O PLANO DE QUATRO ANOS

Palestra do Dr. Peter Khan, nos EUA, sobre o "Plano de Quatro Anos"

SEGUNDA PARTE

Gravação e transcrição por
Deborah Buchhorn

Significa que nós devemos tornar-nos sensíveis para reconhecer o significado dos pequenos eventos. Se nós tivermos que ser orientados pelo processo, nós temos que nos tornar suficientemente criteriosos, suficientemente perceptivos para reconhecer que alguns pequenos eventos são mais significativos em termos de processos. Outros pequenos eventos são insignificantes, são nada. Porém, alguns pequenos eventos são bem cruciais.


Encontramos vários exemplos disso nas Escrituras Bahá’ís. Vocês acharão, por exemplo, o notável exemplo do Guardião em "O Renascimento da Civilização Mundial" ("Unfoldment of World Civilization"), a carta onde ele menciona o que é considerado como um evento bem pequeno, bastante secundário e um tanto embaraçoso, que ocorreu no final do anos 30, quando a Liga das Nações decidiu impor algumas sanções sobre a Itália devido sua invasão da Etiópia. Estas sanções não tiveram efeito, as nações não concordaram em seguí-las, ou concordaram nominalmente mas não na prática e tudo foi um terrível fracasso para o enorme embaraço da Liga das Nações.


Shoghi Effendi, no entanto, tratou aquele pequeno incidente bem diferente, fazendo referência a ele como algo sem precedentes no mundo. Ele disse que a decisão deles é sem dúvida um acontecimento sem paralelo na história da humanidade, porque pela primeira vez na história humana o sistema de segurança coletiva, que foi enunciada por Bahá’u’lláh, foi tentada. Não importa que tenha falhado, foi um passo a frente, ele a viu como deveras significativo para o desenvolvimento do processo de governo mundial.



Há vários outros trechos nos escritos do Guardião onde ele menciona a grande importância de acontecimentos que ele veria como relativamente menores ou relativamente pequenos. Deixem-me dar mais um exemplo de Shoghi Effendi, quando relatando no "Citadel of Faith" sobre as atividades do presidente Woodrow Wilson – que era visto de várias formas como um visionário cujas ações não levavam a um resultado muito efetivo – que havia ficado muito desapontado com o Congresso dos Estados Unidos em relação à sua participação na Liga das Nações. Shoghi Effendi, entretanto, refere-se às atividades do presidente W. Wilson em firmar suas opiniões sobre o futuro da organização da humanidade e em representar um papel no estabelecimento da Liga das Nações, não somente elogiando o grande sucesso e os empreendimentos do presidente Wilson, porém mais do que isso, o Guardião diz que os feitos daquele presidente assinalaram o amanhecer da Paz Maior. Não o amanhecer da Paz Menor, o amanhecer da Paz Maior. Este é ainda mais um exemplo da sensibilidade divinamente guiada do Guardião, em prever o grande significado de acontecimentos, que na visão do mundo eram insignificantes, menores, ou relativamente inconseqüentes.


Isso deriva mais da orientação do processo do que do evento, e nós precisamos extrair do aprofundamento nas Escrituras uma sensibilidade similar, uma visão similar para que nós possamos reconhecer que em pequenos eventos há grande significado na perspectiva de processo. Significa também que precisamos enorme paciência para estabelecer o alicerce do futuro crescimento da Fé. Precisamos ter confiança em reconhecer que aquilo que nós fazemos é um passo na evolução de um grande e poderoso processo no futuro.



Este processo orientador também requer que desenvolvamos a sabedoria para saber o que é apropriado para determinado estágio da Fé, e o que é inadequado, o que é melhor deixar para o futuro, e o que foi bom trinta ou quarenta anos passados não é adequado para hoje. As necessidades mudam de acordo com a evolução do processo.


O Plano de Quatro Anos, é claro, está cheio de processos. A Casa Universal de Justiça na mensagem de janeiro de 1994, sobre o Projeto do Arco aludiu à Ordem Mundial de Bahá’u’lláh como representando a ação de três processos interativos. Um, o desenvolvimento do Centro Mundial, baseado na Epístola do Carmelo; o segundo processo o desenvolvimento da Ordem Administrativa baseado na Ultima Vontade e Testamento de ‘Abdu’l-Bahá, e terceiro, o desenvolvimento da propagação da Fé no mundo, baseado nas Epístolas do Plano Divino. Estes três processos estão operando no funcionamento da comunidade bahá’í, que interagem intimamente uns com os outros, o que significa que devemos dar a devida atenção para os três simultaneamente no trabalho da Fé, e pode-se verificar a vantagem da análise da forma e estrutura do Plano de Quatro Anos em termos da operação destes três processos.


