SANTIAGO BOVISIO



REFLEXÃO 8

O Politeísmo


a - A GUERRA DOS DOIS SÓIS;


b - MONOTEÍSMO E POLITEÍSMO;


c - EM DIREÇÃO À UNIDADE.

Em numerosas Ensinanças se fala de politeísmo e de monoteísmo, e como a literatura religiosa através dos séculos diversificou os significados originais, provocando confusões e erros, quando não falsidades, cremos que são necessárias algumas reflexões sobre estes temas, tomando como guia as precisões que o Mestre Bovisio assinalou em seus trabalhos. Começaremos pelos conceitos, e não pelos nomes; muitas controvérsias nasceram da multidão de títulos produzidos ao longo da história para designar uma coisa unitária.

Sempre se disse, no singular, a origem do universo, e a essa singularidade se chamou de Uno, Único, Absoluto, Deus, O Desconhecido, O Criador, Ele, Isso, Eterno, etc., conforme as tradições e a linguagem dos povos.


A unicidade do princípio subjaz no inconsciente coletivo da espécie humana e se aplica espontaneamente a todos os nomes que mencionamos; é uma evidência anterior ao razoamento e aos dogmas.


As religiões e crenças monoteístas, politeístas e panteístas, se sustentam na unicidade do princípio criador. O leitor que queira aprofundar nesta parte do tema, deverá meditar as primeiras Ensinanças do Livro “Cosmogonia”.

Os diversos nomes estão pronunciados e escritos em linguagem humana. Para algumas religiões o nome único é segredo e desconhecido; para outras, sua diversidade é infinita. Algumas defendem um nome como real e verdadeiro, declarando falsos aos outros. Outras, aceitam vários, misturando, confundindo, gerando formas caóticas.


Na atualidade o assunto está numa grande mistura, incluindo a pessoas vivas que se declaram avatares, encarnações divinas, com ritos próprios e multidão de seguidores. Típico de uma Era que termina, o Deus dos homens está liquidificado na grande batedeira social das massas desordenadas e sem destino.


Queríamos pôr um pouco de clareza, agora que uma grande cruzada cristã enfrenta a guerra santa do outro lado, matando, destruindo e levando o horror a todos os povos da terra.

Vivemos na multiplicidade; mais de 6.000 milhões de pessoas que formam a humanidade estão globalizados na rede mundial de comunicações, viagens, comércio, finanças, turismo, leituras, internet, em realidade, tudo. E nesta aldeia global há muitos deuses que se comunicam entre si e dialogam, como se estivessem no velho Olimpo.


Faz pouco tempo, em Assis, reuniram-se os chefes de várias religiões, Catolicismo, Islamismo, Judaísmo, Hinduismo, Protestantismo, Ortodoxos, para orar juntos pela paz mundial, em exemplar e fraterno espírito de tolerância religiosa.


Foi uma resposta à guerra global da cruzada cristã de George Bush, enfrentando a Guerra Santa dos Islâmicos. Por tudo isto, é necessário explicar os fundamentos do monoteísmo e do politeísmo.

a- A GUERRA DOS DOIS SÓIS

O Mestre Santiago explica claramente a origem destas divergências religiosas do Antigo Egito, porque ele mesmo foi um dos protagonistas, como Sumo Sacerdote do Templo de Amon em Tebas, durante o reinado de Amenophis IV, chamado depois Akenaton (Aton, nome do disco solar, físico, único, monoteísta; Amon, nome do espírito do sol, também Micäel, Primeiro Regente de Sistema Planetário, politeísta). Recomenda-se ver os Livros “O Sistema Planetário”, “Religiões Comparadas”, e “História das Ordens Esotéricas”.


Durante as primeiras Raças Raízes, as capacidades suprafísicas dos homens eram tão grandes que não necessitavam templos nem religiões, porque estavam em contato direto e permanente com os Grandes Iniciados que os dirigiam. As religiões começam aos poucos com a Raça Ária à medida que os homens vão perdendo a visão Astral, cegueira que se incrementa depois da Guerra dos Mil e Quinhentos Anos, com a destruição dos últimos Atlantes.


Então, fundou-se a Grande Ordem do Fogo, no monte Kaor, que conservou a sabedoria antiga e os poderes psíquicos que chegaram até o Egito histórico, em transmissão secreta de Mestres a Discípulos.


A homogeneidade do conceito divino único era geral em toda parte; porém, começam as divergências mono e politeístas devido às ações do Faraó herético Amenophis IV entre os anos 1375-1357 AC. , influenciado por sua esposa Nefertiti, semita nascida em Mitania, norte do atual Iraque.


Na antiguidade, cada cidade, cada região ou província tinha um deus protetor local, como agora as cidades têm um Santo Patrono (em Mendoza o Patrono é São Tiago; em Buenos Aires, é São Martin de Tours, etc.). Mas no Egito antigo, o grande Deus único era Ra, o Sol. Ademais cada nomo ou província tinha seu Deus Local. Em Tebas, capital do Reino Egípcio, era Amon.


