O TAO DO OCIDENTE
PÁGINA 10

PALAVRAS DE SABEDORIA
(continuação)

3 -"O sábio faz sem fazer e ensina sem falar!"
Que afirmação espantosa! O sábio faz sem fazer e ensina sem falar. Que significam essas estranhas palavras? Num dos lados do Tai-Chi está o fazer e no outro, o não fazer. Ao optar pelo não fazer, o sábio na verdade, não está se escusando da realização. Não fazer, e obter resultados, é uma das coisas mais incríveis do Tao. Como isso é possivel? Através de uma atitude mental denominada wu-wei ou mente vazia. O indivíduo não deixa de agir por preguiça ou alienação, pelo contrário, ao esvaziar sua mente das preocupações com a questão, fica aberto o espaço para que o Tao atue, conseguindo o melhor resultado possível.


Anote, pois isso é muito importante! Às vezes antes de um exame, resolvemos esquecer e relaxar, ou então esperar que um sonho nos revele a solução de um problema. Isto é uma forma muito eficiente do wu-wei. Quanto mais você exercita a mente serena, mais questões podem ser resolvidas pela ação do Tao. Ele só pede que sua mente esteja o mais tranqüila que for possivel. A ação do Tao sendo reequilibrante, restabelece a harmonia entre os dois lados do Tai-Chi, vale dizer, da questão em pauta. No caso do exame, dá o conhecimento que complementa o desconhecimento.


Um sábio seria, então, aquele que domina de tal forma essa arte que poucas vezes precisa interferir pessoalmente. De maneira idêntica, diz o verso que ele ensina sem falar. Aqui, a expressão diz respeito ao ensinar pelo exemplo. É portanto fundamental que os homens na posição de mando tenham um comportamento exemplar. A ação do Tao,esta Ordem universal e harmônica, se faz sentir por nossas atitudes e comportamento. Há portanto um pré-requisito para que o Tao atue e resolva ou aponte a correta direção da questão: temos que manter um comportamento fisico e mental o mais sereno e tranqüilo que pudermos. Não é tão dificil assim e é agradável.


Nos pequenos casos, uma simples relaxada é suficiente. Nos grandes casos, é preciso um maior afastamento mental da questão. Isto só pode parecer incrível para quem ainda não viu a coisa funcionando. Para os ocidentais, parece estranho que o Tao não espere que você o bajule com orações, ofertas ou coisas do gênero. Não há necessidade de intermináveis sessões de relaxamento nem de extravagantes posturas físicas e mentais. Só é preciso que você relaxe um pouco os músculos, andando ou parado, e desligue por alguns segundos o interruptor da mente. Se você fizer isto os primeiros resultados se farão sentir - acreditando ou não no Tao.


Você não precisa abdicar de suas idéias filosóficas, políticas ou religiosas. Tao não é Deus nem é uma religião. Tao é uma Lei universal, que não depende de nenhuma espécie de adoração ou fanatismo. Pelo contrário, a ação do Tao se faz sentir com mais rapidez naquelas pessoas inflexíveis que resolvem a ele recorrer, o que evidentemente não é coisa muito comum. É como uma febre de 4O graus que baixa com mais facilidade que uma de 37. Para o Tao, gente é gente sempre, não havendo bons nem maus, porque este julgamento é determinado pelas Leis do homem.


O papel do Tao é reequilibrar todas as coisas, não é sua tarefa premiar ou castigar. O Tao também cura doenças? Perguntaram-me um dia. Sim, é evidente, pois uma doença é um sintoma de desarmonia. Como ele faz? Ele não faz, simplesmente acontece.


4 - "Não viver pelas paixões, mas pela sobriedade."
Que são paixões? O termo é usado para designar desejos irracionais ligados a fortes emoções, muitas vezes violentas. Poderíamos chamar de amor a este sentimento? A paixão não lida apenas com pessoas mas também com as causas defendidas vigorosamente; ou com os objetos, quando então ela degenera em consumismo. Paixão é um tipo de fanatismo. Enquanto a paixão mostra permanentemente seu lado desequilibrado, o amor em seus níveis mais elevados, é suave, tranqüilo e participativo.


Sobriedade, um dos temas preferidos pelos filósofos do Tao, é ter um comportamento equilibrado. A sua falta coloca o homem em todo tipo de desvantagem. Ser sóbrio significa ter a mente bem preparada para dialogar, escolher e decidir. Quanto mais difícil for um problema, tanto mais sóbria e competente deve ser a ação. A chamada não-violência, tem tudo a ver com a sobriedade. Gera na outra parte, uma atitude de tal forma passional, que ao perder o controle da situação, já foi derrotada.


As grandes vitórias são sempre conseguidas mediante um diálogo sóbrio e eficaz. Conversar exige, é claro, muita preparação interior, e nem todos estão dispostos a investir em seu crescimento. Uma das tarefas daquele que deseja se aperfeiçoar, é justamente a substituição da paixão pela sobriedade.

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FONTE DOS TEXTOS

O TAO DO OCIDENTE
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P. G. Romano
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