Às vezes quando estou viajando, os amigos falam sobre o Plano de Quatro Anos dizendo que seu principal objetivo é a entrada em tropas. Por não querer parecer arrogante ou carola, ou um sabe-tudo, normalmente eu fico quieto ao ouvir isso, mas internamente eu me encolho, porque eu não acho isso verdade. Eu não creio que o Plano de Quatro Anos é sobre a entrada em tropas. Eu creio que o Plano de Quatro Anos é sobre o avanço do processo de entrada em tropas e como evidência disso eu sugiro que se olhasse atentamente todas as vezes que fosse usada a frase "entrada em tropas" no Plano de Quatro Anos, ou nas mensagens suplementares associadas a ela, e sugerirei que poderão verificar que a Casa Universal de Justiça foi muito, muito cuidadosa ao usar o termo "entrada em tropas" associada ao preâmbulo de "acelerando o processo de entrada em tropas".



Nosso Plano de Quatro Anos está designado para acionar o processo ao longo de seu caminho. Se nas Ilhas Cook ou em Tuvalu no Oceano Pacífico, estão ingressando três ou quatro crentes por ano, talvez no fim do Plano de Quatro Anos estaremos recebendo vinte ou trinta novos crentes num ano, ainda relativamente modesto comparado à população daquelas áreas, mas um avanço no processo. E a orientação do Plano de Quatro Anos para com o processo é ilustrado fortemente pela focalização no avanço do processo da entrada em tropas, e pode-se encontrar na compilação emitida pela Casa Universal de Justiça e preparada por seu departamento de pesquisa alguns anos atrás, sobre entrada em tropas, que é totalmente orientada através do processo, não pelo evento, e acho que ao compreender a diferença entre processo e evento, estaremos bem sucedidos em nos orientarmos quanto ao que a Casa Universal de Justiça tem em mente como objetivo central do Plano de Quatro Anos.


O terceiro dos três princípios fundamentais que eu vejo como base do Plano de Quatro Anos é o conceito de mudança.


Estou mencionando isso porque minha observação da história é que as religiões têm muitos problemas no que tange à mudança. É muito difícil para uma religião ou uma comunidade religiosa ou organização lidar com a mudança. A mudança é perturbadora, a mudança pode provocar ruptura, a mudança pode levar à divisão ou à polarização, freqüentemente sob o impacto do desenvolvimento da sociedade. Quando a religião está sujeita ao stress da mudança, sua comunidade tende a polarizar. Um segmento daqueles que são tradicionais, que são resistentes à novas idéias, que não desejam a mudança, que dizem "o que há com você ? Isto funcionou tão bem por tantas décadas. Porque você está querendo virar o barco? Porque está mudando tudo?" E aquele outro segmento, daqueles tão concentrados na mudança, tão apegados à ela que seguem caminhos superficiais e efêmeros, destroem os alicerces da comunidade religiosa, criando desunião.



Assim, a mudança tem sido historicamente um problema difícil para as comunidades religiosas resolverem. Aonde á que a Fé Bahá’í se encaixa nisso? Quando olhamos para os ensinamentos bahá’ís vemos que o estado humano ideal que nossa religião procura criar em seus seguidores não é um grupo de autômatos obedientes, nem um conjunto de robôs seguindo instruções rígidas. A posição humana ideal que esta nossa religião está criando é aquela da criatividade, de seres humanos que são inovadores que geram conhecimento através da invenção e da visão. Nossa religião procura o desenvolvimento social e individual. Ela visa a mudança. Nossa religião é focada em criar uma civilização em constante avanço.


Nosso acesso à mudança não termina com a morte do indivíduo. Nosso conceito de vida após a morte não é um paraíso estático onde sentamos nas relvas ao longe de riachos, saboreando uvas e coisas semelhantes. Nosso conceito de vida após a morte é dinâmico, algo mutante e progressivo, além das dimensões de espaço e tempo, qualquer progresso que haja naquele contexto. Progresso - avanço em direção a Deus! É por esta razão que eu acredito que a Fé Bahá’í representa num âmbito jamais visto na história humana, uma religião comprometida com a mudança. Mudança está em nosso sangue. Mudança é intrínseca ao âmago de nossa religião. Mudança é básica ao propósito e direção de nossa religião e vocês verão que o Plano de Quatro Anos requer a mudança e em muitos casos, mudança substancial.



