O Fenômeno das Mãos de Fogo - 2

Entre Mundos Paralelos

Por Dr. Roger Weissenbach

O fenômeno das mãos de fogo constitui um assunto que, por muitas vezes, foi tratado em artigos, monografias ou capítulos de livros por diversos autores, Podmore, Charles Richet, Zingarópoli, o general Joseph Peter, Ernesto Bozzano, Raoul Montandon, Bruno Grabinsky, Wilhelm Moufang e outros mais. Diz-se que é impossível explica-lo. Posso tratar de oito casos de impressão de mãos de fogo, deixadas por desencarnados, isto é, espíritos, mesmo há muitos anos, por exemplo há 60 anos.

Certos casos são, ainda, mais antigos, porém, seriamente documentados, de maneira que podem servir para um estudo consciencioso, eu diria mesmo, científico. Para cada caso darei informações rápidas, porém, suficientes para que se tornem compreensíveis. Mas, antes de fazer essa enumeração, preciso fazer o leitor saber que em Roma, em Lungotevere Prati, existe o Museu do Purgatório, anexo à igreja do Sagrado Coração do Sufrágio, no qual o padre V. Jouet, Missionário Apostólico, reuniu diversos objetos, documentos e fotografias assaz preciosas, relativas a marcas de mãos de fogo. Entre os documentos mais importantes da coleção, pode-se examinar uma série de quatro fotografias das mencionadas marcas.

A visita ao Museu era antes livre e qualquer pessoa podia visitá-lo. Hoje, todavia, é necessário obter antes uma peru missão para ter-se acesso. De fato, esses documentos constituem a mais bela comprovação que a própria Igreja Católica fornece da manifestação, na Terra, dos desencarnados, o que constitui uma admissão indireta de que o Espiritismo não é uma invenção de alguns alucinados ou psicopatas sugestionados ou obsediados.

É certo que ela não condena a realidade das comunicações entre os Espíritos e os vivos e deixa ao sábio inteira liberdade de estudar essas manifestações; ela, porém, tende, unicamente, a condenar, energicamente, o abuso repetido frequentemente de fazer evocações quase que diariamente para interrogações fúteis ou de Interesse material, propostas aos espíritos que, pelo contrário, devemos deixar em paz e livres de dar continuidade a sua ascenção evolutiva no Além, sem serem, continuamente, molestados por apelos inoportunos de parentes que permanecem ainda na vida terrestre.

Ela admite que Deus pode permitir, raras vezes, comunicações entre desencarnados e encarnados, quando se trata de uma obra benéfica e importante, não as, combate, inexoravelmente, o abuso dessas práticas, pois, ela sabe bem que, do outro lado do véu, poucos são os santos e, pelo contrário, numerosos são os espíritos inferiores que não convém atrair seja para realizar sessões mediúnicas nas quais realizam suas habituais diversões, mistificações e outras façanhas que tais. Isto se torna um passatempo, um jogo de sociedade onde não existe nenhuma intenção espiritual.

De resto, são bem conhecidas as sessões mediúnicas deste gênero, em que pseudo Césares, Napoleões e outros que afastaram homens de ciência, por exemplo, Charles Richet, de levar a sério a hipótese espírita, o que constitui um fato muito grave e lamentável.

Primeiro Caso

No livro L'anima alla luce dela metapsichica o padre jesuíta, Cipriano Casella, cita diversos casos, entre outros, o relativo à Marquesa Degli Astalli, sobrinha do Papa Inocente XI, morto em 1689. Essa marquesa morreu muito jovem, em 1683. Alguns dias após a sua morte, ela apareceu à sua criada, pedindo ao seu marido que fizesse celebrar duzentas missas em sua intenção. Seu marido, tendo indagado por que ela não lhe parecia, ela lhe respondeu que Deus não lhe permitia, mas, como prova de sua aparição espiritual, deixaria sobre a cobertura do leito a marca de sua mão de fogo. Essa marca foi examinada pela rainha Cristina da Suécia que se encontrava, então, em Roma e também pelo Papa Inocente XI. Circunstância importante a notar é que a marca foi tida por autêntica, pois, correspondia exatamente à mão da marquesa, detalhando a pequena deformação` do polegar que ela tinha durante a vida terrestre.

Segundo Caso

Este caso é muito importante, pois, no mesmo dia de sua manifestação, o confessor do convento, Isidoro Gamale, descreveu em duas páginas a relação do fenômeno no registro onde são anotadas as atitudes da Venerável Abadessa do dito convento. Eis porque é possível abreviar essas longas relações.

Um certo padre, Panzani, abade de Mântua, em Novembro de 1731, se materializou, muito tempo depois de sua morte, no convento das Clarissas de Todi, Úmbria, e deixou várias marcas de suas mãos de fogo, alguns minutos antes de deixar o purgatório. Sobre uma mesinha de madeira que servia à irmã Claire Isabelle Fornari para preparar imagens do menino Jesus, em cera, o fantasma materializado deixou a marca profunda de uma cruz, traçada com o indicador da mão direita e, também, a marca da mão esquerda Depois disso, ele imprimiu a mão esquerda sobre uma folha de papel, guardada entre duas folhas de papel conservadas entre duas placas de cristal.

