A PAZ INTERIOR - 1

AUTOR: IRADJ ROBERTO EGHRARI

Um texto para reflexão, baseado na fé bahai

A paz, invadiu o meu coração
De repente me encheu de paz
como se o vento de um tufão
arrancasse os meus pés do chão
onde eu já não me enterro mais
A paz, fez o mar da revolução
invadir meu destino
A paz, com aquela grande explosão
Uma bomba sobre o Japão,
fez nascer um Japão na paz
Eu pensei em mim, eu pensei em ti,
eu chorei por nós
Que contradição,
só a guerra faz nosso amor em paz!
Eu vim, vim parar na beira do cais
onde a estrada chegou ao fim,
onde o fim da tarde é lilás
onde o mar arrebenta em mim,
o lamento de tantos ais!


(Gilberto Gil)



A palavra-chave da letra desta música, por mais paradoxal e contraditória que pareça, é a guerra. O poeta, quando disse "Que contradição, só a guerra faz nosso amor em paz!". Que amor e que guerra estão sendo travadas? Poderíamos interpretar a letra da música como sendo dois amantes, que têm lá seus problemas, como se vê tanto em novelas de televisão, brigam e então se faz aparecer a paz. Mas sinto que esta letra transcende um pouco a relação entre duas pessoas. Na realidade ela trata da relação de uma pessoa consigo mesma. A "grande contradição", já vem sendo cantada, já vem sendo ensinada, já vem sendo demonstrada há milhares de anos.


Esta grande contradição da busca da paz através da guerra foi o próprio Krishna, há milhares de anos passados, que na tão conhecida Bagavád-Gita onde Ele, como Mestre encarnando a voz de Deus, orienta Arjuna, o príncipe, na sua grande batalha. E que batalha é essa? Khrishna diz, dirigindo-se ao príncipe, "deves estar atento ao teu dever. Tu és o príncipe da casa dos guerreiros. Tens por dever combater com resolução e heroísmo. O dever de um soldado é combater e combater bem. O combate justo honra o guerreiro, e abre-lhe a porta do céu. Se desistires da legítima luta pela verdade e pelo direito, cometerás um grande crime contra a tua honra, contra o teu dever e contra o teu povo".


A guerra, neste caso, é travada contra o nosso ego que é, na realidade, o grande inimigo e o grande empecilho à nossa paz interior. Enquanto nós não vencermos esta guerra, enquanto esta batalha não for vencida, enquanto não compreendermos essa grande contradição que a guerra traz, não vamos ver a paz invadindo o nosso coração, não vamos ver de repente o nosso ser se encher de paz. Então, por mais contraditório que pareça, por mais paradoxal que pareça, a paz interior começa com uma guerra, uma grande batalha. Esta batalha leva a vida inteira, e não somente esta vida terrena, limitada, mas também em outros planos da existência.


O nosso processo de aprimoramento espiritual não tem fim, porque no momento em que acharmos que alcançamos a perfeição, na realidade vamos simplesmente passar o atestado do quão limitados e infantis somos, em acreditar que chegamos ao ápice de maturidade, de compreensão. Na realidade, a nossa busca eterna vai ser cada vez mais aproximarmo-nos daquele Manancial da Verdade, Manancial da Paz, aquele grande Oceano, Deus, o nosso Criador, que é objeto da busca de todos nós. Por qualquer nome que O chamemos, de qualquer forma que O vejamos, na realidade este Oceano ilimitado se encontra à nossa disposição; mas o esforço de chegarmos até Ele passa por esta batalha que Krishna diz, é uma luta legítima. E Ele apresenta os instrumentos para que esta batalha possa ser vencida.


Todos os Profetas e Mensageiros Divinos, e propositadamente escolhi Krishna, porque realmente simboliza muito bem esta questão da luta contra o ego, desta vitória contra a nossa realidade inferior, contra o nosso ego que pode simbolizar também o nosso lado material, o nosso apego a este mundo dos nomes, das paixões, dos quereres. Na realidade quem é o nosso ego a não ser o momento em que nós volvemos o espelho do nosso coração, o espelho da nossa alma, para as coisas terrenas e limitadas.


Não me refiro aqui ao "ego" do elemento da nossa psiquê e sim ao ego como sendo sinônimo de apego às coisas egoístas, apego aos quereres, apego às nossas vontades. No momento em que este espelho se volve à limitação, esta coisa chamada ego, é refletido neste espelho que é o nosso coração, a nossa alma, pois é capaz de refletir tudo aquilo que se coloca a sua frente.


Se nós colocarmos as coisas materiais, se colocarmos os nossos quereres, as nossas vontades, as nossas paixões, ele vai refletir isto; mas se nós volvermos este espelho para coisas mais sublimes, mais celestiais, coisas que nos levam a nos desprendermos deste mundo, a nos desapegarmos, apesar de estarmos vivendo nesta existência, vamos nos surpreender com a alegria e paz que alcançaremos. Bahá'u'lláh destaca um poema persa que diz "sábio é aquele que no mar se acha seco, aquele que no fogo esfria" ou seja, que independe do meio que o cerca: ele é o que ele é. Ele não é um reflexo, um resultado do meio que o cerca, mas simplesmente aquilo que ele é. E esta é a nossa busca, esta é a verdadeira paz.


