O PLANO DE QUATRO ANOS

Palestra do Dr. Peter Khan, nos EUA, sobre o "Plano de Quatro Anos"

TERCEIRA PARTE

Gravação e transcrição por
Deborah Buchhorn

Outro componente da visão da comunidade bahá’í encontrado no Plano de Quatro Anos é a ênfase colocada agora na auto-motivação. Especialmente no desenvolvimento da comunidade local.


Há uma declaração muito, muito radical que aparece em mensagens conduzindo ao Plano de Quatro Anos em dezembro do ano passado, que também está mencionado na mensagem do Ridván. E aquele novo elemento radical é uma decisão da Casa Universal de Justiça que iniciando com o Ridván de 1997, todas as Assembléias Espirituais Locais devem ser eleitas somente no primeiro dia de Ridván. O significado deste passo tornar-se-á aparente em alguns meses. Sua importância está indicada pelo fato de que na mensagem de Dezembro de 1995 aos Conselheiros, a Casa Universal de Justiça considerou que isto poderia conduzir a uma perda substancial no numero de Assembléias Espirituais Locais. O que isso quer dizer? Que daqui em diante a responsabilidade principal da formação das Assembléias Espirituais Locais será dos membros daquela comunidade. Não em alguém enviado de um local distante para ir atrás de membros passivos da comunidade e dizer "Hoje é Ridván, vocês não ouviram sobre Ridván? Bem não importa. É Ridván. Nós vamos fazer a eleição, e estas nove pessoas que talvez não estejam todos presentes, são membros da Assembléia Espiritual Local e eu voltarei no próximo Ridván e vamos fazer de novo a mesma coisa." Daqui em diante a auto motivação será o fundamento da vida das comunidades bahá’ís, e esta decisão difícil, se assim poderá chamá-la, irá levar provavelmente a uma perda substancial no número das Assembléias Espirituais Locais no próximo Ridván.


Se esta triste perspectiva for correta, não fiquem assustados, pois faz parte da construção saudável do crescimento da Causa. A Casa Universal de Justiça numa destas várias mensagens nos vários últimos meses diz: "se houver uma perda substancial no número de Assembléias Espirituais Locais no Ridván de 1997, o número irá gradualmente voltar e lógico irá no final exceder o número inicial." É saudável para nós agora, neste ponto, mudar a decisão que havia sido feita há alguns anos devido à natureza do pensamento do processo; mudar a decisão e dizer, daqui para frente faremos diferente e iremos enfatizar a auto-motivação no funcionamento da Assembléia Local.


É parte essencial da evolução da comunidade bahá’í a tal ponto que ao encontrar uma encruzilhada entre qualidade e quantidade, ela irá escolher qualidade. Obviamente ela procura ambos; nós estamos buscando ambas, qualidade e quantidade. Nós preferiríamos que estas decisões nunca aparecessem, mas se isso acontecer nós escolheremos a qualidade em vez da quantidade.


Outro componente da comunidade bahá’í expressa na mensagem do Plano de Quatro Anos, é a ênfase renovada no conhecimento e treino na vida das comunidades bahá’ís. Nós não estamos salvos pela Fé apenas: precisamos de conhecimento, nós precisamos desenvolver as habilidades e treinamentos. E assim encontra-se no Plano de Quatro Anos uma ênfase nos Centros de Estudos Bahá’ís e nos Institutos – uma ênfase bem maior do que apareceu em qualquer outro plano.


Porque? Porque o processo do pensamento levou-nos até o ponto onde, doravante o conhecimento, informação, treino e habilidades serão de vital importância para a vida comunitária bahá’í. Isso significa que estamos caminhando na direção de uma comunidade bahá’í que não parecerá uma congregação cristã disfarçada. Não será constituída de um pequeno grupo de extenuados administradores, que chamamos de Assembléia Espiritual Local ou Assembléia Espiritual Nacional, rodeados por uma congregação de participantes passivos. Será uma comunidade diferente da congregação cristã.


No chamado "terceiro-mundo," nossa comunidade bahá’í não parecerá daí em diante uma religião missionária dirigida por um grupo de americanos ou persas ou australianos ou europeus, com um vasto número de indígenas que basicamente fazem aquilo que lhes dizem para fazer, e reguem instruções do Centro Nacional. Isto será mudado completamente, parecerá como uma espécie diferente de qualquer outra comunidade existente noutros lugares.


