TRANSCOMUNICAÇÃO INSTRUMENTAL

A IGREJA E AS VOZES - 1


CAPÍTULO 8 DO LIVRO "OS ESPÍRITOS COMUNICAM-SE POR GRAVADORES", DE PETER BANDER

Em junho de 1971, uma série de artigos apareceu nos jornais ingleses e irlandeses, obviamente destinados a levantar uma questão: a reação das igrejas ao Fenômeno da Voz, Após o primeiro programa "Late Late Show", em Dublin, do qual participara um padre católico, de Roma, o redator dizia:


"Tinha certeza absoluta de que, na manhã seguinte, alguma proclamação pública seria lida nos púlpitos de Dublin, assinada pelo Arcebispo John Charles Mcouaide; outros colegas jornalistas, mais familiarizados com o ambiente de Dublin, estavam convencidos de que tal pronunciamento não seria feito. Eles acertaram".

O jornalista citou então as razões pelas quais suspeitara da atitude que a Igreja aparentemente tomaria: "Apesar da maior flexibilidade incutida à Igreja pelo Vaticano II, considerei.


Difícil aceitar que a Hierarquia voltasse as costas ao Cardeal Roberti e ao Monsenhor Palazzini, cujo "Dicionário de Teologia Moral" (1962) reiterava os decretos do Santo Ofício, que categoricamente proíbem qualquer experimento (... independente de qualquer explicação teórica de fenômenos, seja de manifestação de ordem pretematural ou pertencente à esfera das leis naturais).


Não há dúvida de que os experimentos de Raudive se enquadram nessas condições." Mais adiante, no mesmo artigo, analisou alguns aspectos da minha apresentação do Fenômeno, e que lhe pareciam peculiares.


Por insinuação, apresentava-me como uma "eminência parda" que, "sem dificuldade, formou a imagem de um Superior dos Padres Paulinos de Roma, que endossava tudo o que Peter Bander dizia".

Qual é exatamente a atitude da Igreja? Para início de conversa, é quase impossível falar-se de "a Igreja", pois existem diferenças de opiniões entre as várias denominações de grande número de assuntos.


Há, de fato, algumas diferenças fundamentais nas suas crenças sobre a vida após a morte. Um cristão estritamente não conformista teria que sobrepujar dificuldades substantanciais, se quisesse imaginar a existência dalgo além da "ressurreição do corpo" no dia do "Juízo Final".


Na Igreja Anglicana, tanto a doutrina não-conformista como a católica estão representadas. A Igreja Católica-Romana, por sua vez, prega uma vida mais ativa após a morte: a intercessão dos santos e a "passagem por um período de purificação" são dois credos de fé definidos.


No que se refere à religião judaica, seria impossível unir o Fenômeno da Voz a qualquer crença numa existência pós-mortal. Não houve uma reação judaica a "Breakthrough", somente a demonstração de um interesse não-conformista remoto, com advertências e citações de trechos do Antigo Testamento, suspeitando que as vozes sejam do diabo, e possivelmente uma "abominação ao Senhor".

A não ser o Monsenhor Pfleger, o prof. Frei (ambos católicos-romanos) e o Dr. Voldemars A. Rolle, que é pastor lutherano e professor de Física, nenhum outro clérigo fizera comentários publicamente a respeito das vozes antes do lançamento de "Breakthrough" na Inglaterra.


Antecipei uma reação ativa nos países de predomínio da língua inglesa, pois prevalece um maior senso de individualidade e menos coação de opinião entre os Ministros Religiosos da Inglaterra e América.


A reação dos irlandeses dependia, na minha opinião, inteiramente do apoio da Igreja Católica e, se de alguma forma possível, de um pregador que falasse com autoridade.


A fim de ter uma idéia da reação geral no meio religioso consultei Douglas Brown, o correspondente de assuntos religiosos da BBC, cujas predições e prognósticos sobre eleições na Igreja, distribuição de votos durante sínodos e nomeações a altos cargos sempre foram surpreendentemente corretos.


Brown estava seguro de que haveria uma grande unanimidade de opinião a. favor dos experimentos, por parte de clérigos anglicanos e católicos. Predisse que o jornal "The Church Times" emitida uma observação cuidadosa e salientaria o fato de teólogos católicos estarem envolvidos nos experimentos, e que os jornais católicos desmentiriam tudo, mas não faltariam bispos ou padres de ambas as Igrejas para discutir sobre o livro e as vozes, no rádio e na televisão.


