POESIAS DE HUBERTO ROHDEN - 2



MINHA FILOSOFIA CRUCIFICADA;
A ARTE DE DESAPRENDER;
INSATISFEITO



MINHA FILOSOFIA CRUCIFICADA

Meu Deus! Como é difícil viver aquilo que se pensa!...
Outrora, toda a minha filosofia estava na cabeça,
Em forma de grandes idéias,
Mais tarde, a minha filosofia desceu ao coração,
Em forma de belos ideais.
E eu, na minha erudita ignorância,
Me tinha em conta de um filósofo...
E, em frases grandíloquas de altissonante eloqüência,
Proclamava aos quatro ventos a minha sapiência filosófica...
Quando, porém, tentei passar a minha filosofia
Da cabeça e do coração para as mãos,
Para a crueza da vida prática,
Para o rude prosaísmo da vivência cotidiana -
Quase que desanimei...
Verifiquei que subia ao Gólgota
E ia ser crucificado...
Da cabeça e do coração para as mãos -
Não é isto uma cruz?
Minha pobre filosofia,
Ontem tão segura e autocomplacente,
Hoje, sangrando entre os braços da cruz!...


Desde então, nunca mais falei em filosofia
Grandiloquamente,
Como se a possuísse, com segura abundância,
Como se fosse milionário do saber.
Desde então, tentei realizar,
Em humildade e silêncio,
Uma pequenina parcela
Das minhas grandes teorias,
E por feliz me dava quando conseguia viver um por cento
Das minhas idéias e dos meus ideais.
Enveredei pelo "caminho estreito"
Passei pela "porta apertada",
Deixei para cá da fronteira
Toda a minha orgulhosa bagagem filosófica
De ontem e anteontem...
Bem pouco da minha filosofia de antanho
Passou pelo "fundo da agulha" da vida real.
Abandonei aquém da fronteira fatídica
Toda aquela luxúria mental e verbal,
Como ilegal contrabando.
Mas, o pouco que passou para além
É sólido, seguro e legítimo,
É puro como ouro acrisolado
Em fornalha carinhosamente cruel.
E é este cerne da minha filosofia
Que me sustenta nas lutas da vida
E lança misteriosa ponte
Para a vida eterna...
Minha filosofia crucificada,
Morta e sepultada -
Ressuscitou -
Em plena Páscoa!
Aleluia!...


(Do livro: A Voz do Silêncio - Ed. Martin Claret)


Fonte: site www.cuidardoser.com.br

A ARTE DE DESAPRENDER

Muita coisa aprendi,
No decurso da minha vida
Mas só no fim da vida
Aprendi a arte dificílima
De desaprender...
Desaprender os erros sem conta
Que os sentidos percebem
Na sua erudita ignorância...
Aprendera ele que os fatos externos
São a própria Realidade.
Aprendera que este mundo
Que os sentidos percebem
E o intelecto concebe,
São a realíssima
E única Realidade...
E por largos anos
Andei escravizado por essa ilusão.
Pois, que admira?
Se, por tantos séculos e milênios,
Dormira a humanidade nas trevas,
Como poderia eu, em poucos decênios,
Despertar para a luz?
Até que, finalmente, descobri
A Realidade para além das facticidades,
A alma do eterno Ser
No corpo desse efêmero parecer.
Hoje sei que os fatos são meros reflexos
No espelho bidimensional de tempo e espaço,
Reflexos da Realidade,
Que está em sentido oposto
A esses fatos refletidos
No espelho de tempo e espaço.


Mas só Deus sabe quanto esforço,
Quantos sofrimentos,
E quanta agonia me custou
Essa nova atitude,
Essa meia-volta que tive de dar
Ante o espelho do mundo das velhas ilusões,
Para enxergar o novo mundo da verdade!
Esse movimento de 180 graus,
Que dei em face do refletor,
Essa conversão dos conhecidos finitos
Para o desconhecido Infinito
Me custou o holocausto do meu ego,
Esse sangrento egocídio,
Que a verdade me exigiu.


Mas agora, de costas para os fatos
E de rosto para a Realidade,
Me sinto grandemente liberto
E jubilosamente feliz
E, em vez de amar o mundo sem Deus,
Amo o mundo em Deus
Porque vejo em cada fato efêmero
O reflexo da Realidade eterna.


(Do livro: Escalando o Himalaia - Ed. Martin Claret)


Fonte: site www.cuidardoser.com.br

INSATISFEITO

Insatisfeito estava eu comigo mesmo,
Com essa rotina horizontal
De longos decênios...
Porque tinha eu de marcar passo,
Tediosamente,
No plano dos sentidos e da mente?
Por que não podia romper, finalmente,
A barreira do som e da luz,
E altear-me à ignota vertical
Do espírito?...
Viver novos mundos, de estupenda grandeza
E inefável formosura?...
Se eu era filho da luz,
Por que rastejar nestas trevas?
Se era espírito livre,
Por que gemer algemado?


Insatisfeito estava eu comigo mesmo.
E, por algum tempo, tentei
Imitar o exemplo de outros,
Meus companheiros de prisão,
Tentei dourar as grades escuras
Da minha velha cadeia,
E chamar "palácio" a minha masmorra,
Iludindo-me com aparências de liberdade,
No meio da escravidão.
Prevaleceu, todavia, a minha sinceridade
Sobre essa mentirosa camuflagem.
Não dourei as grades férreas da minha prisão.
Deixei escuras as ferrugentas barras.
Concentrei-me no meu íntimo ser,
Assiduamente,
Diuturnamente,
Intensamente -
E verifiquei que não era eu
Que estava preso,
Que era apenas algo meu
Que gemia no cárcere.
Descobri que o meu verdadeiro Eu era livre,
Libérrimo como as águias do espaço infindo,
Libérrimo como a luz e a vida,
Libérrimo como o próprio espírito de Deus...
Deixei na prisão o que era meu,
O meu ego físico-mental,
E proclamei a liberdade
Do meu Eu espiritual -
Até que, um dia, esse Eu divino
Consiga libertar também o meu ego humano,
Até que o meu ser total possa romper
As barreiras do som e da luz
E ingressar na gloriosa liberdade
Dos filhos de Deus...



("A Voz do Silêncio" - Ed. Martin Claret.)


Fonte: site www.cuidardoser.com.br

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