Este novo tipo de comunidade bahá’í iluminada pelo conhecimento, vários participantes ativos, iniciativa pessoal, auto-motivação – este novo tipo de comunidade bahá’í não virá a acontecer por um passe de mágica, durante os quatro anos do Plano. Nós estamos iniciando um processo, ao final dos quatro anos estas características das quais eu falo, não terão ocorrido em todos os lugares que gostaríamos, mas o próximo Plano irá construir sobre ele, e o próximo Plano depois dele.


Nós assentamos nossa rota em uma nova e importante direção, a qual poderá levar muitas décadas para conquistar porém nos levará a uma comunidade bahá’í como nada que tenhamos visto antes. Desta forma estaremos contrastando com a sociedade a nossa volta – uma sociedade distinguida mais e mais pela alienação e passividade, faltando aspiração ou visão, suspeitando dos outros, sem laços de confiança e de comunidade. Um contraste entre a comunidade bahá’í e a condição que eu acabei de descrever tornar-se-á mais e mais evidente.



Muitas das coisas que estamos buscando neste plano são o núcleo de grandes desenvolvimentos do futuro. Olho em volta do mundo bahá’í e vejo atividades sendo feitas agora para a criação dos centros de estudo bahá’í. Alguns são muito modestos; em alguns lugares não há nem casa e isto não importa. Em algum lugar, é muito rudimentar em termos do que está sendo feito, e da regularidade sistemática e se há um curriculum mais ou menos conveniente. Porém, é um começo e vejo nestes centros de estudos bahá'í – embora tão modestos – a semente, o início de grandes instituições de estudos bahá’ís, que florescerão nos séculos vindouros. E aqueles futuros bahá’ís, centenas de anos a nossa frente, olharão para trás e imaginarão quão pequeno terá sido o início destes centros de estudo em todos os países do mundo. É neste sentido que eu acho que o Plano de Quatro Anos estabeleceu o momento decisivo no desenvolvimento da Fé.


Estou quase no fim de minhas observações, porém eu tenho mais um ponto de grande relevância a fazer.


Em minha experiência como bahá’í – o qual é assustadoramente longo, como Johanna Conrad muito gentilmente mencionou – notei algumas opiniões erradas que têm havido através dos anos no folclore da comunidade bahá’í, até estou encantado de ver três destes maiores erros sendo descartados no Plano de Quatro Anos. Por "Mensagem do Plano de Quatro Anos ," eu me refiro à mensagem de Ridván e as mensagens suplementares que foram escritas, todas elas fazendo parte do livreto do Plano de Quatro Anos, que eu espero que todos tenham a oportunidade de ler.


Então, antes de concluir, gostaria de falar sobre estes três conceitos errôneos, e para mostrar de que forma vejo como isso foi resolvido pelo Plano de Quatro Anos, e tenho esperança de forma definitiva. De uma forma completamente definitiva.


O primeiro conceito errado é sobre a importância da educação. A mensagem do Plano de Quatro Anos parece-me, chama com muita clareza a atenção dos bahá’ís jovens e velhos, ao fato de que a Fé Bahá'í precisa de mentes bem treinadas. Precisa de pessoas que compreendam os ensinamentos bahá’ís, que são estudiosos, que são bem informados dos acontecimentos do mundo, que têm uma boa, sólida, forte educação, a melhor que puderem ter, de acordo com a circunstância de suas vidas, suas oportunidades, sua liberdade, suas habilidades e suas capacidades. Numa das mensagens do Plano de Quatro Anos, a Casa Universal de Justiça conclama os bahá’ís para treinas suas mentes, para contribuir com as artes, artesanatos e ciências para o avanço da civilização.


Na mensagem para a América do Norte, a Casa Universal de Justiça chama-nos a atenção para procurar almas receptivas nos campus das faculdades e das universidades. Eu menciono isto porque ouço ocasionalmente as pessoas dizerem "o tempo é muito curto; metas divinas têm de ser cumpridas," etc. E isto é verdade realmente, estas são frases que aparecem nas mensagens da Casa Universal de Justiça mas estas frases têm que ser olhadas no contexto. O tempo é curto, as metas têm que ser cumpridas, mas precisamos de crentes com mentes bem treinadas, que são educados, que entendem sobre os caminhos mundanos, que são bem informados, que são capazes de levar em frente o trabalho da Causa.


