BAHÁ 'U 'LLÁH: UMA BIOGRAFIA

FUNDADOR DO MOVIMENTO DA FÉ BAHAÍ

Neste site você conhecerá a vida de um personagem único, aquele que é portador da Mensagem de Deus para a humanidade: Mirzá Husayn Ali, cognominado Bahá'u'lláh (1817-1892). Em oito capítulos, todos extraídos do livro "Introdução ao Pensamento de Bahá'u'lláh", editado pela Planeta Paz (São Paulo, 1995) de autoria de Washington Araújo, você conhecerá a mensagem que vem cativando o coração de milhares de pessoas e que se apresenta como a alternativa possível a estes tempos de descrença e desatenção para com os preceitos divinos.



A vida de Bahá'u'lláh é uma vida, por todos os motivos, incomum. Nosso pensamento ocidental, acostumado a mensurar por parâmetros lineares a vida de qualquer biografado, sente-se tolhido neste caso.


Um Personagem como Bahá’u’lláh encontra o palco do mundo pequeno para conter aquele Espírito que, vez por outra, toma a forma de "templo humano" e "habita entre nós". É nada menos que "o verbo feito carne". Sua influência ultrapassa os limites de Sua época, impulsionando significativamente a civilização.


A verdade é que se torna uma dessas "missões impossíveis" querer circunscrever nosso Biografado na forma linear do ciclo nascimento/morte. O desafio é: como descrever o que é puro Espírito? Daí, decorre uma segunda questão: Como apresentar Esta vida se não por parâmetros a que estamos acostumados?


Buscarei me aventurar nesta trilha, embora convencido de que as palavras serão toscas para transmitir de forma adequada quem foi Bahá'u'lláh. A característica predominante em sua vida é a qualidade de um amor intenso pelo gênero humano.



Bahá'u'lláh nasceu em Teerã, em 1817, entre a alvorada e o nascer do sol de 12 de novembro. Filho de um vizir da corte persa, logo se sobressaiu pela elevada sabedoria e concederam-Lhe o título de "Pai dos Pobres" e fizeram com que fosse, ainda que informalmente, um conselheiro da Corte.


Sua juventude teve tranquilidade até 1844, data em que abraçou com intrepidez e ardor a Causa do Báb, uma Causa que trazia novo alento de vida não apenas à Pérsia mas, como se veria nos anos e décadas seguintes, ao próprio corpo da humanidade e estava destinada a promover a maior revolução espiritual de todos os tempos.


Primeiro, comovendo os alicerces da sociedade persa, engolfando em um mutirão messiânico, ricos e pobres, cultos e iletrados, homens e mulheres de todas as idades. E, progressivamente conquistando corações e mentes além fronteiras. Ninguém poderia ser indiferente ao que estava se desenvolvendo naqueles anos.


Convém mencionar algumas características sobre a Pérsia, hoje Irã, em meados do século passado. Um relato histórico sobre aquela época é enfático:


Todos os observadores concordam em representar a Pérsia como uma nação débil e atrasada, dividida em si por práticas corruptas e feroz intolerância. Ineficiência e miséria - frutos da decadência moral - grassavam em todo lugar. Nas camadas mais altas até as mais baixas, parecia não haver capacidade para se efetivar reformas nem sequer a vontade de instruí-las seriamente.


A vaidade nacional pregava uma grandiosa auto-satisfação. Uma mortalha de imobilidade pairava sobre todas as coisas, e uma prevalecente paralisia mental tornava impossível qualquer desenvolvimento.



Recebida com um banho de sangue, acirrando os ânimos do fanatismo e da intolerância religiosa do Islã, berço de onde nascia a nova Revelação, a verdade é que a Causa do Báb na medida em que trazia a Voz de Deus aos ouvidos de milhões de pessoas, transformou de forma incontestável a vida social, moral e espiritual da Pérsia. O país não foi mais o mesmo. O mundo não foi mais o mesmo.


O próprio Autor de tão estupenda revelação foi alvo de perseguição e violências de um clero muçulmano rebelado à sua Palavra e de um sistema teocrático de governo carcomido pela corrupção e ambição sem paralelos dentre as monarquias então existentes no contexto internacional.


Aprisionado em fortalezas nas regiões montanhosas do país, como as de Mah’ku e Chihriq, o Báb, a despeito de dias tão turbulentos, esteve placidamente a transmitir seus novos ensinamentos e a alimentar a chama que se ateou nos corações que atenderam a Seu chamado.


