PARÁBOLAS BUDISTAS 38

KASHO, O MELHOR EM ZUDA

INTRODUÇÃO

Era Kasho um verdadeiro prodígio. Inteligente de nascença, o menino Kasho orientava tão bem os outros, que mesmo os adultos ficavam admirados.


Deixando a vida secular, tornou-se discípulo de Sakyamuni. Exercitou tanto o corpo como o espírito a ponto de observar rigidamente “prática de Zuda”, que consistia em abster-se de qualquer desejo pela vestimenta, alimentos e habitação. Finalmente ele se tornou um dos dez principais discípulos de Sakyamuni, consagrando-se como “Kasho, o melhor em Zuda”.


No capítulo VI, Juki-bon, da Sutra de Lótus, foi-lhe garantida a Iluminação na existência futura sob o título de Buda Komyo. Após o falecimento de Sakyamuni, foi o primeiro dos “Fuhozo”, os vinte e quatro bonzos que propagaram o Budismo nos primeiros mil anos a partir da morte de Sakyamuni, e dedicou-se por vinte anos na difusão do Ensino Hinayana.


Hoje em dia, na era de Mappo, não mais é necessário observar “prática de Zuda”. Basta que nos devotemos na prática de “Jigyo-Keta” com a fé no Gohonzon para desfrutarmos os benefícios ainda maiores que aqueles conseguidos na época de Sakyamuni com a observância rigorosa de todos os exercícios preceituados.

Havia na Índia um brâmane famoso, mais rico do que o próprio rei. Como filho desse brâmane, nasceu Kasho. Quando ele cresceu, o pai e a mãe disseram-lhe que se casasse quanto antes com uma bela moça. Entretanto – “Eu quero servir ao Buda e estudar o Budismo”, assim dizia Kasho, negando-se a casar. Mas os pais continuaram insistindo que ele se casasse. Não tendo mais meios, Kasho mandou esculpir a imagem de uma mulher com uma beleza tal que não fosse possível encontrá-la neste mundo. E disse aos pais: “Se é que tenho de me casar, peço que me procure uma moça ainda mais linda que esta.”


E então... Os pais ficaram totalmente desapontados. Mas apesar de tudo, conseguiram finalmente encontrar uma moça, esplendorosa de tanta beleza, e trouxeram-na a Kasho como sua noiva. Milagroso foi que a noiva desejava que Kasho fosse servir ao Buda.


Casaram-se... E se foram doze anos. Tanto o pai como a mãe já não mais viviam.

Kasho e sua esposa decidiram realizar o desejo de há muitos anos. E se juntaram: “Vamos servir eternamente ao Buda.”


Kasho doou todo o tesouro que possuía aos outros. E saiu no exercício da prática budista, vestido de uma batina da melhor qualidade. Era o dia em que Sakyamuni estava pregando o Budismo aos discípulos num local conhecido por Tikurin-Shoja, perto de Oshajo. Tendo o conhecimento desse fato, Kasho apresentou-se ao local onde se encontrava Sakyamuni a fim de se tornar seu discípulo.


Perto de Oshajo, encontrou Sakyamuni, que estava pregando o ensino debaixo de uma grande árvore. Kasho murmurou consigo: “Eis o Buda que eu procurava.” Diante do aspecto esplendoroso de Sakyamuni, Kasho uniu suas mãos numa atitude de profunda veneração. E então, sucedeu uma cena comovente em que se firmou o juramento de mestre-e-discípulo. Já discípulo de Sakyamuni, Kasho ofereceu ao Buda sua própria batina, a da melhor qualidade, com que vestia seu corpo.

E vestido agora de uma batina feita de trapos, devotou-se única e inteiramente na “prática de Zuda”. Até que se tornou um dos dez principais discípulos de Sakyamuni, Kasho propagara o budismo através de exercícios intensamente árduos. Por este mérito, Sakyamuni denominou-o de “o melhor em Zuda”. No caítulo VI, Juki-bon, da Sutra de Lótus, Sakyamuni concedeu a Kasho o grau de Buda Komyo. Mais tarde, numa localidade chamada Guion-Shoja, Kasho, e mais Anan, um outro discípulo, herdaram os ensinos que foram outorgados por Sakyamuni.


Kasho intensificou ainda mais a sua devoção em propagar o Budismo através de muitos países. Encontrava-se no país de Takushanaguiri, propagando o Budismo, quando Kasho recebeu a notícia do falecimento de Sakyamuni. A tristeza imensa encheu sua alma. Às pressas, retornou-se, com os quinhentos discípulos, ao Castelo Kushina onde Sakyamuni vivera. Chegando, celebrou um funeral solene. Nessa ocasião ,Kasho e os demais juntaram-se: “Para transmitir à posteridade os ensinos do Buda Sakyamuni, compilemos seus escritos.”


Convocando os quinhentos bonzos, Kasho levou a efeito, sob a proteção do rei Ajasse, a primeira compilação das sutras, numa grande caverna situada ao sul de Oshajo, no país de Makada. Kasho, que empreendeu tão grandiosa obra, cumpriu condignamente a sua missão como o primeiro dos “Fuhozo”, os vinte e quatro bonzos sucessivamente indicados para herdar e transmitir o Ensino, propagando o Budismo nos vinte anos que se seguiram ao falecimento de Sakyamuni. Indicando Anan como seu sucessor, Kasho terminou sua vida fecunda no Monte Keisoku.

