TRANSCOMUNICAÇÃO INSTRUMENTAL

Tradução de Else Kohlbach - Editora Civilização Brasileira


LIVRO "TELEFONE PARA O ALÉM",
DE FRIEDRICH JÜRGENSON, PARTE 11


Nova experiência de contato científico com o Além, dentro dos recursos atuais da era tecnológica.

CAPÍTULO 21


UMA PRIMAVERA DE INTENSO TRABALHO. UMA COMUNICAÇÃO DE FALECIMENTO E UMA SAUDAÇÃO DO ALÉM. ALEGRE CERTEZA: A MORTE NÃO EXISTE.

ASSIM SE PASSARAM os dias em Nysund, Mölnbo, com trabalho intensivo. Eu tinha a sensação de estar situado fora do tempo. As horas voavam com a celeridade dos minutos e, para mim, o tempo começou a encurtar-se. A primavera passou apressada pela minha janela.


Todas as manhãs acordava com o canto dos pássaros e a fragância primaveril. Do lago emanava o maravilhoso aroma das folhas tenras das bétulas, das ervas orvalhadas e espinheiros, e um forte odor de ozônio.


As anêmonas azuis ainda cobriam o bosque, crescendo em densos arbustos ao lado de suas alvas irmãs. Só abriam seus cálices sonolentos quando os raios oblíquos do sol já aqueciam o ar da manhã.

Mônica e o nosso amigo Hugo vieram passar o fim-de-semana em Nysund. Tínhamos muito a conversar. Hugo, que era advogado, fora secretário-geral da Sociedade Teosófica sueca e era amigo de Khrisnamurti.


No dia 30 de abril recebi um cartão da família de Felix Kersten, comunicando o seu falecimento. Com profunda emoção, contemplei essa mensagem de morte orlada de preto. Oh! -- Conhecemos bem esses clichês macabros esterotípicos transformados em flósculos banais de luto.


Considerando bem, a dor da separação e as lágrimas não têm sentido porque a noção que a maioria dos homens tem da morte, é baseada num equívoco, numa mentira. Naquela manhã, pus-me a pensar em Felix. Ainda não sabia a causa de sua morte, mas intimamente desejava que não tivesse sofrido muito em suas últimas horas.

Por volta das 11:30 coloquei uma nova fita, acoplando o gravador ao rádio. Imediatamente percebi a voz de minha assistente radiofônica do Além; liguei o gravador para receber a comunicação e, após rigoroso exame, ouvi-la à vontade.


Houve perturbações atmosféricas dificultando a audição, mas mesmo assim deixei a fita rodar. Eis o resultado da gravação: Kersten... Kersten... hier Kesten... (Kersten... Kersten... aqui Kersten...)


Voz de mulher: Aufpassen! (preste atenção). Depois uma voz masculina: Wir kommen zu Peter* (ou später?)... vermutlich... horch... Herz -- quick! Lieber Friedel! Herzliche Hälsningar, hier ist Felix Kersten... wir kommen Stockholm... Kontakten... Felix Kersten es gibt paff! * * (Nós chegamos ao Peter (ou "Spaeter" mais tarde)... presumivelmente -- escute... coração acelerado! Querido Friedel! Lembranças cordiais, aqui está Felix Kersten... nós chegamos Estocolmo... contatos... Felix Kersten -- está dando pum!)

Embora no início a voz estivesse pouco clara, as últimas palavras foram, indubitavelmente, proferidas por Felix. Não apenas a cadência, mas também seu sotaque báltico era inconfundível. Deveria relacionar a alusão ao "coração acelerado" e "está dando pum!" ao colapso cardíaco? Como soube mais tarde, Kersten morrera de enfarte.


No primeiro momento, senti-me completamente vencido e ao mesmo tempo profundamente emocionado e grato, por haver meu querido amigo me enviado uma saudação do lado de lá. Um pouco mais calmo, pus-me a pensar nessa admirável experiência. Felix falava num tom alegre e rápido. Dava a impressão de estar apressado.

Estranha era a circunstância de ter ele empregado uma palavra inglesa (quick) e outra sueca (Hälsningar = lembranças), pois sempre costumávamos conversar em alemão. Mas estava alegre e emocionado demais para fazer maiores conjeturas sobre o assunto.


Uma coisa já havia compreendido clara e distintamente -- a morte, por este meio, revelava a sua natureza real e, portanto, nossa existência terrena devia ser vista sob uma luz totalmente nova. Na realidade, ocorrera um verdadeiro milagre: um morto se comunicara comigo por meio fisiotécnico, o que se poderia comprovar a qualquer hora.


Um homem morrera há duas semanas num hospital. Um enfarte, o temível fantasma da apressada humanidade de nossos dias, rompera-lhe as coronárias. Seu corpo inerte fora cremado, e um punhado de cinzas foi tudo que dele restou.

