O DIA DE DEUS - 2

PALESTRA DE IRADJ ROBERTO EGHRARI

Fundamentada na Fé Bahai

"Perplexa, angustiada e impotente, a humanidade vê este grande e poderoso vento no castigo divino invadir as mais remotas e belas regiões abalando a Terra até os fundamentos e perturbando-lhe o equilíbrio", afirma Shoghi Effendi. Porque chamar isto de castigo divino? Será que Deus é este ser malévolo, vingativo, que deseja o nosso mal, que agora resolve vingar-se? Na realidade, castigo divino sim, porque este é o resultado e a conseqüência do fato de termos ido contra os próprios fundamentos da existência humana. O fato de termos rompido com todo e qualquer conceito de ordem e de equilíbrio que o próprio Deus havia colocado dentro da Sua própria criação.


Que momento é este que vivemos na história humana, que de um lado a humanidade se tornou tão pequena que todas as relações se tornam imediatas? Se, por exemplo, o Japão mexe em sua economia o mundo cai de repente. Mas, também, ao mesmo tempo, um mundo tão distante em suas partes que a solidariedade, a cooperação, a capacidade de um empreendimento comum aparentemente desaparecem. Vivemos sinais de que realmente um Dia Prometido parece estar chegando?


Vivemos um período de cumprimento? Bahá'u'lláh afirma:


"Em verdade digo: este é o dia em que a humanidade pode contemplar a face e ouvir a voz do Prometido. Ergueu-se o chamado de Deus e a luz de Seu Semblante resplandeceu sobre os homens. É dever de todo o homem apagar da tábua de seu coração o menor vestígio de toda a palavra vã e, com mente aberta e imparcial, fitar os sinais de Sua revelação, as provas de Sua missão e as evidências de Sua glória."


É uma colocação muito forte que Bahá'u'lláh faz. É um desafio muito grande que Ele apresenta à humanidade, no momento em que diz que estas profecias, estes sinais se completam e se concluem nos dias de hoje, e que através da missão profética que lhe foi confiada, nós podemos ver e ouvir a voz do Bem-Amado, do Prometido.


Temos somente uma opção. Ou este é o dia, ou não é. Ou Bahá'u'lláh é de fato aquele Prometido que apresenta ser, ou não. Bahá'u'lláh diz que este é do Dia de Deus e que na revelação d’Ele se faz presente o cumprimento profético do passado. E que então todo homem, com visão clara e de forma imparcial, sem preconceito, deve avaliar esta afirmação em seu coração. Se alguém diz: "Eu sou o prometido", isto para nós parece ser uma coisa fantástica falar em prometidos, em seres iluminados, em mensageiros e profetas divinos que trazem uma revelação de caráter mundial, de transformação geral. Isto parece ser algo tão distante no tempo, que hoje em dia não poderia acontecer. Bahá'u'lláh diz que sim. Isto acontece, aconteceu e por força da história e do momento em que a humanidade vive, coube a Ele ser o portador, o canal que trouxe esta revelação.


Se este é o dia, o que fazer neste dia? O que nos cabe fazer? Simplesmente constatarmos que este é o dia? Mas, no que isto influencia nossa vida? No que isto transforma a nossa realidade? Se este é o Dia de Deus, o Dia do Sol Meridiano, o Dia da Plenitude, se verdadeiramente o é, somos extremamente afortunados. Porque a nós foi dada a bênção de podermos viver o momento pelo qual profetas do passado dariam as suas vidas para que pudessem estar vivenciando tal dia.


Como deve ser a nossa postura no momento em que vivemos o Dia de Deus, o dia desta manifestação da plenitude divina? Bahá'u'lláh diz que "Este é um dia sem igual. Sem igual também deve ser a língua que celebra o louvor do desejo de todas as nações. Incomparável o ato que aspira a ser aceitável a Seus olhos". O que dizemos e como agimos é algo que este dia demanda uma elevação, uma profundidade, um caráter de transformação total. A humanidade inteira tem ansiado por este dia. Para que possa talvez cumprir o que convenha a sua posição e seja digno de seu destino. Na realidade o que Bahá'u'lláh diz é que a humanidade atinge a sua maturidade nesta época. Nós já passamos pela época da infância da humanidade, a época da adolescência e vivemos agora a época da plenitude da humanidade, a época da maturidade da humanidade, apesar de vivermos um período, como já vimos, cujo sinais nos mostram um colapso total.



