O PLANO DE QUATRO ANOS

Palestra do Dr. Peter Khan, nos EUA, sobre o "Plano de Quatro Anos"

PRIMEIRA PARTE

Gravação e transcrição por
Deborah Buchhorn

Queridos amigos, estou muito contente por ter a oportunidade de encontrar-me com vocês nesta tarde e falar sobre um tópico que me é tão fascinante, como o Plano de Quatro Anos.


Como todos podem bem compreender, o meu papel neste Plano de Quatro Anos foi como um dos participantes na consulta da Casa Universal de Justiça na formulação daquele documento, mas desde o Ridván, o meu papel, assim como o de vocês, é o de estudar este maravilhoso documento, tentando tirar dele discernimento e compreensão. E é neste contexto que lhes falo nesta tarde, não falando obviamente pela Casa Universal de Justiça, nem meus pontos de vista representam necessariamente aqueles da Instituição. Eu lhes falo como um crente individual, que da mesma forma que nós todos, teve a oportunidade de examinar esta mensagem e tentar tirar dela o máximo proveito.


Conforme os dias e as semanas passam, torna-se cada vez mais evidente para mim, que o Plano de Quatro Anos representa não apenas um outro de uma série infinita de planos que vieram do Centro Mundial da Fé, durante grande parte da idade formativa. Ao contrário, parece-me que este plano representa um significativo momento crítico no desenvolvimento da Fé. Ele não é como os outros planos, ele tem certos aspectos radicalmente diferentes e minha impressão é que o Plano de Quatro Anos representa a atenção muito mais concentrada no desenvolvimento do modo de vida bahá’í, enfim, na civilização bahá’í, do que foi evidente em qualquer outro plano dos últimos anos. Este é um tipo diferente de plano, sua ênfase não está somente na propagação da Fé, no seu crescimento numérico, mas também numa amplitude não vista anteriormente em nenhum outro plano. Ele focaliza o modo de vida bahá’í.


Na medida em que me esforço para compreender a natureza e significado deste plano, parece-me que há três princípios muito importantes formando sua base. Obviamente, esta é a visão de um indivíduo; outros estudariam o plano e iriam dizer que há dezessete princípios importantes nele e os considerariam tão válidos quanto os meus. Mas conforme eu o vejo, percebo que há três princípios muito importantes, sobre os quais é necessário refletir e compreender da forma mais profunda possível, a fim de que se possa avaliar do que se trata este plano e seu porque.


O primeiro dos três é que eu acredito que o Plano de Quatro Anos representa, de uma forma não evidenciada anteriormente, o ponto de vista não convencional do mundo, que os bahá’ís apoiam. Vivemos numa sociedade que vai indo numa direção determinada, que contém seus próprios interesses, seu valores, suas preocupações e inquietudes. Imersos que estamos nessa sociedade, é sem dúvida, muito importante que paremos periodicamente e lembremo-nos que nossas opiniões do mundo diferem notadamente, radicalmente, daquelas pessoas à nossa volta. No centro dessas diferenças está o ponto de vista bahá’í sobre as forças espirituais.



Nossa visão, no meu entender, é que qualquer modelo adequado do mundo em que vivemos, tem que levar em conta que há enormes forças espirituais atuando nele. Isto não é apenas uma questão teológica abstrata. Acreditamos que estas forças espirituais têm direta relação com a conduta de todos os indivíduos, sejam eles bahá’ís ou não. Mas a vasta maioria da população humana que não é membro da Fé Bahá’í, é assim mesmo influenciada por estas forças espirituais. O que eu leio nas Escrituras Bahá’ís indica-me que a existência e operação destas forças são essenciais para a compreensão adequada dos programas governamentais e sociais e que o rumo dos acontecimentos mundiais na parte final do século dezenove, durante todo o século vinte e mais adiante, somente podem ser entendidos em termos da operação das forças espirituais. É neste sentido que acredito que a perspectiva bahá’í do mundo não é simplesmente um pouco diferente, nem simplesmente um tanto diferente, nem mesmo muito diferente, mas radicalmente diferente daquela perspectiva das pessoas ao nosso redor.