Ninguém ainda conseguiu descobrir um remédio contra a morte. De que servem todas as palavras de consolo da Igreja e os sábios textos das sagradas escrituras, se o homem, no final de tudo, fica reduzido a um punhado de cinzas?


Neste ponto, a insciente humanidade encontra-se, com o coração cheio de pavor, luto e medo, diante de um abismo invisível, de um vazio cruel, de onde, como diz o ditado popular, ainda não voltara ninguém. Mas eis que ali numa fita sonora, um morto fala ao seu amigo!


Ali fala um desaparecido no "grande nada", com sua velha e querida voz, nitidamente e à prova de verificação na fita magnética -- apesar do colapso cardíaco, da cremação e do punhado de cinzas, fatos também igualmente incontestáveis.

Uma arrebatada e total alegria invadiu todo o meu ser em face desse entendimento. Sentia dentro de mim toda a plenitude da infância, com seus descuidosos e ilimitados arroubos.


Não sei quanto tempo durou essa inebriante alegria, que se fundamentava na certeza inabalável de que esta simples e parda fita magnética encerrava a voz da imortalidade, cuja autenticidade ninguém poderia refutar.


* später pode ser confundido com Peter: Principalmente numa gravação. ** Paff significa "pum", "paff" -- pifar, falhar. paff, pum -- estrondo, grande ruído, barulhento.

CAPÍTULO 22

A VOZ DE MINHA MÃE. A RESPIRAÇÃO DO GATO MITZI. O CANTO DO PROFESSOR DE YOGA. SEMPRE ESSE ESTRANHO POLIGLOTISMO. A EXECUÇÃO DE CARYL CHESSMAN.

O DIA 30 de abril de 1960 reservara-me outro grande sucesso, embora fosse um sábado comum como outro qualquer. Como de hábito, colocara o microfone diante da janela aberta, quando um tentilhão de faia começou a trinar alegremente. Resolvi então fixar o seu gorjeio na fita.


Logo a seguir escutei a gravação e percebi, de repente, no meio do trinado do pássaro, uma voz que me chamava pelo nome. Era a voz de minha mãe. Ela se chamava Helena e morrera no ano de 1955, em conseqüência de uma fratura da bacia.


Involuntariamente, lembrei-me de sua hora suprema, quando, sentado ao lado de sua cama, segurava a sua mão macia e murcha, até que finalmente cessou a última e débil batida do pulso.

Rodei a fita novamente. A voz soava vivida e cálida, e pude até perceber certa impaciência e preocupação quando ela me chamou pela quarta vez pelo nome. Acho que tinha receio de que eu não a escutasse.


Saí correndo para chamar minha irmã e minha mulher, mas elas tinham saído. Ao voltar, encontrei o gato Mitzi em cima da mesa, piscando sonolento diante da janela aberta.


Liguei de novo o aparelho para gravação pelo microfone, pois tinha a viva impressão de que algo ainda iria ocorrer. O resultado da segunda gravação foi mais assombroso.


Quebrando o silêncio, uma voz de mulher começou a falar, e logo reconheci a voz de minha mãe. Soava agora um tanto cansada, sem a vivacidade de antes, como se ela estivesse sonolenta e falasse penosamente num tom arrastado: Ihr liebt ihr lebt in Liebe... (Vocês amam, vocês vivem em amor...) Depois prosseguiu com voz trêmula: In mir Elly lebt... Friedel lebt... ihr... ach! Wir leben... Elly, Friedel, Papa lebt... viele leben... ach, ach! Ihr liebt Heiene... (Elly vive dentro de mim... Friedel vive... vocês vivem... ah! Nós, vivemos, ah, ah! Vocês amam Helene...)

Quando, mais tarde, mostrei a gravação à minha irmã e à minha mulher, elas reconheceram imediatamente a voz de mamãe. Escutavam emocionadas e, como eu, compreenderam claramente as palavras.


Tarde da noite, liguei o rádio e percebi logo o sussurro de Lena: Pelle -- alle Mamas haben ein Herz... (Pelle -- todas as mães têm coração...), disse ela com voz comovida.


Com essa frase amorável, encerrou-se um dia feliz e bem sucedido. No dia seguinte, 1º de maio, pus-me desde cedo a examinar as últimas gravações. Escutei com alegria e gratidão a voz de minha querida mãe e analisei minuciosamente cada palavra.

Apesar de minha grande satisfação, preocupava-me o fato de haver minha mãe conseguido produzir tantos sons num ambiente silencioso, O que mais me espantava é que as palavras semelhantes, como lebt (vive), liebt (ama) e liebe (amor), repetiam-se muitas vezes, uma circunstância que indicava a existência de freqüência de som limitadas.


De repente, percebi que devia ter sido a respiração de Mitzi que fornecera o material para a formação das palavras, e assim se explicava naturalmente a razão das frases intermitentes.


