O TAO DO OCIDENTE
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FUNDAMENTOS

Há milhares de anos, um sábio chinês escreveu um pequeno livro que resultou em mudanças no comportamento de milhões de pessoas, no desenvolvimento de importante filosofia, religião e até mesmo numa revisão conceitual do Universo. E tudo isto começou quando ele, funcionário em uma corte depravada e corrupta, resolveu abandonar o país em busca de lugares mais serenos, onde pudesse repousar sua cabeça cansada. Este homem, de grande erudição e sabedoria, chamava-se Lao-Tsé.


A maneira como ele escreveu o livro, foi bem pouco usual. Consta que Lao-Tsé, ao deixar o país com as roupas do corpo e montado no lombo de um boi, dirigiu-se à fronteira. Lá chegando, encontrou um guarda, que o reconheu e pediu que lhe ensinasse tudo o que sabia. Lao-Tsé aceitou a tarefa e em uma só noite escreveu um pequeno livro constituído de 81 versos ou lições: era o Tao-Te-Ching, uma das obras mais importantes de todos os tempos.


A rapidez com que o livro foi escrito, não espelha a qualidade do texto. Lao-Tsé estava tomado por uma clara compreensão do assunto, compreensão esta tão profunda, tão consistente e tão viva, que se poderia dizer que ele estava mais do que inspirado, ele estava iluminado. Definitivamente Lao-Tsé estava numa espécie de estado de graça ao escrever seu livro.


O Tao-Te-Ching, tem um aspecto bastante comum, e portanto não chama a atenção do provável Leitor. Mesmo quando folheado, nada indica a profundidade do seu conteúdo. O nome de Lao-Tsé, de alguma forma nos traz a idéia que os ocidentais fazem desses filósofos chineses: indivíduos diferentes, cheios de misteriosa sabedoria, vivendo num mundo distante, longe dos homens comuns. Uma espécie mágica retratada nas figuras azuis das porcelanas e no multicolorido dos leques...


Esta imagem nada tem a ver com a realidade; e foi em cima de uma dura realidade, que o Tao-Te-Ching ou "O Livro do Caminho Perfeito" foi concebido e escrito. Hoje estou certo de que aqueles chineses não eram nem magos nem viviam num mundo etéreo, e que, o que as artes retratam, são figurações de um ideal que quase sempre expressa a harmonia provida pelo Tao, assunto central deste livro.


O Tao-Te-Ching foi traduzido para uma centena de idiomas e em muitos lugares é considerado sagrado. Lao-Tsé viveu há uns 26OO anos e segundo a tradição era o sábio entre os sábios e filósofo de todos, muitas vezes comparado ao próprio Confúcio. Algumas pessoas, por outro lado, dizem que ele não existiu, que é uma figura mitológica. Mesmo que fosse verdade, e dizem o mesmo de Shakespeare, que importância isto teria? O livro aí está, vivo e atual. Seus preceitos valem hoje, o mesmo que valiam na época em que foi escrito. Ninguém precisa reverenciar a figura deste pensador universal. E pelo que sabemos da Leitura do livro, ele detestaria isto. Era um homem que cultivava a modéstia, não por que desconhecesse as coisas, pelo contrário, porque sabia muito.


Nas diversas traduções, os versos são habitualmente seguidos por comentários do tradutor. O mesmo processo de notas esclarecedoras encontramos no I-Ching, outro livro muito antigo e famoso. Estes comentários tornam-se particularmente valiosos, porque muitos ideogramas chineses se prestam a diversas interpretações. É natural, portanto, que o trabalho de Lao-Tsé tenha tantas traduções.


Mas afinal, o que pode conter um livro de cem páginas que promova tal revolução nos costumes e pensamentos? Na verdade não seriam necessárias sequer as cem páginas, pois o que Lao-Tsé expunha logo nas primeiras palavras, mexia profundamente com conceitos milenarmente impostos ao povo chinês pelos poderosos, aos quais, de uma ou de outra forma, interessava que permanecessem intocados. Esta tomada de posição era muito perigosa, apesar de Lao-Tsé ter tido uma vida bastante pacífica. Suas palavras simples e serenas expunham, à perfeição, as mazelas que pressionavam o povo e a nação.


Sua arma não era nem a religião nem a política mas a filosofia. O tema básico de seu discurso era o Tao, este mesmo Tao que deu origem ao Taoísmo. A propósito, este é um livro que aborda apenas os aspectos filosóficos do Tao, não os religiosos. O Tao invocado por Lao-Tsé não se ligava a ritos ou hierarquias e seu papel era o de trazer a paz interior ao indivíduo e harmonia à nação.

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FONTE DOS TEXTOS

O TAO DO OCIDENTE
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P. G. Romano
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