TRANSCOMUNICAÇÃO INSTRUMENTAL

Tradução de Else Kohlbach - Editora Civilização Brasileira


LIVRO "TELEFONE PARA O ALÉM",
DE FRIEDRICH JÜRGENSON, PARTE 14


Nova experiência de contato científico com o Além, dentro dos recursos atuais da era tecnológica.

CAPÍTULO 26


OITO PERGUNTAS REITERADAMENTE APRESSADAS E SUAS RESPOSTAS. A REGIÃO QUADRIDIMENSIONAL DOS IMPULSOS PSÍQUICOS DESINIBIDOS. MUITAS PERGUNTAS E PROBLEMAS AINDA PERMANECEM ABERTOS.

OITO PERGUNTAS ANTES de começar a falar detalhadamente sobre as comunicações dos mortos, devo explicar que as possíveis perguntas formuladas pelo leitor poderão ser praticamente resumidas nas que me foram feitas nos últimos anos, às quais passarei a responder, pois, na sua essência, são elas sempre as mesmas.

PERGUNTA 1

Já não foi provado pela ciência que depois da morte física, portanto depois da decomposição do corpo, toda a consciência se extingue e que uma existência sem o corpo é totalmente impossível?


RESPOSTA


Essa concepção da vida puramente materialista perdeu consideravelmente sua autoridade nesta época de pesquisas atômicas, cérebros eletrônicos e computadores. Ao contrário, foi possível desenvolver-se um ramo totalmente novo da ciência, a chamada parapsicologia. Até na União Soviética existem nada menos que oito centros de pesquisas parapsicológicas.


Basta mencionar alguns cientistas de fama internacional, tais como C. G. Jung, Sir Oliver Lodge, detentor do Prêmio Nobel, Prof. Rhine, Prof. Broad, Prof. Mattiesen, Prof. Hans Dietrich, que com suas revolucionárias pesquisas não apenas descobriram a existência de outros planos de vida e consciência, além do tempo e do espaço, mas também puderam provar claramente que o homem, por sua própria natureza, está apto a ultrapassar os limites do corpo físico e dos seus cinco sentidos.


Hoje várias universidades mantêm cursos de parapsicologia, e também já se estuda e pratica, em departamentos especializados das forças armadas americanas e soviéticas, a telepatia, clarividência, hipnose, telecinese e outros fenômenos de percepção extra-sensorial, que assim podem ser considerados como cientificamente reconhecidos. Além disso, as pesquisas do subconsciente e sobretudo a obra meritória de Jung abriram caminhos totalmente novos no campo da psicologia e da psiquiatria, os quais conduzirão, inevitavelmente, à parapsicologia.


Assim, entre outras, as pesquisas do médico sueco Dr. Björkhem colocam o problema da reencarnação (vidas sucessivas e múltiplas das almas humanas na terra) sob uma nova luz. Essa concepção milenar, que há séculos vem sendo esquecida e negada na Europa, em virtude das doutrinas eclesiásticas e materialistas, não pode mais ser simplesmente ignorada, em face dos casos de reencarnação, científica e meticulosamente examinados e comprovados.


Haja visto o caso de Shanti Davi, que se tornou mundialmente conhecido, cuja recordação de sua vida passada foi reconhecida e proclamada como verdadeira. Os resultados a que chegaram C. G. Jung, Dr. Björkhem, Oliver Lodge e muitos outros expoentes da parapsicologia, no tocante à investigação da alma, equiparam-se, no seu aspecto revolucionário, às descobertas de Einstein e Max Plamk no campo da física.

PERGUNTA 2

As vozes ouvidas nas suas fitas gravadoras não poderiam ser o produto do seu poder de imaginação, a nós transmitido inconscientemente por meio de sugestão?


RESPOSTA


Decerto poderia ser imaginação ou sugestão, se só se tratasse de expressões débeis e ininteligíveis. Ao escutar minhas cento e quarenta fitas magnéticas, que contêm mais ou menos cinco a seis mil gravações, muitas vezes me enganei na interpretação das comunicações, durante fortes perturbaçôes ou em decorrência de gravação indistinta.


Esses equívocos são inevitáveis nos trabalhos de pesquisa. Mas se eu reduzisse a um terço o número dessas gravações, com a exclusão de todas as "duvidosas", restariam ainda cerca de duas mil gravações, com textos claros e comunicações inequívocas, que podem ser ouvidas incontestavelmente por todos aqueles que têm ouvido normal.


