PARÁBOLAS BUDISTAS 26

PARÁBOLA DA CIDADE-FANTASMA

Um grupo de viajantes, tendo ouvido falar de uma cidade cheia de tesouros, parte para enfrentar uma difícil jornada. Para chegar à cidade, teriam de percorrer uma estrada extremamente longa que atravessava desertos, florestas e terras perigosas.


Nenhum trecho dessa estrada era seguro e os viajantes teriam de ter muita coragem e persistência para atingir sua meta.


Haviam completado mais da metade da jornada e acabado de sair de uma densa floresta quando o guia, que conhecia bem o caminho, avisa que logo iriam se aventurar por um deserto.


O sol escaldante e as fortes tempestades de areia provaram ser demais para eles. Os viajantes estavam tão cansados que começaram a perder a coragem e a querer desistir dos tesouros em troca da segurança de seus lares que haviam deixado para trás.


O guia, contudo, estava determinado a levar todos, não importando como. Ele usa então seus poderes místicos para fazer aparecer uma cidade no meio do deserto.

Num instante, os viajantes tiveram uma visão fantástica. Surge do nada um lindo oásis repleto de árvores, por entre as quais vêem uma cidade. Imediatamente, por entre as quais vêem uma cidade.


Imediatamente, correram até lá com grande alegria. Todo o cansaço, as dores e o desânino desapareceram num instante para dar lugar ao otimismo e à esperança. Eles se banharam, saborearam comidas deliciosas e dormiram tranquilamente.


Em suas conversas, nem se cogitava a idéia de desistirem da jornada e de retornarem aos seus lares. Na manhã seguinte, logo que despertaram, ficaram estarrecidos ao ouvir o guia dizer-lhes que tinham de deixar aquele lugar maravilhoso e seguir viagem.


Mas este é com certeza o paraíso que procuramos por tanto tempo! – exclama um deles.


Não – responde o guia – os senhores ainda estão na metade da jornada. Este é somente um ponto de descanso, uma lugar para refrescarem-se. Acreditem!


O destino final é muito mais belo que esta cidade e não está tão longe. Agora que tivemos tempo para descansar e relaxar, vamos continuar nossa viagem.


Dito isso, a cidade desapareceu na areia.

EXPLANAÇÃO

No capítulo Kejoyu, os viajantes representam toda a humanidade, o guia é o Buda e a cidade fantasma, indica os três veículos ou os meios pelos quais o Buda conduz as pessoas à terra do tesouro ou ao veículo único do Estado de Buda.


Muitas pessoas começam a prática do budismo almejando seus benefícios imediatos, o desejo de uma vida melhor, completar seus estudos, conseguir sanar problemas de saúde, financeiro ou sentimental, quando nós obtemos exito em nossos esforços e orações é como estivéssemos nesta cidade fantasma.


Mas logo o Buda nos alerta que devemos continuar nossa luta, levantar e ir em frente, em busca de um objetivo maior que é o Estado de Buda.

Extraído da revista Terceira Civilização, de julho de 1999, preciosa Colaboração de Charles Chigusa, Tóquio, Japão

O FORMIGUEIRO E O DRAGÃO
(Sutra Vammika)

Uma fábula nos dá conta de que um homem encontrou um formigueiro que se queimava durante o dia e fumegava à noite.


Curioso e intrigado, foi ter junto a um sábio homem e lhe pediu conselhos a respeito do que fazer com o achado. O sábio lhe disse para revolver o formigueiro com uma espada.


Assim fazendo, o homem encontrou uma trava de porta, algumas bolhas de água, um forcado, uma caixa, uma carapaça de tartaruga, uma faca de açougueiro, um pedaço de carne e, finalmente, um dragão.


Retornando ao sábio, contou-lhe o que havia encontrado. O sábio explicou-lhe então o significado de suas descobertas e lhe disse: "Jogue tudo fora, exceto o dragão; deixe-o sozinho e não o moleste."

Nesta fábula, o formigueiro representa o corpo humano. Sua queima durante o dia simboliza o fato de que, durante o dia, os homens fazem as coisas que pensaram na noite precedente.


