TRANSCOMUNICAÇÃO INSTRUMENTAL

Tradução de Else Kohlbach - Editora Civilização Brasileira


LIVRO "TELEFONE PARA O ALÉM",
DE FRIEDRICH JÜRGENSON, PARTE 15


Nova experiência de contato científico com o Além, dentro dos recursos atuais da era tecnológica.

CAPÍTULO 27


A ESPERANÇA NOS “SÁBIOS PLANETÁRIOS” MOSTROU-SE ERRÔNEA. O “VELHO JUDEU”. A FUNÇÃO DO RADAR CRONOLÓGICO. A VOZ INCONFUNDÍVEL DE HITLER. DOIS AMIGOS DE INFÂNCIA SE APRESENTAM.

FOCALIZEMOS agora a atenção nas comunicações dos mortos, na sua expressão peculiar e original, assim como no humor que espontaneamente emana de suas mensagens.


Como já se disse antes, o nome Mälarhöjden era freqüentemente mencionado. Esse subúrbio de Estocolmo, ao que parece, era utilizado pelos mortos como senha ou sinal.


Suponho que, no princípio, quando ainda não dominava corretamente a técnica de gravação pelo rádio, teve esta senha nas gravações difíceis uma função importante, pois sempre que, por exemplo, durante uma irradiação da BBC de Londres, soava repentinamente a palavra Mälarhöjden, minha atenção era logo despertada e eu ligava o gravador de som. Naquela época -- na primavera de 1960 -- ainda não havia perdido de todo a esperança de poder entrar em contato com quaisquer habitantes de outros planetas.

Aliás, essa esperança logo se desvaneceu, pois a realidade era simples e destituída de todo romantismo. Foi esse também o motivo que me levou a hesitar a escrever este livro. Certo dia, porém, recebi uma breve comunicação, transmitida pelas ondas da emissora de Varsóvia e no momento exato em que se extinguiam as últimas notas do "Estudo Revolucionário" de Chopin. As mesmas vozes masculinas, que reconheci imediatamente, falavam, desta vez, em alemão e sueco:


"O que é isso, a morte, Frederico? Nós a conhecemos!", começou o orador alemão, e acrescentou ainda algumas palavras, que não se podiam compreender corretamente.


"Como vocês a imaginam...", prosseguiu o orador inglês, "por suposições, secretas conjeturas, demonstrações de pêsames, repetições infindáveis..." O restante das palavras perdeu-se em meio ao estrondo das interferências.


Pouco tempo depois, retornou o orador alemão, que disse rápida e insistentemente: "Tu tens a tua pena, por que hesitas? Boas indicações para a pena de Freddie virão. Onde ficamos nós, Freddie?" Ainda acrescentou algumas considerações pessoais e interrompeu a transmissão.

Tais comunicações, transmitidas em tom muito baixo, não poderiam de modo algum ser compreendidas sem o auxílio de um gravador de som acoplado, pois além de se intercalarem na irradiação original, eram demasiado rápidas.


Era preciso aumentar o volume de som e reexaminá-las muitas vezes. Essas apresentações, inicialmente camufladas, devem ter sido difíceis também para os mortos, exigindo-lhes certo adestramento, para que se tornassem bons copistas ou repentistas.


Uma vez, por exemplo, chamou-me a atenção a voz de um senhor idoso, cujo timbre agradável lembrava a do ator vienense Hans Moser e que denominara o "velho judeu". Evidentemente esse homem se divertia em inserir, de passagem, observações picantes, utilizando a mais extravagante mistura de idiomas, entre os quais o iídiche, o alemão, o inglês, o italiano e o sueco. Na realidade, era ele dotado de um humor seco e rude, que embora não fosse imoral, tampouco era aceitável.


Descobrira o "velho judeu" pela primeira vez numa irradiação em que me equivocara com o sinal de Lena, recebendo por isso um som sibilante como aviso. Naquela ocasião, foram despertados alguns mortos adormecidos, e isto aconteceu da seguinte maneira: Inicialmente, ouvia-se um som sonoro de ligação e, em seguida, uma enérgica voz masculina exclamava com ênfase: Totengesang! Totendienst! (Canto fúnebre! Serviço fúnebre!).


Por duas vezes se fez ouvir um coro vibrante, que por mera ignorância eu interrompia ligando e desligando. "Ihr Radio stört!" (Seu rádio perturba!), exclamou uma voz de homem. Mas continuei indiferente, pois julgava tratar-se de um programa comum, até que soou um sinal bem alto.

O "velho judeu" se encontrava diante do microfone. Mas o aparelho não funcionava corretamente, e sua voz se alteava rangente, deixando escapar algumas palavras que, evidentemente, ultrapassavam as medidas de precaução. Entretanto, ele sempre conseguia dominar a situação, pondo-se a imitar um locutor polonês ou iídiche.