Vinte mil pessoas foram trucidadas pelo crime de não renegarem a nova Fé. Cenas trágicas da alvorada de uma nova Fé, que encontrava claros paralelos com a saudação que a mesma humanidade, muitas gerações antes, oferecera a Jesus de Nazaré. Na descrição do renomado historiador Ernest Renan, temos uma visão do heroísmo suscitado naqueles dias:


"Um dia que talvez não tenha igual na história do mundo, foi aquele em que ocorreu o grande massacre de babís em Teerã. Avançavam, entre carrascos, mulheres e crianças com pavios acesos, flamejantes, nas feridas. As vítimas eram arrastadas com cordas e obrigadas a caminhar com chicotadas. Quando chegavam ao lugar do suplício, lhes era oferecida a vida novamente desde que abjurassem sua Fé.


Um algoz disse a um pai que se não abjurasse, serraria o pescoço de seus dois filhos sobre seu peito - eram dois garotos, o maior dos quais tinha quatorze anos... vermelhos com seu próprio sangue, com as carnes dilaceradas, escutavam calmamente o diálogo - o pai respondeu, deitando-se no chão, que estava pronto e, o maior dos filhos, reclamando com ímpeto os direitos de primogênito, pediu para ser decapitado primeiro..."



Foi a esta Causa que Mirzá Husayn 'Ali, depois cognominado Bahá’u’lláh, dedicou sua vida: Tinha então 27 anos. Deixava atrás de Si o conforto e a tranquilidade de um lar, os privilégios de uma das mais tradicionais famílias de Mazindarán. Líder inato, tornou-se referencial da oprimida massa de seguidores do Báb, ainda cumprindo rigoroso encarceramento.


Sua sabedoria e argúcia levaram-No a coordenar, em junho de 1848 a primeira reunião dos seguidores no vilarejo de Badasht. Ali, naquela aldeia, a pauta de temas incluía desde um plano para libertação do Báb, até uma proclamação inequívoca dos postulados básicos da mensagem divina da qual ele era o portador, firmando-a como uma religião independente, com seus próprios ensinamentos e tendo seu próprio Livro Sagrado, O Bayán.


O drama vivido pelo Báb, teve o ato final com o Seu fuzilamento, aos 31 anos de idade, em uma praça pública de Tabríz, ao meio-dia de 9 de julho de 1850. As peculiaridades deste drama inspiraram os intelectuais da época, como o filósofo Leon Tolstoi, o eminente orientalista britânico Edward Granville Browne, e inspirou a peça teatral intitulada, O Báb, protagonizada em Moscou por Olga Grinewskaia e depois encenada em prestigiosos palcos de diversas capitais da Europa.


Em agosto de 1852, perturbado com o destino de Seu Mestre, tendo sido inclusive testemunha ocular de Seu assassinato, um jovem chamado Sadíq disparou uma pistola no Xá, buscando vingar a trágica morte de seu Amado. No entanto, utilizara balas de festim. Em decorrência deste ato impensado instaurou-se uma nova onda de massacre aos seguidores da nova Fé. Bahá’u’lláh foi condenado à prisão no Siyáh-Chál (Cova Negra), um calabouço subterrâneo em Teerã, que em anos passados, servira como reservatório público. Acompanharam-no diversos de seus companheiros.


Diariamente um deles era escolhido para a sessão de tortura ou mesmo para ser trucidado. Quando o carrasco vinha buscar um deles, aquele cujo nome era chamado, "dançava literalmente de júbilo, beijava com êxtase as mãos de Bahá’u’lláh, abraçava seus companheiros de crença e, então, não se contendo de alegria avançava para o local do martírio".


Durante quatro penosos meses, na companhia de cerca de 150 delinqüentes, assassinos e salteadores de estradas, com o pescoço agrilhoado pelas pesadas correntes Qará-Guhár (hoje em museu de Teerã) Mirzá Husayn 'Ali recebeu a missão divina - o "manto de profeta".


Este mesmo Espírito Imortal que há 5.000 anos passados revelara-se a Moisés no Monte Sinai, através da Voz que fluia da Sarça Ardente; há 3.000 anos na forma do Fogo Sagrado inspirara Zoroastro, há 2.000 anos através da pomba que baixava sobre a cabeça de Jesus Cristo, na Judéia; e há 1.300 anos comunicara-se com Maomé através do Anjo Gabriel, agora, ali, naquele fétido calabouço, o chamado divino inspirava Mirzá Husayn 'Ali personificado por uma Jovem.



