O DIA DE DEUS - 1

PALESTRA DE IRADJ ROBERTO EGHRARI

O autor se fundamenta
na fé bahai

O que significa para a humanidade o fato de podermos identificar os dias que agora vivemos como sendo os Dias de Deus? Podemos pensar que a princípio, todo o dia é o Dia de Deus: na realidade as graças e as bênçãos divinas estão constantemente irradiando sobre o mundo da criação e em momento algum estas graças e estas bênçãos cessam de chegar até nós. Se por uma fração de um segundo estas graças forem cortadas, todo o mundo da existência chegará a sua total extinção. Porque a primeira graça que emana daquela Essência Incognoscível, que é o nosso Criador, é o Seu amor, e o amor é a força universal que mantém a coesão da existência.


Conhecemos as manifestações do amor no mundo físico através da atração gravitacional entre os corpos, através da afinidade química entre os elementos, através da coesão do átomo. Estas são algumas manifestações no mundo físico do que significa este amor Divino. Se por um momento este amor, que é irradiado do Criador em direção à Sua criatura, vier a cessar, a criatura não reconhece mais o amor sua manifestação. Então, todos os seres, e tudo aquilo que veio a existir através da vontade de Deus, pereceria.


Assim, todo dia é dia de Deus. Todo momento é um momento de Deus. Todo instante é um instante de Deus, à medida que nos lembremos Dele. Porém o ser humano, que nesta criação é conhecido como a única criatura que tem a capacidade de conhecer e amar a Deus e reconhecer aquele que é o seu Criador, estranhamente se esquece dele. Se pudéssemos ouvir a voz de uma pedra clamando como ela manifesta a unidade e a coesão, ela estaria o tempo todo louvando a Deus, louvando ao seu Criador e dizendo "eu sou obra e fruto deste amor, desta força coesiva, desta força de criação". Se pudéssemos ouvir as plantas, os animais, os pássaros também ouviríamos este cântico de louvor a Deus. Mas o homem, infelizmente, que tem a capacidade do discernimento racional, aquele que é capaz de definir o seu próprio rumo e a sua própria vida, precisa ser lembrado que necessita lembrar de Deus, para que ele possa fazer de todo instante um instante de Deus, de todo dia o dia de Deus, de todo momento o momento de Deus.


Assim, quando estamos em comunhão com Deus, em comunhão com o nosso Criador, fazemos daquele momento um momento Divino. Se pudéssemos fazer da nossa vida uma vida de comunhão íntima, profunda, contínua com Ele, então ela seria uma vida que refletiria no seu dia-a-dia o dia de Deus.


Mas também há um outro significado para o termo "O Dia de Deus". Quando dizemos que um certo dia é o dia de alguém ou o dia de algo, aquele é o dia em que aquele alguém ou aquele algo é soberano, é ele que tem o comando daquele dia em suas mãos. Aquele ato, aquele fato, aquela realidade, aquela pessoa, é quem reina naquele dia. Nós conhecemos várias expressões de dias, por exemplo o dia "D". O que foi o dia "D"? Foi o dia do desembarque, o dia do ataque militar que é capaz de conquistar posições, o dia da decisão que tomamos, o dia da grande virada, o dia da grande realização.


As Escrituras Sagradas sempre disseram que haveria um Dia de Deus. O dia em que Deus seria o soberano, em toda a existência terrena. No entanto, já houveram vários dias de Deus. Todos os Profetas e Manifestantes divinos tornaram os dias da Sua existência no dia de Deus, porque Eles eram o reflexo do próprio ser Divino. Enquanto viveram entre nós, no passado, no presente ou no futuro, eles transformam o dia da Sua existência no dia de Deus. As Escrituras Sagradas do passado no entanto, asseguram que haveria um dia em especial. Um dia que marcaria todos os dias. Por dia não entendamos um dado momento ou um período de 24 horas, mas uma era, um período em que a plenitude do Divino seria conhecida pela humanidade.


