PARÁBOLAS BUDISTAS 28

O CALÍGRAFO CHINÊS

Certa vez, houve um calígrafo na China chamado Wu-lung. Em sua arte, ele não tinha rival em todo o país, tal como Dofu ou Kozei no Japão. Ele odiava o Budismo e jurou que jamais iria transcrever escrituras budistas.


Quando o seu fim se aproximou, ele caiu seriamente doente. No seu leito de morte, expressou seus últimos desejos ao seu filho, dizendo: "Você é meu filho. Não somente herdou a minha habilidade, como escreve com melhor mão que eu próprio. Não importando que má influência possa agir sobre você, não deverá copiar o Sutra de Lótus".


E então o sangue jorrou como fonte, dos seus cinco órgãos dos sentidos. Sua língua partiu-se em oito partes e o corpo desintegrou-se em dez direções.


Mas os seus parentes, ignorando os três maus caminhos, não compreenderam que isso era sinal de que ele cairia no estado de Inferno.

O nome do filho era I-Lung. Ele também mostrou ser o melhor calígrafo da China. Obediente ao desejo do seu pai, ele jurou que jamais transcreveria o Sutra de Lótus. O rei, na época, tinha como nome Tsu-ma.


Ele acreditava no Budismo e tinha especialmente o Sutra de Lótus em alta consideração. Ele queria ter esse sutra transcrito por um excelente calígrafo - que não fosse outro senão o melhor do país - para ter assim uma cópia para si mesmo.


Assim, convocou I-Lung. Este explicou que o desejo do seu pai o proibia, e rogou ao rei que o dispensasse da tarefa.


Não desejando obrigá-lo a desobedecer o desejo do pai, o rei chamou um outro calígrafo para transcrever o sutra. O resultado, entretanto, estava longe de satisfatório.


O rei mandou novamente chamar I-Lung e disse-lhe: "Como o senhor afirma que o desejo do seu pai lhe proíbe, nós não o compelimos a transcrever o sutra.


Nós insistimos, entretanto, que obedeça pelo menos a nossa ordem de escrever os títulos dos oitos volumes. I-Lung suplicou repetidamente para ser dispensado. O rei, agora furioso, disse:


"O senhor continua insistindo no desejo do seu pai, mas ele foi tão súdito nosso quanto o senhor é. Caso recuse escrever os títulos temendo faltar para com o amor filial, nós o acusaremos de desobediência a decreto real".


Dessa maneira, o rei repetiu a rigorosa ordem. I-Lung, embora não desejando contrariar o pai, compreendeu que não podia mais desobedecer a ordem real, e então escreveu os títulos (dos oitos volumes) do Sutra de Lótus, e entregou seu trabalho ao rei.

Voltando para casa, I-Lung visitou o túmulo do seu pai e, derramando lágrimas, relatou: "O rei ordenou-me tão rigorosamente que eu, contra a minha vontade, escrevi os títulos (dos oito volumes) do Sutra de Lótus".


Na sua tristeza não podia fugir à culpa de ser mau filho, e ficou junto ao túmulo durante três dias, jejuando até a beira da morte. Na hora do Tigre no terceiro dia, ele estava quase morto e sentiu como se estivesse sonhando.


Ele olhou para o céu e viu um ser celeste que parecia exatamente igual a Taishaku numa pintura. Sua multidão de seguidores enchia o céu e a terra. I-Lung perguntou-lhe que era. O ser celeste respondeu:


"Não me reconhece? Eu sou seu pai, Wu-lung. Enquanto estive no mundo humano, aderi às escrituras não budistas e mantive inimizade com o Budismo, particularmente com o Sutra de Lótus. Por essa razão, caí no inferno dos incessantes sofrimentos."


"Todos os dias a minha língua era arrancada várias centenas de vezes. Ora estava morto, ora estava vivo. Vivi chorando em agonia, alternadamente olhando para o céu e atirando-me ao solo, mas não havia ninguém que ouvisse os meus gritos. Queria comunicar ao mundo humano a minha angústia, mas não havia como fazê-lo. Sempre que você insistia em cumprir o meu desejo, suas palavras se transformavam ora em chamas para atormentar-me, ora em espadas que choviam do céu sobre mim. Seu procedimento foi extremamente impróprio de filho. Entretanto, como estava agindo para cumprir o meu desejo, não pude odiá-lo pois eu estava apenas recebendo a retribuição do carma do meu próprio ato."

"Enquanto pensava desse modo, apareceu repentinamente um Buda dourado no inferno dos incessantes sofrimentos, e declarou:


"Mesmo que o universo esteja repleto de pessoas que tenham destruído suas boas causas, se elas ouvirem o Sutra de Lótus mesmo uma só vez, jamais deixarão de atingir a Iluminação".


Quando esse Buda entrou no inferno dos incessantes sofrimentos, foi como se tivesse havido um dilúvio num grande incêndio. Quando meus sofrimentos diminuíram um pouco, juntei as palmas das mãos e perguntei-lhe que Buda ele era. O Buda respondeu:


"Eu sou o caráter myo, um dos sessenta e quatro caracteres dos títulos do Sutra de Lótus que o seu filho, I-Lung, está agora escrevendo".


Como oito caracteres constituem o título de cada um dos oitos volumes, um total de sessenta e quatro Budas apareceram e brilharam como muitas luas no plenilúnio, e a extrema escuridão do inferno dos incessantes sofrimentos transformou-se instantaneamente num fulgor ofuscante.


Além disso, de acordo como o princípio de que todo lugar está, sem que se alterem as suas características, e é em si a terra do Buda, o inferno dos incessantes sofrimentos tornou-se imediatamente a capital da eterna terra do Buda.


Eu e todos os outros ocupantes transformamo-nos em Budas sentados em flores de lótus, e acabamos de ascender ao palácio interno do céu Tushita. Estou relatando-lhe isso em primeira mão".

I-Lung disse: "Foi a minha mão que escreveu os títulos. Como poderia o senhor ter sido salvo? Além disso, eu não os escrevi com fé (no Sutra de Lótus). Como seria possível isso tê-lo salvo?" Seu pai respondeu:


"Como é tolo! Sua mão é a minha mão, e seu corpo é meu corpo. Seu ato de escrever caracteres é equivalente a eu fazê-lo. Embora você não tivesse verdadeira fé, não obstante escreveu os títulos com sua mão. Portanto, eu fui salvo.


Imagine uma criança que ponha fogo em algo e, sem a mínima intenção de fazê-lo, provoca um incêndio. O mesmo acontece com o Sutra de Lótus. Se alguém professa a fé nele, mesmo involuntariamente, jamais deixará de tornar-se Buda.


Entretanto, como estamos na classe leiga, estamos em melhor posição para nos arrependermos das palavras caluniosas passadas não importando quão graves elas tenham sido. I-Lung relatou tudo isto ao rei. O rei disse: "Nosso desejo foi respondido com esplêndidos resultados". Desde então, I-Lung desfrutou cada vez mais do favor real, e todo o povo do país passou a crer no Sutra de Lótus.

Preciosa Colaboração de Charles Chigusa


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FONTE DOS TEXTOS

As Mais Belas Histórias Budistas, página criada por Sandro Neto Ribeiro.


http://www.vertex.com.br/users/san



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