Precisamos destes amigos com uma grande, imensa pré-condição; se eles não preencherem a condição prévia, então, não – muito obrigado; se eles não conseguirem fazer esta pré-condição, esqueçam. Não procurem a educação, não estudem, não façam nada disso. A pré-condição é que no processo de ser educado e de tornar-se bem informado, tornar-se capaz, adquirindo grandes capacidades, – que estes amigos continuem ativos, devotados e comprometidos ao trabalho da Causa. Se o processo de adquirir eminentes habilidades e educação envolvido for a diminuição do compromisso de trabalho para a Causa, então é um preço alto demais para ser pago. É claro que há ocasiões de sobrecarga, como os exames, coisas para se fazer. Porém, procuramos pessoas que não sejam apenas bem educadas, muito desenvolvidas em altas e eminentes formas, mas ao mesmo tempo, não tenham deixado de lado sua devoção para a Causa, sua adesão ao Convênio, o compromisso ao trabalho da Causa e o apoio as suas instituições.


Aqueles que puderem combinar ambos requisitos são como jóias para nós, conforme caminhamos para o futuro. E aquele conceito errôneo sobre educação eu creio, está perfeitamente resolvido pelo Plano de Quatro Anos.


O segundo dos três erros que eu vejo resolvido pelo Plano é concernente às mulheres.


Como todos sabem, nossas Escrituras especificam claramente a importância vital que está vinculada à aplicação e concepção da igualdade entre homens e mulheres. Ao viajar pelo mundo vejo de vez em quando, o desejo e a tentação de colocar de lado este compromisso em nome da prática de tradições e cultura.


Sim, todos nós sabemos que "igualdade ente homens e mulheres é importante na Fé Bahá’í mas isto é algo que devemos prestar atenção no futuro. Se o fizermos agora, nossa cultura será demolida. As tradições que são importantes para nossa forma de vida serão aniquilados e haverá ruptura."



Esta forma de pensamento é totalmente inválida a meu ver. E o Plano de Quatro Anos eu acho, que em várias de suas mensagens, – para a África, para as nações do Pacífico e suas margens, a mensagem ao sub-continente da Índia, para a Ásia central e oriental assim como outros lugares, todos indicam que o acesso da Fé e aquela firme determinação de conseguir-se a completa implementação da igualdade dos sexos; e se isto envolver mudanças nas culturas tradicionais, que seja. Se este é o preço a ser pago, que seja. Fizemos o compromisso de colocar em prática o que Bahá’u’lláh determinou. Se não fosse necessário haver mudança na cultura tradicional, então qual seria o propósito da vinda da Fé Bahá’í? Por que estes ensinamentos são necessários se eles não produzirem mudança?


Neste sentido, vê-se que o Plano de Quatro Anos direciona repetidamente nossa atenção para um maior empenho: causar a completa implementação da igualdade ente homens e mulheres. E isto aplica-se para todos nós – para aqueles de nós que viemos de um passado tradicional onde igualdade não era aparente, e que emigraram para os Estados Unidos, assim como aqueles que vivem em outros lugares tradicionais. Nós estamos totalmente compromissados com a igualdade entre homens e mulheres independente de nossas culturas, e esta má informação é claramente resolvida no Plano de Quatro Anos.


O último conceito errôneo é sobre o papel dos Estados Unidos.


Quando se viaja, ouve-se bahá’ís norte americanos e outros que não o são, questionar se de fato as coisas maravilhosas ditas sobre os Estados Unidos da América nas Escrituras Bahá’ís, ditas por ‘Abdu’l-Bahá e pelo Guardião, se elas ainda podem ser válidas. E esta forma de argumentação geralmente tem a forma do relativo modesto número de adesões – que é uma preocupação para as instituições da Fé nos Estados Unidos, e fora dele – sobre alguns excessos na forma de viver nos Estados Unidos, e todo outro tipo de coisas. Aqueles que são minuciosos em extremo poderão advogar que ele perdeu sua primazia. Poderão dizer: "Bem, o que se referiu ao passado não pode ser aplicado hoje. Tudo já foi cumprido. Agora é diferente" ou poderão dizer: Oh, mas existem declarações similares sobre outros países no mundo, mas somente as referentes aos Estados Unidos são publicadas e propagadas."


Há uma série de propostas engenhosas para esse tipo de idéia, e para alguém que, apesar do que eu disse no ano passado em Wilmette – que não é norte-americano, que é de fato da Austrália – isto é um desafio para alguém que não é norte-americano, para dar a devida importância àquela declaração incrível que existe nas Escrituras Bahá’ís sobre os Estados Unidos da América. Bem, isso tudo é irrelevante agora, porque a Casa Universal de Justiça – como a autoridade investida à Casa Universal de Justiça – deu na mensagem aos crentes da América do Norte a resposta definitiva para esta questão, é minha opinião.