Depois, tocou o braço da irmã com a sua mão direita e deixou as marcas de suas mãos de fogo sobre a manga do hábito e da camisa, bem como sobre a pele do braço da irmã, que foi, também, queimado. O confessor deu ordem à Madre Supeiora para conserver a mesinha, a mancha no papel, bem como as da túnica e da camisa, depois de terem sido cortadas. Essas peças podem ser vistas, ainda hoje, no Convento de Todi e as suas fotografias se encontraram no museu mencionado em Roma. O relator acrescenta que a mão se assemelha muito à do abade Panzani; aqueles que o conheceram, como eu, são do mesmo parecer. Não poderiam ser mais semelhantes, pois, estas estão marcadas em fogo, mas eu não poderia jamais ter visto uma reprodução mais semelhante ao original!...

Terceiro Caso

A irmã Tereza Margarida Gesta, nascida em Bastia, Córsega, em 1797, depois de ter vestido o hábito, no convento das Terciárias Franciscanas, em Folligno, morreu no dia 4 de novembro de 1859, elevada à responsabilidade de Madre Superiora. Eis o relatório que a seu respeito dá a abadessa Maria Vitória Constante Vichi: Tres dias depois de sua morte, ouviram-se lamenatos no quarto em que ela morreu e nas peças vizinhas.

No dia 16 de novembro, ás 10 da manhã, a irmã Ana Felícia Menghini subia a escada que conduzia à lavanderia para realizar seu trabalho; ouviu, então, um lamento abafado e supôs reconhecer a voz de sua antiga companheira. Entrando na lavanderia, abriu diversos compartimentos, enquanto as lamentações da defunta continuavam e, sob o império da emoção, ela não conseguia compreender o seu verdadeiro sentido.

De repente, o cômodo se encheu de uma densa fumaça (sem dúvida de ectoplasma, acrescenta o autor) e o fantasma da morta se dirigiu a um dos armários, junto à escada, Chegando à porta, ela disse, em voz alta: É uma misericórdia! Eu não volto mais e em sinal disto... Nesse momento, ela bateu na porta um golpe bem nítido; em seguida, a fumaça desapareceu. As irmãs, reunidas no aposento da Abadessa, ouviram a narrativa da irmã Menghini examinar a porta onde se encontrava gravada a mão da defunta, de maneira tão perfeita que não a teria feito um artista, mesmo o mais hábil, se servindo de uma mão de ferro encandecida.

Quarto Caso

Trata-se de Elisabeth Aslinger, chamada a Vidente de Prevorst. Era, sem dúvida, um médium muito bem dotado, pois, era comumente visitado por um espírito, mesmo durante seu aprisionamento, quando ela foi detida por infração às leis relativas à procura de um tesouro oculto. Em sua cela, muitos detidos, assim como personalidades honradas e conhecidas, se revezavam para vigiar e controlar o que se passava; e o Dr. Justinus Kerner, médico da prisão de Weinsberg, reproduz numerosos interrogatórios dessas testemunhas.

Esse Espírito dizia ter sido, durante sua vida terrena, um prelado que vivera em Wimmenthal, o qual, depois de ter passado à vida espiritual, havia muitos anos, se encontrava, ainda, em condições inferiores em razão de graves faltas cometidas durante sua vida. Era obsediado por um monoideismo post-mortem que concordava com sua convicção de haver falhado em seus deveres como padre e esse monodeismo consistia em pedir à vidente e a toda gente que orassem por sua alma. O fantasma entrava, muitas vezes, pela porta, abrindo-a e fechando-a de maneira visível.

Se, ao contrário, ele entrava pela janela que era alta e protegida por fortes barras de ferro, o fantasma conseguia sacudi-la, energicamente, enquanto 6 ou 7 homens ebilmente. Quando a aparição se aproximava de alguém, percebiam-se lufadas de vento gélido, acompanhadas de ruídos. Sua cabeça era circundada por uma luminosidade fosforescente. Muitas pessoas só viam isto, mas outras distinguiam uma sombra vaporosa de forma humana.

Quando o fantasma tocava alguém, sentia-se uma espécie de calor no local tocado e ali se formava uma mancha rubra ou mesmo uma bolha de queimadura em certos membros da comissão aos quais, frequentemente, se manifestava ou entrava em contacto direto com eles, Quando a vidente, a pedido do Espírito, obtinha autorização de voltar a Wimmenthal para orar por ele, nos locais em que havia vivido, ela caia desmaiada em meio às pessoas que a acompanhavam.

Voltando a si, ela contava que o fantasma mandava que ela fechasse sua mão antes de a deixar. Depois de tê-la envolvido em um lenço, ela a estendia. Nesse contacto, uma pequena chama se desprendia do lenço e aí se encontravam as marcas de seus dedos sob a forma de queimaduras.

Depois desta última manifestação, o Espírito não reaparecia mais, nem na prisão nem aos membros da comissão. A materialização do fantasma foi, pois, presenciada por muitas pessoas e isto é muito importante para certificar a autenticidade da manifestação e da materialização.

Fonte

Revista Internacional de Espiritismo
de janeiro de 1976.
http://www.universoespirita.org.br/
periodicos%20na%20integra/
rev_internacional_esp/janeiro76/
fenomeno_das_maos_de_fogo_dr_roger.htm

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