PARÁBOLAS BUDISTAS 47

SUTASOMA ENSINA O DHARMA A PORISADA

Voltando-se à selva, Porisada viu Sutasoma chegando calmamente e ficou muito surpreso com sua aparição. Ele estava retornando voluntariamente para enfrentar a morte e ainda assim nem parecia estar com medo. Porisada pensou, "Gostaria de saber que Dharma é este que ele ouviu de seu mestre para torná-lo tão destemido. Desejaria ser tão destemido assim." Então ele lhe perguntou cortesmente: "Sutasoma, o que seu mestre lhe ensinou? Eu gostaria de conhecer o ensinamento ao qual você estava tão ansioso para ouvir."


Compreendendo que Porisada estava pronto para ter ensinada uma lição, Sutasoma replicou, "Qual a vantagem de dar um ensinamento tão nobre para um coração duro como você, que não faria uso dele?"


Esta resposta fez Porisada mais curioso do que tudo para saber o que o sacerdote havia ensinado a Sutasoma. Então ele implorou, "Por favor, me diga. Se você o fizer eu lhe darei qualquer coisa."


Sutasoma então lhe repreendeu, "Que uso se pode ter de um presente de um sujeito vil como você? Você poderia prometer qualquer coisa mas nada daria."

Porisada ficou profundamente envergonhado por ter sido repreendido assim. Ele prestou um juramento de morrer pela sua própria espada se não cumprisse sua promessa. Disse que daria qualquer coisa que Sutasoma pedisse, até mesmo se isto lhe custasse sua própria vida.


Sutasoma viu que agora Porisada estava humilde e preparado para entender o Dharma, então disse, "Bem, então tome um assento e escute respeitosamente. Vou falar-lhe do Dharma que meu mestre me ensinou."

Isto é o que meu mestre ensinou:


"Juntar-se ao sábio, mesmo que apenas numa única ocasião, é uma grande vantagem; juntar-se a um tolo, até mesmo em muitas ocasiões, não traz benefício."


"Devemos nos juntar ao sábio e ouvir seu ensinamento; quem assim o fizer tornar-se-á uma mente nobre; nenhum dano provém de se aprender de um sábio."


"As esplêndidas carruagens reais, uma vez tão lindas, tornam-se velhas e se deterioram, mas o ensinamento de um sábio não tem idade nem muda jamais; isto é sobre o que os sábios falam entre si."


"O firmamento está muito longe da terra, e a terra muito distante dos céus, porém mais distante do que isto ainda estão o ensinamento de um sábio e o ensinamento de um tolo."

Porisada louvou o Dharma ensinado por Sutasoma e pediu-lhe para enumerar quatro presentes, um para cada verso.


Sutasoma respondeu, "Desejo ver você vivo e bem por cem anos como meu querido amigo."


Esta resposta foi habilmente sentenciada por Sutasoma para colocar Porisada à vontade. Ele sabia que se ele simplesmente pedisse a Porisada para poupar sua vida, Porisada talvez ainda ficasse com medo do que ele poderia fazer se concordasse com seu pedido. Entretanto, por ter respondido desta forma, Porisada entendeu que ele não lhe guardava nenhum rancor e que nenhuma ofensa poderia vir para ele se ele poupasse a vida de Sutasoma.

Segundo, continuou Sutasoma, "Liberte os cem reis e não lhes ofenda." Porisada prontamente concordou com isto uma vez que ele não tinha mais nenhum receio deles, agora que Sutasoma seria seu poderoso e aliado amigo.


Terceiro, "Deixe-os voltar sãos e salvos para seus próprios reinos."


Prontamente, Porisada desamarrou os reis e deixou-os ir para onde quisessem.


Finalmente, continuou Sutasoma, "Pare de comer carne humana e volte para seu reino.


A este pedido, Porisada hesitou bastante. Ele havia prometido dar qualquer coisa que Sutasoma pedisse, mas não havia imaginado que ele pudesse pedir isto. Ele adorava tanto carne, principalmente carne humana, que abriu mão de seu palácio e matou tanta gente sem piedade. Como poderia ele possivelmente viver sem comer carne humana? Porém, mesmo assim, ele havia feito sua solene promessa, e então ele teve de concordar com o pedido de Sutasoma.


