PARÁBOLAS BUDISTAS 41

O MASSACRE NA CIDADE NATAL DO BUDA (Uma história das Escrituras Budistas)

ATO I: PLANTANDO A SEMENTE DA GUERRA

A Índia antiga era um país de vários reinos, e guerras aconteciam freqüentemente entre eles. Mas, de acordo com os ensinamentos do Buda, a Lei do Carma sempre se aplica à indivíduos assim como à todas as nações. Desta forma, deveríamos tratar os cidadãos de outras nações com todo o respeito que eles merecem.


De acordo com registros históricos, a Cidade Natal do Buda, Kapilavastu, tinha um forte vizinho conhecido como Reino de Kosala, cujo Rei era chamado Prasenajit (Pasenadi, em Pali), estes dois países tiveram inúmeros conflitos por várias gerações.


Antes da iluminação do Buda, o Rei Prasenajit enviou um embaixador ao povo de Sakya (os cidadãos de Kapilavastu) para cortejar uma de suas princesas reais, mas os Sakyas eram um povo orgulhoso, eles consideravam os Kosalans como bárbaros e se recusaram a mandar uma princesa como noiva. Mas o Rei Prasenajit era um militar forte. Desta forma, para evitar derramamento de sangue, o general dos Sakyas, Mahanama, disse ao pai do Buda, Rei Suddhodana:


"Eu tive uma idéia. Kosala é um País muito forte, militar e politicamente. Se nós entrarmos em conflito com eles, podemos não ter chance, eu tenho uma escrava muito bela e atraente, vamos enganá-los e dizer que ela é minha filha e enviá-la como uma noiva real."


No entanto, naquela época, casamentos entre duas classes diferentes (como entre uma princesa e um plebeu) eram desconhecidos, esta era, na verdade, uma trapaça e o Buda logicamente não concordou. Disse que aquela não era uma forma adequada de tratar outra nação, uma vez que estariam mentindo, mas ninguém o ouviu e assim, uma escrava de Kapilavastu foi enviada ao Rei Prasenajit para tornar-se uma rainha.

ATO II: UM INSULTO TORNOU-SE UM CASO INTERNACIONAL


Desenho de Sandro Neto Ribeiro

O rei e a rainha de Kosala logo tiveram um filho, o Príncipe Virudhaka (literalmente, pedra preciosa). O casal real tornou-se mais tarde seguidor do Buda, quando o príncipe Virudhaka completou 18 anos, foi enviado a Kapilavastu para aprender sobre armamentos, especializando-se em arco e flecha.


Justamente nesta época o Buda estava retornando a sua cidade natal para ver sua família, dez anos após sua renúncia. Os Sakyas estavam logicamente muito eufóricos, eles construíram uma enorme e magnífica plataforma para receber o Buda, decorando-a com belas esculturas e com incensos, os trabalhadores então construíram um altar sagrado para o sermão do Buda.


O Príncipe Virudhaka era apenas uma criança, e brincava pelas ruas da cidade com seus amigos da escola, quando de repente se viu em cima da grande plataforma. Quando os soldados dos Sakyas viram-no brincando no que era considerado um altar sagrado, ficaram furiosos. O descendente de uma escrava não poderia estar numa construção real e misturar-se com a alta classe Brahmins, o Comandante então ordenou aos soldados que retirassem o jovem príncipe Virudhaka e determinou que os trabalhadores refizessem e pintassem novamente todas as áreas tocadas por qualquer ser humano inferior, aquelas áreas eram consideradas sujas e teriam que ser recobertas com novo assoalho e tinta.


O Príncipe Virudhaka ficou irado com todo aquele caso e disse: "Quando eu me tornar rei de Kosala, vou me vingar dos Sakyas." Quando o Buda soube do incidente, ele percebeu que o destino de seu próprio país estava marcado, porque tudo o que o povo Sakya havia feito era contra o protocolo internacional.

ATO III: O EMPENHO DO BUDA PARA ACABAR COM A GUERRA

Depois que o Rei Suddhodana (o pai do Buda) faleceu, o General Mahanama tornou-se o Rei de Kapilavastu. Muitos anos se passaram e havia paz entre os dois países porque tanto o rei quanto a rainha de Kosala (junto com o Príncipe Herdeiro Jeta) eram seguidores do Buda. Mas o mundo é um lugar tão instável de se viver que um dia, a paz chegou ao fim, quando o rei e a rainha Prasenajit saíram do palácio para tratarem de assuntos particulares, o Príncipe Virudhaka que estava organizando um golpe militar, tomou o poder do rei e matou seu irmão de criação o Príncipe Jeta.


Na confusão, o rei Prasenajit e sua rainha "escrava" fugiram para Kapilavastu para procurar asilo político, logo o rei Prasenajit, agora com oitenta anos de idade, morreu de uma doença e foi enterrado com as pompas e circunstâncias devidas. Neste meio tempo, o Príncipe Virudhaka, tendo tomado o poder, anunciou que ele agora era o Rei de Kosala e declarou guerra à Kapilavastu.


