PARÁBOLAS BUDISTAS 30

A MULHER BELA E RICA E SUA IRMÃ FEIA E POBRE


Desenho de Sandro Neto Ribeiro

Certa vez, uma mulher bela e bem trajada visitou uma casa. O dono da casa lhe perguntou quem era e ela respondeu que era a deusa da fortuna.


Mais que depressa o dono da casa acolheu respeitosamente essa mulher bela e rica e a tratou muito bem.


Logo depois, uma mulher feia e pobremente vestida bateu à mesma porta. O dono da casa perguntou-lhe quem era e a mulher lhe respondeu que ela era a deusa da pobreza.


O dono da casa, assustado, tentou por a mulher feia e pobre para fora de casa, mas ela recusou-se a sair, dizendo:


"A deusa da riqueza é minha irmã. Há um acordo tácito entre nós, segundo o qual nunca devemos viver separadamente; se você me enxotar, ela irá comigo."


Era a pura verdade. Assim que a horrenda mulher saiu, a outra, bela e rica, desapareceu.


O nascimento acompanha a morte. A fortuna acompanha o infortúnio. As más coisas seguem as boas coisas. Os seres humanos deveriam compreender isso.


Os tolos temem o infortúnio e lutam para conseguir a felicidade, mas aqueles que buscam a iluminação devem transcender a ambos e estar livres de todos os apegos mundanos.

Preciosa colaboração de Márcio Barros - RJ


A SEMENTE DA MOSTARDA

Um opulento comerciante ficara profundamente aflito ao verificar, um dia que todas suas moedas e barras de ouro haviam se transformado em carvão da noite para o dia, e recolhera-se ao leito sem mais querer alimentar-se, pois preferia a morte à indigência.


Um amigo seu, informado do acontecido, foi visitá-lo e ao ouvir-lhe a causa de seu sofrimento, ponderou-lhe:


-Teu ouro transformou-se em carvão porque não aplicaste bem tua riqueza. O ouro avaramente acumulado não vale mais do que o carvão. Mas ouve um conselho: estende teus tapetes no bazar, põe-lhes em cima o carvão e vende-o.


O mercador seguiu o conselho de seu amigo, e quando os vizinhos lhe perguntaram por que vendia carvão, respondia:


-É a única coisa que possuo.


Algum tempo depois, uma jovem órfã e pobre, chamada Krisha Gotami, passou pelo bazar do mercador e lhe perguntou:


-Meu senhor; vendes também estes montões de ouro?


O mercador respondeu-lhe:


-De que ouro falas? Onde está?


Krisha Gotami pegou uns pedaços de carvão, que na vista do mercador se transformaram em ouro.


O mercador supôs que Krisha Gotami possuísse clarividência mental, e a casou com seu filho, pensando consigo mesmo: "Para muitas pessoas o ouro não vale mais que o carvão: mas Krisha Gotami transmuda o carvão em ouro."


Krisha Gotami teve um filho e este morreu. Transida de dor, ia com o filho morto de casa em casa, pedindo um remédio, e as pessoas diziam:


-Está doida: a criança está morta."


Desenho de Sandro Neto Ribeiro

Finalmente, Krisha Gotami encontrou um camponês que respondeu sua súplica dizendo:


-Não posso dar um remédio para a criança, porém sei de um médico capaz de o dar.


E Krisha Gotami respondeu:


-Suplico-te que me digas quem é.


-Vai ver o Buda.


Krisha Gotami foi ver o Iluminado e exclamou, chorando:


-Senhor meu e mestre. Meu filho estava brincando entre as flores e tropeçou numa serpente que se enroscou no seu braço. Ficou logo pálido e silencioso.


Não posso aceitar que ele deixe de brincar ou que deixe o meu colo. Senhor meu mestre, dá-me um remédio que cure o meu filho.

O Iluminado respondeu:


-Sim irmãzinha, há uma coisa que pode curar teu filho e a ti, se puderes consegui-la, porque os que consultam os médicos tomam o que lhes é receitado.