‘Abdu’l-Bahá afirma num trecho que está citado em "Wellspring of Guidance": "os tempos nunca permanecem os mesmos, pois a mudança é uma qualidade necessária e um atributo essencial deste mundo, de tempo e de lugar." E é por este motivo que eu acredito que uma das mais importantes funções da Casa Universal de Justiça como uma instituição da Causa é de promover a mudança e adaptação apropriada do funcionamento desta religião a fim de acomodar, facilitar e promover a mudança.


Isto tem implicações vitais para nós. Significa que precisamos nos aprofundar na Fé. Porque se alguém abrir a porta para a mudança, e nós não tivermos apenas aberto a porta, mas arrancado a porta de seus batentes, se outro abrir a porta para mudança como nós o fizemos, é crucial que alguém tenha a visão, a sabedoria e o discernimento para distinguir dentre aquelas coisas que não deveriam ser mudadas e que devem permanecer constantes, daquelas que são sujeitas à mudança. Se isto for confundido, acontecerão todos os tipos de problemas. Se mudarmos aquilo que deve permanecer constante, iremos solapar os fundamentos da religião e em última análise teremos sido desobedientes a Bahá’u’lláh. Se permitirmos que permaneçam fixas aquelas coisas que podem ser mudadas, retardaremos o propósito da Fé que é o avanço, desenvolvimento, criatividade, inovação, uma civilização em constante evolução.



Um dos propósitos mais importantes do Convênio é prover os necessários meios à iniciativa, à criatividade, e a mudança dentro dos limites de preservação da integridade, pureza, e unidade da Fé. O Convênio foi, num sentido bem real, nos dado por Bahá’u’lláh e ‘Abdu’l-Bahá, para prover a correta estrutura para a mudança, para que possamos acomodar e facilitar as mudanças e ainda continuemos obedientes a Bahá’u’lláh, não mudando aquilo que deva ser constante, e distinguindo entre o que não deve ser mudado e aquilo que está sujeito às modificações.


Nós encontramos em nossa Fé, assim como noutros que são artistas, que são criativos, que são grandes intelectuais, que são eruditos - que a obediência e a disciplina são pré-requisitos essenciais à criatividade e à mudança e é naquele sentido que o Convênio deve ocupar um papel central em nossas vidas, não simplesmente para preservar a integridade e unidade da Fé, mas bem mais do que isso, abrir o caminho para a mudança legítima e correta dentro do domínio ordenado por Bahá’u’lláh.



Precisamos também cultivar o senso de segurança que é aberto à mudança apropriada que provê o grau necessário de flexibilidade para ação dentro da Fé. Devemos evitar a rigidez e também evitar a tendência à excessiva fluidez, que de fato é muito destrutiva assim como contrária aos ensinamentos da Fé.


Por esta razão é que encontramos em vários trechos do Plano de Quatro Anos e também em mensagens suplementares aos bahá’ís da América do Norte e Groelândia, que a Casa Universal de Justiça enfatiza a importância da confiança e certeza quanto às Instituições da Fé a fim de que a Causa possa realizar o seu potencial. Porque é as instituições da Fé que nós nos dirigimos para orientação e coordenação em guiar-nos apropriadamente pelas dimensões de mudanças através do que está aberto à mudanças e o que precisa permanecer imutável e constante. E com o passar dos anos e conforme os perigos da precisão política nos alcancem, tornar-se-á mais e mais importante que fique claro em nossas mentes que há certas coisas em nossa religião que não estão abertas à mudanças porque elas foram ordenadas pelas autoridades infalíveis em nossa Causa e há certas coisas que são suscetíveis à mudanças onde modificações são bem vindas, como parte do exercício do progresso e da criatividade humanos.


(aqui houve falha no tape)



A conclusão de minha palestra é dirigida à natureza da comunidade bahá’í. Quero enfatizar o ponto em que o Plano de Quatro Anos descerra o véu e nos mostra o tipo de comunidade que estamos almejando criar.


