PARÁBOLAS BUDISTAS 43

A MADEIRA VERDE COLHIDA (Preguiça)


Desenho de Sandro Neto Ribeiro

Era uma vez havia um professor mundialmente famoso e sagrado homem na cidade deTakkaslila. Ele tinha quinhentos estudantes sob seu comando.


Um dia estes quinhentos jovens foram a floresta para colher lenha para a fogueira. Um deles encontrou uma árvore sem folhas. Ele pensou, “Como sou um homem de sorte! Esta árvore deve estar morta e seca, perfeita para lenha. Então para que ter pressa? Vou tirar uma soneca enquanto os outros estão ocupados procurando madeiras. Quando chegar a hora de retornar, será fácil subir na árvore e quebrar os galhos para a lenha. Então para que ter pressa?”. Ele ajeitou sua jaqueta aos pés da árvore, deitou-se sobre ela e sentiu-se sonolento rapidamente, roncando ruidosamente.


Depois de algum tempo, todos os outros estudantes começaram a carregar suas trouxas de galhos e voltavam para Takkaslila, pelo caminho eles passaram pelo sonolento roncador. Eles bateram nele para fazê-lo acordar e disseram: “Levante-se! Levante-se. Esta na hora de voltar para o nosso professor”.


O preguiçoso estudante levantou-se rapidamente e arregalou os olhos. Ainda mal acordado, pulou na árvore. Ele começou a quebrar alguns galhos e descobriu que ainda estavam verdes, não estavam todos secos. Enquanto tentava quebrá-los, um deles escapou para trás e o atingiu no olho .Por isso ele tapava um olho com uma mão, enquanto terminava de colher os gravetos verdes para a sua trouxa. Então carregou tudo e voltou para Takkaslila correndo para alcançar os outros. Ele foi o último a chegar, e lançou sua trouxa ao topo do resto.

Enquanto isso, um convite chegou para uma cerimônia religiosa. Ela seria realizada no dia seguinte em um vilarejo distante. O sagrado homem disse aos seus quinhentos pupilos: “Este será um bom treinamento para vocês. Vocês terão que tomar café da manhã bem cedo, amanhã. Então irão para a vila, para uma tarefa religiosa. Quando vocês voltarem, tragam de volta minha parte de oferendas assim como as suas.


Os estudantes levantaram-se cedo na manhã seguinte. Eles acordaram a estudante cozinheira e pediram para ela preparar o mingau para o café da manhã. Ela saiu na escuridão para pegar alguma lenha na pilha. Ela pegou no topo, a trouxa de gravetos verdes que o homem preguiçoso havia trazido. Ela trouxe para dentro e tentou acender o fogo .Mas apesar de soprar e soprar , não conseguia fazer o fogo pegar. Os galhos estavam verdes e úmidos.

Quando o sol se levantou ainda não havia fogo para preparar o café. Os estudantes disseram: “Está ficando tão tarde para irmos para vila.” Então eles foram procurar o professor.


O professor perguntou-lhes, “Por que vocês ainda estão aqui? Por que ainda não partiram?”


Eles disseram a ele: “O preguiçoso, bom para nada, dormiu enquanto nós todos trabalhávamos. Ele subiu na árvore e acertou a si próprio em um olho. Ele só recolheu madeira verde e colocou no topo da pilha de lenha. Esta trouxa foi apanhada pela estudante cozinheira. Como a lenha estava verde e úmida ela não conseguiu acender o fogo para preparar o café da manhã. E agora está tão tarde para irmos a vila.”


O mundialmente famoso professor disse, "Um tolo que é preguiçoso, causa problemas para todos os outros. Quando aquilo que deveria ser feito cedo é deixado para depois, fica tarde para lamentar.

MORAL DA HISTÓRIA

"Não deixe para amanhã o que você pode fazer hoje.”

A tradução deste texto é uma preciosa colaboração de Luciana Silva de Campos, com ilustração de Sandro Neto Ribeiro.


A DAMA MALVADA E O LEITEIRO SÁBIO
(Sedução)


Desenho de Sandro Neto Ribeiro

Uma vez, um homem muito rico estava vivendo em Benares, na Índia do Norte. Ele tinha uma filha que era uma das mais belas mulheres na cidade, sua pele era macia como pétalas de rosas, seu corpo era belo como uma flor de lótus, e seus cabelos tão negros como a noite, porém, infortunadamente, sua beleza era somente à flor da pele, porque, por dentro, ela era muito cruel. Ela insultava seus serventes e até mesmo se deleitava em bater neles. Ela tornou-se conhecida como “ A Dama Malvada”.