Quando o Buda soube do conflito iminente, tentou impedir o avanço do exército de Kosala meditando sob uma árvore morta, na frente do exército que estava a caminho.


O Rei não gostava do Buda, mas ele parou sua carruagem e disse: "-Você deveria estar meditando sob uma árvore Bodhi e não sob uma árvore morta."


"Você está certo", respondeu o Buda, "mas qual a utilidade de uma árvore Bodhi sem amor e paz?"


Era costume naquela época na Índia que um exército teria que retirar-se se encontrasse com um homem santo no caminho e eles encontraram o Buda. Desta forma, segundo o protocolo internacional daquela época, o rei Virudhaka ordenou ao seu exército que voltasse para casa.


Mas logo o Rei Virudhaka planejou um segundo ataque e um terceiro, mas ele sempre encontrava o Buda sentado debaixo da árvore morta, esperando o exército que estava a caminho. Assim, de acordo com o antigo protocolo internacional indiano, o exército de Kosala retornava para casa.


Na quarta vez, no entanto, o Buda não estava lá e o exército do Rei Virudhaka marchou em direção a Kapilavastu.

ATO IV: A FALHA DO PODER MÍSTICO DE MAHA-MAUDGALYAYANA

"Meu Senhor Buda", disse Ananda, um dia no mosteiro, "por que você está tão triste?"


"O povo Sakya será massacrado esta semana", respondeu o Buda tristemente. "Eles quebraram o protocolo e insultaram um príncipe real do reino vizinho. Eles nunca se arrependeram do que fizeram, nem mesmo pediram perdão. Não importa quem foram seus ancestrais, um ser humano deve ser tratado com respeito. Desta forma, o carma do povo Sakya foi deflagrado e não há quase nada que eu possa fazer para ajudar."


"Mas este é meu País", protestou Maha-Maudgalyayana, um discípulos do Buda. "Eu farei o que eu puder para ver Kapilavastu fora!"


"Este é o destino deles e ninguém pode escapar da lei do carma", disse o Buda. "Se eles não confessarem que eles estão errados, ninguém poderá salvá-los!"


O Reinado de Kapilavastu foi então cercado pelas tropas de Kosala. Maha-Maudgalyayana, um perito em poderes místicos, voou para dentro da cidade e colocou 500 Sakyas dentro de um jarro de água. Então, ele pegou seu jarro e levou para fora da cidade. Mas quando ele olhou dentro do jarro, não havia ninguém lá. Tudo o que ele tinha era uma jarro com água ensangüentada. Agora ele havia entendido que a Lei do Carma era a suprema lei do Universo e ninguém está acima disso.

ATO V: O MASSACRE

Depois de vários dias de guerra, o General Mahanama cedeu e rendeu-se. Nos tempos antigos, "render-se" também significava morrer e o Rei Virudhaka imediatamente ordenou o massacre de 30.000 Sakyas.


"Não importa o que aconteça" disse o General Mahanama ao Rei Viruhaka, "você ainda é meu neto adotado. Eu tenho um último pedido".


"O que é?"


"Não é fácil matar tantas pessoas. Eu imploro para que você deixe algumas pessoas irem embora. Irei submergir no rio enquanto meu povo está fugindo. Quando eu sair da água, você pode começar a matança". Disse o General Mahanama.


"Bom" disse o Rei Virudhaka às gargalhadas. "Eu quero ver o quanto você consegue ficar debaixo d'água."


Assim, os Sakyas começaram a fugir e o Rei Virudhaka ria alto diante da situação constrangedora dos seu inimigos, achando engraçado vê-los naquela situação. Mas quando a maioria dos Sakyas fugiram, o Rei Virudhaka ficou curioso, "como o General Mahanama consegue ficar debaixo d'água por tanto tempo?" Sendo assim, ele enviou seus soldados para checarem.


"Sua Majestade", disse o soldado após as investigações, "O General Mahanama está morto. Ele abriu mão da própria vida para salvar seu povo." disse chorando enquanto dava a notícia.

ATO VI: UM FINAL TRÁGICO

Assim, o Rei Virudhaka, o filho de um devotado seguidor do Buda, matou sua própria família e massacrou outra nação. Mas logo depois desta breve vitória, um incêndio aconteceu no seu Palácio. Teria sido um acidente ou uma ação dos seus inimigos, ou um incêndio enviado pelos Céus - ninguém sabia. Mas ninguém parecia importar-se e ele e a rainha morreram no incêndio.


Finalmente, outro seguidor do Buda, Rei Ajatasatru, consolidou os dois Reinos, formando o Império de Rajagriha.

A tradução deste texto é uma preciosa colaboração de Dariluci de Carvalho Soares, com ilustração de Sandro Neto Ribeiro.

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FONTE DOS TEXTOS

As Mais Belas Histórias Budistas, página criada por Sandro Neto Ribeiro.


http://www.vertex.com.br/users/san



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