Pensarmos no que está acontecendo para nós, no que está acontecendo para aqueles ao nosso redor, no que está acontecendo para o mundo em que vivemos, é fortemente determinado pela ação das forças espirituais. E vocês encontrarão isto mencionado no Plano de Quatro Anos, particularmente nos parágrafos 37 e 38 (em inglês). A perspectiva bahá’í é assentada muito claramente por Shoghi Effendi numa passagem do livro "O Advento da Justiça Divina", onde, num trecho, o Guardião fala sobre o que ele chama da força inata de Deus. Ele nos diz que esta força se origina da vinda do Báb e de Bahá’u’lláh, e ele continua a descrevê-la com as palavras do Báb "que vibram na mais secreta essência de todas as coisas criadas." E então ele cita Bahá’u’lláh, que mencionando esta força, declara que sua influência vibradora desequilibrou o mundo e revolucionou sua vida ordenada. Nestas e em muitas outras passagens das escrituras do Guardião nós lemos não simplesmente poesia, não simplesmente inspiração, não simplesmente idéias que inspiram o coração, as quais movem a alma, mas sim nós lemos declarações de verdade, declarações precisas da verdade analítica, descrevendo o estado e a condição do mundo e o que está acontecendo nele. E da forma que eu entendo esta passagem, o Guardião está nos dizendo que uma força misteriosa foi injetada na criação. Com a vinda do Báb e Bahá’u’lláh aquela força está trabalhando hoje, não simplesmente nos corações dos bahá’ís, não simplesmente nas instituições da Fé Bahá’í, mas muito mais amplamente e de modo muito mais geral, como diz o Báb, "vibrando dentro de todas as coisas criadas e todas as entidades criadas na terra." Isto tem várias implicações muito importantes para nós.


Uma destas é que nós, como bahá’ís, somos desafiados a internalizar em nossos pensamentos a existência e a operação daquela força. Em outras palavras, a levar isso em conta não somente em nosso pensamento consciente mas em nosso ser inconsciente. Deixe-me dar o exemplo da força da gravidade. É parte de nosso modelo inconsciente do mundo. Se eu atirar uma pedra pela janela eu espero naturalmente que ela caia, e não suba. Eu não digo a mim mesmo "bem, deixe ver o que é a força da gravidade, será que ela vai funcionar, de que lado a pedra irá cair, deixa eu calcular etc.". Tornou-se parte de meu pensar automático, eu tentar não cair de um avião, ou andar sobre rochedos ou coisas parecidas, não através de um pensamento calculado de minha parte, mas simplesmente porque a força da gravidade tornou-se parte do meu modelo inconsciente do mundo.


Assim, eu acho que o grande desafio para nós como bahá’ís é, através de nosso aprofundamento, através de nossa meditação e nossas orações, nos tornarmos tão profundamente conscientes da existência desta grande força espiritual que foi injetada no mundo, com a vinda dos Prometidos, que isto se torna automático em nossos pensamentos. E é claro que o exemplo da vida de ‘Abdu’l-Bahá é insuperável em oferecer-nos um modelo de vida na qual a existência destas forças espirituais foi, de maneira tão automática, parte de sua vida.


Esta força espiritual é também crucial para nossa confiança e nossa visão do futuro. Se nós não nos conscientizamos desta força espiritual, seremos com certeza medrosos, incertos, profundamente perturbados pelas forças dispostas contra nós, e pelas dificuldades que enfrentamos.


Houve uma carta muito interessante escrita pela Casa Universal de Justiça, em janeiro de 1971, para uma das Assembléias Nacionais da Europa, que naquela época estava enfrentado grandes dificuldades no progresso da Fé, e ela fez uma compreensiva e detalhada análise dos problemas enfrentados naquele país, da falta de recursos material e humano disponível naquela comunidade bahá’í e os desafios diante dela. Sendo feita aquela análise, escreveram para a Casa Universal de Justiça pedindo orientação sobre o que deveriam fazer. Na resposta da Casa Universal de Justiça há um parágrafo crucial onde menciona a necessidade de maior compreensão do poder de Bahá’u’lláh para intensificar os esforços daqueles que O servem, de Sua promessa em faze-lo, e da impotência de todas nossas ações sem esta divina assistência. O ponto crucial para o qual desejo chamar sua atenção é a seguinte declaração desta carta da Casa Universal de Justiça que diz:


"Qualquer avaliação da situação é totalmente enganosa se não levarmos em consideração este poder supremo." Acho que esta exortação é extremamente forte. Não diz apenas que aquela análise é inadequada, é incompleta, se não abrigar a existência desta misteriosa força espiritual. Certamente vai muito mais longe e diz "qualquer avaliação é totalmente enganosa" se "a existência e o funcionamento desta força espiritual não for dado o devido peso."