Um dia ela desceu ao rio para seu banho, enquanto banhava-se, suas jovens serventes brincavam e espirravam a água. De repente se tornou escuro e uma forte tempestade de chuva caiu sobre elas. A maioria das serventes e dos guardas correu. As jovens serventes falaram entre si, “Este pode ser o momento ideal para livrar-se da Dama Malvada de uma vez por todas!” Assim eles a abandonaram alí, ao largo. A tempestade tornou-se de mal a pior a medida em que sol se punha.


Quando as jovens serventes chegaram em casa sem a Dama Malvada, o homem rico perguntou-lhes, “Onde está minha preciosa filha?” Elas responderam, “Nós a vimos saindo do rio, mas desde então não a vimos mais. Não sabemos aonde ela foi.” O homem rico mandou seus parentes procurá-la, porém ela não foi encontrada em lugar algum. Nesse meio tempo a Dama Malvada havia sido arrastada correnteza abaixo pela feroz enchente do rio.

Aconteceu exatamente de existir um santo homem vivendo na floresta próxima ao rio. Nesta área tranqüila ele tinha estado meditando por um longo período, até que chegou a desfrutar a felicidade interna de um elevado estado mental. Por causa desta felicidade, ele sentia-se bastante seguro de que havia deixado para trás os desejos mundanos.


Era mais ou menos meia-noite quando a Dama Malvada, carregada pela violência das águas do rio, passava pela choupana do santo homem. Ela estava chorando e gritando por socorro. Quando a ouviu, o santo homem compreendeu que uma mulher estava em perigo. Então, ele pegou uma tocha, desceu para o rio, e a viu sendo arrastada ao longo. Ele mergulhou e a salvou, ele a confortou dizendo, “Não se preocupe, eu cuidarei de voce.”


Ele a carregou para dentro de sua choupana e acendeu o fogo para secá-la e aquecê-la e deu-lhe frutas para comer. Quando ela comeu o bastante, ele perguntou, “Onde você mora? Como você caiu no rio? ” Ela então lhe falou sobre a tempestade e de como suas serventes a desertaram. Ele teve compaixão por ela e a deixou dormir em sua choupana pelas duas noites que se seguiram, enquanto ele próprio dormia ao relento.


Quando ela recuperou suas forças, ele lhe disse que era tempo dela retornar à casa. Mas ela sabia que ele era o tipo do homem santo que jurou nunca viver com uma mulher como marido e mulher, e que foi por isso que ele dormiu ao relento e a deixou dormir em sua choupana.


E justamente para provar sua própria superioridade sobre ele, a Dama Malvada decidiu seduzi-lo levando-o a quebrar sua promessa religiosa. Ela recusou-se a ir embora enquanto não o induzisse pela astúcia a enamorar-se dela e usou das posturas, truques e bajulações que as mulheres aprendem. O santo homem não foi forte o bastante para resistir ao jeito tentador dela e poucos dias depois foi seduzido e quebrou sua promessa.

Começaram então a viver juntos na calma floresta como se fossem marido e mulher, ele perdeu a felicidade interna que havia adquirido através de anos de meditação.


Porém, muito rápido a Dama Malvada tornou-se entediada com a vida na floresta pois sentia falta do barulho e da agitação da vida agitada da cidade. Tanto arrulhou, tanto persuadiu, que o convenceu, e eles mudaram-se para uma vila próxima.


De início, o santo homem a manteve com a profissão de leiteiro. Tempos depois, os aldeões chegavam e lhe pediam conselhos e logo entenderam que o fato de ouvi-lo lhes traziam boa sorte. Então começaram a chamá-lo de “Leiteiro Sábio,” e lhe deram uma cabana para morar.


Aconteceu que um dia a vila foi atacada por uma quadrilha de bandidos que roubaram todas as coisas valiosas e seqüestraram alguns dos aldeões, incluindo a Dama Malvada. Quando chegaram aos seus esconderijos na floresta dividiram seus saques e quando começaram a dividir os prisioneiros, o chefe dos bandidos se sentiu atraído pela grande beleza da Dama Malvada e a tomou para si como esposa.


Todos os demais prisioneiros foram logo libertados e quando retornaram à vila o Leiteiro Sábio perguntou o que aconteceu com sua esposa. Eles disseram que ela fora mantida como esposa pelo bandido chefe. Ele pensou, “Ela nunca será capaz de viver sem mim e irá encontrar um jeito de escapar e vir para mim.”


Entendendo que a vila agora era azarada, todos os outros a deixaram, mas o Leiteiro Sábio permaneceu em sua cabana, convencido de que sua esposa voltaria.

Eis que, pasmem, a Dama Malvada adorou a excitada vida dos bandidos! Porém, preocupada que seu marido pudesse vir e levá-la de volta, pensava que poderia então perder todas as suas mais recentes luxúrias, e que seria mais seguro esconder-se dele. Ela pensou, “Vou mandar uma carta para ele, fingindo amá-lo profundamente e, justamente como antes, vou usar meu poder de sedução para levá-lo à ruína só que desta vez ele irá encontrar sua morte e eu continuarei como a rainha do bandido!”