Porém, Amenophis IV decidiu eliminar todos os Deuses e os diferentes cleros com seus templos, e consagrar a um único Deus pessoal, Atón, sendo Ele seu único Grande Sacerdote. Todos os templos foram fechados, os sacerdotes perseguidos sem piedade, e o próprio Faraó construiu para si uma nova capital, com os tesouros roubados dos outros templos.


A nova religião era materialista, sensória, excludente. Quando morreu o Faraó epilético, tudo o que reformou desmoronou; Tebas voltou a ser a capital, foram restaurados os cultos suprimidos, as inscrições do nome do Faraó foram apagadas e sua lembrança, desonrada.


Porém, a semente da religião monoteísta, exclusiva, dualista (matéria e espírito) perdurou nas religiões semitas, levadas por Moisés e os hebreus à Palestina, e desde ali, às novas religiões que brotariam com o tempo: o Cristianismo e suas ramificações, e o Islamismo com suas diversas correntes. Estas religiões conquistaram a todas as nações do mundo, salvo algumas regiões culturais da Ásia: o planeta lhes pertence.


O Mestre Santiago, na Ensinança 10, do Livro “História das Ordens Esotéricas”, assinala que Jesus “É um verdadeiro precursor do que ainda é uma esperança: a união do politeísmo com o monoteísmo; ou seja a pureza da concepção politeísta com a acessibilidade de todos os homens ao conceito do monoteísmo. Em síntese: a Redenção de todos os homens”. Nós cremos que essa será uma das tarefas capitais do Grande Iniciado Solar Maitreya.

b- MONOTEÍSMO E POLITEÍSMO

A crença popular de que as religiões monoteístas adoram o Deus único e verdadeiro, e que as religiões politeístas são fetichistas que adoram muitos ídolos, (os negros da África, os ilhéus da Polinésia, etc.), generalizou-se nos primeiros séculos do cristianismo, a partir de Alexandria, quando as multidões cristãs empurradas por monges fanáticos, combateram os crentes da religião pagã grega, e com a oficialização do Cristianismo como religião do Estado, sob Constantino, as antigas crenças desapareceram. Quando o Islamismo apareceu, estas religiões monoteístas lutaram entre si para impor seu Deus pessoal.


Quando os Espanhóis conquistaram a América, destruíram todos os templos e os “ídolos” das antiqüíssimas civilizações regionais. Antigamente, as religiões eram o fator de poder decisivo, e os governantes as utilizavam para dominar ao povo e a outras nações, sob as bandeiras de seus deuses pessoais.


Hoje, os fatores de poder estão nas ideologias políticas, capitalismo, comunismo, etc., nos exércitos e no dinheiro. Hoje, a controvérsia de monoteísmo e politeísmo não significa nada, nem política nem espiritualmente. Porém, para entender a estrutura e o significado íntimo destas concepções, há que recorrer às Ensinanças de Santiago Bovisio, que as explicou nos Livros que recomendamos anteriormente.


O politeísmo é o caminho do conhecimento harmônico de todas as coisas espirituais e materiais, e seu efeito é a sabedoria. O monoteísmo é o caminho do sentimento, e seu resultado é a compaixão. Na Ensinança “A Sabedoria Árabe Esotérica e a Mulher Velada”, do Livro anteriormente mencionado, o Mestre Santiago expõe com toda clareza estas duas concepções que se reúnem num ideal ainda inalcançável: “com a Sabedoria, o Amor”.


Indubitavelmente, as religiões monoteístas estiveram enfrentadas entre si durante a Era Cristã, e agora, ao final de Peixes, o ódio que as move se tornou selvagem e incontrolável. Veja-se o que está ocorrendo na Palestina e se compreenderá melhor que qualquer texto: as três religiões monoteístas dominantes do mundo querem possuir exclusivamente seu lugar sagrado, Jerusalém, onde foi crucificado o Salvador, liquidando às outras competidoras, como já o fizeram anteriormente.


Com a destruição desta região se encerra o ciclo monoteísta dialético, e se abre um novo espaço para a humanidade. O ciclo kármico se encerra pagando a dívida. Não se pode inaugurar a Sub-Raça Americana, enquanto persistam os interesses da antiga; como nos humanos, deve morrer bem morta.


A Sub-Raça Teutônica, que se iniciou com a Guerra dos 1.500 Anos, depois que desaparecera totalmente a anterior Ária Celta, começou com indivíduos muito primitivos, selvagens, tipo homem das cavernas, que viviam da caça e da pesca, e sobre esta base, com o transcorrer dos milênios, se levantou a atual civilização tecnológica.


Depois que passe a destruição e o aniquilamento das massas, quando o planeta volte a estar limpo de radioatividade e contaminações, e comecem a repovoar-se os bosques e os rios, quando os sobreviventes voltem à inocência, como começaremos a nova era da espiritualização do materialismo, a harmonia entre o monoteísmo e o politeísmo, a Sabedoria com o Amor? Ninguém o profetizou, mas nas Ensinanças são sugeridos os prováveis delineamentos da obra do Maitreya.