Mas é sempre nestes momentos de colapso que as transformações se efetuam. É quando se dá o salto da transformação. Quando o corpo humano aparentemente começa a entrar em colapso na puberdade, quando tudo começa a mudar, no menino a voz engrossa, pelos aparecem, na menina os seios começam a aparecer, as formas do corpo mudam, é um virtual colapso, mas é quando se dá a transformação da maturidade. A humanidade também vive este momento de aparente colapso. Vive como se fosse o momento em que a mulher vai dar a luz. É o momento quando o corpo dela aparentemente entra em colapso, são dores, são contrações, mas o médico não se concentra no colapso, se concentra na nova vida que está vindo. Nós também temos esta missão de não nos concentrarmos no colapso da humanidade agora, mas nesta nova era que está por vir, neste novo momento que está por surgir. É por isto que o destino que nos aguarda é glorioso. É por isto que apesar deste colapso o futuro próximo é bastante brilhante.


Então o que fazer neste dia que é o dia que demanda atos de excelência. Bahá'u'lláh, em um de seus escritos diz que palavras que não sejam acompanhadas de atos não tem o menor valor. Ele diz que "sejam atos e não palavras o vosso adorno". Aquilo que deve nos caracterizar como seres humanos são os nossos atos, que hoje os especialistas dizem é o melhor meio de educação. Se um pai e uma mãe querem educar os seus filhos numa forma de excelência, os seus atos é que são o manual e a cartilha desta educação.


Mas se vivemos um dia que é o Dia de Deus, o dia da plenitude profética, da realização de tudo aquilo que é esperado no passado, se vivemos um dia das transformações que nos levam a um futuro glorioso, se este dia exige de nós ações de excelência, porque nós não conseguimos isto? O que nos impede? Aparentemente tudo aquilo que foi apresentado até agora são palavras bonitas e pensamentos excelsos, interessantes. Qualquer pessoa diria: "Ótimo! Mas porque não alcançamos este intento?" Vejamos o que diz Bahá'u'lláh, como uma chave de como alcançar tal meta:


"A vitalidade da crença dos homens em Deus está morrendo em toda a parte. Nada senão o Seu remédio divino, o Seu remédio salutar poderá restaurá-la. A impiedade corrói as vísceras da sociedade humana. Que há de purificá-la e revigorá-la a não ser o poder de Sua potente revelação?"


É a impiedade que está nos levando à perda do sentimento de sermos irmãos. Porque quando se perde a piedade, este é o momento em que um se considera superior ao outro e que a vida ou existência do outro não tem o menor valor. E o que estamos vivendo na humanidade é exatamente a falta desta piedade. E Bahá'u'lláh diz que a solução para que esta piedade possa aparecer nada mais é do que a Revelação Divina, o Verbo de Deus. Este mesmo Verbo que se fez carne através de tantos e tantos mensageiros e profetas divinos, mais uma vez se faz presente entre nós para que possa nos dar este Elixir, esta Essência capaz de nos transformar. Então, se queremos transformar o destino da humanidade nada a não ser a revelação divina, a religião, é capaz de fazer isto.


A questão é que a religião caiu em descrença. Se falamos hoje em dia em religião, a primeira lembrança que nos vem a mente são os dogmas, rituais, colocações incompreensíveis, repetição de palavras sem sentido, leitura, leitura e leitura de textos e orações que nos levam ao cansaço. Religião passa a não ter aplicação prática na nossa vida. Esta é a forma como vê a maioria da humanidade.


A verdadeira religião é sinônimo de espiritualidade e é capaz de levar a profundas transformações. Neste momento em que buscamos a transformação, nada a não ser uma compreensão do fenômeno espiritual, de forma mais ampla e profunda, nada a não ser isto pode ser a solução. Bahá'u'lláh diz que é o elixir divino, a revelação divina, as palavras de Deus que podem levar-nos a encontrar o caminho da transformação, do reconhecimento do Dia de Deus, em que nossos atos e palavras estejam harmoniosos e que sejam dignos do destino elevado da humanidade. Como deixar permear-se por este sentimento de espiritualidade, de religiosidade pura, elevada, prática, da ação, da religião vista como a prática diária? Como iniciar esta caminhada?



Bahá'u'lláh, em outro de seus Escritos, no chamado "Livro da Certeza" faz uma colocação interessante. Ele diz que:


"Os que trilham o caminho da fé, os que têm sede do vinho da certeza, devem purificar-se de tudo o que é terreno. Os ouvidos devem eles purificar de palavras fúteis. As mentes de vãs fantasias, os corações do apego às coisas do mundo e os olhos daquilo que perece. Em Deus devem por a confiança e nele se apoiando, prosseguirem seu caminho."


Ao lermos isto poderíamos refletir: "purificar os ouvidos de palavras fúteis? Tudo bem. Isto eu posso dar conta. Se alguém vier fofocar, se alguém vier falar mal de alguém, se vier vangloriar-se de coisas efêmeras do mundo, se vier me dizer que é maravilhoso ter coisas, possuir coisas, ter poder, ter domínio sobre os outros, eu posso afastar o meu ouvido e dizer que não acredito nisto. São palavras vãs, fúteis, que não levam a lugar nenhum, esta não é a essência da minha existência."