Testei um grande número de gravações, submetendo-as a diversos grupos de ouvintes, sem dar-lhes a conhecer antecipadamente o texto. Ficou demonstrado que 80% dos ouvintes compreenderam logo o teor das comunicações, enquanto os 20% restantes tiveram dificuldades em entender, sobretudo quando se tratava de palavras estrangeiras.


Não devemos esquecer que a arte de auscultação concentrada é um dom muito raro, que só pode ser adquirido em determinadas condições e com muita paciência. Na realidade, é a faculdade de concentração profunda, que nos leva a sintonizar exclusivamente com os sons ou freqüências que devem ser captados, sem qualquer desvio da atenção decorrente de possíveis perturbações.


Em conclusão, devo acrescentar que tenho algumas gravações, que podem ser correta e imediatamente compreendidas por qualquer pessoa. Elas se incluem entre minhas gravações mais notáveis e são suficientes para levar definitivamente a suspeita de sugestão ad absurdum.

PERGUNTA 3

Se não se trata de qualquer sugestão ou de irradiação de emissora clandestina, poderia ainda existir a possibilidade de que o senhor, Sr. Jürgenson, pela força do seu subconsciente, fosse capaz de projetar, de modo puramente inconsciente, todos esses fenômenos de som e vozes sobre a fita magnética.


Talvez o senhor seja uma espécie de médium que, pela primeira vez na história da psicologia e das pesquisas do Além, possua o estranho dom de criar impulsos eletromagnéticos e projetá-los no éter. Qual seria a sua resposta a esse respeito?


RESPOSTA


Se, por natureza, eu não fosse essencialmente desprovido de vaidade, sentir-me-ia imensamente lisonjeado em face dessa hipótese. Mas, se quisermos chegar com toda a objetividade ao âmago da pergunta sobre uma possível mediunidade de minha parte, devemos, em primeiro lugar, formar uma noção clara sobre a origem do fenômeno das vozes e sons.


Hoje em dia, sabemos que todos os sons emitidos pela laringe ou por instrumentos mecânicos não somente geram ondas acústicas na atmosfera, mas, em sua origem, se constituem de vibrações eletromagnéticas e, de acordo com o seu manancial energético, se propagam no espaço, em parte através das ondas acústicas do ar e, em parte, pelo éter (onda de rádio). Como no caso em foco não se pode tratar de ondas acústicas do ar -- do contrário, as vozes seriam ouvidas pelas pessoas presentes no ambiente --, então deve-se tratar de uma freqüência eletromagnética emitida de algum centro de força no éter.


Ainda que admitíssemos que o meu subconsciente representasse um desses centros de força, neste caso poderiam considerar-me o maior gênio do mundo, capaz de produzir inconscientemente uma emissora de rádio com função dinâmica, inclusive antenas, estúdio, pessoal técnico, instrumentos musicais, coros, cantores solistas e oradores de toda espécie e, além disso, dotado do dom mágico de imitar perfeitamente os mais variados idiomas, as vozes dos mortos de qualquer sexo e idade, e dentre elas também vozes que nunca conheceu nem ouviu antes.


E isto não basta. O mais extravagante "milagre" consistiria mesmo na minha capacidade de apoderar-me, à queima-roupa, de qualquer onda de rádio existente no éter, ou seja, transformar à vontade, total ou parcialmente, os programas irradiados no momento por qualquer emissora, fosse ela a BBC de Londres ou a radiodifusora da Alemanha Ocidental, impondo os programas de minha própria "emissora inconsciente."
Esta seria uma proeza que nem a mais potente emissora de interferência russa seria capaz de realizar.


Com isso não teria apenas ultrapassado os "atos de bravura" do velho e bondoso Barão de Munchhausen, mas também poderia vangloriar-me de dispor de faculdades divinas. Um homem dotado de semelhantes poderes seria imediatamente incorporado aos serviços secretos de todas as grandes potências com salário fantástico e vitalício.


Mas, pondo-se de lado o aspecto humorístico, a pergunta 3 de modo algum oculta a jocosa atitude mental do seu autor. De fato, uma concepção de vida condenada a perecer luta aqui desesperadamente pela sua sobrevivência. Sem dúvida, vem aumentado o número de pesquisadores importantes, que conseguiram erradicar as bases fundamentais do materialismo científico.