Procura uma simples semente de mostarda preta, porém só deves receber de uma casa onde nunca tenha entrado a morte, onde não tenha ainda morrido pai, mãe, filho nem filha, nem irmão, nem irmã, nem escravo nem parente.


Aflita, Krisha Gotami foi de casa em casa pedindo o grão de mostarda. As pessoas se compadeciam dela e lhe davam, porém, quando ela pergunta se já tinha morrido alguém naquela casa, lhe respondiam:


-Ah! Poucos são os vivos e muitos os mortos. Não despertes nossa dor.


Agradecida, ela lhes devolvia a mostarda e dirigia-se a outros que lhes diziam:


-Aqui está a semente, porém já morreu nosso escravo.


-Aqui está a semente, porém o semeador morreu entre a estação chuvosa e a colheita.


E não encontrou nenhuma casa onde não tivesse morrido alguém.


Krisha Gotami voltou chorosa para o Iluminado dizendo-lhe:


-Ah! Senhor, não pude encontrar mostarda em casa onde não tivesse havido morte. Então, entre as flores silvestres, na margem do rio, deixei meu filho que não queria mamar nem sorrir, e volto para ver teu rosto e beijastes pés suplicando-te que me digas onde encontrar essa semente, sem deparar ao mesmo tempo com a morte, pois, apesar de tudo não posso crer na morte de meu filho, como todos me disseram e temo tenha acontecido.

O mestre respondeu-lhe:


-Minha irmã, procurando o que não podes encontrar, achaste o amargo bálsamo que eu queria dar-te. Sobre teu seio, o ser que amas dormiu hoje o sono da morte. Agora já sabes que todo mundo chora uma dor semelhante à tua. O sofrimento que aflige todos os corações pesa menos do que se concentrado num só.


Escuta! Derramaria eu meu sangue se, derramá-lo pudesse deter tuas lágrimas e descobrir o segredo de o amor causar angústia e através de prados floridos conduzir-vos ao sacrifício, qual mudos animais conduzidos por seus donos.


Nenhum nascido pode evitar a morte. Assim como os frutos maduros caem da árvore, assim os mortais estão expostos à morte desde que nascem. A vida corporal do homem acaba partindo-se como a vasilha de barro do oleiro.


Jovens e adultos, néscios e sábios, todos estão sujeitos à morte. Porém, o sábio que conhece a Lei não se pertuba, porque nem pelo pranto nem pelo desânimo obtém a paz, mas pelo contrário, avivam as dores e os sofrimentos do corpo.


A morte não faz caso de lamentações. Morre o homem, e seu destino está determinado por suas ações. Embora viva dez ou cem anos, acaba o homem por separar-se de seus parentes ao sair deste mundo.


Quem deseja a paz da alma, deve arrancar de sua ferida a flecha do desgosto, da queixa, da lamentação. Feliz será aquele que consegue vencer a dor. Sepulta tu mesma o teu filho.


Extenuada pela dor, Krisha Gotami sentou-se à beira do caminho, pôs-se a meditar no silêncio do entardecer e disse consigo: "Quão egoísta sou eu em minha dor! A morte é o destino comum de tudo quando vive. Porém, neste vale desolado há um caminho que conduz à imortalidade - aquele que elimina de si todo egoísmo.


E sufocando o amor egoísta que sofria por seu filho, enterrou-o no bosque. E foi logo refugiar-se no Iluminado, e encontrou consolo que alivia o coração dilacerado pela dor.

"Dedico a S. Castilhos, e a todas as pessoas que um dia perderam um ente muito querido."

Preciosa colaboração de Charles Chigusa

Próxima   Índice   Anterior

FONTE DOS TEXTOS

As Mais Belas Histórias Budistas, página criada por Sandro Neto Ribeiro.


http://www.vertex.com.br/users/san



Sorria ao acordar
e antes de dormir!

Muito obrigado pela visita,
veja sempre as novidades!






Google
 
Web www.eurooscar.com








Se não vê à esquerda o menu
rolante do site, clique aqui.

If you do not see the left
scrolling menu, click here.





Home