Fumegar à noite indica o fato de que os homens, durante a noite, recordam-se, com prazer ou tristeza, das coisas certas ou erradas que fizeram durante o dia.


Na mesma fábula, o homem simboliza a pessoa que busca a iluminação. O sábio é um Buda. A espada simboliza a pura sabedoria. Revolver o formigueiro simboliza o esforço que se deve fazer para alcançar a iluminação.


A trava da porta representa a ignorância; as bolhas de água são os bafejos do sofrimento e da ira; o forcado sugere a hesitação e o desconforto; a caixa é onde se acumulam a cobiça, a ira, a indolência, a volubilidade, o arrependimento e a ilusão; a carapaça de tartaruga simboliza a mente; a faca de açougueiro significa a síntese dos cinco sentidos; e o pedaço de carne simboliza o desejo que surge desses sentidos e que leva o homem a ansiar por sua satisfação.


Ainda na fábula, o dragão indica a mente que eliminou todas as paixões mundanas e as transformou em iluminação.


Se um homem revolver as coisas ao seu redor com a espada da sabedoria, encontrará o dragão e a maneira certa de agir. "Deixe o dragão sozinho e não o moleste" significa procurar e trazer à luz a mente livre dos desejos mundanos.

Preciosa Colaboração de Márcio Barros - RJ

A PARÁBOLA DO REI KONJIKI

O Rei Konjiki era um homem extremamente humano e compassivo que era também dotado com a habilidade e poder para governar bem.


Ele não lançava impostos para os pobres, não declarava guerra contra estados estrangeiros e encorajou a abundante produção de cereais. A pobreza era inexistente e todos tinham o suficiente para comer em todas as ocasiões.


Konjiki estava sempre interessado a respeito do bem-estar dos seus súditos e fazia o seu melhor para resolver quaisquer problemas ou curar quaisquer doenças que confrontavam o seu povo.


Como resultado, seu povo o amava e era aplaudido em altas vozes cada vez que aparecia em público.


Infelizmente, havia um poderoso e mau demônio que estava invejoso, tanto do sucesso do Rei Konjiki como da admiração que seu povo tinha por ele.


O demônio estava determinado a alterar esta situação, de modo que as pessoas dos domínios de Konjiki sofressem e finalmente viessem a odiar o seu rei.


Ele lançou um mau cheiro pela terra e avisou as pessoas enviando uma agourenta luz vermelha no céu.


O Rei Konjiki ficou grandemente alarmado com esta luz, e pediu a vários dos seus astrônomos para determinarem o significado deste sinal.


Eles investigaram a situação e tristemente relataram os seus resultados ao rei. "Senhor, temos notícias muito ruins para o senhor.


Nos próximos doze anos, não choverá em nosso domínio. Não teremos quaisquer colheitas e o nosso estoque de alimento minguará rapidamente. As pessoas terão pouco para comer e muitos certamente morrerão."

Konjiki ficou profundamente perturbado com estas notícias, mas estava determinado a fazer o melhor que podia para ajudar a salvar o seu povo.


Ele convocou seus ministros e ordenou-lhes que determinassem a quantidade de alimento que estava sendo armazenado nos depósitos por toda a terra, averiguassem a população do seu pais e inventassem um modo de distribuir amplas quantidades de alimento para o povo de uma maneira eqüitativa.


Fez também saber que todas as pessoas, tanto ricas como pobres, receberiam iguais quantidades de alimento para comer. Não havia exceções para esta regra e mesmo ele, o rei, teria a mesma ração diária, assim como o mais humilde mendigo.


O rei distribuiu esta proclamação porque temia que se algum rico tivesse uma quantidade de alimento e muitos pobres não, os que estivessem famintos fizessem guerra para os que tivessem provisões ocultas.


O resultado seria o maior caos e acrescentaria sofrimento a todos. Konjiki sentiu que como todos os homens eram inerentemente iguais, deveriam ter as mesmas oportunidades e benefícios e deveriam passar pelos mesmos sofrimentos.


