TRANSCOMUNICAÇÃO INSTRUMENTAL

Tradução de Else Kohlbach - Editora Civilização Brasileira


LIVRO "TELEFONE PARA O ALÉM",
DE FRIEDRICH JÜRGENSON, PARTE 12


Nova experiência de contato científico com o Além, dentro dos recursos atuais da era tecnológica.

CAPÍTULO 23


A DIFÍCIL ARTE DE SELECIONAR. PALAVRAS DE SENHA SE REPETEM SEMPRE. CENTO E QUARENTA QUILÔMETROS DE INDÍCIOS NA FITA MAGNÉTICA.

NO PRINCÍPIO, O mais difícil para mim foi orientar-me nessa confusão de sons e vozes no rádio. Antes de tudo, precisava conhecer perfeitamente as vozes dos meus amigos, a fim de poder distingui-las no meio do emaranhamento de irradiações das diversas emissoras radiofônicas.


Precisava, igualmente, familiarizar-me com as vozes de anunciadores, locutores e repórteres conhecidos. Justamente aqui, pude evidenciar como os longos anos de aperfeiçoamento vocal e musical me seriam úteis, e até imprescindíveis.

Durante muitos anos, educara não somente a voz, mas também submetera o ouvido, a musicalidade e a sensação de ritmo a rigoroso aperfeiçoamento. Como a maioria dos cantores, estudara solfejo, harmonia e composição, e por meio de cantos em coro, solo e conjuntos, exercitei-me devidamente para executar duetos e sintonizar com a orquestra, entrando com exatidão rigorosa, nos trechos destinados a mim.


Além disso, costumava reconhecer imediatamente a voz de cantores famosos no rádio ou em discos. Assim, minha audição afinara-se e se habituara a identificar as diferenças mais sutis dos mais variados timbres de vozes, e creio que, sem essa faculdade e o posterior aperfeiçoamento, não estaria apto a enfrentar a árdua tarefa que me propus.

Apesar de tudo, o trabalho era bem difícil. Vagarosamente, depois de inúmeros e desanimadores equívocos na escuta e na interpretação, comecei a reconhecer as vozes dos meus amigos invisíveis e distingui-las naquela miscelânea de sons.


A capacidade seletiva era condição imprescendível para a correta compreensão das palavras e comunicações. Mas quando conseguia familiarizar-me com uma determinada voz masculina, passava a reconhecê-la imediatamente, quer fosse ou não perturbada por outras vozes ruidosas.


Sem dúvida, meus amigos tudo fizeram para ajudar-me e, na verdade, por diversos meios. O simples fato de se utilizarem, na maioria das vezes, de vários idiomas, na mesma ocasião, era muito importante e de significação decisiva e facilitava extraordinariamente a realização dos contatos.

Há que explicar aqui, em linhas gerais, um argumento lógico apresentado pelos céticos, do qual tenho pleno conhecimento. Trata-se do fato de que, no rádio, sob determinadas condições do denominado fading (desaparecimento ou oscilação do volume de som no receptor e muitas vezes a junção de duas ou mais emissoras) pode resultar num certo poliglotismo.


Mas os meus amigos habitualmente falavam frases mais longas, em gravações perfeitamente claras e sem qualquer fading. Em tais casos, suas vozes eram tão nítidas e perceptíveis como as dos locutores das emissoras comuns, embora não fossem muito altas.


Para eliminar as dúvidas que de vez em quando me assaltavam e dar mais clareza à comunicação, eles costumavam cantar empregando palavras de vários idiomas, não apenas em solo, mas também em conjunto ou coral. Além disso, tinham estranhas senhas, e em casos particularmente difíceis, intercalavam as palavras Mälarhöjden ou Mölnbo.

Se bem que contasse com a valiosa ajuda de Lena, minha fiel assistente de rádio, selecionava vozes com timbres característicos que, tanto para mim quanto para qualquer outro, eram facilmente reconhecíveis. Apesar desses excelentes recursos, as fitas magnéticas do ano de 1960 ainda apresentam numerosas deficiências, mas também algumas particularidades interessantes.


Não foi fácil a tarefa dos meus amigos, sobretudo no primeiro ano. Entretanto, sua paciência não tinha limites, pois nunca os ouvi falar irritados ou impacientes. Tenho fitas magnéticas que até hoje me deixam envergonhado quando as escuto, o que atribuo principalmente ao meu raciocínio demasiado lento.


Se um homem envereda por caminhos errados e reincide sempre no mesmo erro, mostra-se não apenas estúpido, mas também ridículo. Ademais, já que fora encontrida a ponte, ela devia ser concluída e estabilizada.

No decurso de mais de oito anos gravei cerca de cento e quarenta fitas, que resultaram em vinte grossos volumes de gravações. A análise dessas gravações foi uma dura prova de paciência, conquanto fosse o trabalho mais fascinante que já realizara em toda a minha vida.


Se eu pretendesse divulgar o resultado dessas pesquisas em toda a sua extensão (há cento e quarenta quilômetros de fitas magnéticas com essas gravações), este livro talvez ultrapassasse o volume da Bíblia. Por motivos compreensíveis, tive de reduzir as anotações ao estritamente essencial, tarefa, aliás, exaustiva, que não apenas apresenta o "tormento" da seleção, mas que, em decorrência da complicada técnica da escuta, acarreta enorme perda de tempo.