É como se esperássemos um momento especial como uma lua cheia. O momento em que a Lua passa a ser soberana, se apresenta na sua plenitude. Apesar da Lua nova, a crescente ou a minguante serem a mesma Lua, nestas fases a posição da Terra é tal com relação à Lua e ao Sol que não podemos vê-la na sua plenitude. Mas quando ela aparece na sua forma plena, celebramos esta plenitude. Da mesma forma com o Sol, celebramos solstícios e equinócios porque são momentos em que o sol se encontra em determinadas posições de plenitude, como no equinócio, quando o Sol ilumina a terra de uma forma igual e por inteiro. O dia e a noite tem a mesma duração no hemisfério norte e no hemisfério sul, até determinadas posições de trópicos, Mas, enfim, o sol se encontra no seu plano mediano e ilumina a terra por igual. É um dia de celebração.


Então haveria um dia, as Escrituras Sagradas afirmavam, que o Sol da Verdade, aquele Rei da Eternidade, aquele Deus tão buscado, querido, amado e invocado pelos homens em suas orações, haveria de se manifestar na Sua plenitude.



Como identificar este dia? Será que vivemos este dia agora? Será que estamos vivendo um momento de transformação tão profundo que este seja identificado como aquele dia de Deus? O nosso senso comum nos leva ao menos a querer investigar, porque números começam a ter um certo significado interessante. Final de milênio, período de profundas transformações da humanidade, um momento de profundo questionamento por parte de todos nós. A era de Aquário que traria, segundo a interpretação zodiacal, transformações profundas na humanidade, uma era aguardada há milênios. Isto tudo nos leva a uma reflexão: será que já houve este dia de Deus, este momento da plenitude, em que o Sol da Verdade, o Deus Criador, o Pai Eterno, se apresentou no ponto meridiano da nossa percepção?


Existem várias formas de identificar se este é ou não é o dia de Deus. As profecias nos ajudam a identificarmos que momento vivemos. Há sinais que podem nos ajudar a identificar estes momentos e há elementos de cumprimento profético e de realização humana, que podem também nos ajudar a identificar este momento. Consideremos alguns exemplos de cada um deles. Já que vivemos numa realidade cultural e religiosa cristã, tomemos o exemplo do cristianismo.


Em Mateus capítulo 24 há uma pergunta feita a 2.000 anos atrás, de quando seria o dia de Deus. Vejamos o que diz a Bíblia:


"Quando Jesus ia saindo do templo, aproximaram-se dele o seus discípulos para lhe mostrarem a estrutura do Templo. Jesus porém lhes disse: ‘Não vedes tudo isto? Em verdade vos digo que não ficará aqui pedra sobre pedra que não seja derribada’. Estando assentado no Monte das Oliveiras, chegaram-se a Ele os seus discípulos em particular dizendo: ‘Dizei-nos: quando serão estas coisas? E que sinal haverá da tua vinda e do fim do mundo?’..."


Lembremos que sempre as referências ao fim do mundo nas Escrituras Sagradas, se interpretadas de forma limitada, levar os seres humanos a acreditarem no fim do mundo como um extermínio total da humanidade. Mas as Escrituras Sagradas sempre trataram da realidade numa linguagem poética, de parábolas, de analogias, cheia de alegorias, e não numa linguagem direta.


"...E Jesus respondendo disse-lhes: ‘Acautelai-vos que ninguém vos engane. Porque muitos virão em meu nome dizendo: Eu sou Cristo. E enganarão a muitos. E ouvireis de guerras e rumores de guerras. Olhai e não vos assusteis, porque é mister que isto tudo aconteça, mas ainda não é o fim. Porquanto se levantará nação contra nação e reino contra reino e haverá fome e pestes e terremotos em vários lugares. Mas todas estas coisas são o princípio de dores e então vos hão de entregar para serem atormentados e matar-vos-ão. E sereis odiados de todas as gentes por causa do meu nome. Neste tempo, muitos serão escandalizados e trair-se-ão uns aos outros e uns aos outros se aborrecerão. E surgirão muitos falsos profetas que enganarão a muitos. E por se multiplicar a iniqüidade o amor de muitos esfriará. Mas aquele que perseverar até o fim será salvo. E este Evangelho do Reino será pregado em testemunho a todas as gentes e então virá o fim.’"