Parece-me que ele indica que desejamos criar uma comunidade religiosa que não tem precedente na história da humanidade e que é sem paralelo nas mais variadas comunidades humanas.


Vou ilustrar: uma das maiores ênfases no Plano de Quatro Anos é aquela da iniciativa individual. Isto pode ser encontrado nos parágrafos 20, 21 e 22 (em inglês) daquela mensagem; o chamado constante para os indivíduos, para todo o corpo da comunidade bahá’í é para que seja oferecida uma condição apropriada para a iniciativa individual.



Estamos procurando criar uma comunidade bahá’í de ativistas. De indivíduos que sejam ativos; nós não somos passivos; daqueles que sentam e esperam as ordens, porem pessoas que pensam; que participam nas consultas; que oferecem os seu pontos de vista; que oferecem suas ponderações de várias formas.


Em contraste com tantas organizações vemos iniciativa e atividade individuais como fonte de vigor em vez de fraqueza. Freqüentemente vemos organizações colocarem seu poder no fato de que eles têm esta audiência cativa de pessoas que fazem o que quer que lhes digam: vire para direita, ande para esquerda, vá em frente, pare, mova, corra, pule, qualquer coisa. Nós vemos nossa força na iniciativa e ação do indivíduo. Procuramos criar aquele tipo de comunidade.



Além disso, nosso conceito de uma comunidade bahá’í é descrita no parágrafo 25 da mensagem do Plano de Quatro Anos: uma composição de vários participantes interagindo, que estão conseguindo unidade numa procura incessante para o progresso espiritual e social. Não somente procuramos pela iniciativa individual, antes, procuramos pela diversidade e interação de todos os participantes da comunidade bahá’í.


Não vemos o estado ideal espiritual como aquele convencionalmente indicado pelas religiões: daquela pessoa que se retira para um lugar solitário para contemplar profundamente sobre assuntos espirituais, que vive como um eremita ou um monge, como um recluso num monastério, ou num deserto. Antes, nosso conceito de progresso espiritual é que variados participantes cooperem engajados na procura do progresso espiritual e social. É de fato muito, muito diferente.

Parte 1   Parte 3

TEXTOS DE INSPIRAÇÃO NA FÉ BAHAI

OPINIÕES FAMOSAS SOBRE O MOVIMENTO BAHAÍ - 1


OPINIÕES FAMOSAS SOBRE O MOVIMENTO BAHAÍ - 2


PENSAMENTOS DE BAHÁ'U'LLÁH - 1


PENSAMENTOS DE BAHÁ'U'LLÁH - 2


AUTOBIOGRAFIA DE BAHÁ'U'LLÁH


UMA BIOGRAFIA DE BAHÁ'U'LLÁH


CURIOSIDADES, EPISÓDIOS E INFORMAÇÕES


CRONOLOGIA E PALAVRAS DE SABEDORIA


O PLANO DE QUATRO ANOS - 1


O PLANO DE QUATRO ANOS - 2


O PLANO DE QUATRO ANOS - 3


COMPREENDENDO O HOJE, SOLUCIONANDO O AMANHÃ


A RENOVAÇÃO DO PENSAMENTO HUMANO E O DIREITO - 1


A RENOVAÇÃO DO PENSAMENTO HUMANO E O DIREITO - 2


EDUCAÇÃO PARA OS DIREITOS HUMANOS


PONTO DE VISTA BAHAI SOBRE AS DROGAS


MODELO ATUAL DE EDUCAÇÃO PARA NOSSOS FILHOS - 1


MODELO ATUAL DE EDUCAÇÃO PARA NOSSOS FILHOS - 2


GLOSSÁRIO DE TERMOS ORIENTAIS E BIBLIOGRAFIA

OS TEXTOS DE IRADJI ROBERTO EGHRARI

A PAZ INTERIOR - 1


A PAZ INTERIOR - 2


NÓS E O FINAL DO MILÊNIO - 1


NÓS E O FINAL DO MILÊNIO - 2


O DIA DE DEUS - 1


O DIA DE DEUS - 2

CURSO GRATUITO - PRIMEIRA PARTE

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LIÇÃO 3    LIÇÃO 4


LIÇÃO 5    LIÇÃO 6


LIÇÃO 7    APÊNDICE

POESIAS DE
INSPIRAÇÃO BAHAI

1    2    3    4    5

FONTE
DO TEXTO

http://www.bahai.org.br



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