O Sr. Brown imediatamente providenciou um debate para o seu programado rádio "Sunday", mas somente escolheu leigos como participantes. Os seus prognósticos foram corretos em todos os aspectos.

O Reverendíssimo Dr. Butler, Bispo de Connor, foi o primeiro clérigo anglicano eminente a proclamar a sua opinião: "Estou definitivamente impressionado e mesmo querendo ser impressionado por esse fenômeno.


O autor acentua o fato de esta ser uma prova adicional de vida após a morte. O interessante é que o livro está sendo lançado numa época em que muitos já abandonaram a idéia de vida pós-mortal.


Já por esse fato, o livro merece uma boa acolhida. Porém, tendo dito isso, sinto-me na posição de uma pessoa humilde: pergunto me se a obra será de grande auxílio às pessoas simples, na fase atual".


Quando solicitaram ao Bispo Butler, no final de um debate de quinze minutos na televisão, para fazer um comentário derradeiro sobre "Breakthrough", ele afirmou:


"Creio que uma das observações mais verdadeiras contidas no livro, com relação a todos os experimentos, é que os mesmos se encontram numa fase de infância. Acho que isso é realmente certo; este é apenas o começo."

O trecho acima pode ser descrito como uma "declaração anglicana" clássica: restrita, não comprometedora e diplomática, Ao comentar sobre o teor da linguagem das vozes, a resposta do Bispo Butler faria jus a qualquer diplomata discutindo sobre um assunto controvertido:


"A minha reação seria como se estivesse fazendo uma ligação telefónica transatlântica de péssima conexão, durante a qual não pudesse ter certeza do que a voz queria dizer". Somente quando assisti ao video-tape, notei que o bispo tinha habilmente evitado comprometer-se.


A participação inicial de padres católicos-romanos nas experiências, e as suas contribuições ao livro de Raudive, foram coincidências. Um jornalista tentou descobrir alguma possível ligação entre a Igreja e o autor; escreveu:


"Descobri que o Dr. Raudive é completamente desconhecido nos meios do Vaticano. O seu único contato em Roma parece ser o Dr. Sargenti, Professor de Psicologia da Universidade. No entanto, é de presumir-se que alguns colaboradores de Breakthrough sejam bastante conhecidos no Vaticano."


O Professor Gebhard Frei foi Presidente da Imago Mundi e ali representou a Igreja como parapsicólogo; o Reverendíssimo Monsenhor Pfleger era Capelão junto à Santa Sé e Professor de Teologia.


Já manifestara a sua opinião numa revista católica de renome, e os seus dois artigos foram posteriormente condensados e incluídos no livro. A única aproximação direta com o Vaticano, relacionada com "Breakthrough", foi feita inoficialmente, quando solicitei uma opinião sobre o Professor Frei.

O Monsenhor Cardinale é o Núncio Apostólico para a Bélgica, Luxemburgo e a Comunidade Econômica Européia. É considerado o representante mais categorizado do Vaticano na Europa Ocidental. Antes de fazer o seu pronunciamento, queria conhecer bem o assunto; desejava saber o motivo do meu interesse pela informação, e como esta seria usada, caso acedesse em Prestá-la.


Frisou que possivelmente não pudéssemos tirar conclusão alguma sobre a validade do Fenômeno da Voz, de qualquer artigo ou opinião expressa pelo professor Frei. O Arcebispo Cardinale voltou a abordar o assunto das vozes somente seis semanas após a publicação de "Breakthrough." Escreveu-me o Seguinte:


"Fiquei bastante impressionado com o livro e falei, naturalmente, a muitas pessoas sobre o Fenômeno. É tudo muito misterioso, sem dúvida, mas sabemos que as vozes ali estão para que todos as ouçam".


Em nenhum trecho, o Arcebispo Cardinale fez a menor menção ao fato de o Papa Paulo VI e os círculos do Vaticano estarem familiarizados com o Fenômeno da Voz.


Alguns jornalistas, que posteriormente escreveram sobre a atitude da Igreja com relação às vozes, insinuaram que eu deveria ter um "informante" no Vaticano, pois sabiam que o Papa havia condecorado o descobridor das vozes, em 1969, com a Cruz de Comendador da Ordem de S. Gregório, o Grande.