Porém, purificar a mente das vãs fantasias, já é um pouco mais complicado! Porque para manter a mente centrada e evitar com que fantasias tomem conta dela, (e nós somos alvo muito fácil de fantasias durante o nosso dia-a-dia!) devemos também purificar o coração do apego às coisas do mundo. Se não o fizermos, as vãs fantasias tomam um vulto e um poder muito grande. Desapegar-se das coisas do mundo, isto sim, exige força e determinação espiritual.


E, por fim, desviar os olhos daquilo que perece. Eu posso ter uma casa, posso ter um carro, um bom trabalho, móveis bonitos, uma televisão que eu goste, tudo isto existe para desfrutarmos. Mas, estou apegado a isto? Até que ponto vai meu desapego? Então Bahá'u'lláh diz: você quer entrar na caminhada do Dia de Deus? Você quer se caracterizar por atos e palavras que sejam elevados, que sejam aceitos na corte divina? Então preste atenção: a primeira coisa que você tem que fazer é se desapegar deste mundo.


Viver neste mundo, como diz Bahá'u'lláh em outro texto, como o sábio "... que no mar se acha seco". Como no mar você pode se achar seco? Estar no meio da água e não se molhar? Você usa a água, você nada na água, você bebe a água, mas ela não toma conta de você. Ela não molha, não se infiltra em você, você se mantém absolutamente impermeável, você sai dela e está seco. Mas este mundo nos permeia, se infiltra, toma conta de nós e nos tornamos consumidores compulsivos: "eu quero comprar, quero ter, vejo que outro tem e eu também quero, também gosto, também almejo". Nos perdemos neste emaranhado, às vezes sutil, almejando a posição do fulano, o emprego do sicrano, a beleza da fulana. Enfim, esta é a vida que vivemos e temos que aprender a nos desprender disto.


No momento em que nos desprendemos, começamos a caminhada. Para que este desprendimento aconteça, para que esta caminhada possa efetivamente ter resultado, não podemos ser um desconhecido para nós mesmos. Nós não podemos caminhar 60, 70, 80, 90 anos da nossa vida sendo um desconhecido para nós mesmos. Ou seja, auto-conhecimento é uma chave fundamental para este conhecimento de Deus. Todas as Escrituras Sagradas dizem:
conhece-te a ti mesmo e terás conhecido a Deus. Porque? Porque se somos este sinal do divino presente neste mundo, basta nos volvermos para dentro de nós. Mas não adianta simplesmente buscar se apegar ao divino e achar que com isto encontramos a salvação. Este é o grande engano que sempre fazemos, porque colocamos nas mãos de Deus o nosso progresso, a nossa caminhada e a nossa batalha, que é só nossa. Temos que trazer Deus para próximo de nós. Pouco a pouco, ao conhecermos as nossas reações, ao conhecermos quem somos, nos abrimos como num passe de mágica para vitorias que antes eram impossíveis de serem alcançadas. Então, nossa caminhada na realidade é um passo em direção a Deus e um passo que Deus dá em nossa direção. E este passo dado em direção a Deus ocorre dentro de nós mesmos, é uma caminhada interna.


Vivemos um dia sem igual? Os bahá'ís dizem que sim. Vivemos um dia em que a voz de Deus mais uma vez falou aos homens. Vivemos o Dia de Deus no sentido de que mais uma vez Deus se manifesta aos homens na Sua plenitude, e Ele apresenta um caminho, uma transformação. Não falamos sobre o conteúdo do caminho, não dissemos o que Bahá'u'lláh se propõe a transformar, não falamos de como Ele faz isto, de como podemos aproveitar Seus ensinamentos para a nossa transformação. Mas vale a pena verificarmos, investigarmos, buscarmos ver se realmente vivemos este período tão esperado e tão aguardado da história humana. Se este for o Dia de Deus, este, sem dúvida nenhuma, é o nosso grande dia. Porque é uma época invejada por todos os povos do passado. Eles viveram para que pudéssemos viver agora. Então vale a pena mergulharmos neste oceano e buscar em Bahá'u'lláh uma verdade que possa trazer luz e entendimento à nossa própria existência e que possamos dar prosseguimento a nossa caminhada.

Início do texto

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LIÇÃO 5    LIÇÃO 6


LIÇÃO 7    APÊNDICE

POESIAS DE INSPIRAÇÃO BAHAI

1    2    3    4    5

FONTE DO TEXTO

http://www.bahai.org.br



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