MODELO ATUAL DE EDUCAÇÃO PARA NOSSOS FILHOS

Antes de tudo, ensinar a unidade de Deus e as leis de Deus

PRIMEIRA PARTE DO TEXTO

O tema propõe a existência de um modelo de educação apropriado aos tempos atuais. A primeira pergunta que se coloca é: como se caracterizam os tempos atuais? Os tempos atuais comparados aos tempos passados, talvez mais se caracterizem pela liberdade. A busca da liberdade, a busca do rompimento dos limites, que até então, de certa forma corretamente, foram vistos como cerceadores da liberdade, fatores muito limitantes do crescimento humano.


Mas o que é a verdadeira liberdade? Se a nossa busca pela liberdade é o que caracteriza os tempos atuais, se é a vivência de uma plenitude sem um limitante qualquer, o que é a verdadeira liberdade? Poderíamos considerar a experiência com o trânsito aqui em Brasília que é um exemplo interessante. Aparentemente tolheram a nossa liberdade colocando os "pardais" por todos os cantos da cidade. Mas podemos nos sentir muito mais livres sabendo que obedecemos à lei, que obedecemos a determinados parâmetros que dão mais segurança, do que uma liberdade que permitiria a um louco qualquer andar a 120, 130, 140 km/h, e que poderia, a qualquer momento, tirar a vida e a liberdade e muita coisa preciosa de muita gente em nome daquilo que chamaríamos liberdade. As regras do trânsito são um bom exemplo do que é limite de liberdade. É melhor ter sinais de trânsito ou não ter sinais de trânsito? Me parece que somos muito mais livres quando obedecemos a sinais de trânsito, quando tenho sinal verde ou vermelho, quando tenho faixas, placas, aonde posso criar um ambiente de convívio muito mais harmonioso. Confiança e tranqüilidade: me parece que a existência de leis não estão em oposição a um pensamento de liberdade.


A partir deste exemplo da vida prática do dia-a-dia no trânsito, podemos inferir alguma coisa que a experiência religiosa, a vivência religiosa e a mensagem religiosa trazem há milênios: Que a verdadeira liberdade consiste na observação de leis, preceitos e princípios. Na realidade, tudo aquilo que a religião nos trouxe foi sempre para nos trazer a felicidade. Todas as religiões sempre visaram trazer a verdadeira liberdade através de um processo de auto-conhecimento, através do entendimento da nossa natureza e através desse entendimento, deste conhecimento, nos deram os parâmetros necessários para que possamos viver bem neste dia, com todas as características que este mundo tem.


A busca desta experiência de nos adequarmos à nossa verdadeira natureza, entendermos a nossa verdadeira natureza, é um elemento essencial do processo de educação. Existe um modelo de educação adequado aos tempos atuais? Sim, existe, e este modelo deve necessariamente obedecer a certos parâmetros e princípios, a certas regras que dizem respeito à real natureza do ser humano. Se a nossa real natureza não é meramente material e física e sim espiritual, há então um caminho, há uma chave, há uma solução para diferentes desafios da humanidade. Se a real natureza do ser humano é espiritual, então a chave destes princípios, a chave destes elementos que vão dar norteamento a este processo ou a esta visão de educação, se encontram na religião.



Bahá'u'lláh em um de Seus escritos, diz o seguinte:


"Considerai o homem como uma mina rica em jóias de inestimável valor. A educação tão somente pode faze-la revelar os seus tesouros e habilitar a humanidade a tirar dela algum benefício."


Se nós somos uma mina rica em jóias de inestimável valor, a primeira coisa que devemos considerar em termos de educação é que cada ser humano tem um potencial inerente. Uma mina já tem o seu potencial, ela não cria mais, não se incrustam numa mina mais tesouros. Ela é o que é: tem uma capacidade natural de oferecer-nos algum benefício. Então, a educação deve considerar cada ser humano como tendo um potencial e algo deve ser feito para revelar este potencial. Ou seja, todos nós temos este potencial, todos nós somos dotados de uma capacidade, de uma riqueza natural e a educação é que deve fazer esta riqueza aflorar.


Por educação não me refiro só à educação formal. Existem várias espécies de educação: a educação formal e informal, a educação material, a humana e a espiritual, enfim vários elementos do processo de educação que podemos nos referir. Mas quero me concentrar mais na questão da educação como sendo o elemento de conexão entre pais e filhos e como esta conexão é na realidade um processo educativo que normalmente não é visto como tal.


Hoje em dia, infelizmente, nós pais temos uma certa tendência de querer colocar nas mãos da escola o processo de educação dos nossos filhos: "eu trabalho o dia inteiro, tenho muitos afazeres, tenho mais o que fazer na vida, não tenho tempo, não tenho informação, não tenho instrução nesta área, então a escola deve educar o meu filho". Na realidade é esta conexão entre pai e filho que cria a verdadeiro elemento extrator das potencialidades daquela mina. Temos esta missão inicial de oferecer à escola a mina de certa forma já desvendada, dar o mapa da mina e dizer: olha esta é a vida que eu estou lhe entregando, aí estão os tesouros desta mina, agora ajude a lapidar isto, ajude a extrair, a revelar e colocar mais luz sobre estes tesouros. Então, no objetivo da educação como esta conexão entre pais e filhos, estamos buscando um novo modelo, que deve ser o de revelar as perfeições interiores e exteriores que cada criança, adolescente ou jovem tem.