Sobre essa memorável ocasião, Bahá’u’lláh escreveu:


"Uma noite, em sonho, estas exaltadas palavras foram ouvidas de todos os lados: "Verdadei- ramente, Nós Te faremos vitorioso por Ti Mesmo e por Tua Pena. Não lamentes pelo que Te tem sobrevindo, nem temas, pois estás em segurança. Em breve, Deus fará que se ergam os tesouros da Terra - homens que hão de ajudar-Te por Ti e por Teu Nome, por meio do qual Deus ressuscitou o coração dos que O reconheceram."


Mas logo ficou comprovado de forma irrefutável que Bahá’u’lláh não tivera qualquer envolvimento com o atentado à vida do Xá, tendo inclusive o ministro russo atestado a pureza do seu caráter. Com a saúde debilitada, o Xá ordenou que ele fosse exilado para Bagdá, na Mesopotâmia.


Em 1863, o governo turco, atendendo pedido do governo persa, baniu Bahá’u’lláh para Constantinopla. Esta notícia causou grande comoção aos Seus discípulos. Afluíram à casa de seu Mestre para hipotecar sua solidariedade e demonstrar seu desapontamento.


A família viu-se forçada a acampar por doze dias no Jardim de Najíb Pashá, nos arredores da cidade de Bagdá. Foi durante estes doze dias (21 de abril a 2 de maio de 1863), dezenove anos após a declaração do Báb, que Bahá’u’lláh deu a vários de Seus adeptos as boas novas de ser Ele o Prometido de todos os Profetas do passado.


Aquele jardim onde se consumou tão eloqüente proclamação veio a ser então conhecido pelos bahá’ís como O Jardim do Ridván e aqueles dias passaram à história como O Festival do Ridván, anualmente celebrado em cerca de 125 mil localidades onde residem bahá’ís.



A viagem a Constantinopla durou de três a quatro meses. A caravana contava com Bahá’u’lláh, Sua família e mais vinte e seis seguidores. Suportaram um inverno rigoroso e permaneceram naquela cidade apenas quatro meses, sendo novamente o grupo banido para Adrianópolis, terminando por passar cerca de 23 anos de Sua existência terrena confinado na cidade-prisão de ‘Akká, na antiga Palestina, hoje Israel.


Sobre esta prisão um provérbio popular na região dizia que "os pássaros que sobrevoassem ‘Akká cairiam mortos tão nauseabundo era o ar".


Dalí, o Prisioneiro dirigiu mensagens aos reis e governantes da Terra, bem como aos líderes espirituais das grandes religiões. Ele anunciava que as promessas de todos os tempos estavam cumpridas. Em um tempo, em que o esplendor e a ostentação dos monarcas refletiam o vasto poder que exerciam, era curioso observar com que poder e majestade a eles Ele se dirigiu, de forma coletiva:



"Ó Reis da Terra! Já veio aquele que é o Senhor soberano de todos. O Reino é de Deus, o onipotente Protetor, O que subsiste por Si Próprio.


Ó Reis da Terra! A Maior Lei foi revelada neste Lugar, nesta cena de transcendente esplendor. Tudo oculto veio à luz...


Sois apenas vassalos, ó reis da terra! Aquele que é o Rei dos Reis apareceu, adornado de Sua glória... e vos convoca a Ele Mesmo... "

As epístolas de Bahá’u’lláh, dirigidas individualmente aos governantes do mundo foram enfáticas e claras. Disse-lhes que a não ser que os laços de afeição e unidade entre todos os homens fossem ampliados, a não ser que as nações se unissem em amigável cooperação para trazer paz ao mundo, a não ser que os direitos de todos os homens e especialmente os dos pobres e humildes fossem garantidos e salvaguardados.