Mas como nós mesmos somos os autores de todas as hipóteses, teses e ideologias, e a natureza humana opõe-se -- seja por ignorância, covardia ou por uma questão de prestígio -- a reconhecer espontaneamente suas deficiências e fracassos, assim também os defensores do raciocínio (ratio) materialista têm procurado por todos os meios proteger, interna e externamente, sua concepção universal ameaçada.


Eis a razão por que ainda hoje existem cientistas que preferem atribuir ao meu subconsciente as mais absurdas artes mágicas, em vez de sincera e corajosamente reconhecerem o fato já comprovado da existência póstuma da criatura humana em outra dimensão.


Mas se esses mesmos cientistas, juntamente com a requitada cultura do seu intelecto, tivessem dirigido a atenção para as possibilidades da existência de outras inteligências humanas, não lhes faltariam decerto coragem e compreensão para reformular sua superada visão do mundo e do homem. As ideologias baseadas na frieza do intelecto já causaram demasiados malefícios à humanidade.

PERGUNTA 4

Por que os mortos usam o chamado idioma poliglótico ou misturado? Eles não poderiam, como homens normais, expressar-se num só idioma?


RESPOSTA


Tendo em vista a nossa ignorância em relação à morte e ao Além e, ademais, conhecendo o nosso ceticismo e desconfiança, resolveram os mortos estabelecer um meio de comunicação que não possa ser confundido com quaisquer outras emissões radiofônicas. Quando, por exemplo, numa gravação através do microfone, quisessem os mortos empregar apenas os respectivos idiomas nacionais, poderia, durante a escuta da fita magnética, surgir a dúvida de que as palavras tivessem sido proferidas por um dos presentes.


Mas quando, no meio de uma conversa mantida em alemão ou sueco, ressoam repentinamente palavras em russo, hebraico, grego ou italiano, com as características das vozes estrangeiras, neste caso não se pode suspeirar que algum dos presentes tenha proferido tais palavras, considerando-se ainda que elas também não foram ouvidas por nenhum dos participantes.


No tocante às gravações através do rádio, devemos levar em conta os seguintes fatos: a simples circunstância de os mortos se apresentarem pelo rádio com um poliglotismo sumamente marcante dá a perceber uma finalidade objetiva e conseqüente. Como, além disso, em nenhuma radiodifusora do mundo, um coro, elenco, cantor solista, locutor e orador podem servir-se de tão curiosa mistura de idiomas, podendo essa intercalação ou sobreposição ser ouvida em todas as ondas, é fácil comprovar que a origem dessas vozes não deve ser procurada nos estúdios das emissoras radiofônicas de qualquer país.


Se os mortos se dirigissem a mim num idioma comum, como se poderia convencer alguém de que essas comunicações provinham de outro plano de existência quadridimensional? Posso assegurar que se eu quisesse apresentar programas comuns como vozes do Além, seria considerado um imbecil ou um grosseiro impostor e as tentativas de aproximação dos mortos seriam, desde o inicio, condenadas ao fracasso.


Não obstante, o problema do estranho poliglotismo de modo algum está solucionado. É admissível que a expressão e estilo dos mortos estejam sujeitos a transformações resultantes da mudança de plano de existência. Sendo o Além (ou a quarta dimensão) a esfera de vida do subconsciente desligado do cérebro, é bem provável que lá se ultrapassem os limites lingüísticos e as severas regras gramaticais, passando a predominar, na formação da linguagem, os impulsos psíquicos libertados.


Poder-se-ia também equiparar a linguagem do subconsciente a um meio de expressão metafórico, simbólico e indisfarçável, um tanto semelhante aos sonhos. Portanto, uma linguagem oriunda do princípio universal das idéias não pode, conseqüentemente, confinar-se aos limites dos idiomas terrenos.

PERGUNTA 5

Por que os mortos preferem falar através do rádio? Não poderiam comunicar-se exclusivamente pelo microfone, que está menos sujeito a perturbações?