Assim sendo, Porisada prometeu parar com aquilo e ser um fiel amigo de Sutasoma até que a morte os separasse. Retornou para o seu reino, onde o sábio general que governava em seu lugar concordou em renomeá-lo se ele pudesse viver baseado nos cinco preceitos e permanecer em boa amizade com Sutasoma.


O Rei Sutasoma retornou ao seu reino, para satisfação de sua família e súditos.


A divindade árvore exultou de que seu plano funcionou tão bem e que tudo se resolveu para o bem do povo.

O pós-escrito para a história de Porisada aconteceu de ser escrito no tempo de Buda.


Eu disse no início que Porisada era o rei de Benares num tempo muito atrás, ou mesmo até mais ainda antes disso. Bem, não é fácil medir exatamente quão distante esse tempo foi - como podemos contar os grãos de areia de uma praia ou as ondas do oceano? Porisada, Sutasoma, o venerável sacerdote, a divindade árvore e o sábio general viveram e passaram suas vidas de acordo com suas boas e más ações. Após muitas existências eles renasceram na Índia cerca de 2.600 anos atrás, no tempo do Buda Sakyamuni.


Porisada renasceu como um jovem que foi estudar em Taxila, uma famosa universidade. Ele era um estudante tão brilhante que os demais estudantes tinham ciúmes dos elogios que o professor lhe fazia. Mentindo, disseram que Porisada e a esposa do professor estavam enamorados, e por isso o professor chegou a odiá-lo. Quando chegou o momento para o pagamento dos honorários do professor, como era costume ao término de um curso do estudo, o professor exigiu do jovem mil dedos humanos como pagamento. O jovem matou cem pessoas, coletando e contando seus dedos e assim ele tornou-se conhecido como Angulimala (grinalda de dedos).


O sábio general tornou-se o Venerável Sariputra, o discípulo chefe de Buda. O sacerdote tornou-se Venerável Ananda, o atendente pessoal de Buda, e a divindade árvore veio a ser Maha Kassapa, outro líder discípulo de Buda.

O virtuoso e sábio rei, Sutasoma, tornou-se depois o próprio Buda, e foi ele quem relatou esta história de vidas passadas em benefício das pessoas, quando elas maravilhavam-se ao ouvir da conversão do feroz ladrão Angulimala.


Portanto, em sua vida anterior, o Bodisattva - o futuro Buda - sempre falou a verdade e manteve suas promessas fielmente. Desde o tempo de seu encontro com o Buda Dipankara, noventa e um aéons[1] atrás (tempo mais longo ainda do que o começo desta história), o Bodisattva jamais disse mentiras. Quando ele nasceu como Rei Sutasoma nunca sequer uma vez quebrou uma simples promessa.


Para pessoas muito boas como ele, quebrar uma promessa solene é como dizer uma mentira. Antes de prometer fazer algo, o Bodisattva devia pensar cuidadosamente se podia ou não fazer o que disse, porém, uma vez dito, ele sempre mantinha sua promessa.


Naturalmente, se há uma muito boa razão pela qual não podemos fazer o que prometemos, neste caso não é errado. Podemos apresentar desculpas e explicar o porquê de não podermos fazer o que prometemos, e as boas pessoas irão nos perdoar.

[1] - aéon ou éon (do grego aion): - Período de tempo imensurável ou infinitamente longo. Cronologicamente é um período de tempo correspondente a 1 bilhão de anos. Dic. Aurélio - Séc. XXI e Dic. Brasileiro da Língua Portuguesa, da Mirador Internacional.

A tradução deste texto é uma preciosa colaboração de Teresinha Medeiros dos Santos.

Próxima   Índice   Anterior

FONTE DOS TEXTOS

As Mais Belas Histórias Budistas, página criada por Sandro Neto Ribeiro.


http://www.vertex.com.br/users/san



Sorria ao acordar
e antes de dormir!

Muito obrigado pela visita,
veja sempre as novidades!






Google
 
Web www.eurooscar.com








Se não vê à esquerda o menu
rolante do site, clique aqui.

If you do not see the left
scrolling menu, click here.





Home