TRANSCOMUNICAÇÃO INSTRUMENTAL

A IGREJA E AS VOZES - 2


CAPÍTULO 8 DO LIVRO "OS ESPÍRITOS COMUNICAM-SE POR GRAVADORES", DE PETER BANDER

A IS de julho de 1971, o "The Irish Times" publicava uma entrevista do Padre Pistone, na qual Ian van Duren fez as perguntas que pareciam estar na mente de muitos: arrependera-se o padre de ter aparecido na televisão para um assunto tão controvertido, e sentia-se realmente satisfeito com a explicação da atividade da Igreja diante do Fenômeno, da maneira pela qual o havia feito?


Esta entrevista, que também apareceu nos jornais e revistas inglesas, é provavelmente o documento mais importante hoje em dia, quando se fala num "ponto de vista católico oficial". Vale a pena ser lido na íntegra, pois as perguntas são tão importantes quanto as respostas:

Pergunta: Há um mês atrás, o senhor apareceu no "Late Late Show" da Telefis Eireann, pela segunda vez em duas semanas, discutindo o livro "Breakthrough", o Fenômeno da Voz e as pretensões extraordinárias dos cientistas sobre a comunicação com os mortos. Verificou-se alguma repercussão ou resistência quanto à sua participação?


Resposta: Pelo que ouvi, o interesse em torno do assunto foi bastante grande, especialmente na Irlanda. É claro que não posso valorizar minha própria presença nos programas, pois não tenho meios de saber se minha participação contribuiu em alguma coisa. O fato de eu ser um padre católico poderá, sem dúvida, ter causado apreensão algumas pessoas.

Pergunta: O senhor acredita, - refletindo bem, que um representante da Igreja Católica deveria ter participado desse diálogo científico, que, afinal, abordou um tema bastante delicado, isto é, o de pessoas mortas entrarem efetivamente em contato com os vivos?


Resposta: Acredito que isso foi muito importante e necessário. Primeiro, tive a oportunidade de atingir um número de pessoas bem maior através da televisão, do que pregando do púlpito durante uma vida inteira. Em segundo lugar, embora as discussões girassem principalmente em torno de problemas científicos, um padre sempre refletirá, num debate desse tipo, os pontos de vista morais e teológicos; isso é importante, especialmente num país onde predomina o Catolicismo.


A moral e a teologia representam um fator muito importante em todos os assuntos relativos à psicologia, parapsicologia e disciplinas similares, que lidam com a mente humana. Como se verificou; o fato de eu não entender de eletrônica não me prejudicou em nada; vários cientistas de renome estavam presentes e suas palavras me satisfizeram no que se refere aos fatos científicos. Considero muito importante a participação da Igreja em todas as questões que se relacionam direta ou indiretamente com os seus fiéis.

Pergunta: Até há pouco tempo, a Igreja permanecia calada ou manifestava-se com relevância sobre assuntos dessa natureza. O que provocou a mudança de atitude da Igreja?


Resposta: Não creio que a Igreja alguma vez ficasse calada. No seio da Igreja, diversos personagens eminentes sempre deram continuidade aos diálogos. Isso refere-se a vários assuntos. Temos os nossos próprios entendidos em todas as matérias.


É tarefa esses consultores cuidar de que os ensinamentos da Igreja estejam isentos de tudo o que possa contrariar a autoridade que lhe foi dada por Cristo. Entretanto, a atitude da Igreja tornou-se mais flexível no tocante a muitas questões - sem mudar os princípios fundamentais - desde o último Concílio do Vaticano.

Pergunta: A verdade é que os programas aos quais compareceu, aprofundaram-se num tema bastante incomum, A existência após a morte foi discutida fora dos padrões normais de Céu e Inferno, ou Purgatório, para os que não se decidem por este ou aquele. Na opinião de muitos espectadores, o programa foi revolucionário.


Resposta: Sempre acreditamos e ensinamos que há vida após a morte. Nunca houve uma fórmula através da qual a Igreja pudesse apresentar a existência de uma pós-vida em termos de preto e branco. O debate sobre um experimento científico, tal como o Fenômeno da Voz, podia esclarecer vários pontos. Mesmo assim, nunca apresentaria uma resposta completa a muitas questões.


A Igreja quer muito mais do que simples vozes. Suponhamos que os cientistas ofereçam provas irrefutáveis de que as vozes provenham dos mortos; isso ainda não resolveria qualquer problema no que se refere à Igreja, e acredito que nem tornaria a morte mais atrativa ao homem. Uma pessoa do auditório estava bastante preocupada com o lugar onde a alma descansaria. A Igreja ensina que, ao morrer, deixamos o nosso corpo físico e adquirimos um corpo espiritual.


