NÓS E O FINAL DO MILÊNIO - 2

UMA PALESTRA DE
IRADJ ROBERTO EGHRARI

O autor se fundamenta
na fé bahai

"Não vos deixeis ser envolvidos nos véus densos de vossos desejos egoístas, desde que aperfeiçoei em cada um de vós, a Minha criação, para que a excelência de Minha obra seja plenamente revelada aos homens. Segue-se, pois, que todo homem tem sido e continuará a ser capaz, por si só de apreciar a Beleza de Deus, o Glorificado. Se ele não tivesse sido dotado de tal capacidade, como seria chamado para responder por sua falha? No Dia em que todos os povos da terra forem juntados, se a algum homem, enquanto na presença de Deus, se perguntar: ‘Por que deixaste de crer em Minha Beleza e te desviaste de Mim Mesmo?’, e se esse homem responder dizendo: ‘Já que todos os homens erraram, não se encontrando nenhum disposto a volver a face para a Verdade, eu também, seguindo-lhes o exemplo, deixei, lamentavelmente, de reconhecer a Beleza do Eterno’, tal argumento será, com toda a certeza, rejeitado. Pois a fé de homem algum pode ser condicionada por qualquer outro, senão por ele mesmo."


Se existe esta percepção espiritual intuitiva, se este é um dos elementos internos do nosso espírito, existe uma outra coisa que podemos perceber através desta intuição espiritual. É de que há um propósito na nossa existência. Quanto a este propósito, Bahá'u'lláh indica que toda história humana existiu e tomou forma unicamente para alcançar a sua consumação no dia de hoje. Tudo o que existiu, toda a trajetória humana. Vamos pensar nos nossos antepassados. Tenho as minhas origens no Irã, meus pais são iranianos, meus avós e bisavós eram judeus e se eram judeus deviam ter vindo do Egito, talvez tenham sido escravos e construído pirâmides, sofrendo o pão que o diabo amassou, perdendo a sua vida, não vendo sentido em coisa nenhuma. Todos viveram para que eu hoje pudesse estar aqui e pudesse perceber algo da vida, falar alguma coisa, pensar alguma, dizer alguma coisa e achar que eu sou capaz de fazer alguma coisa. Para isto eles deram a vida, para mais nada. Será que eles foram sacrificados para que Israel existisse? Isto é muito pouco. Porque a terra prometida existiu e foi destruída várias vezes. Quantas vezes Jerusalém existiu e deixou de existir? Se meu tataratataravô agora dissesse: "eu carreguei estas pedras por todo o Egito, me matei para que esta tal Jerusalém viesse a existir e depois outros foram lá e destruíram 5 vezes a cidade: de que valeu este meu esforço? Para chegar agora e ver todo mundo dando tiro para um lado e para outro, não valeu de nada". Então, este ponto de nada valeu, mas eu acho que vale no momento em que nós temos a perspectiva de que estamos vivendo um final de século sim, um final de milênio sim, e que nós, sim, temos a capacidade de perceber que é um século e um milênio que propõe uma consumação de algo, o ápice de algo, a realização de algo.


E para isto eles viveram. Se nós brasileiros vermos as nossas raízes na África, nossos antepassados que sofreram, que foram escravizados, humilhados, perderam a sua vida, toda a sua origem, todos os seus anseios, tudo isto destruído em nome de que? Em nome de que nós hoje estejamos aqui com uma perspectiva de fazer alguma coisa diferente, não tanto em nome ou em memória deles, mas muito mais como uma responsabilidade humana nossa de realizarmos algo nesta virada de milênio. Acho que temos esta responsabilidade de realizar e eles, de onde quer que estejam testemunharão o que nós realizarmos. Então, na realidade, tudo existiu para que se alcançasse este momento histórico da história humana.


Mas chegaremos a este momento com que perspectiva? Bahá'u'lláh dá a perspectiva, e diz: "...este é o momento da unificação do gênero humano como uma única espécie" . Esta é a grande consumação, o grande ápice. O reconhecimento do gênero humano como uma única espécie. E o que é interessante é olharmos a nossa volta e vermos que somos vitoriosos convivendo com pessoas com cores de pele diferente, com passados diferente, nacionalidades das mais diferentes. Temos esta vitória hoje de conseguirmos, unidos com um propósito único, buscarmos uma verdade universal, a verdade que é uma só, mas com várias facetas, cada qual buscando a faceta que mais lhe é cara, inteligível, mais clara. Então é possível se chegar a unificação do gênero humano como uma única espécie, como nós estamos fazendo. E sobre este momento áureo, este ápice de nossa história, Bahá'u'lláh diz o seguinte:


"Ó povos e raças da terra que estais em contenda. Volvei a face à unidade e deixai brilhar sobre vós o esplendor de sua luz. Unidos e por amor a Deus resolvei extirpar qualquer coisa que motive conflito entre vós. Não pode haver dúvida alguma de que os povos do mundo, qualquer que seja sua raça ou religião, colhem inspiração de uma só fonte celestial e são súditos de um só Deus."