O Leiteiro Sábio acreditou em todas as palavras quando recebeu a carta. Ele precipitou-se dentro da floresta e correu para o esconderijo da quadrilha de bandidos. Chamou por ela e quando apareceu ela lhe disse, “Oh meu senhor e mestre, estou tão feliz de lhe ver, não vejo a hora de escapar daqui consigo, mas agora não é um bom momento, pois o bandido chefe poderia facilmente nos seguir e matar-nos. Portanto, esperemos até cair a noite.” Ela o levou para dentro, deu-lhe comida e o escondeu num armário.


O chefe dos bandidos estava bêbado quando retornou à noitinha. A Dama Malvada lhe perguntou, “Meu senhor e chefe, o que faria se visse agora o meu ex-esposo?” Ele gabou-se dizendo, “Eu bateria nele e o chutaria de um lado da sala para o outro. Onde está ele agora?” Ela respondeu, “Ele está mais próximo do que você pensa. Na verdade, ele está aqui mesmo neste armário!”

O bandido chefe abriu a porta do armário, arrastou o Leiteiro Sábio e, exatamente como gabara-se, começou a bater e chutá-lo pela sala. Sua pobre vítima não chorou, apenas resmungava – “Mal-agradecida odiosa. Traidora mentirosa.”


Era tudo o que ele dizia. Finalmente parecia que ele estava aprendendo uma lição – apesar de tão dolorosa!


Por fim, o bandido embriagado cansou-se de bater nele. Amarrou-o, comeu seu jantar, e caiu na cama para dormir totalmente embriagado.


Na manhã seguinte, após curtir sua bebedeira, o bandido chefe acordou sóbrio e começou novamente a bater e a chutar sua indefesa vítima. Ainda assim o Leiteiro Sábio não chorava, mas continuava resmungando – “Mal-agradecida odiosa. Traidora mentirosa.”


O bandido pensou, “Por que este homem continua dizendo a mesma coisa o tempo todo, enquanto eu maltrato ele? E, vendo que sua esposa continuava ainda a dormir, ele perguntou ao Leiteiro Sábio o que significava aquilo. Este então respondeu, “Escute, eu vou lhe dizer. Eu era um santo homem da floresta, desfrutando pacificamente um alto estado de mente, quando uma noite ouvi esta mulher chorando ao estar sendo levada pelo rio por causa da tempestade. Eu salvei sua vida e a trouxe de volta sã e salva. Entrementes ela me seduziu e eu perdi toda minha calma e felicidade interna, fomos morar na vila e passei a levar uma vida muito comum. Então, você a raptou. Ela me mandou uma carta dizendo que sofria vivendo com você, e me pedindo para vir resgatá-la. Como você pode ver, ela me atraiu a este desastre me colocando em suas mãos. Por isso eu digo “ Mal-agradecida odiosa. Traidora mentirosa.”

O bandido chefe não era estúpido e pensou, “Grande provedor este homem era, e mesmo assim ela o colocou nesta difícil situação. O que ela seria capaz de fazer comigo? Melhor seria acabar com ela de uma vez!”


Ele desamarrou o Leiteiro Sábio e o confortou dizendo, “ Não se preocupe, cuidarei de você.” Então ele acordou a Dama Malvada e lhe disse, “Minha querida, vamos matar este homem exatamente perto da sua própria vila.” Assim, ele os levou à divisa da vila deserta. Pediu a ela para segurar seu ex-esposo e então sacou de sua enorme espada e a abaixou. Mas no último instante ele dividiu a Dama Malvada em duas metades!


Até mesmo alguém malvado como este bandido assassino pode mudar sua maneira de ser. Ele começou por cuidar de seu antigo rival até seu restabelecimento. Após alguns dias de descanso ele perguntou-lhe, “O que você vai fazer agora?”


O sábio homem respondeu, “Não quero mais viver como dono de casa. Quero voltar para minha velha floresta e meditar.”


O bandido disse, “ Eu gostaria também de ser ordenado e de aprender a meditar na floresta.” Após desfazer-se de suas mercadorias roubadas, ele foi viver na floresta tendo o Leiteiro Sábio como seu mestre. Após muitos esforços, os dois alcançaram um alto estado de felicidade interna.

MORAL DA HISTÓRIA

A sedução pode ser perigosa para ambos, homem e mulher.

A tradução deste texto é uma preciosa colaboração de Teresinha Medeiros dos Santos, com ilustração de Sandro Neto Ribeiro.

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FONTE DOS TEXTOS

As Mais Belas Histórias Budistas, página criada por Sandro Neto Ribeiro.


http://www.vertex.com.br/users/san



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