Durante um programa, referi-me à opinião do Arcebispo Cardinale sobre as vozes, sem mencionar-lhe o nome, e, posteriormente, recusei-me a mostrar a sua carta a um repórter. Minha recusa mereceu o seguinte parágrafo no seu artigo:


"O Sr. Bander foi bastante inflexível na sua negação de citar o nome de clérigos eminentes; explicou que não podia divulgar a correspondência particular dessas pessoas, conforme desejo expresso pelas mesmas. Igualmente, não foi possível persuadi-lo a desenvolver os pronunciamentos feitos".


Contrariando as usuais especulações jornalísticas e imaginações férteis, não houve tramas; talvez somente um número surpreendente de coincidências e acontecimentos paralelos.


O fato de Friedrich Juergenson ter recebido a Comenda da Ordem de S. Gregório, o Grande, era certamente uma novidade para mim, e a sua estreita ligação com o Papa e a Santa Sé não chegara ao meu conhecimento durante a última década e até o verão de 1971, quando o Sr. Juergenson pessoalmente me relatou os fatos.

Parece que um jornalista italiano mencionara tais detalhes em abril, e posteriormente um colega inglês os publicou numa forma que, à primeira vista, parecia substanciar a hipótese de eu estar dando cobertura ao Vaticano, em troca do apoio de clérigos católicos nos debates na televisão.


Outra coincidência foi que, em 1970, eu escrevera "As Profecias de Malaquias", um livro de conteúdo jovial, referente ao futuro do pontificado, e que serviu de base, por diversas vezes, para suposições completamente infundadas e inoportunas, sobre o meu relacionamento com a administração da Igreja Católica.


Nunca houve um pronunciamento católico oficial sobre o Fenômeno das Vozes; as opiniões expressas por alguns prelados e padres bem informados e altamente respeitados, eram as suas próprias.


Por outro lado, houve mais comentários e discussões por parte de padres católicos do que de clérigos de outras religiões. A dificuldade maior, sem dúvida, é achar-se uma plataforma apropriada para o desenvolvimento de um diálogo sério.

Não é lógico esperar-se que um assunto de tal porte seja tratado em apenas quinze minutos, dos quais três são oferecidos a cada participante e cinco são tomados para a introdução geral do Fenômeno.


Infelizmente, é o que aconteceu, com freqüência, no rádio e na televisão, com algumas exceções dignas de nota: o programa"Late Night Line-Up", que me permitiu ultrapassar consideravelmente o tempo concedido; a BBC Radio Sheffield, na qual Ian Masters dedicou um programa inteiro, "Home Tonight", ao assunto, e o programa "Late Late Show" da Telefis Eireann, que ofereceu duas noites de sábado ao Fenômeno da Voz.


Nos programas da televisão irlandesa, as implicações religiosas das vozes foram não somente ventiladas, mas examinadas a fundo. Grande parte da discussão religiosa que se seguiu foi conseqüência direta dos programas "Late Late Show" da RTE.

Uma vez que vários aspectos do Fenômeno foram discutidos nesses programas, torna-se necessário reverter aos mesmos para uma contribuição e avaliação dos resultados obtidos; os comentários do Padre Pistone e o diálogo subseqüente deverão, portanto, ser analisados sob a luz do contexto total do programa.


A 8 e 22 de maio de 1971, o Padre Pistone revelou-se uma das duas pessoas que mais se destacaram nos programas. Foi descrito como o "representante do Vaticano" por vários jornais e revistas (Quarterly Review of the Churches Fellowship), e de "Superior-Geral dos Padres Paulinos" (num anúncio da RTE e em cinco jornais), e realmente se julgava que os seus comentários tivessem o selo de aprovação oficial do Vaticano.


O Padre Pistone era, de fato, Superior da Sociedade de São Paulo na Inglaterra, e delegado do Padre Valente, o Superior Regional, que se encontrava em Roma por ocasião dos programas.

A Sociedade de S. Paulo é uma ordem católica incumbida da doutrina através da imprensa, rádio e televisão. Controla a maioria das estações de rádio e televisão da Igreja Católica, principalmente no Extremo Oriente; publica uma das maiores revistas do mundo, impressa a cores, e possui máquinas impressoras próprias, bem como casas publicadoras e serviços jornalísticos pelo mundo inteiro.


Quase todos todos os seus superiores são italianos e educados em Roma. Entre os padres e irmãos, contam-se desde teólogos eminentes até habilidosos artesãos, impressores, oradores e profissionais de diversos tipos e talentos.