A diferença entre os preceitos sob os quais vivemos deve ser atribuída aos diferentes requisitos e exigências da época em que foram revelados. Alegar que as religiões são diferentes e que na realidade são irreconciliáveis, não é verdade. Elas são diferentes por causa da época e da região em que apareceram, cada uma apresentando uma linguagem, cada uma trazendo um conteúdo adequado àquele momento. Mas, na realidade, todos nós colhemos inspiração de uma só fonte celestial e somos súditos de um só Deus. Este sentimento é importante: enquanto acharmos que somos os reis jamais vamos conseguir atender a este chamamento que Bahá'u'lláh faz de unidade e de extirpar qualquer coisa que motive conflito. Mas se nós nos colocarmos na posição de súditos, na realidade existe uma força superior a nós - não um velho barbudo, sentado num trono com um cetro na mão. Não é a este Deus que estou me referindo, mas a esta Força Suprema que criou e que continua nos dando esta força vital e esta força motriz, buscando esta inspiração em uma única fonte.


Porque então considerar a questão espiritual? Porque só ela traz a solução, já que se esgotaram as soluções ideológicas. Se elas foram esgotadas e a solução se encontra no plano espiritual, se nós temos esta consciência e estamos nos volvendo a esta fonte e buscando extrair de lá força para a nossa existência, se estamos fazendo justiça para com os nossos, devemos alcançar esta consumação que é o fruto do esforço de toda a humanidade que veio antes de nós, numa unificação do gênero humano como uma única espécie.


Temos que encontrar o instrumento que otimize este propósito. Bahá'u'lláh fala que o principal instrumento para a transformação da sociedade e da realização da unidade é a justiça e isto nós podemos fazer. Não são seres alienígenas que estão cometendo injustiças, somos nós mesmos. O Rio de Janeiro, Diadema, Curumbiara, Carandirú, somos nós, os seres humanos, não são alienígenas. A justiça não será alcançada só através da oração, ela tem que ser consolidada através do esforço de cada indivíduo. Talvez estes homens que vemos na televisão cometendo barbáries, até se considerem religiosos, talvez até façam oração, "Eu vou na igreja. Eu bato neste cara porque ele merece, ele tinha que apanhar mesmo".



Esta compreensão incorreta e limitada do que é ser espiritual é que nos levou até aonde estamos. Precisamos agora de uma compreensão de que a prática desta unidade, deste ideal elevado e espiritual, que é a unidade de gênero humano, só o alcançamos através da justiça. E a justiça nós podemos realizar. Sabemos muito bem quando não a praticamos, no nosso trabalho, na nossa casa, com os nossos filhos, com o cônjuge, com o pai, com a mãe, com o irmão. Sabemos muito bem quando somos injustos. Precisamos rever um pouco este nosso papel dentro do nosso microcosmo à nossa volta. Nem digo tanto da sociedade como um todo. "Ah! Eu vou agora entrar para a Anistia Internacional para que eu possa praticar a justiça". Porque não tentar começar no quintal de casa. Você consegue praticar a justiça dentro da sua casa, nas quatro paredes do seu escritório, do seu gabinete, da sua repartição, do seu trabalho? Você é capaz de ajudar o seu vizinho a ser mais justo, a praticar a justiça que leva à eqüidade, a justiça que leva à igualdade? Quando eu pratico a justiça, uma série de princípios começam a tomar forma. Por exemplo a igualdade entre homens e mulheres que é fruto da justiça, nada mais. No momento em que houver a prática da justiça, não preciso nem mais falar em direitos da mulher. Mas hoje há injustiça e não há igualdade entre homens e mulheres, as mulheres estão em desvantagem. Enquanto houver esta injustiça maior no mundo, que mundo de paz é este? Não existe, é impossível. Se praticássemos a justiça não existiria um desequilíbrio tão grande entre ricos e pobres.


Onde Bahá'u'lláh fala sobre a justiça? Ele diz:


"A luz dos homens é a justiça. Não a apagueis com os ventos contrários da opressão e tirania. O objetivo da justiça é fazer aparecer entre os homens a unidade. O oceano da sabedoria divina encapela-se dentro desta palavra excelsa: justiça, ao passo que os livros do mundo não podem conter seu significado mais íntimo".


A luz dos homens é a justiça e o objetivo dos homens é fazer aparecer a unidade entre os homens. Então, se nós queremos ser os co-partícipes deste processo de transformação da sociedade, como os pássaros que chilreiam antes do alvorecer, devemos ver que algo está acontecendo e que eu posso fazer alguma coisa.


A nossa missão na realidade é sermos seres humanos plenos. Esta plenitude só se dá se tivermos um equilíbrio adequado entre a nossa realidade material e a nossa realidade espiritual. A material já estamos cada vez mais cuidando dela, como por exemplo na área da saúde. Mas talvez um canal de abertura para o desequilíbrio da nossa saúde física também é o desequilíbrio espiritual, porque se houvesse um equilíbrio entre o material e o espiritual, entre o físico e o espiritual, nós não daríamos tanta chance para que portas de entrada no nosso corpo permitissem a instalação de certos males e doenças que se dão exatamente por esta falta da percepção espiritual apurada.