"Kontakt mit Hitlerchen..." (Contato com Hitlerzinho), tornou a falar bem alto. Acrescentou ainda rapidamente copyright, calou-se por um instante e em seguida disse meio aborrecido: "Mit deinem radar non fan will speisen..." Essa estranha mistura de alemão, italiano e sueco, que significava "com teu radar não diabo quero alimentar", ele o cantarolava com solenidade sinagogal.

Certa noite captei um brilhante canto coral, que aparentemente era extraído de uma irradiação original do Cairo, mas que, na realidade, era cantado em alemão, sueco e italiano. O coro entoava uma canção narrando uma viagem de rotina, se referia a Hitler, Ataku e Mälarhöjden. O "velho judeu" interferia, como de hábito, com seu modo seco.


Num curto intervalo ele se dirigiu a Lena e disse entre outras coisas: "Lena ni most starten!", (Lena, a senhora precisa começar!) Quando o coro irrompeu no mesmo ritmo, dirigindo-se novamente a Lena, ele continuou a cantar: "E'ben-- du hast den radar in der Zeit. Du hast deine Aufgabe dazu, nur das der Friedel nogot kan -- er sitzt im Dunkheln, armer Friedel..." (Então -- tu tens o radar cronológico. Tu tens tua missão para isso, só que o Friedel não consegue fazer -- ele está sentado no escuro, coitado do Friedel...)


No encerramento disse o "velho judeu" nítida e enfaticamente: "Das...(sind) die Toten, ihr musst capiten -- im Norden -- Schkol! (Estes... (são) os mortos, vós deveis compreender -- no norte -- Prost -- à sua saúde!)

Justamente nessa linguagem simbólica e bem-humorada dos mortos me foi trazida a maioria das comunicações. Decerto já haviam dominado a insípida frieza do nosso mecanismo intelectual terreno, pois falavam de modo espontâneo, gentil e simbólico.


A missão de Lena evidentemente consistia em dar-me as senhas ou sinais, já que ela manejava o "radar do tempo" (radar cronológico), que possibilitava a comunicação entre a quarta dimensão e o nosso relógio-hora terreno, para ajudar de alguma forma a mim, que estava ainda na obscuridade.


No fim de maio, recebi uma comunicação que até hoje -- muitos anos mais tarde -- posso classificar como uma das mais impressionantes e curiosas. É tão importante, que até o momento ainda não ousei tornar público todo o seu conteúdo, antes de conseguir, com o auxilio de certos filtros e amplificadores, compreender claramente, palavra por palavra, a comunicação inteira.


Se for possível, com a colaboração de alguns pesquisadores alemães, proceder à análise do som e à eliminação total dos ruídos perturbadores, tenciono publicá-la num folheto, juntamente com outras mensagens interessantes que ainda não foram completamente analisadas. Estou apenas à espera de eliminar, por meios técnicos, todas as distorções da recepção, de modo a que possa apresentar um texto claro e exato.

Essa irradiação poderia considerar-se um documento histórico, pois Hitler nela fala com sua voz inconfundível. Nessa época, recebia quase diariamente comunicações, pois pouco a pouco aumentava o número dos meus amigos invisíveis. Muitos mortos -- amigos de infância, parentes, inúmeros conhecidos, entre os quais alguns que eu já havia esquecido totalmente -- dirigiam-se a mim dizendo os seus nomes ou esperando ansiosos que os reconhecesse pelas vozes.


Alias, nem todos se apresentavam pelo nome. Uns queriam permanecer anônimos, enquanto outros se ocultavam sob pseudônimos. Nestes casos, quase sempre se tratava de personalidades importantes, que preferiam, por motivos compreensíveis, esperar e apresentarem-se oportunamente.


Dois amigos de infância -- Burchard W. e Herbort B. -- foram os primeiros a se identificar, e logo os reconheci por suas vozes e maneira de falar.

Encontrara Burchard W. pela últim4 vez em 1930. Foi um encontro bem estranho, no metrô de Berlim. Fazia doze anos que não nos víamos. Burchard estudava na Escola Técnica de Berlim, e eu chegara justamente para continuar os meus estudos de canto naquela cidade. Ao ver meu amigo de infância, repentinamente, sentado diante de mim no mesmo vagão, fui acometido de uma timidez imobilizante.


Emudecido, fitei-o com espanto, sem saber ao certo se deveria abraçá-lo ou continuar calado, esperando. Notei então que Buchard me olhava de soslaio; depois abanou levemente a cabeça e um sorriso melancólico perpassou nos seus lábios. No íntimo, ele parecia dizer: "Não, não, não pode ser o Frederico!"