Este aspecto do objetivo da educação como sendo o de revelar estas perfeições interiores se expressa no seguinte texto de Abdu'l-Bahá:


"Empregai toda a energia para adquirirdes tanto perfeições interiores quanto exteriores, pois o fruto da árvore humana tem sempre sido, e sempre será perfeições internas e externas. O fruto da árvore humana, o resultado da nossa existência é a revelação destas perfeições internas e externas. Não é desejável que um homem seja deixado sem conhecimentos ou habilidades pois será então nada mais do que uma árvore estéril. Assim tanto quanto o permitam vossa capacidade e aptidão deveis adornar a árvore do ser com frutos tais como a sabedoria, o conhecimento, a perfeição espiritual e a fala eloqüente."



Quero me concentrar na perfeição espiritual. A nossa função no processo de educação, na conexão com nossos filhos, deve ser o de exatamente fazer com que eles apresentem frutos em sua existência como sabedoria, conhecimento e percepção espiritual, porque um ser humano que não seja consciente da sua realidade interior, afinal quem será? Em uma Palavra Oculta, Bahá'u'lláh diz: "examina-te a ti mesmo a cada dia pois a morte sem prenúncio poderá te sobrevir e serás instado a prestar contas". Se não conheço a mim mesmo, se não me analiso a cada dia, se não tenho percepção da minha própria realidade, quem sou? Para que sirvo? Só para trabalhar, criar família, perpetuar meu nome? É muito pouco para uma criação tão complexa. É muito pouco nos apegarmos simplesmente à nossa realidade exterior! Os pais vão oferecer à existência humana uma nova criatura, mas uma criatura com percepção espiritual, consciente de sua própria realidade.


Para que falemos em percepção espiritual devemos reconhecer que esta relação e este modelo de educação, este modelo que dá vida - pois a educação é muito dar vida real a uma criatura, não só a física mas sim a vida na sua plenitude - tem que ter como base a crença e o reconhecimento de algo superior, de algo divino. Ou seja, se eu educar os meus filhos em sabedoria, em conhecimento, em fala eloqüente, se eu colocar eles nas melhores escolas, se eles tiverem acesso ao que há de mais moderno em educação, em treinamento, em informação, e deixo de dar a eles capacidade para esta percepção espiritual, esta compreensão que há algo superior a eles e que existe Alguém que nos deu vida, que trouxe a criação à existência, se eu não baseio este processo no reconhecimento do divino, o processo estaria falho.


A razão pela qual necessitamos verdadeiramente do reconhecimento do divino, é que sua falta resulta na perda dos valores éticos e morais essenciais à sobrevivência humana. É a própria degradação do ser humano e a negação de sua essência espiritual. O fato de em Brasília terem incendiado um ser humano porque alguns jovens irresponsáveis acharam que poderiam pregar nele uma peça, não reflete somente a perda dos valores éticos e morais mas na realidade reflete a perda do reconhecimento de algo superior, do reconhecimento do divino, a perda do reconhecimento que somos pequenos face à esta existência maior, que é o nosso Criador, face à existência maior que é a própria criação. A perda desta humildade, que não vejo só como um valor moral ou ético mas sim como um valor espiritual, é que está levando às conseqüências do que estamos vivendo. Em um texto sobre a questão da educação, Bahá'u'lláh fala sobre a importância do reconhecimento do divino e da crença no divino dentro deste processo do despertar humano, dentro do processo de educação. Ele diz o seguinte:


"O que é de suprema importância para as crianças, o que deve preceder a tudo o mais é ensinar-lhes a unidade de Deus e as leis de Deus, pois sem isto não se pode incutir o temor a Deus e sem o temor a Deus surgirão uma infinidade de ações odiosas e abomináveis e serão manifestados sentimentos que transgredirão todos os limites."


Em outro de seus textos, Bahá'u'lláh fala que o ideal seria que nós só conhecêssemos o amor e não o temor. Mas só conhecer o amor exige um grau de evolução espiritual tão grande que o homem ainda não atingiu e daí então a necessidade do conceito de temor. O que é temor? Não é medo. Não temos que ter medo de Deus; não é por medo de punição nem pela esperança de recompensa que eu devo fazer alguma coisa; não é pela expectativa de recompensa pelos meus atos, não é pela esperança do paraíso nem pelo medo do inferno, da punição ou do que quer que seja, que eu devo agir. Então, temor não é medo, mas o receio profundo de desagradar àquele que você ama muito. É o medo da perda do amor: o quão horrível é eu perder o amor de quem eu tanto amo, de quem me deu vida. O receio de perder este amor, o receio deste distanciamento é temor. O temor é o grande freio que precisamos. Se tivéssemos a noção da plenitude do amor, este é tão mais amplo e tão mais profundo que tomados pelo amor nem me passa pela cabeça realizar qualquer ato que desagrade ao nosso Bem-Amado, o objeto do nosso amor. Assim estamos envoltos em um mar de amor. Mas como somos humanos, falhos, falíveis, como erramos, isto faz parte do nosso processo de aprendizado e foi assim que Deus nos criou, falíveis, imperfeitos, mas capazes de almejar e trabalhar rumo a uma perfeição.

Continuação do texto

TEXTOS DE INSPIRAÇÃO NA FÉ BAHAI

OPINIÕES FAMOSAS SOBRE O MOVIMENTO BAHAÍ - 1


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PENSAMENTOS DE BAHÁ'U'LLÁH - 2


AUTOBIOGRAFIA DE BAHÁ'U'LLÁH


UMA BIOGRAFIA DE BAHÁ'U'LLÁH


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O DIA DE DEUS - 1


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CURSO GRATUITO - PRIMEIRA PARTE

LIÇÃO 1    LIÇÃO 2


LIÇÃO 3    LIÇÃO 4


LIÇÃO 5    LIÇÃO 6


LIÇÃO 7    APÊNDICE

POESIAS DE INSPIRAÇÃO BAHAI

1    2    3    4    5

FONTE DO TEXTO

http://www.bahai.org.br



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