REVISTA AMALUZ - 45



ARQUITETURA VASTU


POR MICHAEL BORDEN



(Obs. de E.O.: Dividi o texto em
2 partes, para a INTERNET)

PARTE 2

A Terra pulsa de vida e irradia sua energia por meio deste sistema de malha. A ciência Vastu afirma que "todos os planetas estão suspensos ou mergulhados no oceano de espaço, a fonte de energia que sustenta todas as energias corporificadas, inclusive o homem e outros seres animados que vivem na Terra."


O conceito da malha de energia tem sido o elemento predominante da ciência Vastu na esfera dos projetos tradicionais relativos à arquitetura indiana. O projeto de construção é elaborado levando em conta uma malha de energia chamada Vastu purusha mandala. A malha típica é de 9 x 9, mas há muitas outras formas de malha tradicionais constituídas de números ímpares e pares.


Esta malha pode ser composta de quadrados ou retângulos. Se for retangular, o lado maior deverá ser orientado no eixo norte/sul. Quando a planta da malha da estrutura é orientada segundo os pontos cardeais da bússola, diz-se que repousa exatamente sobre a malha de energia da Terra. (O estabelecimento da malha da construção exatamente segundo os pontos cardeais da bússola aplica-se a templos. Quanto a estruturas seculares, o melhor é girar a estrutura cerca de um grau ao norte do verdadeiro leste.)

Plano de construção sobre uma malha Vastu purushha mandala. Uma vez que o projetista estabelece a malha, pode dispor as paredes e pilares da construção sobre este padrão. "Esse procedimento estabelece um tipo de congruência ou harmonia geométrica com a malha terrestre.


Se a malha da estrutura estiver em harmonia com a malha da Terra, então o espaço construído e a Terra respondem harmoniosamente, energeticamente. Se houver qualquer distorção, divergência ou deflexão nas linhas da malha da malha da construção proposta e na da malha da Terra, então diz-se que o espaço construído está em desarmonia com o sistema de malha de energia da Terra."


A ciência Vastu afirma que estamos ligados à Terra e constantemente expostos à energia por ela exalada. A meta é ficar em harmonia com esta energia. "Assim como nós, seres humanos, abrigamos em nosso coração um átomo de energia divina por meio do qual somos capazes de vibrar com a vida...a Terra também vibra a partir de dentro, enviando ondas de energia." O projetista Vastu produz harmonia entre as vibrações instituindo uma ordem matemática em particular.

Consideração da data de nascimento do cliente. "De acordo com a prática tradicional e a orientação shastraic (segundo a escritura)‚ a medida do perímetro da construção proposta deve ser auspiciosa e também condizer com o temperamento dos moradores da casa. Numa família indiana, a dona da casa goza de uma posição muito importante e digna. É considerada...a soberana de toda a casa....Desse modo a prática shastraic e tradicional prescreve a criação de outra forma orgânica chamada casa destinada a coexistir com a força espiritual da dona da casa e a aumentá-la.


Ou seja, criar um ambiente dentro do espaço construído que vibre em harmonia com a vibração da dona de casa.O arquiteto tradicional...evoca a estrela de nascimento da dona da casa e aplica uma fórmula matemática chamada ayadi ganita por meio da qual decide o comprimento de onda da dona da casa (e da casa)....Este processo de levar em conta a estrela de nascimento se baseia no fato de que cada pessoa...nasce sob a influência de uma estrela que persiste ao longo de sua vida."


O conhecimento da ayadi é usado pelo projetista na determinação dos efeitos da estrutura física sobre a pessoa. O proprietário da casa nasce sob a influência de uma estrela de nascimento em particular. A construção é considerada um ser vivo e também tem uma estrela de nascimento. Os cálculos baseados na ayadi procuram harmonizar as energias criadas pela influência da estrela de nascimento da pessoa e as da construção. Quando essas energias são harmonizadas, o morador experimenta prosperidade material e bem-estar espiritual. Diz-se também que a ayadi é capaz de afetar o destino da pessoa.