O Mestre Bovisio viveu desde 1904 até 1962, e como já se explicou, em sua anterior encarnação foi Sumo Sacerdote do Templo de Amon no Egito, onde o politeísmo alcançou seu maior fulgor durante a Guerra dos Dois Sóis.


Passaram–se mais de trinta séculos entre uma ida e outra, longo tempo que só os grandes podem experimentar, e o politeísmo desapareceu completamente.


Ao encarnar na primeira metade do século XX, aportou aos homens o mais completo e profundo estudo sobre o politeísmo, que se havia conservado parcialmente nas Ordens Secretas sob rigoroso segredo, e aportou técnicas de meditação, contemplação, posturas, hinos e orações ocultas, conhecimentos físicos e astrais, que só um Mestre de Sabedoria da Escola de Amon pode transmitir, dentro da visão cósmica do politeísmo.


Tudo isto deixou por escrito, e o entregou aos discípulos que formavam a Ordem que fundou para a expansão da Mensagem de Renúncia. Ao desaparecer a Ordem com seus compromissos intrínsecos nas últimas décadas do século passado, as Ensinanças ficaram livres, e se estenderam pelo mundo a través dos meios de comunicação. No primeiro ano de difusão, se registraram mais de 554.000 Ensinanças transferidas a particulares em mais de 35 países de todos os continentes.


Que significou a presença de Santiago Bovisio, testemunha excepcional e um dos protagonistas da luta entre o politeísmo e o monoteísmo, quando termina o signo de Peixes com o período milenar do monoteísmo judeu, cristão e muçulmano?


O Mestre Santiago exclamou enfaticamente ante muitas testemunhas, em um ato cerimonial que presidia em Buenos Aires em 1959: “Três mil anos de obscurantismo!” Manifestação clara e emocionante de um antigo sacerdote de Amon, que reclamava um lugar para o conhecimento íntegro da verdade.


As nações modernas e os sistemas ideológicos que elas promovem estão sendo derrubados entre crises econômicas, injustiças e guerras de extermínio, por suas próprias contradições, sem saída nem retorno. O monoteísmo está esgotado.


Com os avanços científicos e o desenvolvimento planetário também na margem crítica, a esperança que resta à humanidade é o politeísmo renovado, o conhecimento sem exclusões, material e suprafísico, dentro da realização integral do homem, em harmonia e síntese com o sentimento monoteísta. Talvez essa seja a missão do Maitreya no começo de Aquário: uma nova forma de viver para todos: a Sabedoria no Amor.

c- EM DIREÇÃO À UNIDADE

O problema em que vivem submergidos os monoteístas é a dualidade: Deus por um lado e a matéria pelo outro. Nunca puderam resolver esse dilema. Às vezes chegaram ao fanatismo e à crueldade, como na Idade Média Cristã, época dos pares de opostos exagerados, com um Deus muito alto e inacessível, e o mundo como um inferno transbordante de pecados; ao não poder solucionar doutrinariamente a contradição, multiplicaram as procissões, as Ordens Mendicantes, as fogueiras da Inquisição e o extermínio dos rebeldes.


Agora estamos em outra época similar e oposta, de onipotência materialista: os laboratórios genéticos cometem terríveis danos, uma fria impiedade cobre de cadáveres os campos africanos, o poder do dinheiro destrói as nações débeis desde o F.M.I, a sensualidade mais grosseira é conduta generalizada, e muito, muito acima, invisível, mudo na obscuridade, o Deus solitário das religiões monoteístas olha o vazio sem dizer nada.


Mas estamos ao final de Peixes, dois peixes olhando em direções opostas, e a solução está operando pelo colapso elementar dos componentes, a dissolução. Quando um organismo biológico morre seus constituintes se vão desagregando involutivamente, cada vez mais profundo, até chegar a uma substância elementar sem forma, como no início, quando começou sua atividade.


No organismo humano, esta desarticulação continua nos planos suprafísicos durante muitíssimo tempo, até que da entidade só resta uma síntese, a memória do que viveu, e o átomo semente que lhe permitirá realizar outra vida. Também as Raças se dissolvem e transmutam para poder abrir um novo ciclo. Diz o axioma hermético: “Como é em cima, é embaixo. Como é embaixo, é em cima. Para que se cumpra o milagre da Unidade”.


As duas concepções que guiaram o progresso da humanidade durante séculos, monoteísmo e politeísmo, separados, são incompletas, como são parciais a mente e o coração quando atuam independentes.


O homem foi criado como unidade indissolúvel; só nas culturas e nas religiões pessoais se divorciaram para conquistar alguns setores da realidade. Agora se inicia um novo ciclo que, se é amplo como o anterior, durará 24.000 anos. A missão profetizada para este futuro imediato é a reunião dos pares de opostos. Tal será, nem mais nem menos, a Obra do Grande Iniciado Solar Maitreya.

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FONTE DO TEXTO

http://www.santiagobovisio.org



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