Além disso, uma distribuição igual do suprimento de alimento bem planejada, poderia capacitar à sua nação sobreviver à maldição de doze anos.


Como predito, a seca começou imediatamente e continuou por muitos anos. A benevolência e o cuidadoso planejamento de Konjiki, deu a todo o seu povo o suficiente para comer por muitos anos, mas após uma década a provisão de alimento começou a declinar dramaticamente.


Logo, estava claro que a nação não sobreviveria pelos doze anos completos, e que a população inteira estava para morrer de fome.


Finalmente sobrou o suficiente para dar a cada pessoa uma pequena refeição. As pessoas disseram entre si: "Devemos estar gratos ao Rei Konjiki pelo fato de termos sobrevivido tanto.


Ele tem feito o máximo para nos salvar e ninguém poderia ter feito melhor. Quando chegar a ocasião da nossa última refeição, vamos ao castelo e agradeçamos pessoalmente a ele.


Morramos juntos com ele." As pessoas reuniram-se em volta do castelo e gritaram a Konjiki: "Senhor, tenhamos nossa última refeição juntos."

Neste ponto, um estranho objeto apareceu no céu. Estava ainda longe, mas estava se aproximando rapidamente. As pessoas não tinham idéia do que era; alguns supuseram que poderia ser um gigantesco pássaro vermelho, enquanto outros temiam que pudesse ser um mau demônio.


Quando o objeto chegou perto, contudo, viram que não era demônio ou pássaro, mas antes, uma divindade querida chamada ‘pratyeka-buddha’. Ele era um ser que tinha percebido o significado da Lei Budista e alcançado a iluminação.


Konjiki olhou a divindade e perguntou: "Ó honorável, por que nos visitais? Estais numa missão especial aqui?"


O ‘pratyeka-buddha’ olhou e disse calmamente: "Não, não tenho nenhuma razão para vir aqui, mas apreciaria muito se pudesse me dar algo para comer."


Konjiki contou à divindade sobre a situação da sua nação e então ordenou a seus ministros que dessem ao ‘pratyeka-buddha’ o alimento que tinha sido reservado para a sua última refeição. Um dos seus ministros ficou chocado e animou-o a manter o seu alimento.


Konjiki sorriu e disse: "Uma refeição a mais não me conservaria vivo por muito tempo. Além disso, o ‘pratyeka-buddha’ honrou-nos com a sua presença aqui. Não podemos recusar o seu pedido."


O ‘pratyeka-buddha’ rapidamente comeu a refeição que lhe foi dada e lentamente flutuou além das nuvens.


Konjiki então voltou-se à multidão e disse: "Meu povo, a vossa dedicação tem-me comovido profundamente, mas agora retornai aos vossos lares e passai as últimas horas com as vossas famílias."

Um grande silêncio caiu sobre a multidão, mas ninguém se moveu. Finalmente uma pessoa avançou e disse: "Senhor, não há mais ninguém em nossos lares para retornar. Todos em vosso reino juntaram-se aqui para morrer convosco."


Assim que falaram, contudo, o céu subitamente encheu-se de nuvens e o sol desapareceu. O trovão soou à distância e as luzes dos relâmpagos podiam ser vistos em todos os lugares.


Todos esperavam que caísse uma chuva a qualquer momento, mas ao invés de chuva, começou a cair alimentos do céu.


Pães, legumes, carnes - todas as formas de alimentos imagináveis choveram sobre as pessoas. Juntamente com os alimentos choveu ouro, prata e jóias de todas as espécies.


O sofrimento do povo tinha chegado ao fim e desde então o país de Konjiki viveu em paz e prosperidade. Os deuses estavam recompensando Konjiki e seus súditos por sua benevolência e fé no Budismo.


Agora, todos compreenderam que um país que segue o Budismo com todo o coração, conhecerá a verdadeira felicidade que nunca cessará de florescer.

Revista Terceira Civilização, de maio de 1978, preciosa colaboração de Nilcéa Simões

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FONTE DOS TEXTOS

As Mais Belas Histórias Budistas, página criada por Sandro Neto Ribeiro.


http://www.vertex.com.br/users/san



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