A não ser que os homens e especialmente os líderes vivos - sem suas vidas de acordo com o que fosse do agrado de Deus e não de seu próprio agrado - seus reinos, suas possessões, seus privilégios, seus prazeres - todos lhes seriam tirados pelo Senhor da Vinha (O Messias) o qual, então daria a vinha (a Terra) àquelas almas dignas entre os eleitos, que sobrevivessem da grande aflição que a humanidade teria trazido para si mesma. Recusando-se, em sua maioria a atender ao seu Chamado, os destinatários destas inspiradas mensagens tiveram o seguinte destino:


Sultão ‘Abdu’l-Azíz, Rei do Império Otomano, foi deposto após uma rebelião do Palácio e assassinado em 1876. A I Guerra Mundial resultou na dissolução do Império Otomano, na abolição do Sultanado e na proclamação de uma República.


Alexandre Nicolau II, o Czar da Rússia, após sofrer vários atentados contra sua vida, morreu assassinado. Uma revolução sangrenta que culminou com a perseguição do clero, sendo então executado o Czar e sua família, extinguindo-se assim a dinastia dos Romanoff.


Francisco José, Imperador da Áustria e Rei da Hungria, foi engolfado em tragédias e calamidades que afligiram sua nação, criando-se uma república das ruinas de seu vão Santo Império Romano, desaparecendo por conseguinte do mapa político da Europa.


Napoleão III, Imperador da França que, ao receber a Epístola de Bahá’u’lláh teria declarado: "Se isto é de Deus, eu sou duas vezes Deus", teve humilhante derrota na Batalha de Sedan (1870) que foi registrada como uma das grandes capitulações militares da história moderna. Ele perdeu seu reino e passou os últimos anos de vida no exílio, seu império entrou em colapso e uma feroz guerra civil foi seguida pela coroação de William I, o Rei Prussiano, como Imperador do Império Germânico Unido, que passou a ocupar o Palácio de Versalhes.


Násiri’d-Din Sháh, o Rei da Pérsia, na plenitude de seu poder, foi assassinado quando orava, na noite da celebração do seu jubileu, que ficaria na história como "o maior dia" nos anais da Nação Persa. Seus descendentes foram rápida e ignominiosamente eclipsados, marcando o desaparecimento da dinastia Qajár.


Rainha Vitória, do Império Britânico, a única cabeça coroada louvada por Bahá’u’lláh - por suas ações proibindo o tráfico de escravos e por ter confiado o reino ao conselho dos representantes do povo - foi preservada, sendo a mais longa de qualquer dinastia britânica. Sua bisneta, a Rainha Maria da Romênia, espontâneamente atestou a grandeza da Mensagem de Bahá’u’lláh, vindo a se declarar sua seguidora.


Kaiser Guilherme I, da Alemanha, enfrentou duas tentativas de assassinato de sua vida. Seu trono foi usurpado por Guilherme II, cujo orgulho levou a Europa à Guerra de 1914/1918, precipitando a revolução na capital da Alemanha, ensejando o aparecimento do comunismo em várias cidades do país. A Constituição de Weimar marcou a extinção do Império, em severos termos que provocaram "as lamentações" profetizadas por Bahá’u’lláh na metade do século anterior.


O Papa Pio IX, o inquestionado cabeça da mais poderosa Igreja da Cristandade foi compelido a submeter-se à deposição do Estado Papal e da própria Roma, na qual a bandeira do Papa havia tremulado por mil anos e para testemunhar a humilhação das ordens religiosas sob sua jurisdição, sofrendo de enfermidades físicas e mentais, terminou seus anos. A virtual extinção da soberania temporal do Papa foi simbolizada pelo reconhecimento formal do Reino da Itália.



Daquela longínqua prisão em 'Akká, foi liberado ao mundo o espírito da nova era. Os ensinamentos de Bahá'u'lláh seguiram em torno da unidade do gênero humano. Para a consecução desta extraordinária meta, ele delineou os princípios básicos, que levados à Prática, dariam início a um novo estágio na história humana.


A livre pesquisa da verdade, sem influência ou preconceito. A verdade é uma só e é indivisível. Alertava a humanidade para ver Deus "com seus próprios olhos" e não pelos de outrem. Assim formulara o princípio de que a revelação divina é contínua e progressiva. Ou seja: existe Um Deus, Uma Verdade, Uma Humanidade. Estamos diante de uma grande escola que seria a humanidade.



Os professores desta escola chamaram-se Abraão, Krishna, Moisés, Zoroastro, Cristo, Buda, Maomé, o Báb e agora Bahá’u’lláh. Todos ensinaram o amor ao próximo, o amor a Deus e trouxeram leis e ensinamentos adequados à época em que vieram.