Preciosa colaboração de Eliana Romero.

O REI QUE DEPORTAVA SEUS CIDADÃOS IDOSOS
(Uma história das Escrituras Budistas)


Desenho de Sandro Neto Ribeiro

Isto é o que eu (ou seja, Ananda) ouvi do ensinamento do Lorde Buda durante um sermão em Sravasti:


Era uma vez um rei que não gostava de cidadãos idosos. Ele achava que as pessoas que se tornavam idosas não eram mais úteis para o seu reino e portanto, um dia, ele decretou que qualquer pessoa acima de 60 anos de idade deveria ser deportada. Qualquer um que o desobedecesse sofreria severas punições e que ninguém se atrevesse a manter seus pais idosos em casa.


Porém, um dos seus mais velhos oficiais, secretamente manteve seu pai num aposento subterrâneo. Todo dia, ele lhe trazia alimento para comer, água para beber e Escrituras Budistas para estudar de modo que ele pudesse passar os últimos dias de o Céu para o Rei dizendo: "Estou lhe dando uma lista de problemas para serem solucionados. Você tem que me dar as respostas corretas dentro de um mês. Se você não me der as respostas corretas até o final deste período, o Imperador Sakra destruirá e arrasará com seu Reino!"

Os problemas eram:


Primeiro, o mensageiro do Céu colocou duas cobras em frente ao Palácio e pediu ao Rei para distinguir a cobra masculina da cobra feminina.


Depois, ele deu um elefante ao Rei e pediu para que o Rei o pesasse.


Em seguida ele colocou uma tigela com água pura em frente ao Palácio e pediu ao Rei que encontrasse outra tigela de água mais valiosa do que aquela.


Ele também colocou um pedaço de sândalo em frente à Côrte Imperial e perguntou ao Rei, "onde está a cabeça e onde está o fim deste pedaço de madeira?"

Finalmente, o mensageiro do Céu trouxe consigo um par de cavalos brancos que pareciam exatamente iguais em todos os sentidos. Ao Rei foi pedido para encontrar quem era a mãe entre os dois cavalos.


Dos seus oficiais, nenhum foi hábil a resolver estes problemas. O Rei começou a ficar preocupado e colocou avisos por todo o seu Reino dizendo que qualquer pessoa que aparecesse com as respostas receberia uma recompensa de 20.000 peças de ouro. O tempo estava passando rápido e o final do mês se aproximando. Apesar disso, ninguém teve uma pista para apresentar.


Então, no último dia do mês, o Imperador Sakra apareceu ante o Rei e perguntou, "você já solucionou os problemas?" O Rei, agora aterrorizado, falhou em dar ao Imperador Sakra quaisquer respostas.

Naquele momento, um dos Oficiais da Côrte Imperial deu um passo à frente com seu pai idoso e disse, "Meu pai tem as soluções."


"Tudo bem," respondeu o Imperador Sakra. "Mostre-me como solucionar estes problemas."


Para distinguir a cobra masculina da feminina o velho pai colocou ambas num pedaço de tecido bem macio. Uma das cobras começou a se mostrar incomodada e tentou escapar. "Aquela cobra deve ser a cobra masculina. A cobra quieta deve ser a feminina." disse o velho pai. Problema número um resolvido.


Em seguida, o velho pai levou o elefante para dentro de um barco que estava flutuando num rio alí perto. Imediatamente, o barco afundou um pouco mas depois se estabilizou. Então ele fez uma marca da altura da água no lado do barco e deixou o elefante sair dele. Depois ele colocou pedaços de pedras no barco até que elas atingissem a marca feita anteriormente. Após as pedras terem sido pesadas numa balança, o peso do elefante pôde ser determinado. O problema foi também resolvido.

"Para solucionar o problema da tigela de água é fácil," disse o velho pai ao Imperador Sakra. "Tudo o que tenho a fazer é pegar qualquer outra tigela de água e dá-la a alguma pessoa, tal como um viajante num deserto, para bebê-la. Uma tigela de água, usada para salvar uma vida é mais valiosa do que a tigela de água simplesmente colocada para nada, alí em frente ao Palácio." O problema estava igualmente resolvido.


Para solucionar o problema do pedaço de sândalo, o velho pai o colocou na água. A cabeça, que por si é densa, submergiu na água. A ponta final, que é leve, flutuou sobre a água. Mais uma vez problema resolvido.


Para solucionar o último problema, o velho pai encontrou algum feno de boa qualidade e o colocou entre os dois cavalos brancos. Notaram que um dos cavalos chutou o feno para o outro e o deixou comer primeiro. Ela deve ser a mãe!


O Imperador Sakra ficou muito satisfeito com as respostas. Ele anunciou que iria desculpar o Reino de ser destruído. O Rei humano subitamente tornou-se iluminado e ajoelhou-se ante o Rei dos Deuses dizendo, "Agora eu vejo o que você quer dizer. É minha falta maltratar meus velhos cidadãos. Estou pedindo que perdoe meu pecado e irei trazer de volta meus cidadãos idosos para suas casas."


O Imperador Sakra ficou muito contente e retornou para o Céu.

A tradução deste texto é uma preciosa colaboração de Teresinha Medeiros dos Santos, com ilustração de Sandro Neto Ribeiro.


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FONTE DOS TEXTOS

As Mais Belas Histórias Budistas, página criada por Sandro Neto Ribeiro.


http://www.vertex.com.br/users/san



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