Mas devemos precaver-nos com a terminologia, tão usada, que insinua uma flutuação, vôos alados ou confinação física num lugar ou noutro, como o Céu ou Inferno. Todavia, quando deixarmos de usar esses termos de referência, podemos considerar-nos superiores à média das pessoas. É o que eu quis dar a entender quando afirmei que nunca foi possível à Igreja provar o fato de forma evidente.

Pergunta: Uma das questões respondidas durante o programa versava sobre o conteúdo de várias sentenças proferidas pelas vozes; sugeriu-se que eram banais ou patéticas. Isso causou-lhe preocupação ou afastou-o do problema?


Resposta: Muitas das vozes suplicam por preces. Isto, naturalmente, está em harmonia com os nossos ensinamentos. A Igreja sempre preceituou que os mortos necessitam de nossas orações. O fato de essas vozes solicitarem preces não faz nenhuma diferença: a Igreja sempre as ofereceu aos que nos deixaram.


No entanto, levantamos aqui um problema importante: no passado, a igreja Católica sempre olhou o Espiritismo com bastante reserva. Muitas críticas se fizeram contra a posição firme que assumimos, e a Igreja, por sua vez, sempre condenou tal prática.


É algo bastante complexo e não me julgo qualificado a fazer um pronunciamento sobre as razões invocadas pela Igreja. Entretanto, posso afirmar, sem hesitação, que o conteúdo de muitas das pretensas mensagens é contrário à doutrina eclesiástica.


Até agora, nunca houve necessidade, por parte da Igreja, de examinar as evidências da morte de uma pessoa. Quando se trata de verificar e investigar as afirmações de pessoas que pretendem ter ouvido vozes ou visto imagens, tocamos num assunto muito delicado, para não dizer mais.


Devemos certificar-nos de que não estamos tratando com imaginações ou, como aconteceu no passado, com insanidades mentais. Esta é a razão pela qual a Igreja se demora na investigação de tais alegações. Na realidade, para que a Igreja aceite a existência de vozes ou visões,devem existir provas irrefutáveis e visíveis a todos, de uma intervenção divina.

Pergunta: Mas por que a Igreja sempre condenou o Espiritismo, sem nunca ter examinado algumas das demonstrações notáveis com aspecto de fenômeno genuíno?


Resposta: Quem afirma que são realmente genuínos? Talvez sejam, talvez não. Qual foi a prova apresentada? Todavia, houve tantos relatos contraditórios e perturbadores no passado, para o esclarecimento de certas práticas espíritas, que foi e tem sido certo duvidar-se seriamente do valor do Espiritismo.


A Igreja desaprova alguns espíritos, e digo-o com toda a humildade, quanto à pretensa aparição de certos santos nas suas sessões, como por exemplo, São Paulo, patrono da nossa Ordem, transmitindo ensinamentos totalmente imbecis e contrários a tudo o que afirmou nas suas cartas.


Tenho uma resposta simples para essas pessoas. Que vejam o evangelho de S. Lucas e leiam, no capítulo 16, o que Cristo falou sobre o assunto. O verso 31 também oferecerá a razão pela qual a Igreja desaprova a prática da invocação dos mortos. Acreditamos que seja um erro perturbar-lhes a paz, unicamente pelo nosso desejo de assim o fazer.

Pergunta: Até que ponto são diferentes os experimentos descritos no livro "Breakthrough" e aqueles discutidos na televisão, e qual atitude que a Igreja toma ou deveria adotar com relação ao desenvolvimento de tais pesquisas?


Resposta: A atividade, ou iniciativa, como preferir, no decorrer desses experimentos, parece caber "a eles", quem quer que sejam. Porém, vamos ser exatos. Estamos colocando a carroça na frente dos burros; discutimos o assunto, pressupondo que as vozes sejam dos mortos. Se a hipótese for correta, parece-nos que eles desejam comunicar-se. A razão, ainda não sei, e ninguém sabe por enquanto.


Mas existe outra diferença: as vozes têm existência física e pode-se comprovar a sua manifestação através de vários dispositivos mecânicos e eletrônicos. Sabemos também, pelos entendidos, que as vozes não são produzidas pelo homem, nem por quaisquer meios conhecidos no campo da física ou eletrônica.