Nossa crença nestas forças espirituais e sua ação no mundo dão origem ao fato de que nós usamos em nossa conversa e em nossas Escrituras algumas palavras muito estranhas. E uma destas estranhas palavras que usamos em nosso discurso bahá’í é "destino". Nossas Escrituras citam o "destino", citam o "destino das nações". Aqui nos Estados Unidos temos trechos endereçados aos bahá’ís da comunidade dos Estados Unidos que falam sobre o "destino da América". Que há um certo fim pré-ordenado aos acontecimentos neste país, e ao papel que as pessoas desta nação estão na verdade destinadas a executar. Isto não cerceia a legitimidade da escolha individual de nosso direito de seguir ou não , de agir correta ou incorretamente, mas somos ensinados que coletivamente, no macro senso há um destino determinado para os acontecimentos no mundo.


Isto ficou bem evidente quando a Casa Universal de Justiça emitiu sua declaração sobre a paz mundial. E descreveu-a não somente como algo que esperamos e almejamos e trabalhamos por ela, mas algo que é inevitável. Mais uma vez, o senso do destino que nos é informado pela nossa consciência da operação de tais forças espirituais.


Pode ser encontrado no "Advento da Justiça Divina", onde Shoghi Effendi, falando do destino da América na parte final daquele livro, faz referência à nação americana como um todo, seja através da ação de seu governo ou de outra forma. Ele descreve esta nação gravitando sob as influências de forças que ela nem compreende nem controla, em direção às associações e políticas onde seu verdadeiro destino deve ficar, conforme indicado por ‘Abdu’l-Bahá. Isto é revolucionário! Isto é incrível! Este é o tipo de coisa que poderá prendê-lo se você falar sobre isso muito alto, fora desta sala, porque Shoghi Effendi está nos dizendo que esta nação magnífica, na qual estamos agora, está gravitando sob a influência de forças que não se pode compreender nem controlar. Qual comentarista político irá concordar com esta perspectiva? Quem terá a coragem de dizer que os Estados Unidos em sua política de governo está sujeito a forças que não entende nem controla? Desde que este é ano de eleições, quem seria eleito com este tipo de plataforma? Nosso ponto de vista é muito, muito diferente daquele da sociedade ao nosso redor, conforme Shoghi Effendi nos diz naquele trecho que li. Esta nação, assim como outras nações que nos rodeiam, estão se desenvolvendo em direção àquele ponto para onde seu verdadeiro destino deve caminhar.


Este conceito de destino, este conceito de uma meta anteriormente pré-ordenada quanto à posição de várias nações no mundo, derivam de nossa percepção, nossa apreciação das misteriosas forças espirituais atuantes no mundo. Em nossas vidas diárias, estamos sujeitos às influências de todos os lados; nós temos os noticiários na televisão, temos jornais, as conversas com os amigos na escola ou no trabalho, ou no contato social, e através de todas estas interações ficamos inclinados a esquecer, a não dar o devido valor ao fato que o nosso modelo de mundo é radicalmente diferente, é totalmente diferente daquele das pessoas ao nosso redor, nosso propósito é totalmente diferente, porque esta grande força espiritual está trabalhando no mundo.


É por esta razão que nós que somos bahá’ís nos vemos às vezes levando em frente atividades que para o mundo a nossa volta parece irracional. Atividades de sacrifício voluntário. Se a hora chegar, até atividades de martírio. A política da Casa Universal de Justiça, a não ser que seja examinada sob a perspectiva espiritual, parecerá algumas vezes irracional. Sobre que base racional a Casa Universal de Justiça decidiu lançar-se ao vasto projeto de construção que chamamos o Projeto do Arco. No estado de Israel, numa posição exposta, de frente para uma refinaria de petróleo, num maior porto daquele país, num tempo de tal tumulto e perigo e convulsão, e na perspectiva de guerra destrutiva naquele país; onde estava a racionalidade de tal decisão? Porque agora? Por que não daqui a cinqüenta anos quando talvez o país esteja mais aquietado? Porque neste momento?


