O Cérebro - 5






Uma Máquina Pensante




Capítulo 5

O NEUROLOGISTA QUE VIROU
FILME E SEUS PACIENTES

O neurologista inglês Olivers Sacks, de 64 anos, é hoje um dos mais respeitados exploradores dos segredos do cérebro. Para quem tem boa memória, Sacks é o médico vivido pelo ator Robin Williams no filme Tempo de Despertar (1990), em que contracena com Robert DeNiro, um paciente que acorda depois de anos de sono profundo.

Em seu último best-seller, Um Antropólogo em Marte, Sacks narra sete impressionantes histórias de casos clínicos em que predominam deficiências e distúrbios neurológicos. Em todos os episódios, é surpreendente a excentricidade dos processos de adaptação do indivíduo aos novos conceitos de realidade. Há um pintor que passa a ver o mundo em preto e branco aos 65 anos de idade. Há o caso de um jovem que perde a visão e a capacidade de armazenar dados além de poucos minutos.

Nessa dramática história, cujo título é O Último Hippie, Sacks trata de Greg F., um rapaz vítima de um tumor sofre sérias lesões no cérebro. A glândula pituitária e a região do quiasma óptico adjacente são destruídas, em um processo de devastação que atinge ambos os lados do lobo frontal, os lobos posteriores e temporais, além do diencéfalo e o prosencéfalo. Greg perde a noção do que significa "ver" e não admite estar cego. Ao mesmo tempo, perde a capacidade de estocar novas memórias. Intactas permanecem as lembranças do período anterior à doença, especialmente os anos 60, em que o jovem se deliciou com o rock de protesto e seguiu a doutrina de vida do hippies.

Greg tem uma memória que parece funcionar com pilhas cuja energia se esgota rapidamente. Ele se emociona ao receber a notícia da morte do pai. Minutos depois, no entanto, se esquece por completo da informação. Não se trata, evidentemente de um benefício da memória. A cada vez que é confrontado com a perda tudo se repete como se fosse a primeira vez: o choque da notícia, a tristeza aguda e a prostração. Apesar de todas as lesões irreversíveis, Greg parece muitas vezes viver feliz. Faz piadas, canta e brinca com os colegas. Preso em seu mundo de curtas emoções e escuridão, o último hippie criou sua própria realidade, suas formas de perceber o mundo exterior e lidar com ele.


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Fonte: http://www.estado.estadao.com.br/
edicao/especial/ciencia/cerebro




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