Vejamos alguns elementos interessantes que podemos considerar das palavras de Cristo: "Este Evangelho do Reino será pregado em todo mundo em testemunho a todas as gentes". Isto foi dito há 2.000 anos atrás, e de fato hoje confirma-se que o Evangelho já foi testemunhado por todas as gentes. Testemunhar não significa adotar, seguir, mas reconhecer a existência. E por "gentes" entendamos a generalidade de cada povo. Talvez ainda hajam pessoas no mundo que não conheçam o Evangelho de Cristo. Mas mesmo na China ou algum rincão remoto, haverá sempre um reconhecimento. É interessante que há dois mil anos atrás Cristo dizia que o tempo do fim, este momento da transformação radical da humanidade, este dia de Deus aparecia num momento em que o Evangelho estivesse pregado em testemunho a todas as gentes.


Ele também fala sobre guerras, rumores de guerras, fala de uma conturbação generalizada de toda a humanidade. Quando Ele diz que se levantará nação contra nação e reino contra reino, qual era a compreensão de mundo que se tinha há dois mil anos atrás? Era muito limitado. A própria noção de que os "bárbaros" existiam é uma noção que só vem a aparecer quando os romanos começam a sua caminhada rumo ao norte e isto quase contemporâneo à época de Cristo.


O conceito de nação contra nação, reino contra reino, de lugar a lugar, não era um conceito conhecido naquela época e hoje vemos que se instala na humanidade um momento de profundo desequilíbrio de relações entre países e entre povos. Estamos vivendo realmente uma época em que o capítulo 24, se encaixa como uma luva. Não só pela questão desta adequação da palavras de Cristo aos dias de hoje - talvez se adequassem a 100, 200, 500 ou 1.000 anos atrás, mas não na intensidade desta visão mundial que Cristo trazia, que era incompreensível ao homem daquela época.



Ele fala depois também sobre a abominação da desolação prevista pelo Profeta Daniel, e voltando-se a Daniel podemos investigar e ver o que significa isto. Daniel faz referência numérica do período que haveria de passar até que aparecesse o tempo do fim e são várias evidências que vão nos conduzindo a nos questionar: será que estamos vivendo este período tão especial da história humana?


Daniel dizia que haveriam de se passar 2.300 tardes e manhãs até que chegasse o tempo do fim. Uma tarde e uma manhã constituem um dia e um dia em linguagem bíblica, segundo o livro de Números, Deus fala a Moisés "Dar-te-ei um dia por um ano". Então o significado do dia em linguagem bíblica é um ano e 2.300 anos haveriam de passar desde o momento em que Daniel havia feito esta profecia. Em que ano Daniel faz a profecia? Se fizermos um estudo da história veremos que é no ano de 457 a.C.. Somado este –457 à 2.300 chegamos exatamente aos meados dos séculos XIX.


Muitas outras evidências cristãs caem neste período; evidências islâmicas caem neste período, além de profecias budistas e hindus. É interessante ver a concentração de uma expectativa messiânica neste período do século XIX e abrindo-se em direção ao século XX.


É importante que pesemos na balança do nosso coração se estamos ou não vivendo determinadas evidências de um dia especial da história humana.


Sobre estes sinais que Cristo se refere, sobre guerras e rumores de guerras, há um texto muito interessante que nos leva a refletir um pouco sobre qual a origem deste processo, como se fosse uma mão invisível que toma conta dos assuntos humanos e os conduz de uma forma inexplicável a um momento de caos e conflito generalizado na humanidade. Este é um texto de Shoghi Effendi, bisneto de Bahá'u'lláh, fundador da Fé Bahá'í:


"Uma tempestade de inédita violência varre atualmente a face da terra e não podemos prever o seu curso."