Mas então despertar para a nossa missão significa despertar para o fato de nós termos um propósito a cumprir. O que Bahá'u'lláh nos chama nos dias de hoje é que estamos no momento da planetização da humanidade e este momento exige como lei máxima a unidade entre todos os povos, a unidade de gênero humano como uma única espécie. Para que isto possa acontecer o instrumento básico essencial é a justiça. A justiça praticada a nível individual e a nível da sociedade também, é obvio.


Sobre esta nossa missão, Bahá'u'lláh disse o seguinte:


"Todos os homens foram criados a fim de levarem avante uma civilização que sempre evolua. Agir como os animais do campo é indigno do homem. As virtudes condizentes com sua dignidade são a tolerância, a mercê, a compaixão e a bondade para com todos os povos e raças da terra." Nossa missão é levar adiante uma sociedade que sempre evolua e agir como os animais do campo nos é indigno. Porém temos mostras claras eu hoje vivemos como animais do campo, aonde tolerância, mercê, compaixão, bondade e justiça desaparecem e dão só espaço a tudo de mais sombrio e obscuro que existe dentro do ser humano, que é o seu lado animal. Sem dúvida temos uma natureza dual. ‘Abdu'l-Bahá diz que "o homem é o máximo da imperfeição e o início da perfeição". Porque o máximo da imperfeição? Porque nós somos o que há de mais aprimorado de material. Em termos de matéria somos o supra-sumo do que é perfeito e aprimorado. Só que ‘Abdu’l-Bahá diz que o que é material é pura imperfeição, então nós somos o ápice da imperfeição. Mas porque o início da perfeição? Porque temos uma capacidade que nenhum outro ser criado tem que é a capacidade de refletir sobre si mesmo e de projetar, buscar dentro de si certas respostas e forças e este entendimento, é o que destacamos no início deste texto, que é esta luz, esta força motriz, esta força impulsora.


Para terminar, eu gostaria de destacar um texto que me é muito marcante e que nos dá uma idéia de quem é Bahá'u'lláh, quem foi este Ser que disse estas coisas, que trouxe estas propostas e que motiva milhões de pessoas hoje em dia que se identificam como Seus seguidores, que buscam colocar em prática Seus preceitos. Um pequeno vislumbre Dele nos é dado através de um orientalista, de um inglês de nome Eduard Brown que teve um encontro com Bahá'u'lláh. Ele foi o único ocidental que se encontrou com Bahá'u'lláh e que dialogou com Ele e que nas suas memórias destacou:


"Embora vagamente suspeitasse para onde ia e com quem haveria de estar (pois nenhuma informação clara me foi dada), passaram-se um ou dois segundos antes que eu, palpitante de admiração e reverência, tomasse finalmente consciência de que a sala não estava deserta. No canto onde o divã tocava a parede, sentava-se uma maravilhosa e venerável figura, coroada de um taj de feltro, do tipo usado pelos derviches (mas de altura e feitio não comuns), ao redor do qual estava enrolado um pequeno turbante branco. Jamais posso esquecer-me da fisionomia daquele a quem olhava, embora não possa descrevê-la. Aqueles olhos penetrantes pareciam ler-nos a própria alma; poder e autoridade residiam naquela testa larga, enquanto as linhas profundas na fronte e rosto indicavam uma idade que os cabelos pretos de azeviche e a barba que, em indistinguível magnificência, quase tocava a cintura, pareciam desmentir. Não me foi preciso perguntar em presença de quem eu estava, enquanto curvei-me diante daquele que é o objeto de uma devoção e um amor que os reis poderiam invejar e os imperadores almejar em vão!


Uma voz cheia de dignidade e brandura convidou-me a sentar e então prosseguiu: ‘Louvado seja Deus por teres alcançado!... Vieste ver um prisioneiro e exilado... Só desejamos o bem do mundo e a felicidade das nações, não obstante, consideram-Nos provocador de luta e sedição, digno de cativeiro e exílio... Que todas as nações tornem-se uma só em fé e todos os homens, irmãos; que os laços de afeição e unidade entre os filhos dos homens sejam fortalecidos; que cesse a diversidade de religião, e as diferenças de raça sejam anuladas – que mal há nisto?... E assim será; essas lutas infrutíferas, essas guerras ruinosas, hão de passar e a ‘Paz Máxima’ virá..."

Início do texto

TEXTOS DE INSPIRAÇÃO NA FÉ BAHAI

OPINIÕES FAMOSAS SOBRE O MOVIMENTO BAHAÍ - 1


OPINIÕES FAMOSAS SOBRE O MOVIMENTO BAHAÍ - 2


PENSAMENTOS DE BAHÁ'U'LLÁH - 1


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O PLANO DE QUATRO ANOS - 1


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O DIA DE DEUS - 1


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CURSO GRATUITO - PRIMEIRA PARTE

LIÇÃO 1    LIÇÃO 2


LIÇÃO 3    LIÇÃO 4


LIÇÃO 5    LIÇÃO 6


LIÇÃO 7    APÊNDICE

POESIAS DE INSPIRAÇÃO BAHAI

1    2    3    4    5

FONTE DO TEXTO

http://www.bahai.org.br



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