendo (se ficarem cansados fazendo isso) é um esforço para projetar o calor para fora, conscientemente ou até fisicamente. Isso causará uma oposição, porque é necessário consentir o calor, que é amor encarnado.


É preciso permitir que o amor vá para onde quer ir. Mas se ele é encurralado e mandado para um determinado lugar, então ele cria uma tensão e vocês, que são o campo físico para isso, se sentirão cansados. Portanto, anotem isso.

As recompensas de compaixão são que outros seres do mundo natural — plantas e animais — naturalmente terão um senso mais elevado desse calor e compaixão perto de vocês, e esse calor que ambos têm, alimenta cada um. Também, o excesso simplesmente se irradia por si próprio para toda a vida. Quero que vocês compreendam como funciona. Se puderem conectar esse calor com uma palavra como compaixão, conforme a definição mais ampla que foi dada, ele não parecerá um vago exercício físico.


Quero sugerir às pessoas que podem estar lendo isto que haverá uma boa ocasião agora para praticar essa coisa, não importa onde vocês morem. Se estiverem em uma grande cidade, podem ir para um parque, mas se forem para um parque, pode haver muitas pessoas. Tentem encontrar um lugar no parque onde haja menos pessoas e onde as plantas cresçam de maneira selvagem. Quando as plantas crescem no lugar onde os homens as plantaram, elas muitas vezes têm menos energia de amor natural porque não foram especificamente acolhidas pela terra na qual estão crescendo. A planta mais conveniente para encontrar nesse caso deve ser a que é chamada de mato, porque cresce onde foi acolhida.


Se vocês puderem ir para o campo ou talvez perto de um córrego ou riacho, encontrar plantas selvagens será bem mais fácil, e também será mais fácil encontrar vida selvagem. Mas, se estiverem na cidade, isso também é possível. Vida selvagem significa simplesmente qualquer criatura que não deva sua sobrevivência a um ser humano. Isso significa que não será um animal de estimação. Isso não quer dizer que vocês não possam sentir o calor com um bichinho querido, mas a idéia é praticar com seres do mundo natural que vivem à sua própria maneira e sobrevivem como podem.

Pode ser uma pequena criatura, um besouro ou uma formiga; pode ser um passarinho ou um esquilo. Se estiverem perto do campo pode ser uma águia ou um gavião, um veado ou um coelho. Se estiverem morando em um lugar mais selvagem, pode ser até um leão. Com essas criaturas com as quais vocês ainda não têm uma relação pessoal (acabaram de se conhecer), é melhor manter distância. Não faz nenhuma diferença se for uma formiga ou um leão. Manter distância não quer dizer sair correndo; só significa que vocês não devem ficar perto demais desses seres porque eles ainda não os conhecem pessoalmente e vocês não os conhecem pessoalmente.


Vocês desenvolvem um relacionamento da mesma maneira que desenvolvem um relacionamento com um ser humano. Depois de algum tempo, podem vir a conhecer essa formiga ou esse leão, então podem ir um pouco mais perto — ou melhor ainda, permitir-lhes que venham um pouco mais perto, enquanto isso sentindo o calor da compaixão. Com esse calor esses animais se sentirão seguros, e quando os animais se sentem seguros, principalmente os grandes e perigosos, a chance de eles o atacarem quase não existe. É importante saber disso.


Isso é lindo. Isso é na floresta.


Eu incluí a cidade porque tantas pessoas vivem na cidade e se acostumaram a pensar nos animais selvagens como alguma coisa com a qual lidar, como besouros, camundongos ou ratos. E eu reconheço que às vezes essas criaturas podem ser assustadoras, mas se vocês puderem reconhecer que elas estão fazendo o melhor que podem, dado que seu meio de vida natural teve que ser adaptado para viver entre os seres humanos, então poderão apreciar sua flexibilidade. Não estou dizendo que vocês tenham que pegá-los e abraçá-los, pois eles achariam isso assustador, mas sim que reconheçam que uma criatura selvagem que se adapta a um ambiente estranho e mantém sua independência dentro de sua própria família de criaturas, é um bom ser com o qual se relacionar.


Nos próximos anos, quando seu mundo se tornar mais misturado com outras sociedades e culturas, vocês precisarão desenvolver uma capacidade rápida e adaptável de viver em ambientes que talvez sejam inesperados, imprevisíveis ou literalmente desconhecidos. Fazer amizade com animais selvagens que aprenderam como se adaptar a ambientes estranhos, tais como um grande edifício, pode ser útil. Alguns de vocês serão capazes de se comunicar com palavras; outros simplesmente terão a sensação de calor.


No caso desses animais adaptados à cidade, não caminhem até eles; deixe que venham até vocês. Não tenham medo. Enquanto sentirem o calor — e ele provavelmente se elevará mais do que vocês normalmente o sentem — eles também estarão sentindo. Ficarão curiosos, e lhes dará grande esperança saber que os seres humanos estão começando a desenvolver o que eles próprios fazem naturalmente.


Vocês sabem que a maioria dos animais que vive com vocês na cidade, talvez em seu edifício — esses besouros, baratas e pequenos comundongos e assim por diante — não estão vivendo em seu edifício porque querem. Não é tampouco porque estão vivendo da vida da humanidade; é porque eles têm alguma coisa para ensinar. E na medida em que puderem ter compaixão por eles, eles encontrarão alguma forma benevolente de ensinar-lhes o que vieram aqui para lhes mostrar. Se não for nada mais do que flexibilidade, adaptabilidade e afinidade entre seus companheiros, então eles irão demonstrar aquilo apenas sendo eles mesmos.


E sobre seres humanos necessitando de seres humanos? Como podem os seres humanos serem mais compassivos para com os seres humanos?


Comecem com animais e plantas. Quando ficarem bons nisso com animais e plantas, com esses instrutores, então serão capazes de praticar essas habilidades. Depois disso vocês podem começar muito suavemente com bebês que encontrarem, ou talvez que estejam na família. Ou apenas consintam no sentimento de compaixão, que sentirão como calor ou algumas vezes como energia. Deixem que esteja em vocês e que se irradie naturalmente. Alguns seres humanos serão atraídos por isso. Eles se farão conhecidos aproximando-se de vocês de alguma forma agradável. Todavia, muitos seres humanos não o reconhecerão. Eles estarão se escudando, por causa de suas vidas ou de suas experiências. Não tentem mudá-los ou lhes dizer o que estão fazendo. Só interajam com aqueles que se aproximarem de vocês. Se quiserem saber o que estão fazendo, porque se sentem bem perto de vocês, mostrem-lhes como fazer isso. Se, por outro lado, eles estão se aproximando de vocês com aquele sentimento, vocês saberão porque o sentimento em vocês será intensificado.

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FONTE DO TEXTO

(http://www.amaluz.com.br). Publicado originariamente na revista Amaluz, que não mais tem sido editada, embora fosse uma ótima publicação. Fazemos votos de que possa renascer, com a mesma qualidade de antes.




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