Inédita violência. Uma violência que até então nunca se ouviu falar. Nunca se pensou nela. Nunca se vivenciou ela. Os moradores de Brasília viveram um momento de inédita violência agora no sábado: uma moça na 310 Sul foi pegar o seu carro e foi abordada por dois homens, que a levam neste circuito já conhecido de sacar dinheiro de caixa automático, e a cada hesitação dela em lembrar sua senha eles a cortavam com gilete! A moça levou 63 pontos pelo corpo inteiro, retalhada de gilete porque esquecia a senha do cartão. É uma inédita violência. Ladrões desta estirpe a humanidade está conhecendo agora. Outro exemplo foram os ataques terroristas a embaixadas americanas na África, aonde centenas de civis inocentes morrem sem saber porquê. A violência atinge números que jamais podiam ser imaginados. Porque a guerra no passado não era considerada uma violência, era uma questão de sobrevivência. Se um reino se levantava contra o outro, lutavam, tinham as suas regras, mas violência como nós estamos vendo, esta tempestade é inédita.


"Os efeitos imediatos são catastróficos mas as conseqüências finais serão gloriosas além do que possamos imaginar", continua Shoghi Effendi. Esta é uma colocação que não temos visto muito. Sempre estamos nos concentrando nesta "inédita violência" mas não nos damos conta que talvez ela esteja sendo acompanhada por um processo de transformação cujos efeitos finais serão "gloriosos, além do que possamos imaginar".


"A força que impele esta violência cresce impiedosamente em âmbito e rapidez. Seu poder purificador, se bem que despercebido, aumenta dia-a-dia. A humanidade, vítima deste inexorável ímpeto assolador é abatida pelas evidências de sua fúria invisível. Não percebe a humanidade sua origem nem pode sondar seu significado ou discernir seu fim". Quando foi dito isto? Março de 1941. Não foi dito hoje, nem ontem, nem há 10 anos atrás, mas em 1941 quando falar sobre esta inédita violência ainda era pouco compreendido por nós: aqui no Brasil vivíamos um período de paz. Um brasileiro, se em 1941 lesse este texto, talvez pensasse assim: "Ele diz isto por causa da Guerra Mundial, da Palestina, que foi onde ele escreveu estas palavras e que talvez esteja sendo alvo de todas estas dificuldades que a guerra gera. Mas isto não vai nos atingir nunca". Sempre nos vangloriamos de que a guerra não haveria de nos atingir e estamos sendo agora varridos por uma guerra civil como nunca vimos antes. E agora ela toca fundo em nós. Se perguntarmos para cada um qual a experiência de violência que tem, certamente se não for uma experiência direta, cada um vai ter uma história de um parente próximo, de algum amigo próximo, e dizer: "Fulano foi assaltado, Beltrano foi rendido deste jeito, Sicrano, etc.". Vivemos um momento na história humana quando algo precisa ser feito. E como não estamos despertando como humanidade, a força que impele este movimento vai se alastrando e vai tomando conta de tudo.

Continuação do texto

TEXTOS DE INSPIRAÇÃO NA FÉ BAHAI

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OPINIÕES FAMOSAS SOBRE O MOVIMENTO BAHAÍ - 2


PENSAMENTOS DE BAHÁ'U'LLÁH - 1


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O PLANO DE QUATRO ANOS - 1


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A PAZ INTERIOR - 1


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O DIA DE DEUS - 1


O DIA DE DEUS - 2

CURSO GRATUITO - PRIMEIRA PARTE

LIÇÃO 1    LIÇÃO 2


LIÇÃO 3    LIÇÃO 4


LIÇÃO 5    LIÇÃO 6


LIÇÃO 7    APÊNDICE

POESIAS DE INSPIRAÇÃO BAHAI

1    2    3    4    5

FONTE DO TEXTO

http://www.bahai.org.br



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