O Padre Pistone deixou bem claro, no início das declarações, que estava expondo a sua própria opinião, e tentaria esclarecer, em termos simples, o que julgava ser a atitude da Igreja Católica. A primeira pergunta à que respondeu referia-se à posição da Igreja com relação às vozes em geral.

"Existe algo nesses experimentos, nas vozes ou no livro, contrário aos ensinamentos ou à teologia católica?", perguntou Gay Byrne.


"Li o livro de ponta a ponta. Aceito todo o conteúdo como experiência científica. O próprio subtítulo o define como um experimento surpreendente. Não encontrei nada em oposição às doutrinas da Igreja; pelo contrário, o livro confirma os nossos ensinamentos e aquilo em que acreditamos, isto é, que há vida após a morte. Não corrobora mais que isso: que existe vida pós-mortal; podemos entrar em contato com pessoas que morreram. Esse contato, segundo a Igreja, é o auxílio que podemos oferecer aos mortos. Verifica-se, também, pela expressão da maioria das vozes, que não se podem ajudar a si próprias".

Perguntou-se então ao Padre Pistone se acreditava no que as vozes diziam quanto à sua pretensa origem e identidade.


"Creio que as vozes são algo de extraordinário. Não poderia apontar qualquer uma delas e dizer: Esta é definitivamente a voz de tal e tal pessoa. A mensagem que estas vozes contêm, é, para mim, uma confirmação - se essa prova fosse necessária - de que a vida continua após a morte.


Há uma fase, após a transição, durante a qual ficamos na expectativa de cumprir o nosso período de vida, para então retornarmos ao Criador e gozarmos da felicidade eterna."

A terceira questão versara sobre os perigos inerentes à pesquisa sobre a existência pós-mortal e a possível intervenção de espíritos maléficos.


"Não vejo perigo nenhum, nem vejo motivo para temores. Além disso, cumpre ainda à ciência confirmar que estamos realmente lidando com as vozes dos mortos. Estamos atualmente diante de um fenómeno; não precisamos aceitar mais nem podemos aceitar menos que isso.


Pessoalmente, sinto-me satisfeito de que a vida continue após a morte e também acredito que haja uma comunicação entre os vivos e os mortos, pois esse contato está incluido no conceito da Igreja: a comunhão dos Santos, como se diz. Podemos sempre manter ligação com os que nos deixaram através de preces e ajudá-los.


Portanto, se eles possuem recursos para comunicar-se, direta ou indiretamente, é uma questão que diz respeito aos poderes de Deus, pois os mortos também estão sob o Seu domínio. Quanto a malefícios, tudo deverá ser feito e visto sob um prisma adequado.


Naturalmente, poderiam surgir casos de demência no seio do Fenômeno da Voz, pois o uso indevido e o abuso acorrem em todas as descobertas e experimentos. Veja o telefone, por exemplo: ele também pode ser usado impropriamente.


Entretanto, se os experimentos e invenções são conduzidos ou tratados de modo adequado, resultam em pesquisa científica. Tal busca não precisa necessariamente ser posta em prática com o fim de se obterem vantagens.


Na maioria das pessoas, a curiosidade é uma qualidade inerente. Desejamos apenas aprender e saber mais; é o único objetivo. Mas, como disse, tudo o que existe, está sujeito ao uso indevido."

As declarações do Padre Pistone são claras e objetivas. Não há ambigüidade diplomática nelas, nem qualquer tentativa de evitar uma decisão final. É desnecessário dizer que suas afirmações na televisão fizeram noticia. As implicações religiosas subitamente ganharam destaque.


O Dr. Brendan McGann, Diretor do Instituto de Psicologia de Dublin, e professor de 120 Psicologia do Trinity College, enquanto proclamava haver aparentemente conseguido reproduzir o Fenômeno, afirmava no jornal "The Irish Times" (9 de julho de 1971): "É lamentável que o pesquisador e alguns dos seus colaboradores tenham identificado a forma de existência, insinuada pelas vozes, com a pós-existência teológica.


Sugeriram, inclusive, que as entidades falavam de um estado de existência conhecido aos católicos como Purgatório, o que parece ser pouco provável, caso se evidencie que o Fenômeno da Voz é autêntico. Antes, as vozes dão o aspecto de possuir uma existência normal, anteriormente desconhecida a nós."

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http://www.transcomunicacao.com



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