Existem algumas gravações, principalmente as primeiras, que contêm duas ou três palavras a mim destinadas, mas que constituem chaves ou senhas, sendo quase impossível percebê-las em meio às ruidosas interferências sonoras. Lembro-me de uma delas que analisei diariamente no prazo de dois meses, durante três a quatro horas, até conseguir distinguir o texto correto.

CAPÍTULO 24

A INTERFERÊNCIA ADMIRÁVEL DE LENA. O SEU COCHILO ORIENTADOR. A MINHA “ASSISTENTE DE RÁDIO” SEMPRE É DIGNA DE CONFIANÇA.

SE EU QUISESSE orientar-me nessa avalancha de acontecimentos, deveria, em primeiro lugar, familiarizar-me com as diversas possibilidades de contato e métodos dos mortos. Devo informar aos leitores que a tarefa mais difícil estava, indubitavelmente, a cargo de Lena, minha fiel assistente de rádio.


Só poderia avaliar corretamente a valiosa atuação de Lena quem, como eu, dependia e contava, durante quase oito anos, com a sua colaboração. Ela não se limitava apenas a vigiar a "ponte das ondas", mas também dava os sinais e as palavras de senha e me indicava a onda certa. Sem a sua assistência, jamais teria podido orientar-me no tumulto das ondas das emissoras radiofônicas.


Quando, às vezes, não era possível um contato pelo rádio, eu conseguia alcançar Lena, a qualquer momento, através do microfone. Na realidade, foi ela que, com infinita paciência e habilidade, mas estimulou e amparou de todas as formas imagináveis.

Admiravelmente humana, Lena era a boa vontade e a abnegação personificadas. Apesar de sua difícil e imprescindível função, jamais demonstrou presunção ou tentou ultrapassar-me.


Quando, premido pelas dificuldades e freqüentes fracassos, estava prestes a perder a coragem, era Lena que, com suas palavras animadoras, sabia despertar minha alegria para o trabalho. Às vezes, bastava-me ouvir o ritmo jovial de sua voz, repassada de profunda compreensão, para que voltasse a sentir nova esperança dentro de mim.

A missão de Lena não se limitava unicamente à indicação da freqüência. Ela comentava também as irradiações, mencionava o nome dos locutores e tentava responder às minhas perguntas, às vezes falando com tal rapidez que me obrigava a examinar sua comunicação com uma velocidade reduzida de 3 ¾ na fita magnética.


Ela usava uma freqüência de som especial, que extraía dos estrídulos de certos sons e que a um ouvido que não fosse extraordinariamente receptivo e treinado durante longos anos pareceria um assovio surdo. Como Lena costuma dirigir-se a mim quase que exclusivamente desse modo, raras vezes me foi dado ouvir sua voz normal.


Na realidade, ela tinha uma voz de soprano, maviosa e macia. Tive bem poucas oportunidades de ouvir uma criatura cantar e falar com tanta expressividade e sempre lamentei que uma voz tão harmoniosa precisasse servir-se de um sussurro inexpressivo.

Com o tempo, foi comprovada a existência permanente de uma ponte de contato entre mim e meus amigos do Além. Quando, por exemplo, fora do trabalho de comunicação planejado, ouvia uma irradiação de qualquer emissora, podia acontecer que, inesperadamente, Lena emitisse o seu sussurro, trazendo-me um breve comunicado.


Logo ficou demonstrado que certas ondas, em determinados períodos, não eram usadas adequadamente e não podiam ser utilizadas. Então Lena sinalizava com presteza: Weg! nimm weg! (Tira! Retira!) Às vezes ela ainda podia acrescentar rapidamente: Churchill hört! ou Churchill weckt! (Churchill, escute! ou Churchill acorda!)

Quando, no princípio, por falta de experiência, eu continuava mantendo a onda indesejável, ressoava um sinal sibilante e uma voz masculina dizia em alemão: Unseren Rapport ihrer Freundin nicht freundlich zu bezweifeln... (Nosso contato de sua amiga não é delicado duvidar...)


Certa ocasião, por curiosidade, permaneci na onda inadequada, mas soaram uns estrondos tão fortes que quase dei um salto, e então mudei de onda. Esses desagradáveis estrondos eram, aliás, as únicas medidas drásticas empregadas contra mim por meus amigos.


Quanto ao resto, costumava seguir as instruções de Lena com bastante regularidade e podia confiar inteiramente na sua exatidão. Os métodos de comunicação de meus amigos baseavam-se, evidentemente, no princípio da adaptabilidade ilimitada.


Assim como a água se amolda a qualquer forma, sem com isso mudar sua natureza, meus amigos também amoldavam as freqüências sonoras das ondas de rádio, modulando instantaneamente os sons existentes.


Aqui se tratava da mesma metamorfose de som que era capaz de transformar o latido de um cão em palavras, ou utilizar o vozerio de várias pessoas para articular uma nova frase independente.

Com essas transformações sonoras, não se esgotavam de modo algum os métodos de comunicação. Pode-se considerar também a utilização das ondas de rádio unicamente como cabeça de ponte. Outra possibilidade de comunicação apresentava-se na forma de "radar".

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FONTE DO TEXTO

http://www.transcomunicacao.com



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