No parágrafo 14 (inglês) daquela mensagem, a Casa Universal de Justiça cita uma declaração muito pródiga do Guardião, sobre os bahá’ís dos Estados Unidos, os protagonistas proeminentes da Causa de Deus, etc. etc. e então fala sobre essa declaração; e o pronunciamento da Casa Universal de Justiça é que ao avaliarmos as distintas realizações dos bahá’ís norte-americanos durante os últimos três anos, vemos incríveis evidências da continuidade da aplicação desta descrição.


No que me concerne esta discussão está acabada. A Casa Universal de Justiça citou ali uma declaração de Shoghi Effendi dando grandes e apropriados louvores aos bahá’ís norte-americanos, e a Casa Universal de Justiça diz que há evidências da continuação da aplicabilidade destas observações e deste tributo de Shoghi Effendi. Então, aqueles que estiveram preocupados com o papel dos Estados Unidos da América na comunidade bahá’í, podem ficar sossegados que esta questão foi agora resolvida pela Casa Universal de Justiça.


Chego agora à conclusão. Meu propósito foi simplesmente indicar-lhes o que vejo de importante no Plano de Quatro Anos.


Estamos obviamente vivendo tempos muito dramáticos. Grandes mudanças estão ocorrendo diariamente. A resposta do mundo Bahá’í ao Plano de Quatro Anos tem sido, eu acho, sem precedentes, em comparação com a resposta a qualquer outro Plano. Temos coisas maravilhosas acontecendo, temos enormes oportunidades, temos uma receptividade aumentando nas pessoas com respeito à Causa. Desafios estão sendo colocados a nossa frente, que incluirão dificuldades, que pedirão por sacrifícios, mas além disso tudo, os dias que iremos defrontar como membros da Comunidade Bahá’í serão tremendos além de nossa imaginação e nos levarão para vitórias tais que nós nem vagamente podemos compreender.


Obrigado.



Palestra sobre o Plano de Quatro Anos, ministrada pelo Dr. Peter Khan, Membro da Casa Universal de Justiça, a amigos bahá’ís, realizado no Centro de Conferências da Universidade Maryland, em 29 de Setembro de 1996. Evento promovido pela Assembléia Espiritual Nacional dos Bahá’ís dos Estados Unidos e pela Assembléia Espiritual Local dos Bahá’ís de Washington. D.C.

Parte 1   Parte 2

TEXTOS DE INSPIRAÇÃO NA FÉ BAHAI

OPINIÕES FAMOSAS SOBRE O MOVIMENTO BAHAÍ - 1


OPINIÕES FAMOSAS SOBRE O MOVIMENTO BAHAÍ - 2


PENSAMENTOS DE BAHÁ'U'LLÁH - 1


PENSAMENTOS DE BAHÁ'U'LLÁH - 2


AUTOBIOGRAFIA DE BAHÁ'U'LLÁH


UMA BIOGRAFIA DE BAHÁ'U'LLÁH


CURIOSIDADES, EPISÓDIOS E INFORMAÇÕES


CRONOLOGIA E PALAVRAS DE SABEDORIA


O PLANO DE QUATRO ANOS - 1


O PLANO DE QUATRO ANOS - 2


O PLANO DE QUATRO ANOS - 3


COMPREENDENDO O HOJE, SOLUCIONANDO O AMANHÃ


A RENOVAÇÃO DO PENSAMENTO HUMANO E O DIREITO - 1


A RENOVAÇÃO DO PENSAMENTO HUMANO E O DIREITO - 2


EDUCAÇÃO PARA OS DIREITOS HUMANOS


PONTO DE VISTA BAHAI SOBRE AS DROGAS


MODELO ATUAL DE EDUCAÇÃO PARA NOSSOS FILHOS - 1


MODELO ATUAL DE EDUCAÇÃO PARA NOSSOS FILHOS - 2


GLOSSÁRIO DE TERMOS ORIENTAIS E BIBLIOGRAFIA

OS TEXTOS DE IRADJI ROBERTO EGHRARI

A PAZ INTERIOR - 1


A PAZ INTERIOR - 2


NÓS E O FINAL DO MILÊNIO - 1


NÓS E O FINAL DO MILÊNIO - 2


O DIA DE DEUS - 1


O DIA DE DEUS - 2

CURSO GRATUITO - PRIMEIRA PARTE

LIÇÃO 1    LIÇÃO 2


LIÇÃO 3    LIÇÃO 4


LIÇÃO 5    LIÇÃO 6


LIÇÃO 7    APÊNDICE

POESIAS DE
INSPIRAÇÃO BAHAI

1    2    3    4    5

FONTE
DO TEXTO

http://www.bahai.org.br



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