Não podemos afastar-nos da realidade física dessas vozes. Uma vez que as experiências estão justificadas, são dignas de fé, mas não podemos entendê-las. Também não conhecemos o propósito dessas comunicações.


Quanto ao papel da Igreja no ulterior desenvolvimento, estou certo de que deverá manter-se alerta quanto aos acontecimentos nesse setor. Se a pesquisa tivesse sido realizada por um só indivíduo ou por um pequeno grupo de pessoas, a Igreja, sem dúvida, manter-se-ia afastada; entretanto, os experimentos foram amplamente divulgados e realizados com impacto.


Qualquer pessoa poderá ser induzida a executar um experimento independente de supervisão científica; a Igreja deverá estar preparada para falar com autoridade sobre o tema. Por enquanto, a Igreja não viu razões para opor-se aos experimentos com a Fé.

Pergunta: Quanto aos fenômenos da voz, não há motivos para afirmar que sejam errados. Igualmente, não há nenhum pretexto para garantir que sejam corretos e que deverão ser propagados.


Resposta: Duvido que a Igreja alguma vez se pronuncie oficialmente sobre o assunto. Deixe-me rapidamente voltar a uma questão levantada há pouco: duvidei da sanidade daqueles que sustentam estarem S. Paulo e outros santos comunicando lhes novas doutrinas.


A Igreja ensina que a Revelação Divina é completa. O último livro do Novo Testamento é o capítulo final da Revelação. A Igreja tem a autoridade conferida por Cristo - de ensinar a seus fiéis e de proporcionar a instrução, segundo a Divina Revelação. Cristo não a teria pronunciado, caso pretendesse promover a descida de profetas dos últimos dias para modificar a Revelação.


O Fenômeno da Voz, por outro lado, nada ensina, nem pretende alterar qualquer coisa que a Igreja Cristã propagou desde o tempo de Cristo. As vozes fazem declarações, solicitam preces, expressam felicidade em alguns casos e desespero e arrependimento em outros.


A Igreja sempre acreditou que a vida terrena é seguida de um período de purificação. Se o chamam de purgatório ou de qualquer outro nome, faz pouca diferença. Seria portanto concebível que o conteúdo das vozes gravadas provenha de tal período; porém, devo frisar que essa afirmação carece de provas.

Pergunta: Não poderíamos conceber que membros já falecidos da Igreja quisessem contribuir para os ensinamentos? Quem pode afirmar que médiuns, dizendo ter recebido doutrinas ou instruções de certos santos ou mestres, sejam falsos ou enganadores?


Resposta: Não estou dizendo que sejam impostores ou mentirosos, nem que aquilo que receberam seja pura imaginação. O que afirmo, é que a Divina Revelação é completa, e que aqueles, cujos livros e cartas foram acrescidos à. Revelação nos evangelhos, não alterariam os seus ensinamentos de modo tão patético.


Os espíritas não têm prova da comunicação com São Paulo ou qualquer outra personalidade. Podem estar aceitando ter ouvido certa pessoa, mas não mais que isso. No que se refere às vozes, isto é, das que foram gravadas, à parte do seu conteúdo, são produzidas para que todos as ouçam e examinem. O perigo da influência pessoal está afastado.


O Sr. Peter Bander afirmou, durante o programa, que o único fato que lamentava, era o lançamento do disco contendo gravações de vozes, juntamente com a publicação do livro.


O disco continha um breve comentário sobre as vozes; Bander achou que as pessoas poderiam sofrer a influência das palavras do comentarista. Está absolutamente certo. No momento em que submetemos alguém à persuasão, não podemos ter certeza de objetividade.


Um médium, Por mais honesto que seja, não teria meios de provar a identidade fio emissor da mensagem - se esta realmente existe. Do mesmo modo, não podemos afirmar com certeza que uma voz no gravador seja de determinada pessoa.


A diferença é que o médium colocará em jogo a sua reputação e integridade nas mensagens que transmite ao povo, enquanto que o Fenômeno da Voz poderá ser julgado pelo seu próprio mérito, sem desacreditar ninguém.

Pergunta: Na sua opinião, a Igreja Católica usaria um gravador de fita para investigar pretensas aparições? Acredita que seja um método preferível ao processo embaraçoso usado atualmente?


Resposta: A Igreja tem os seus próprios métodos bem testados e meios de aprovar ou desaprovar quaisquer pretensões. Não creio que alguma vez façamos uso de outro método, pois não há razão de substituirmos algo que provou ser satisfatório e bem sucedido, por outro meio que em nada poderia contribuir à pesquisa em desenvolvimento.