A resposta somente pode vir através da percepção da operação de grandes, poderosas, misteriosas forças espirituais. E eu sugiro que este seja um dos princípios básicos que fundamentam o Plano de Quatro Anos.


O segundo princípio que eu vejo como básico ao Plano de Quatro Anos é sua extraordinária ênfase sobre os processos ao invés de eventos.


E eu penso que se você olhar através das mensagens do Plano de Quatro Anos, achará com freqüência que nossa atenção é dirigida não simplesmente para eventos, porém muito mais para os processos. Nós vivemos num mundo onde a atenção é principalmente sobre eventos e ocorrências. Como bahá’ís nós damos o devido valor para as eventos. Um aniversário de alguém é um evento. A noite ou o dia da Festa de Dezenove Dias é um evento. Nós não negamos o significado e mérito dos eventos. O dia 21 de abril é um evento. Mas a ênfase principal na nossa religião, me parece ser, nos processos ao invés de nos eventos, e isto, eu acho, deriva do fato de que nós vemos nossa religião e sua comunidade como orgânica, e em qualquer corpo orgânico há processos em ação: o processo de crescimento, o processo de desenvolvimento de talentos e habilidades, o processo de envelhecimento. Todas essas coisas são processos que caracterizam a evolução de um corpo orgânico no tempo.


E eu acredito que o Plano de Quatro Anos direciona a nossa atenção de forma bem maior, que outros planos, para a existência e funcionamento dos processos. Esta mudança de orientação, esta mudança de ponto de vista, do evento para o processo, tem muitas implicações significativas.

Parte 2   Parte 3

TEXTOS DE INSPIRAÇÃO NA FÉ BAHAI

OPINIÕES FAMOSAS SOBRE O MOVIMENTO BAHAÍ - 1


OPINIÕES FAMOSAS SOBRE O MOVIMENTO BAHAÍ - 2


PENSAMENTOS DE BAHÁ'U'LLÁH - 1


PENSAMENTOS DE BAHÁ'U'LLÁH - 2


AUTOBIOGRAFIA DE BAHÁ'U'LLÁH


UMA BIOGRAFIA DE BAHÁ'U'LLÁH


CURIOSIDADES, EPISÓDIOS E INFORMAÇÕES


CRONOLOGIA E PALAVRAS DE SABEDORIA


O PLANO DE QUATRO ANOS - 1


O PLANO DE QUATRO ANOS - 2


O PLANO DE QUATRO ANOS - 3


COMPREENDENDO O HOJE, SOLUCIONANDO O AMANHÃ


A RENOVAÇÃO DO PENSAMENTO HUMANO E O DIREITO - 1


A RENOVAÇÃO DO PENSAMENTO HUMANO E O DIREITO - 2


EDUCAÇÃO PARA OS DIREITOS HUMANOS


PONTO DE VISTA BAHAI SOBRE AS DROGAS


MODELO ATUAL DE EDUCAÇÃO PARA NOSSOS FILHOS - 1


MODELO ATUAL DE EDUCAÇÃO PARA NOSSOS FILHOS - 2


GLOSSÁRIO DE TERMOS ORIENTAIS E BIBLIOGRAFIA

OS TEXTOS DE IRADJI ROBERTO EGHRARI

A PAZ INTERIOR - 1


A PAZ INTERIOR - 2


NÓS E O FINAL DO MILÊNIO - 1


NÓS E O FINAL DO MILÊNIO - 2


O DIA DE DEUS - 1


O DIA DE DEUS - 2

CURSO GRATUITO - PRIMEIRA PARTE

LIÇÃO 1    LIÇÃO 2


LIÇÃO 3    LIÇÃO 4


LIÇÃO 5    LIÇÃO 6


LIÇÃO 7    APÊNDICE

POESIAS DE
INSPIRAÇÃO BAHAI

1    2    3    4    5

FONTE DO TEXTO

http://www.bahai.org.br



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