RESPOSTA


A antiga máxima popular "a costura dupla dura mais" parece confirmar-se aqui também. No que se refere às gravações pelo microfone, ficou provado que esse meio apresenta dificuldades técnicas até hoje ainda não totalmente superadas. Se bem que dessa forma, só se percebam frases curtas, chamadas e cochichos, sua finalidade, em geral, é atingida.


As comunicações pelo microfone não apenas têm efeito drástico, mas, de algum modo, são dirigidas diretamente ao ouvinte. O Dr. Björkhem disse certa vez: "Basta ser possível perceber e gravar somente uma palavra de uma entidade invisível em um ambiente silencioso. Não há necessidade de prova mais concreta, pois nessas gravações de fitas magnéticas não há possibilidade de transferência do fenômeno para o campo da percepção objetiva".


Nas comunicações através do rádio, as possibilidades parecem ser mais amplas e melhores. Tenho gravações de mais de meia hora de duração, cujo volume de som, conteúdo e caráter puramente particular são de tal modo convincentes que afastam, de antemão, qualquer dúvida.

PERGUNTA 6

Por que escolheram os mortos um meio técnico tão prosaico como gravador de som? Não seria mais expressivo -- como habitualmente ocorre -- utilizar um médium humano?


RESPOSTA


Por mais prosaico e vulgar que possa parecer um mecânico gravador de som, devido a sua construção, ele está sujeito a quaisquer equívocos pessoais, idéias, desejos e tendências. Um gravador de som é cem por cento objetivo, registrando estrita e automaticamente os impulsos eletromagnéticos que, de acordo com as circunstâncias, se manifestam através do microfone ou do radiorreceptor a ele acoplado.


Aliás, nas gravações pelo microfone parecem existir ainda outras possibilidades receptoras, isto é, sob determinadas condições até hoje não totalmente pesquisadas, é provável que outras peças do gravador sejam utilizadas como canal de indutância. É admissível a suposição de que os locutores e cantores do Além utilizam muitas vezes outros acessórios do aparelho em lugar do microfone, subsistindo -- conforme já foi mencionado -- a esperança justificada de que esse problema, com a colaboração de alguns cientistas, brevemente será superado.


Não há dúvida de que um gravador mecânico, em virtude de sua absoluta objetividade, não pode comparar-se a nenhum médium humano. Além disso, nós sabemos que médiuns autênticos e fidedignos são muito raros, pelo menos na Europa. Por mais genial e profundamente sincero que seja um médium, jamais será capaz de suprimir totalmente a sua subjetividade.


Assim, não é possível distinguir com absoluta segurança em nenhum médium os impulsos provenientes do seu próprio subconsciente dos impulsos dos mortos ou dos presentes, porque aqui os limites são fluídicos. Acresce que, nas sessões espíirtas, há o grande inconveniente de terem os participantes, inevitavelmente, certa dependência do médium. Essa dependência poderá facilmente tolher a iniciativa própria e a pesquisa autônoma.

PERGUNTA 7

Poderia explicar-nos, Sr. Jürgenson, por que o escolheram para esse trabalho pioneiro e quais os motivos que o levaram a abandonar tão bruscamente sua carreira artística?


RESPOSTA


Gostaria, primeiramente, de responder a esta pergunta com outra pergunta, que já fiz a centenas de visitantes e que agora dirijo ao leitor deste livro.


Seria o leitor capaz de renunciar à sua profissão, abandonar a comodidade de seu lar na cidade e "enterrar-se" na solidão do campo para dedicar todos os seus recursos, forças e tempo a um trabalho de pesquisa bastante duvidoso, que, além disso, consiste em investigar certas vozes místicas, ou espirituais a principio quase inaudíveis e que talvez por simples acaso se fazem ouvir na fita magnética?


Como já é sabido, agi literalmente assim, e isto por clara e íntima convicção. O fato de estar disposto a modificar fundamentalmente a minha vida exterior e interior era de suma importância, embora não assumisse, de modo algum, um caráter definitivo. Decerto seriam necessários outros atributos, a existência de certas faculdades inatas e adquiridas, para que os mortos confiassem justamente a mim essa difícil incumbência.


Uma das condições prévias era a de que eu tivesse o dom inato de uma audição muito sensível e boa musicalidade, de modo a entender vários idiomas. Se não conhecesse cinco idiomas quase perfeitamente, além de entender relativamente bem mais três deles, não teria sido capaz de captar as chamadas e comunicações dos mortos. Ademais, tenho poder de concentração e relaxamento psíquico.