Seus livros sagrados são recitados por seus milhões de seguidores nas diversas regiões do planeta: o Baghavad-Gita, o Pentateuco, o Evangelho de Buda, o Zend-Avesta, o Novo Testamento, o Alcorão, o Bayán, o Kitáb-i-Aqdas. O Reitor é o mesmo: Aquele que lhes enviou para impulsionar a civilização.


A igualdade de direitos e oportunidades para o homem e a mulher passa a ser um dos predicados para uma Nova Ordem Mundial. Desde seus primórdios, com a designação de uma mulher extraordinária como discípula nesta Causa, a poetisa Tahirih (1817-1852), que protago-nizou um drama único nos anais da história religiosa e cujas palavras finais ante aqueles que lhe tiraram a vida ecoam ainda hoje como fonte de consolo para a libertação feminina: "Podeis me matar quando bem o quiseres, mas não podeis impedir a emancipação das mulheres".


Visualizando a humanidade como um pássaro, no qual uma asa representa o homem e a outra asa, a mulher, para concluir que o pássaro não pode alçar vôo no espaço ilimitado sem o equilíbrio entre as asas. Neste aspecto, Sua mensagem soou como "um dobre de finados" pelos longos séculos em que a mulher fora brutalmente discriminada.


A harmonia essencial entre a religião, a ciência e a razão, considerando que sendo a verdade una, não seria racional aceitar um aspecto em detrimento de outro. Seus ensinamentos são enfáticos ao afirmar que "o conhecimento é um ponto, os ignorantes o multiplicaram".


A eliminação das diversas formas de preconceitos. Ele concebia um mundo uno, onde diferenças raciais, nacionais, culturais, dentre outras, não encontravam abrigo à sombra de Deus.



É comovente imaginar Bahá’u’lláh, em sua cela na prisão de ‘Akká proclamar:


"Vós sois as folhas e os ramos de uma única árvore, as gotas de um mesmo mar, as estrelas de um mesmo céu" ou mesmo concluir uma reflexão com estas palavras: "Quando o homem volve a face para Deus vê que todos são seus irmãos" ou que "a luz da unidade é tão poderosa que pode iluminar a Terra inteira."


Para Bahá’u’lláh a humanidade ultrapassara os estágios evolutivos de família Patriarcado), tribo (Tribos de Judá), cidade-estado (Jerusalém), nação (Arábia) e dirige-se inevitavelmente para a unidade mundial. Em suas palavras, afirmava-se o conceito todo-abrangente de cidadania mundial:


"A Terra é um só país e os seres humanos seus cidadãos."


É no mínimo instigante constatar que por caminhos muitas vezes inovadores ou pouco ortodoxos as nações envidam esforços para atingir este novo estágio a que é convocado desde o século passado.


A educação compulsória universal, a que todos deveriam ter acesso, foi um dos princípios delineados por Bahá’u’lláh, para se alcançar o entendimento mundial; e que seja conducente a um sentimento de mútua responsabilidade pela família humana.


Referindo-se ao ser humano como "uma mina rica em jóias de inestimável valor" e afirmando que a educação tão somente poderia fazê-lo "revelar suas potencialidades", estavam lançadas as bases tornar realidade a profecia do Antigo Testamento de um tempo predito no qual "o conhecimento enchesse a terra assim como as águas enchiam o mar".



Ainda mais, os ensinamentos bahá’ís declaram que "a ignorância é indiscutivelmente a principal razão para o declínio e a queda dos povos, e para a perpetuação dos preconceitos."


O restabelecimento do primado da justiça recebeu consideração especial. Ele declarou que "a Justiça é a mais amada dentre todas as coisas" e também que ela se sustenta em dois pilares: recompensa e punição. Parte considerável de seus escritos relacionam-se com a Justiça, enquanto bem supremo e abrigo ideal para a civilização. Com efeito, bem podemos situar a situação caótica em que o mundo se defronta como sendo a ausência da administração da justiça em seus afazeres.


Com o olhar no retrovisor da história, pode-se afirmar que com o poder liberado por Suas palavras, a força de Seu verbo regenerador e, sobretudo, a excelência desta vida consagrada à unificacão dos povos e raças da Terra, somos impelidos a uma profunda reflexão sobre o destino glorioso a que é alçado o ser humano. Aconselhando-o, primeiramente, a "possuir um coração puro, bondoso e radiante", Ele o convoca para "ser amigo de sua alma nos reinos espirituais", a purificar o próprio coração "para sua descida" e a nada plantar nele, salvo "a rosa do amor".