Já me dispunha a retroceder a fita magnética, quando captei pelos fones auriculares certo sinal, usado de vez em quando naquela época pelos meus amigos através das ondas radiofônicas.


O simples fato de que esse sinal pudesse ser dado sem ligação com o rádio era sumamente notável. Liguei o rádio imediatamente, girando o primeiro botão que estava sob os meus dedos, e peguei uma emissora sueca que irradiava, em ondas longas, uma palestra histórico-cultural.

O orador falava alto e de modo claro, mas, ao mesmo tempo, podia-se ouvir a voz muito elevada de um tenor, cantando à distância. Cantava sem qualquer acompanhamento, e as passagens melódicas pareciam improvisadas. De certo modo, a voz se me afigurava familiar e, pouco depois, veio-me o lampejo: Boris Sacharow, meu amigo de infância!


Tudo ocorreu demasiadamente rápido. Com algum esforço, pude captar somente umas poucas palavras, inclusive o meu nome e o de Boris Raja, e então o canto cessou. Outra vez a excessiva emoção e impaciência impediram-me de perceber com clareza. Só depois de muitas horas, pude determinar a seqüência exata das palavras.

No que se refere ao canto de Boris, preciso fazer alguns esclarecimentos. Boris era um homem bem talentoso e versátil. Tocava piano maravilhosamente, pintava, desenhava e esculpia, não como simples amador, mas como um artista, na verdadeira acepção da palavra. Dominava vários idiomas, inclusive o sânscrito. Na Alemanha publicara vários livros de Yoga.


Mas antes de tudo, Boris cantava, e cantava com apaixonado entusiasmo. Sua voz de tenor lírico tinha um timbre extraordinariamente alto.


Há vinte e sete anos que não via o Boris, e agora, sentado no meu pequeno quarto do sótão, escutava emocionado o seu canto. Ich sende dir Kontakt Friedrich!... (Eu te envio contato Frederico!...), cantava Boris em alemão. Boris Raja, der lebt im Himmel und wirkt, Amen... und Yogis Weisheit wahrt... Amen! (Boris Raja, este vive no Céu e atua, amém... e sabedoria yoga subsiste... Amém!)

Boris cantava num volume de som intenso, numa escala sempre crescente. Não chegava a ser uma perfeita melodia, pois o canto se constituía de notas altas, entoadas em fortíssimo. O estranho é que Boris também dava a impressão de estar apressado.


Conquanto me sentisse alegre e surpreso, duas circunstâncias não me pareciam bem claras, e eu perguntava a mim mesmo por que Boris cantava, em vez de falar! E por que usava o idioma alemão, se sempre conversamos em russo?


Há muito observara que a maioria das vozes que se dirigiam a mim através da fita magnética ou do rádio, utilizava uma mistura de línguas e habitualmente modificava, de modo singular, certas palavras e expressões.


Aliás, há cerca de um ano, os meus amigos anônimos se referiram ao The Poliglotic Communication Department, e isto com relação a um trabalho que eu deveria executar no futuro. Naquela época não entendera bem o sentido. Só agora começava a assimilar e compreender que o meu conhecimento de vários idiomas representava um fator importante.


Foi no dia 1º de maio que, pela primeira vez, entrei em contato com Boris e, portanto, no mesmo dia em que Felix Kersten e minha mãe falaram comigo. Quem seria o próximo? Só se podem entender tais contatos pouco a pouco. Eles produzem uma espécie de choque emocional, e é preciso que nos acostumemos primeiro com eles.

E foi assim que, no auge da alegria, esqueci o destino do americano Caryl Chessman, condenado à morte, cuja execução ou adiamento se deveria decidir nesses dias. Como o meu rádio apresentasse distúrbios, tentei, na noite seguinte, estabelecer contato radiofônico com Lena, minha assistente do Além.


A primeira palavra que ela disse em sueco foi: "Executado." Depois, de forma um tanto desconexa, contou-me o seguinte: "Eu já relatei Mälarhojden, Lena. Pelle, tu podes ajudar Chessman executado... ajuda Karma, ajuda, Pelle!..." Sua voz parecia emocionada, e diligentemente ela misturava palavras alemães e suecas.


Creio que o mundo inteiro acompanhou pelos jornais a luta desesperada de Chessman para salvar a própria vida. Era a aposta de uma corrida tenaz e dolorosa com a morte, que durou doze anos. Um crudelíssimo jogo de gato e rato, que só terminou quando os guardiães dos parágrafos da lei desalmada conseguiram liquidar a sua vítima.


O caso Chessman representa um vergonhoso estigma, não apenas para a Justiça dos Estados Unidos, mas também para todos os defensores da pena de morte no mundo inteiro.

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FONTE DO TEXTO

http://www.transcomunicacao.com



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