Nenhum de nós disse uma palavra. Na parada seguinte, Burchard desceu e desapareceu entre a multidão. Depois desse encontro nunca mais o vi, pois decorrido meio ano ele morria de uma doença pulmonar. Até hoje não me pude perdoar o acanhamento imbecil.


Meu segundo amigo de infância, Herbort B., já no ano de 1918 havia abandonado Odessa secretamente, fugindo com sua famflia para a Romênia. Assim como Burchard, estava ligado a Herbort por interesses comuns e uma profunda amizade.


Mas esse dois amigos tinham temperamentos bastante diferentes. Herbort vivia a meditar e pesquisar, era indulgente e compreensivo, ardentemente voltado para a realidade última. Burchard, ao contrário, era mais prático. Na escola ele aprendia brincando e podia julgar clara e objetivamente as coisas e os acontecimentos. Culminava um humor seco e extremamente estranho, atrás do qual ocultava uma alma sensível e benévola.


Quase no fim da Segunda Guerra Mundial, Herbort foi convocado como intérprete pelas forças armadas alemães. Depois desapareceu em algum lugar da Rússia; talvez tenha morrido no cativeiro, como prisioneiro de guerra.

Waldo, seu irmão mais moço, bom amigo também, morrera numa prisão russa de tifo exantemático, e viera dar notícias muito mais cedo. Em pouco tempo percebi que Herbort desempenhava um papel de dirigente no Além. Muitas vezes tomava parte no despertamento dos mortos, e suas alocuções eram geralmente proferidas com tranqüilidade e certa gravidade.


Já no outono de 1959, ele estabelecera contato comigo: Seu nome próprio e o de sua família foram citados com clareza em várias gravações. Ao contrário, Burchard se apresentara poucas vezes com o seu nome próprio. Gostava de gracejar e tinha, aliás, conservado sua maneira jovial de falar, que consistia em ligar frases mais longas num ritmo galopante e sincopado, para então psalmodiá-las rapidamente, com acentuação modificada.


Parece que ele não esquecera o nosso estranho encontro no metrô, pois certa vez perguntou, repentinamente, ocultando um riso satisfeito: "Känner du igen dem Burchard?" que parece significar: "Reconheces outra vez o teu Burchard?!"


Como nos criamos juntos na Rússia, dominávamos o idioma alemão e o russo; nenhum de nós havia antes falado o sueco. Mas agora Burchard costumava freqüentemente acrescentar palavras e frases suecas, e o fazia com uma pronúncia correta.

Naquela época, em Estocolmo, tive contato também com o genro de Mussolini, o Conde Ciano. Ele se apresentou imediatamente, exprimindo-se numa voz clara e refinada. Primeiro disse que conhecia bem o caminho através do rádio, o qual denominava porta nuova.


Cianct falava de preferência em italiano, mas de vez em quando intercalava algumas palavras em inglês, russo e espanhol. Como italiano autêntico, encontrava dificuldade em pronunciar a letra H no início de uma palavra precedendo uma vogal. Assim, por exemplo, costumava dizer, em vez de Hitler ou Himmler, "Itler" e "immler".


Ciano parecia ser muito estimado entre os mortos. Seu nome era freqüentemente mencionado, e onde ele aparecia dominava um tom alegre e cordial. A maioria dos mortos se tratava por tu, e chamavam-se pelo nome próprio ou de família, nunca empregando títulos honoríficos. Certo dia, Lena me surpreendeu com a repentina revelação do nome do meu "velho judeu".


Vou chamá-lo aqui de Montedoro. Na realidade, Montedoro fora um dos maiores e mais talentosos gênios das finanças na Europa, cujo nome até hoje desfruta de admiração e prestígio. Dominava também idiomas. Seu francês era irrepreensível, e ele falava o polonês como um natural do país. Apesar de sua idade avançada, seu espírito era brincalhão e jovial.

Um dos grandes industriais suecos -- vou chamá-lo aqui de Cantander --. cumprimentou-me, certo dia, de um modo caloroso e alegre. Cantander, que aliás conheci bem em vida, surpreendeu-me com um atributo, do qual nunca o julgaria capaz.


Na verdade, ele cantava com um ritmo brilhante e com um humor cascateante canções alegres e, ao mesmo tempo, se apresentava, com êxito, em pequenas comédias. Para mim ficou patenteada a extraordinária importância de sua apresentação, pois o seu temperamento explosivo e sua magnífica dicção davam à gravação uma clareza toda especial. Além disso, Cantander tinha um timbre de voz inconfundível, facilmente reconhecível e que, como leitmotiv, escutava-se durante toda a gravação.

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FONTE DO TEXTO

http://www.transcomunicacao.com



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