Se uma voz transpirasse durante uma dessas investigações, não viria ao caso. Tomemos, por exemplo, o longo e tedioso processamento da canonização: o personagem em questão seria obrigado a demonstrar os milagres a si atribuídos, e os mesmos teriam que ser provados. A Igreja nunca se interessa por provas verbais, mas por evidências práticas e tangíveis, que não deixem margem a qualquer dúvida.

Pergunta: Se não existe aplicação prática para a Fé, fenômeno da Voz no seio da Igreja, por que ela deu o seu apoio às experiências e permitiu que padres e mesmo prelados participassem das mesmas?


Resposta: A Igreja compreende não poder controlar a evolução da ciência. Estamos aqui lidando com um fenômeno científico; isto significa progresso, e a Igreja é progressista.


Estou satisfeito em saber que os representantes da maioria das Igrejas adotaram a mesma atitude que a nossa: reconhecemos que o assunto do Fenômeno das Vozes agita a imaginação mesmo daqueles que sempre alegaram que nunca haveria provas ou bases para discussões da questão da sobrevivência após a morte.


Este livro e os experimentos subseqüentes, levantam sérias dúvidas, mesmo na mentalidade dos ateus. Esta é, por si mesma, uma boa razão para o apoio da Igreja aos experimentos. Um o motivo poderá ser encontrado na maior flexibilidade incutida à Igreja pelo Vaticano II: pretendemos ter uma mentalidade aberta para todos os assuntos que não contradigam as doutrinas de Cristo."


No seu retorno do Concílio Geral de Roma, o ex-Superior Regional da Sociedade de S. Paulo, agora Reverendíssimo Dom Valente, doutor em Teologia, discutiu as opiniões do Padre Pistone com um pequeno grupo de amigos que havia lido o livro, bem como o relato da entrevista do padre. Não estava tão preocupado com as vozes, mas com o "período de purificação" ou Purgatório.


Como Dom Valente deixara de ser o superior regional, enfatizou que somente poderia expressar uma opinião pessoal e esclarecer as suas próprias crenças:


"Da maneira como o vejo, não posso endossar o termo científico, atribuído às vozes na realidade, nada conhecemos além dos nossos cinco sentidos. Os que estão envolvidos com o problema, não deveriam vincular os resultados de suas pesquisas com a Cristandade, apenas pelo fato de serem cristãos.


Foi dito que existe um período de purificação após a morte e supôs-se que permanecêssemos durante meses ou anos no Purgatório. Estou convicto de que nos encontraremos com Cristo imediatamente após a morte. Tendo-o encontrado, somos purificados em seguida, num segundo, se o quiser!


"Acredito que as missas que celebramos, e a água benta que usamos para purificar as almas que nos deixaram, são apenas pensamentos piedosos e atos bem intencionados. Deus não precisa das nossas preces; Deus é justiça e pode cuidar de tudo sem as rezas que fazemos em certas ocasiões. Todas as preces entram numa espécie de conta-corrente espiritual até o encontro com Cristo.


No que se refere aos experimentos com as vozes, notei que a maioria dos pesquisadores é cristã e, portanto, ligam as pesquisas ao seu modo de pensar cristão. Assim, temos experiências cristãs. Se as pesquisas fossem realizadas noutro lugar, digamos num país budista ou entre os muçulmanos, os resultados seriam interpretados de outra maneira.


Ninguém sabe como é a vida após a morte. Baseio minha opinião nas epístolas de S. Paulo aos Coríntios. Já alcançamos a salvação pela cruz no Calvário. Uma vez mortos, estamos com Cristo; não há necessidade ou desejos de comunicação com os vivos, e o Purgatório não tem fator de tempo ou lugar. Portanto, as vozes não podem proceder do Purgatório."


O seu ponto de vista é similar às teorias adiantadas pelo professor McGann, Desconheço o âmbito das idéias do Padre Valente nos meios eclesiásticos católicos. Desde o segundo Concílio do Vaticano, os teólogos católicos de persuasões diferentes, são livres na manifestação pública de suas opiniões.


É interessante notar que pontos de vista fortemente contrastantes podem ser expressos e mantidos dentro da mesma Ordem. Entretanto, a questão ainda não respondida "oficialmente" ou não pelos teólogos, apareceu numa, carta dirigida ao jornal "The Irish Times":


"Se as vozes forem realmente dos mortos, e um pecado ouvi-las, haverá um jeito de tirá-las do ar, através de dezenas de terços?"

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FONTE DO TEXTO

http://www.transcomunicacao.com



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