O perímetro. O projetista deve examinar seis aspectos com respeito à matemática do perímetro:


Aya—renda


Vyaya—despesas


Yoni—direção indicativa do fluxo de energia


Vara—semana


Nakshatra—estrela


Amsa—qualidade


Todos estes aspectos são examinados, devendo ser positivos para que a pessoa que ocupa a construção prospere.


Quando o projetista tiver dimensionado um perímetro básico da construção, ele converte esta medida periférica numa unidade de medida prescrita. "Os shastras prescrevem certas medidas tais como hastas, vithastis, talas e angulas. Estas medidas não são arbitrárias, derivam, sim, da vibração do espaço universal....É na verdade o número (contagem vibratória) que estabelece a harmonia entre a pessoa e a casa onde mora."


O nº de hastas é o número básico usado e ajustado na análise matemática que prevê os efeitos da medida sobre o dono da construção. Trata-se do número que o projetista usa para estabelecer uma nakshatra (estrela de nascimento) para a edificação. A nakshatra fornece o comprimento de onda da edificação que deve harmonizar com o do dono. Há 27 nakshatras possíveis.

Posição das porta externas. Depois do estabelecimento da malha e suas medidas apropriadas, o arquiteto então dispõe as aberturas das portas externas da construção. Em geral, as portas se localizam no quarto módulo a partir do canto direito externo. Cada compartimento do padrão de malha abriga certa energia ou influência. Isto deriva de uma história encontrada no antigo Briha Sawhita:


"Um bhuta, uma força demoníaca, estava produzindo um grande alvoroço, espalhando-se por todo o vazio que é... normalmente chamado espaço celestial ou akasa. Os luminares celestiais, chamados devas, assustados com a forma monstruosa e o barulho estrondoso do bhuta, exerceram seu poder sobre ele e o empurraram para baixo.


O demônio caiu ao chão com um estrondo, de cara na Terra. Os devas atacaram o demônio, ocupando várias partes do corpo para sujeitá-lo. O demônio, incapaz de se safar do peso dos devas, rezou ao Senhor Shiva com a cabeça virada para o quadrante nordeste. As orações foram recebidas e Senhor Shiva conseguiu a libertação do demônio, obsequiando-o por sua fidelidade: ele seria a deidade guardiã das formas construídas e seria venerado por todos os seres humanos como tal.


"Além disso, diz-se que este demônio chamado Vastu Bhuta mora na estrutura do quadrado do Vastu purusha mandala, com seus membros dobrados e ocupando todo o espaço. Encerra-se nesta história mitológica a abstração do espaço e suas características em miniatura, significando também, indiretamente, que este espaço em miniatura é a primeira forma manifesta da energia primitiva não manifestada do universo.


O fato de os devas ocuparem as várias partes do corpo representa as várias leis da natureza em ação em seu devido lugar, seqüência e relação para que ocorra a manifestação. Ou seja, o Vastu purusha mandala é um modelo ou padrão exato encontrado em todas as fases e níveis de manifestação universal.


"Os seres celestiais tais como Surya, Agni, Varuna, Vaya, Kubera e outros são levados ao complexo do projeto Vastu purusha mandala...representando as forças da natureza que assumiram forma material. Todas as formas manifestas do não manifestado que inundam o universo apresentam certas características específicas de bem e mal.

A natureza bruta, bem como a natureza sutil, não estão livres de características positivas e negativas. Por exemplo, um vento, quando brando, proporciona um efeito calmante em todos os seres animados da Terra. O mesmo vento, intensificado até se tornar um furacão, produz efeitos desastrosos.


O universo está repleto de energias boas e ruins, criativas e destrutivas, das quais tentamos nos aproximar ou às quais tentamos evitar conforme seu efeito." Como arquitetos, usamos este antigo conhecimento de manifestação de energia e forma para criar uma estrutura que nos proteja contra "ficar no caminho" dos efeitos negativos das forças da natureza, promovendo as forças positivas.


