POESIAS DA FÉ BAHAI - 3

RÚHIYYIH RABBANI - 3



O CORAÇÃO

Há cura para a doença,
Há cura para o que quebra
E se rasga e dói,
Mas para a vida não há cura.


Para a semente há a árvore,
Para o ovo, o passarinho,
Para a lagarta, a frágil mariposa,
Mas para a dor não há ressurreição!


Para a alegria existe uma consumação,
Para o amor, doces lábios e uma palavra,
Para a loucura existem sonhos,
Mas para a tristeza, nenhum bálsamo!


Há o fulgor do fósforo,
E a chama cálida da lareira
E a luz radiante à noite,
Mas o calor estelar não se esfria!


Há uma palavra para cada ouvido
Uma mão para cada berço,
Uma carícia para cada rosto,
Mas para o coração quebrantado
> não há esperança!


Então embrulha-o em negro
E em sangue e em lágrimas
E enterra-o fundo na terra
Para que seus lamentos não despertem
Os que dormem na noite!


16 de março de 1958



VISTE MEU AMOR?

Ela se lançou nos caminhos Do mundo enfadonho
E perambulou aqui e acolá.
Buscou em ruelas secretas,
Aquele por quem anelava;
Mas sendo os caminhos do mundo
tão vastos
Nada encontrou nessa busca,
Sua busca incessante e dorida!


“Ela” era minha alma, meu pobre coração,
Condenda à morte em vida como alguém
Febril pela dor que o amor fez crescer;
Contorcendo as mãos ela percorreu
caminhos longínqüos e largos
E de cada passante
naquelas estradas distantes
Ela buscava, indagava e pedia
“Viste meu amor passar?”


Meu amor tem brilho e valor maiores
Do que o próprio sol que rebrilha!
Meu amor, tão doce,
tão nobre, gentil e sublime,
Meu amor tão sábio e bom e forte;
Não viste meu amor passar?


Seu pé é pequeno e alto,
e seus passos, firmes,
Sua mão é veloz
e pequena e castanha e forte,
Seus olhos são castanhos e cinzas
e, oh, tão luminosos!
E um sorriso como o dele
jamais contemplarás...


Sua voz soa em tons doridos,
Plenos de autoridade e lágrimas
e pensamentos secretos.
Oh, dize-me se não viste o meu amor
Sobre o arco do mundo,
passar bem por aqui.
Dize, dize, qual o rumo que tomou?


20 de março de 1958



MINHA MORTALHA

Pus de lado meu pano de ouro,
Esperanças mortas, dobra sobre dobra,
Para que nenhum olho contemplasse
Esse pesar indizível.


E quando minha corrida findar
E meus dias se tiverem ido,
Tomai esse pano no coração tecido,
Feito de sonhos desfeitos.


Então amortalhai-me docemente
Neste sudário
que minhas esperanças teceram,
Nesta pele derradeira de minha sepultura,
E deitai-me perto de quem é meu.


Meu ele não é, eu sei,
Mas ainda assim um voto sagrado
Uniu ao alto ramo de Deus
Essa indigna exertia.


Então, em paz sublime,
O pó unido ao pó — tão nobre,
Tão sagrado o dele, tão indigno o meu —
Deitai-nos lado a lado
para todo o sempre.


21 de março de 1958



DIZE QUE SIM, MEU AMOR

Meu peito se tornou
O pavilhão dos ventos:
Se há coração lá dentro
É o fantasma de um coração.


Tão leve e etérea
Está agora esta gaiola
Que o pássaro de minh’alma
Vê a libertação se aproximar.


Logo as grades
Hão de sumir
Como as brumas da manhã
Desaparecem ao sol.


Quando a matéria vira sombra,
E a realidade se torna um sonho
Será que os sonhos
Se tornam outra vez realidade?


Quando o pó retorna ao pó
Com um suspiro satisfeito,
E os átomos se ajustam aos átomos
Num padrão imemorial,
Será que as coisas de minh’alma
Tomarão forma e força
E eu voltarei a estar contigo?


Ah, dize que sim, meu amor!
Então talvez minh’alma
Permaneça um pouco mais
Nesta gaiola terrena
E eu possa completar por ti
As poucas coisas que ficaram inacabadas
Quando a morte nos sobreveio
E te levou para tão longe.


Amor, as barras são tão finas,
Destranca a porta,
Ou abre-a para o vôo;
Pássaro e gaiola são
Todos teus;
Sempre foram e sempre serão!


21 de março de 1958



PODE ALGUÉM DAR MAIS DO QUE POSSUI?

Ó Deus Altíssimo!
Três coisas eu Te dei:
Amor, lealdade e esforço;
E nisso eu não falhei.


Porém, ó Bem-Amado,
Quantos pecados se entramaram
Em meus esforços!
Quanta indignidade mesclada
Em cada átomo de meu amor!
Que pobre a lealdade
Dada com toda afeição que eu tinha!


Mas, pode alguém dar mais
Do que aquilo que possui?
Cada flor desabrocha
Conforme sua natureza;
Cada lâmpada brilha
Sua própria medida de óleo.


Ah, fosse eu de melhor natureza
E o tesouro à Tua porta
Seria de jóias com brilho de estrelas!


Como uma criança que brinca
Ao lado da vastidão do oceano
E reúne suas conchas e seixos —
Sua pequena loja —
No encontro das ondas com a praia,
E traz esse brinde de bugigangas
Para o colo de sua mãe,
Assim eu trouxe a Ti
Tudo o que eu tinha!


Ó Deus aceita-o
Em Tua graça.
Perdoa Tua filha
E toma-a nos Teus braços!


6 de abril de 1958



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FONTE DO TEXTO

http://www.bahai.org.br




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