POESIAS DA FÉ BAHAI - 1

RÚHIYYIH RABBANI - 1



EM TUDO ESTÁ TUA LEMBRANÇA

Em tudo está tua lembrança,
Na chuva e no sol,
Nos passos nas escadas...
Como uma noiva eu cheguei, há muito tempo,
Os seixos nas trilhas,
E as ruas de muitas cidades,
O caminhar em teus belos jardins,
Cada flor e rosa e árvore...


Em mim mesma está tua lembrança,
Pois tuas palavras e teus olhares
Me alcançam de mil formas,
Formas simples e gentis do dia-a-dia
Vivido tanto tempo juntos.


Como um planeta, giro em minha órbita
Em voltas, voltas, voltas
E meu centro é esta dor infinita,
A insaciável saudade de ti,
O amor que abrasa todo meu peito.


9 de dezembro de 1957



PORQUE SE FECHOU A PORTA DO PARAÍSO?

Um bom homem teve um sonho:
Duas Almas Santas saíam dos sepulcros
E levavam consigo o nobre rebento
De sua gloriosa e elevada estirpe;
Regressavam então à tumba,
A parede selava seu repentino bocejo
E tudo era silêncio.


Por que se fechou a sublime porta do paraíso?
Um furacão arrebatou o plano de Deus
E, envolvendo-o em asas de fogo,
Apressou-se através daquele majestoso portal.
Em meio a estrondos de ensurdecedoras ondas de ar
Fechou-se ante a face dos homens.


Agora, em todas as terras, eles observam
Os frios portões altaneiros do Céu
E, como crianças, de olhos assustados,
Buscam uma fresta qualquer, uma fenda de luz!


Como os trigais se curvam e suspiram
Nos poderosos ventos estivais,
Assim são fustigados os corações dos homens;
Debatem-se em agonia,
Dor, desespero, esperança desvairada, orações.
Por que, Deus, ó Poderoso Deus, por quê?


Em ondas esta indagação bate
Às portas do Teu Reino
E sempre sempre o eco
Retorna solitário, miserável, vazio --
Por quê?


Somos teus filhos, Senhor!
Mostra misericórdia, ó Tu que tens piedade dos escravos.
Perdoa, cura, estende a mão,
E salva-nos de nós mesmos.


De outro modo, afundamos em noite universal,
Mergulhados em círculos e círculos de trevas
E todo o Teu dia luminoso some
Para sempre de nossos corações, e nós
E outros, que ansiavam por menos,
Caímos na perdição eterna.


9 de dezembro de 1957



O FECHAR DA PORTA

Muitas coisas me foram reveladas
Dos sentimentos dos homens na alvorada
Quando o mundo era jovem e a história
Todavia não tinha crescido como agora.
Eu me admirava com as tumbas dos faraós,
e todos os adornos lá sepultados,
os barcos, os escravos, as jóias,
a própria comida envolta em mortalha de pó,
Jazendo ocultos nos montes por eras e eras.


Os hititas, os assírios, e também
os homens da Idade da Pedra,
Nos jazigos, grandes ou pequenos,
punham coisas do dia-a-dia.
Jamais pude entender porque
até que um dia tu Tu baixaste à sepultura
ante meus olhos lacrimosos.
Então compreendi que era o amor,
o ardente, fervente amor,
Mais quente, mais simples
do que os homens conhecem hoje
Que os fazia deitar na terra as coisas do alto
Não querendo que a pessoa amada
descansasse tão só. Não creio que pensassem
que a alma andarilha do homem
Carregasse em sua ida os potes de barro;
Sabiam que ela seguia desacompanhada
a uma meta mais alta.
Mas o amor, sobrepujando a razão e a tristeza,
Depositava na tumba
as queridas coisas corriqueiras
Para que o amado não parecesse
Tão abandonado, tão solitário num lugar sombrio,
Quando a última porta se fechava em silêncio.


Eu costumava tremer quando em criança
Ouvia falar das viúvas
queimadas em piras funerárias -- Diziam que os indianos eram cruéis
e loucos e selvagens; Agora vejo uma razão profunda,
uma razão de há muito tempo


Naquilo que então se sentia
de forma aguda e apaixonada:
Se havia amor, se a tristeza unia os laços,
Não era cruel, mas sim gentil fundir
O barro vivente com o barro morto em chamas.


Sempre odiei o preto e tantas vezes jurei
Jamais usá-lo em luto por meus amados;
Mas quando o pesar cresce os átomos
todos ficam também de luto
Assim como o coração e a mente,
e o negro é o espelho
Que retrata a alma aflita;
nenhuma luz pode alcançá-la
quando o desespero amortalha mais e mais
sua própria essência; é correto vestir
o símbolo negro do decreto do Destino.


Para mim a roda de muitos séculos
Girou e, de repente,
Sou uma estranha em meu tempo,
Mergulhada em profunda desconfiança
De nosso presente ultra-civilizado.
Somos racionais, somos sábios
e expressamos mil verdades,
comprovadas por escrito;
Mas eu só sei que para mim não há dia,
Tudo é noite, saudade negra. Tudo é dor.


Aquelas pessoas de antanho, de há muito tempo,
Pareciam mais aptas para a vida do que nós:
Elas sentiam, como repentinamente descobri,
Com sentimentos mais intensos,
profundos e sagrados.


14 de dezembro de 1957



INVOCAÇÃO

Nada mais pode curar esta ferida;
Só a terra e o pó
Podem estancar esta dor.
Derramai a terra gentil,
Em cujos grãos a vida
Se prende de mil modos,
Jogai-a sobre minha cabeça e meu coração;
Somente isso me pode curar.


O bálsamo do maior dom da vida:
A morte, majestosa, final, selo dos selos.
Dai-me isso para estancar meu sangue,
Pois a ferida sangra sem cessar.
Eu desmaio, eu cambaleio, eu caio;
Ah, Deus! Misericórdia!
Não nos escutas?
Também nos negas teus ouvidos
Como Tua face
Que nos mostravas
Na face de um ser amado?


Piedade, ó Compassivo!
Rebenta as cadeias,
Liberta-me.
Todo o meu ser anseia,
Como um rio inquieto,
Pelo deserto da morte!


18 de dezembro de 1957



RELÓGIOS DA ALMA E DA MENTE

As horas correm lentas...
Não nos relógios feitos por homens,
Mas nos relógios estranhos
da alma e da mente
Ajustados com a catástrofe e a dor.


Um minuto são mil pensamentos,
Um pensamento doloroso, um ano,
Um mês é a dor lacerante de ontem
E, ontem, um vida toda que passou...


Passado e presente se fundem na memória
E a memória se torna eterna:
O futuro se volta como uma serpente
E crava no coração
O veneno negro do passado.


Cada segundo cai como água,
Desgasta a pedra da vida,
Mas a vida arde como teias de aranha
Numa repentina labareda.


19 de dezembro de 1957



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FONTE DO TEXTO

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