Ao anunciar que a humanidade atingiu a época de sua maturidade, Ele declarou que fomos criados para "conhecer e adorar a Deus" e para "levar avante uma civilização em constante evolução". Dessa maneira, Ele deu uma nova meta espiritual aos seres humanos, qual seja, buscar a salvação coletiva e não, tão somente, a individual.


É necessário destacar que a palavra "Deus", que é um símbolo para aquela transcendente realidade através da qual toda a existência é regida e mantida, Deus, não é o produto da imaginação humana, uma criação da mente, ou mesmo uma fantasia inventada, irreal ou mesmo um mero reflexo de circunstâncias particulares, tanto social como econômica.


Os ensinamentos de Bahá’u’lláh asseguram que Deus não pode ser conhecido em Sua essência. Ele está além de nossa compreensão. De acordo com Seus ensinamentos, Sua essência permanecerá para sempre oculta dos homens, pois como Ele diz "Ele é o Oculto dos Ocultos e o Manifesto dos Manifestos". Deus, aquela "Essência Incognoscível" é mais que o criador do homem, Ele é também, o Senhor da História.


Os ensinamentos e as oracões por Ele reveladas trazem, conforme atestou a Rainha Maria da Romênia, "paz à alma e esperança ao coração" e são, nas palavras do Mahatma Gandhi "um consolo para a humanidade".


Em Suas orações, o coração sensível pode contemplar a perfeita comunhão entre o amante e o Amado:.."Não sei, ó meu Deus, qual é este fogo que ateaste em meu ser... nem o céu nem a terra podem nublar seu esplendor... Ó meu Deus, faze de Tua Beleza meu alimento... O Tu Senhor Bondoso! Une a todos, faze as religiões concordarem e torna as nações uma só, para que sejam como uma só família..."



A prisão foi por fim mitigada pela mobilização das tropas turcas, ficando aquele quartel requisitado para utilização das tropas. Bahá’u’lláh e Sua família foram transferidos para uma casa nas imediações, ficando Seus adeptos acomodados numa estalagem, na cidade. Bahá’u’lláh permaneceu por mais sete anos prisioneiro nessa casa. Num pequeno quarto junto daquele que Lhe fora designado, treze pessoas de Sua família, de ambos os sexos, tiveram que se acomodar como melhor pudessem.


De início, sofreram excessivamente em conseqüência da acomodação inadequada, alimentação escassa, e da falta dos usuais confortos da vida. Depois de certo tempo, porém, alguns quartos adicionais foram postos à sua disposição, podendo eles assim viverem com relativa comodidade. Depois que Bahá’u’lláh e Seus companheiros deixaram o quartel, visitas eram-Lhe permitidas, e gradativamente as severas restrições impostas pelos éditos imperiais foram sendo relaxadas mais e mais, embora de vez em quando novamente aplicadas por algum tempo.


Mesmo durante a época pior de seu encarceramento, os bahá’ís jamais desanimaram; ao contrário, mantiveram inabaláveis a sua confiança e tranquilidade. Quando ainda no quartel de ‘Akká, Bahá’u’lláh escreveu a alguns amigos: "Não tenhais medo. Estas portas abrir-se-ão. Minha tenda será erguida no Monte Carmelo, e o maior contentamento será atingido." Constituiu esta declaração grande fonte de consolo para Seus adeptos, e no devido tempo se realizou literalmente Sua profecia.



Tendo nos primeiros anos de durezas mostrado como se deve glorificar a Deus embora num estado de pobreza e ignomínia, Bahá’u’lláh nos últimos anos da vida em Bahjí, início da década de 1890, mostrou como, cercado de honras e afluência, ainda se deve glorificar ao mesmo Deus.


Apesar de termos descrito a Sua vida em Bahjí como realmente majestosa no mais verdadeiro sentido da palavra, não se deve imaginar, porém, que fosse caracterizada por esplendor material ou extravagância. A Abençoada Beleza, um dos inúmeros títulos com que a Ele seus seguidores se dirigiam, e Sua família, viviam com a maior simplicidade e modéstia; o gasto com luxo egoísta era coisa desconhecida naquele lar.