A colocação das portas externas relaciona-se diretamente à característica energética da força da natureza que reside ou rege essa localização do Vastu purusha mandala. Diretamente em frente à porta principal, no outro lado da casa, deve haver uma janela. Diz-se que esta passagem de luz pela casa é a coluna vertebral da casa viva, orgânica. A idéia é que a energia solar entre na casa e tenha passagem livre até a parte de trás, proporcionando um suprimento perene de ondas de energia do Sol. É um túnel de energia pelo qual a energia vital entra na casa.

Brahamastan. Outro elemento importante numa residência Vastu é o brahamastan ou pátio central. Numa malha de 9 x 9 são as nove unidades centrais [vejam estes nove quadrados na ilustração nas páginas 71 e 72]. É o coração de energia da casa e o pulmão da casa. Esta parte da casa deve sempre permanecer aberta e livre de elementos obstrutivos (pilares ou paredes) e dispositivos mecânicos.


O melhor seria que esta parte, pelo menos, estivesse diretamente em contato com a Terra. É uma tradição, quando o clima permite, deixar o brahmastan aberto ao céu de forma que o espaço energético que circunda a Terra seja atraído para a casa. Isto proporciona aos moradores da casa energia espiritual benéfica. Quando o brahmastan for coberto por um telhado, deve haver uma fonte de luz natural, uma clarabóia ou cúpula com clerestório no telhado. Além, disso, se possível, pode haver uma pequena passagem vertical no ápice do centro.

Disposição dos cômodos. O próximo passo para o projetista é a configuração dos espaços habitados dentro do espaço fechado. A localização de um cômodo em particular, definida por sua função, é determinada respeitando-se o elemento específico que rege essa área da edificação. Não consegui entender inteiramente todas as relações, mas sei onde pôr cada cômodo:


A cozinha fica localizada na ala sudeste porque esta é a ala do elemento Fogo. Os quartos e o escritório do dono da casa devem ficar na ala sudoeste, a ala do elemento Terra, que proporciona tranqüilidade e frescor. A ala nordeste é em geral reservada para o santuário ou sala de meditação: é a ala do elemento Água.


Numa casa indiana tradicional, a ala noroeste destina-se ao armazenamento de produtos secos: é a ala do elemento Ar. Diz-se que é melhor jantar no centro-oeste. Diz-se que as senhoras se beneficiam ao permanecer na área aproximada do centro-leste. As salas de estar podem ficar no sul, objetos de valor no norte. Descobri que os quartos vão bem em várias outras partes da mandala. Em hipótese alguma o bramhasthan deve ser usado para outra coisa que não atividades temporárias e/ou sagradas. Banheiros e escadarias devem ser colocados fora do corpo principal do Vastu purusha mandala por causa de sua energia poluidora.

Altura. A forma mais fácil e básica de se entender o esquema das alturas das edificações é fazer uso da medida modular criada pelo Vastu purusha mandala. "A forma prática é primeiro pressupor a altura escolhida e convertê-la em módulos inteiros, não frações de módulo. Por exemplo, se o módulo tiver 3’6" (três pés e seis polegadas, aproximadamente 1,0668 metro) e a altura desejada for 10’0"(aproximadamente 3,048 metros), fica claro que será necessário tomar três módulos inteiros como medida, obtendo-se 10’6" (aproximadamente 3,2004 metros). Esta poderá ser a altura do chão até o telhado (se o telhado for plano).


O objetivo principal é que o interior da casa fique preenchido por espaços modulados ininterruptos. O volume da casa deve ser preenchido por espaços cubiculares o máximo possível sem mutilação. Cada cubo é um cubo de energia e som, cuja mutilação acarretará uma nota errada na composição da estrutura, conduzindo a doenças físicas."


Todos estes princípios, tomados como um todo, fornecem ao arquiteto uma matriz de projeto para a criação de edificações que vivem e vibram harmoniosamente com energias universais. Achei que são fáceis e agradáveis de usar. Estou convencido de que estas informações merecem ser estudadas e aplicadas por quem estiver interessado em compreender o significado e potencial pleno de abrigar o sistema nervoso humano.

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(http://www.amaluz.com.br). Publicado originariamente na revista Amaluz, que não mais tem sido editada, embora fosse uma ótima publicação. Fazemos votos de que possa renascer, com a mesma qualidade de antes.




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