O TAO DO OCIDENTE
PÁGINA 32

CAMINHO DE UM VIAJANTE
(continuação)

22 - Afastar-se das áreas de atrito

Recordo-me bem do dia em que estava hospedado em um horrível hotel numa cidade do interior. O calor era insuportável e os mosquitos resistiam a todos os artifícios. Não eram as condições ideais para se estudar o Tao.


Mas eu o estava fazendo. Posso assegurar que estava me superando. Não era muito fácil, pois ainda haviam outros problemas pessoais pendentes. Fui dar uma volta e me pus em mente vazia: tratei de apagar do pensamento todas aquelas mazelas. Apesar dos carros e das buzinas, eu buscava o olho do furacão, a serenidade no meio da agitação. Sentei no banco de um pequeno parque. Poucos minutos depois, uma frase surgiu em minha mente - Afaste-se das áreas de atrito. Isto complementava a sugestão anterior de evitar os injustos. Estas coisas faziam tanto sentido, que até hoje evito ao máximo o contacto com pessoas ou situações desarmônicas.

23 - Um plano de paz interior

O que ocorreu no parque, apontou a necessidade de formalizar de alguma maneira um plano ou sistema bem simples que me permitisse, mesmo em situações adversas, manter ativo meu novo projeto de vida. Como eu sabia que cedo ou tarde este esquema poderia ser alterado, chamei-o de primeira fase: - Mantenha-se sempre sereno - Evite situações desarmônicas Creio que é um bom esquema para qualquer pessoa. Os resultados são muito bons e não tem efeitos colaterais.

24 - O caminho da intuição

De vez em quando eu paro para pensar, e percebo que falta uma bússola que aponte para alguma direção à minha frente. O que devo fazer em seguida? Qual o próximo passo? Quem sabe há necessidade de um guru, um orientador? Procuro conhecidos, porém o resultado não é melhor. Lembro então daquela tarde no pequeno parque, onde fui tocado por algum tipo de intuição. A frase está bem viva - Afaste-se das áreas de atrito. O caminho pode ser longo, mas sem dúvida é transitável. Deste dia em diante, mais do que nunca, passei a me guiar pela dupla razão/intuição. E vem dando certo.

25 - Gastos excessivos

Esbanjar dinheiro é ruim sob qualquer ponto de vista. Mesmo, e especialmente, para aqueles que têm muito...


Quando comecei a questionar a validade do ter muita coisa, conclui inicialmente que ter pouco, deixava o ambiente mais respirável. Depois percebi que ter pouco, valorizava cada um daqueles bens. Finalmente que, ao optar possuir poucas coisas, algo muito mais importante acontecia: você não tinha que se envolver em opções e ambigüidades, que no mais das vezes é fútil, desgastante, toma tempo, energia e serenidade.

26 - Um gatilho do equilíbrio

Eu estava desejando encontrar um processo de relaxamento físico e mental, que funcionasse em qualquer lugar.


O pressuposto era que tal processo deveria simples, confiável e de aplicação rápida. Deveria funcionar, por exemplo, enquanto eu estivesse andando. Encontrei-o em um livro tibetano de meditação. A coisa é muito simples - primeiro os passos devem ser desacelerados, seguido de uma respiração suavizada. Deixe os braços caírem moles, esvazie a mente de qualquer preocupação e semi-cerre suavemente os olhos dirigindo-os a um ponto distante. Continue a caminhar tranqüilamente durante um ou dois minutos. Para mim deu certo a primeira vez, a segunda e a terceira... Não há razão plausível para que não dê certo com outras pessoas.

27 - Tempo de dúvidas

Era uma época de dúvidas: será que a trilha que escolhi para o aperfeiçoamento pessoal, é realmente eficiente?


Isto pode ocorrer com qualquer um, e deve ser encarado como uma oportunidade de reorganizar as coisas que estejam pendentes. A decisão que tomei, me manteria afastado das leituras e reflexões sobre o Tao, mas não de sua prática. Eu já estava de tal forma habituado a pautar meu comportamento dentro da busca harmônica, que embora difícil, a decisão foi coerente. Mantive a porta aberta para quando me sentisse novamente preparado. E isto ocorreu cerca de 3O dias depois, sem traumas, nem culpas, nem perda dos novos valores que já havia alcançado.

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FONTE DOS TEXTOS

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Direitos reservados © 2000
P. G. Romano
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