Perto de Sua casa fizeram-Lhe os amigos um jardim que denominaram de Ridván, no qual Ele passava muitos dias consecutivos, ou mesmo semanas, dormindo à noite numa pequena cabana. De quando em quando, Ele ia mais longe, fazendo algumas visitas a ‘Akká e Haifa, e mais de uma vez armando a Sua tenda no Monte Carmelo, como predissera enquanto ainda encarcerado no quartel de ‘Akká. A maior parte de Seu tempo era dedicada a prece e meditação, à revelação dos Livros Sagrados e Epístolas, e à educação espiritual dos amigos.



Assim passou Bahá’u’lláh simples e serenamente o outono da Sua vida na Terra, até que, após um ataque de febre, expirou, em 29 de maio de 1892, com a idade de setenta e cinco anos. Entre as últimas Epístolas por Ele reveladas, figura Seu Testamento, escrito do próprio punho e devidamente assinado e lacrado.


Nove dias após a Sua morte os selos por Ele postos neste documento foram quebrados pelo Seu filho mais velho, na presença dos membros da família e de alguns amigos, e o seu conteúdo, curto mas notável, foi revelado. Por este Testamento, ‘Abdu’l-Bahá foi constituído o representante do Pai e o expositor de Seus ensinamentos, devendo os outros parentes e todos os adeptos dirigir-se a Ele e obedecê-Lo. Isso constituiu uma barreira contra o sectarismo e uma garantia à unidade da Causa.


A lembrança dos dias de Bahá’u’lláh é um legado único para a humanidade. Pois foram em dias atribulados e de tão intensos sofrimentos que pôde prosperar a árvore, sempre verdejante desta Causa.


O amor que Ele infundiu naqueles que abraçaram Sua Causa, tem concedido um sentido nobre às suas existências. Nos últimos 150 anos, milhares de pessoas deixaram seus países para se estabelecer em outras regiões do planeta, proclamando as boas novas de Sua vinda. São profissionais liberais, comerciantes, cientistas, educadores ou pessoas muito simples que se deixaram consumir pela visão de um novo mundo, sem fronteiras e sem guerras.

TEXTOS DE INSPIRAÇÃO NA FÉ BAHAI

OPINIÕES FAMOSAS SOBRE O MOVIMENTO BAHAÍ - 1


OPINIÕES FAMOSAS SOBRE O MOVIMENTO BAHAÍ - 2


PENSAMENTOS DE BAHÁ'U'LLÁH - 1


PENSAMENTOS DE BAHÁ'U'LLÁH - 2


AUTOBIOGRAFIA DE BAHÁ'U'LLÁH


UMA BIOGRAFIA DE BAHÁ'U'LLÁH


CURIOSIDADES, EPISÓDIOS E INFORMAÇÕES


CRONOLOGIA E PALAVRAS DE SABEDORIA


O PLANO DE QUATRO ANOS - 1


O PLANO DE QUATRO ANOS - 2


O PLANO DE QUATRO ANOS - 3


COMPREENDENDO O HOJE, SOLUCIONANDO O AMANHÃ


A RENOVAÇÃO DO PENSAMENTO HUMANO E O DIREITO - 1


A RENOVAÇÃO DO PENSAMENTO HUMANO E O DIREITO - 2


EDUCAÇÃO PARA OS DIREITOS HUMANOS


PONTO DE VISTA BAHAI SOBRE AS DROGAS


MODELO ATUAL DE EDUCAÇÃO PARA NOSSOS FILHOS - 1


MODELO ATUAL DE EDUCAÇÃO PARA NOSSOS FILHOS - 2


GLOSSÁRIO DE TERMOS ORIENTAIS E BIBLIOGRAFIA

OS TEXTOS DE IRADJI ROBERTO EGHRARI

A PAZ INTERIOR - 1


A PAZ INTERIOR - 2


NÓS E O FINAL DO MILÊNIO - 1


NÓS E O FINAL DO MILÊNIO - 2


O DIA DE DEUS - 1


O DIA DE DEUS - 2

CURSO GRATUITO - PRIMEIRA PARTE

LIÇÃO 1    LIÇÃO 2


LIÇÃO 3    LIÇÃO 4


LIÇÃO 5    LIÇÃO 6


LIÇÃO 7    APÊNDICE

POESIAS DE
INSPIRAÇÃO BAHAI

1    2    3    4    5

FONTE DO TEXTO

http://www.bahai.org.br



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