Sempre me preocupei com o problema da morte. Na juventude, estudei profundamente religião e filosofia durante cinco anos, tendo também certo conhecimento de teosofia, cabala, Yoga e antropossofia. E o fiz num país em que todos os movimentos religiosos eram brutalmente perseguidos e arrisquei-me a perder a liberdade por causa dos meus estudos secretos (eu havia formado um pequeno grupo esotérico). Ao mesmo tempo, não podia deixar de me familiarizar com as teses fundamentais da dialética marxista.


A minha insaciável tendênçia para a pesquisa e as circunstâncias caóticas decorrentes de uma época tumultuosa contribuíram para que eu penetrasse a fundo nas diversas ideologias e me desviasse das imposições de todas as doutrinas e dogmas. Em resultado desses estudos e como testemunha e vítima de duas guerras mundiais e uma revolução devastadora, consegui compreender a origem das deficiências e sofrimentos humanos.


Comecei então a encarar a vida de modo sincero e imparcial, e o sofrimento humano me tocava profundamente. Mas antes de tudo reconheci que todos os temores e vicissitudes não poderiam extinguir-se enquanto não fosse solucionado incontestavelmente o problema da morte. Estas devem ter sido as razões por que fui escolhido para edificar a ponte entre o lado de cá e o Além.

PERGUNTA 8

A publicidade que se desenvolveu em torno do senhor e do seu trabalho, não concorreu para lhe trazer enormes vantagens e lucros?


RESPOSTA


Compreendo que esta pergunta, sob determinadas condições, seria justa: por exemplo, se eu fosse um artista pobre e desconhecido, que impulsionado pela ambição a qualquer preço quisesse conquistar fama, ou então, se dominado por idéias fixas, pretendesse organizar uma nova seita ou movimento.


Como já declarei, estava no auge da minha carreira artística -- realizara, entre outros, um trabalho extraordinário no Vaticano, além de pintar algumas vezes o retrato do Papa Pio XII, e deveria participar também de uma escavação arqueológica em Pompéia -- quando as vozes se dirigiram a mim. Um artista que não pinta mais quadros, nem organiza exposições não apenas perde os seus antigos clientes, mas também cai no esquecimento.


No que me diz respeito, vi-me, de repente, na contingência de vender o restante dos meus quadros, transação praticamente irrealizável num chalé campestre. Como eu precisasse adquirir grande quantidade de fitas magnéticas, minha mulher, Mônica, foi também afetada financeiramente. Formáramos, em comum, uma "sociedade de ações de prejuízo", mas que apresentava a vantagem de não ter concorrentes.


Naquela época, não suspeitávamos de que a nossa casa tranqüila, logo após a primeira entrevista à imprensa internacional, iria transformar-se numa espécie de colmeia, ou melhor, em uma central de visitas. Hoje já não me lembro de quantas centenas de artigos foram escritos a meu respeito e sobre o fenômeno das vozes nos jornais da Suécia e de outros países.


Mas uma coisa posso afirmar categoricamente: jamais, enquanto eu viver, se formará em torno de mim qualquer seita ou ideologia, movimento ou escola. Além disso, tenho recebido -- e contiuarei a receber -- todos os meus visitantes gratuitamente. Não apenas nasci num país onde a hospitalidade é inata, mas também seria infiel aos meus próprios princípios, assim como perderia a confiança dos meus amigos do Além, se transformasse sua ponte de comunicação, penosa e abnegadamente erigida, numa fonte de rendas.


Não obstante, a publicidade me trouxe algo de positivo. Graças a ela conheci inúmeras pessoas que, em virtude da morte de seus entes queridos, haviam perdido todo o ânimo e toda a alegria de viver.


No tocante a essas pessoas oprimidas pela dor, não lhes teria dado o mínimo alívio com as prédicas mais sábias e consolações mundanas, pois as palavras são impotentes nestes casos. Mas aquilo que eu gravara nas fitas magnéticas, e que elas podiam ouvir, transformava fundamentalmente a situação. Raras vezes tive a oportunidade de ver tanta gente rir e chorar assim tão feliz. E essa "vantagem" jamais gostaria de perder.

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FONTE DO TEXTO

http://www.transcomunicacao.com



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