O TAO DO OCIDENTE
PÁGINA 34

CAMINHO DE UM VIAJANTE
(continuação)

35 - Economize energias

Uma das maiores lições de serenidade e tranqüilidade que já aprendi, foi esta: você já experimentou não fazer nada, nada mesmo, nem pensar? Não é muito fácil, porém qualquer que seja o nível que você alcance, a sensação de Harmonia e de plenitude é tão incrível, que é difícil acreditar como não o fizemos antes. Nesta hora, a intuição aparece com soluções que você nem sequer pediu. Experimente esta prática tibetana: caso as condições permitam, deite de costas olhando serenamente o céu. Você sentirá a unidade do Universo e sua Harmonia. ESTARÁ NO TAO.

36 - Uma visão nova dos bens materiais

Há muito tempo que eu andava tão desencantado que não via alegria em praticamente nada. Apartamento então, seria a última coisa que eu iria pensar. Além disso não havia motivação, já que as visitas eram poucas e a maior parte do tempo eu estava fora. De repente eu visualizei meu apartamento suavemente decorado de forma a permitir, nas horas que lá passasse, um clima propício para a quietude de espírito, bem como receber os amigos, ouvir música... Um outro renascer, ditado pelo Tao.

37 - Ser conscientemente flexível

Quando eu iniciei a escrever num caderno, a evolução do meu processo de aperfeiçoamento, tive em mente anotar TODAS AS BOAS IDÉIAS que me ocorressem, imaginando que desta maneira eu poderia numa Segunda leitura, fazer uma seleção. Numa dessas segundas leituras, fui percebendo que as tais boas idéias, nem sempre eram tão boas assim. Era preciso ser mais flexível, mais arrojado e menos auto-crítico. Comecei a anotar todas as idéias, fossem "boas" ou não. O tempo se encarregou de mostrar que muitas das idéias que eu em princípio teria rejeitado, na verdade possuíam mérito e consistência. Daí em diante, me decidi por uma maior flexibilidade e tolerância. Um projeto ambicioso que eu deveria alcançar.

38 - Sobre a fé

Creio firmemente que a fé é um carisma, um dom do alto, ou então não é fé mas uma pseudo-fé, algo muito alienante. Ou você a possui inata, e aí a fé é carismática, ou a obtém por meios irracionais, e neste caso vem a alienação e o fanatismo. De qualquer forma, sempre senti muito medo da fé, justamente porque não a possuo.


Possuo sim, uma crença empírica, marcada em diversas escalas. Por outro lado, acho que aqueles que intrinsecamente tenham este dom, não deveriam pô-lo à prova, pois correriam o risco de perdê-lo. Para mim, os dons existem, mas vão e voltam segundo critérios que absolutamente desconheço. Muita gente cura e adivinha, isto é fato, só que não o conseguem em TODAS AS OCASIÕES. Alguém um dia me perguntou - Você acredita mesmo no Tao? E eu respondi - Claro, pois então não estou vendo? Minha fé é assim.

39 - Sobre minimalização II

Eu assimilei com clareza a idéia, que quando se tem muitas coisas, você tem que se definir, criando muitas vezes um sentimento de dúvida pouco saudável. O que é exatamente ter muitas coisas? É isto mesmo: é ter muitas roupas, sapatos, objetos, livros... Outra vez me liguei no que aquela jornalista havia dito sobre ser uma pessoa completa. Eu tentava imaginar a situação no meu caso - como me sentiria ao minimalizar minhas coisas? Um fato para mim continuava indiscutível: era preferível SER do que TER. O que é melhor? Acumular coisas de valor duvidoso, ou valores próprios que ninguém pode tirar? Quando assumi o Tao, tomei minha decisão.

40 - Uma sugestão de vida

Algumas pessoas na China, chegaram a acusar os adeptos do Tao de se enclausurarem em seu aperfeiçoamento espiritual, esquecendo o resto da humanidade. Eu venho praticando o meu crescimento há algum tempo e não me lembro de nenhuma ocasião em que eu me sentisse tão bem e tão disposto a auxiliar, a me doar às outras pessoas. A ação do Tao é da Harmonia universal, e portanto nada pode ser excluído. Não participar de certos eventosmundanos, não significa afastamento social e muito menos o desinteresse pelas pessoas. Deve sim, haver tempo para tudo.

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FONTE DOS TEXTOS

O TAO DO OCIDENTE
Direitos reservados © 2000
P. G. Romano
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