POESIAS DA FÉ BAHAI - 2

RÚHIYYIH RABBANI - 2



AFLIÇÃO

Como o açúcar se dissolve na água
Até que os dois se tornam um só,
Assim a dor e o pesar em mim
Misturam-se totalmente.


Poderei eu afastar de meus lábios
A poção ardente
Da amargura
Adoçada com todo meu amor?


Pode alguém separar o coração
De seu sangue
E seguir vivendo em paz?
Ah, não!


Cada recordação querida,
Envolta em espinhos,
Eu seguro e abraço com dor
E choro enquanto exulto!


Dezembro de 1957



AH, MEU AMOR!

Ah, meu amor,
Eles me dizem
“Seca tuas lágrimas
E deixa de sofrer—
Não é adequado
Ante a eternidade
Lamentar tanto
E tanto tempo!“


Eles não vêem
Que todo meu íntimo
Clama por ti
Como se fosses
Meu coração
Arrancado vivo
De meu peito!
Que colocarei eu
Nessa ferida aberta?


O dia para mim é noite
E a noite é um dia aterrador
Estranho
Que queima em memórias.
Eles me pensam
Enlutada por ti
Como uma esposa
Se enluta por
Seu mui amado companheiro.


Como poderei algum dia
Fazê-los compreender
Que não se trata disso?


Eu te pranteio
Como a chuva
Chora sua nuvem perdida,
Como o raio
Queima por seu perdido sol,
Como o perfume
Desmaia por sua flor perdida,
Como cada eco morre
Por sua perdida voz!


Jamais soube
Que tal força eu possuía.
Como um estranho metal
Forjado para o espaço exterior
Eu subsisto em meio ao calor
Da saudade ardente!
Mas a incandescência
Virá afinal:
Cedo ou tarde
Minh’alma queimará
Sua prisão
E partirá.


7 de janeiro de 1958



O SEGREDO

Curvei-me ante a Morte
E disse-lhe “Bom-dia,
Não ficarás comigo
Para uma dança?“


Ela sorriu forçado e se curvou,
Por sua vez, em longa deferência;
E pensei: ela não despreza
Meu convite.


Mas quando foi hora
De iniciar a dança
Ela não assumiu seu posto;
Apenas ficou olhando.


“Por que apenas olhas,
Parceira minha”, disse eu
“Vem! pois tentarei
Uma valsa contigo.”


Ela me olhou
Por longo tempo
E então disse sorrindo:
“Danço contigo
Todo o tempo
Pois estou em ti,
Sempre e sempre,
Minha fibra está lá.”


“Quê? Eu tão cheia
De sangue e vida,
Em meu coração não bate
Nem esforço nem dor!”


“Mesmo assim”,
Disse-me a Morte,
“Eu estou em ti.
Vê teu interior!”


Senti, ao observar
Minhas mãos,
Os ossos nus
Dentro da carne,


E todo meu ser
Era pleno de ossos,
Minha caveira como pedra
Atrás de meu rosto vivo.


“Sou um esqueleto”
Disse-lhe eu,
“Muito antes de morrer Tu estás em mim!”


Ela sorriu de novo,
Um sorriso gentil,
“Espera mais um pouco
E eu chegarei


“E te chamarei
Para mim, para o amor, para a vida
Para longe da luta,
Para os campos da paz;


“Lá colherás
Margaridas
Nos campos raros
Cada flor uma estrela;


“Não terás angústias
Nem pesar nem lágrimas;
Eu te prometo o sono
E o descanso afinal;


“Sê paciente mais um pouco,
Vê como cada dia eu cresço
Em ti, mais profundo meu domínio
Sobre tua vida.”


O esqueleto
Brilha como uma luz
Através da pele tão fina,
Até que enfim
Ele consome
A gaiola, e livre
Virás a mim,
Mas não agora.


18 de janeiro de 1958



AGORA, REPOUSA

Todos os ventos do universo
Rodopiam ao meu redor,
No monturo de meus pensamentos
Eles revolvem as cinzas da vida
De lá para cá,
De cá para lá.


O frágil monte esparrama
Esperanças, sonhos, dias, anos,
Arremessados dentro de minha mente
Num caos triste e invernal!


O que abrandará o vento?
Quem fará surgir das cinzas
A imagem brilhante que havia?


Qual a mão que,
Fresca e gentil,
Tocará a fronte febril
E dirá “Descansa, querida,
O tempo é demasiado
E a dor é demasiada,
Agora, descansa!”


23 de fevereiro de 1958



POESIAS DE INSPIRAÇÃO BAHAI

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FONTE DO TEXTO

http://www.bahai.org.br




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