Esta paz interior tão almejada é a vitória nesta guerra. Mas quais são os instrumentos? Como ganhar esta guerra? Como entrar para esta batalha? O instrumental que Krishna deu há cerca de 3, 4 mil anos passados obviamente devia ser adequado à realidade do homem da época. E a cada época aparece um novo Iluminado, um novo Manifestante, um novo Profeta, que apresenta o instrumental para vencer esta guerra. Porque, na realidade, à medida que o homem vai evoluindo e, sem dúvida, apesar de todas as guerras existentes na história humana há um processo de evolução. Uma mente imparcial, sem dúvida, vai considerar que o mundo é ruim, a sociedade é ruim.



Há algo no entanto, que mostra que nós somos, apesar de toda a nossa imaturidade, apesar de toda a loucura que o mundo de hoje vive, diferentes dos homens da caverna, para colocar um extremo bem grande. Existe algo que nos diferencia dos hebreus há 5 mil anos passados, ou dos povos árabes na Península Arábica, há cerca de 1.500 anos passados. Então sem dúvida existe uma evolução. E esta evolução leva também a uma necessidade de um instrumental renovado.


Bahá'u'lláh, em um de Seus escritos, diz que cada Profeta que o Criador Todo-Poderoso e Incomparável se propôs a enviar aos povos da terra foi incumbido de uma mensagem, e inspirado a agir de uma maneira que melhor satisfizesse os requisitos da época em que aparecesse. Ou seja, cada Profeta, cada Mensageiro, que aparece de tempos em tempos, em lugares diferentes, têm uma missão específica. Ele se apresenta numa forma que satisfaça às necessidades dos indivíduos daquela época.


É como se, fazendo uma analogia, o mundo fosse uma grande escola, onde nós passamos pela 1a série, pela 2a, pela 3a, etc. e a cada série, os professores, que naturalmente têm todo o conhecimento da matéria, apresentassem aquela matéria que é suficiente, necessária e adequada à compreensão do aluno daquela série. Nós é que, infantilmente, quando passamos para a 5a série, e o professor nos ensina os primeiros conceitos de que 1 menos 2 pode dar algum resultado, que não é necessariamente uma conta errada, dizemos: "Puxa vida, mas como o meu professor da 4a série era ignorante! Ele não sabia que 1 menos 2 era igual a -1 e me dizia que eu estava errado. Veja que professor incapaz, e como este agora da 5a série é inteligente e capaz".


Na realidade os pobres professores das outras séries simplesmente transmitiram aquilo que nós éramos capazes de compreender e assimilar, e agora nos ensinam, não por um mérito especial do professor da 5a, mas por mérito nosso, que somos capazes de entender este conceito.


Cada Profeta apresenta os requisitos necessários para uma determinada época. O desígnio, o propósito de Deus em mandar Seus Profetas aos homens é duplo e agora vamos chegar a esta questão do instrumental: o primeiro é livrar-nos da escuridão da ignorância e guiar-nos à luz da verdadeira compreensão. O propósito do Mensageiro de Deus é de nos tirar desta escuridão da ignorância, nos mostrar a luz da compreensão e dizer: "Olha este é o caminho!". O segundo, é assegurar a paz e tranquilidade do gênero humano, provendo todos os meios pelos quais estes possam ser estabelecidos.


Então, o propósito desses Luminares, Mensageiros, Profetas, é nos dar os meios e o instrumental para que possamos alcançar a paz e tranquilidade. Começamos com Krishna e vamos terminar com Gilberto Gil, que não é um profeta, nem um mensageiro divino, mas uma pessoa que tem uma sensibilidade capaz de detectar mais uma vez que nós precisamos de um instrumental para esta guerra, para esta batalha.


O primeiro instrumento que todas as religiões, quer do passado, quer do presente, quer do futuro ensinaram, ensinam ou ensinarão, se refere a nós próprios, à nossa transformação individual. O grande desafio é se perceber que o que falta para alcançar a nossa paz não é aquilo que a gente fala normalmente, como por exemplo "olha, minha vida seria tão boa se fulano desaparecesse da minha frente, ele me atrapalha, me atazana a vida o tempo inteiro e se eu conseguisse me livrar de fulano, beltrano ou de sicrano, eu alcançaria a paz. Porque eu só tenho este sujeito me atrapalhando a vida".


Colocamos fora de nós o campo da batalha, enquanto que a batalha tem que se travada dentro de nós. Desde pequenos nos negamos a desenvolver esta batalha, esta luta, esta guerra. Porque ela dói. É uma batalha muito difícil. Porque não só você tem que lutar contra aqueles que são seus personagens internos, que são os valores que você trouxe dos seus pais, dos seus familiares, são os valores que a sociedade lhe deu, e isto é uma batalha muito difícil porque perder ou negar estes valores, ou transformá-los em algo diferente é realmente muito dolorido, e ninguém quer sofrer.

Continuação do texto

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LIÇÃO 3    LIÇÃO 4


LIÇÃO 5    LIÇÃO 6


LIÇÃO 7    APÊNDICE

POESIAS DE INSPIRAÇÃO BAHAI

1    2    3    4    5

FONTE DO TEXTO

http://www.bahai.org.br



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