TRANSCOMUNICAÇÃO INSTRUMENTAL

Tradução de Else Kohlbach - Editora Civilização Brasileira


LIVRO "TELEFONE PARA O ALÉM",
DE FRIEDRICH JÜRGENSON, PARTE 16


Nova experiência de contato científico com o Além, dentro dos recursos atuais da era tecnológica.

CAPÍTULO 28


O PROBLEMA DA IDENTIFICAÇÃO EXATA DOS ORADORES A CANTORES. “FORA COM OS CIGARROS.” UMA CURIOSA LINGUAGEM DE FANTASIA. UMA EXISTÊNCIA SEM CLASSES, SEM POSTOS E DIFERENÇAS RACIAIS. QUE VEÍCULOS DE VÔO OU CONDUÇÃO SÃO ESTES? – CÉU E INFERNO, NO SENTIDO RELIGIOSO, NÃO EXISTEM.

NÃO ME ERA DIFÍCIL reconhecer as vozes dos meus parentes, amigos e conhecidos já falecidos, nem as de certas personalidades importantes, a quem, durante suas vidas, havia escutado pelo rádio. Mas quando as vozes citavam seus nomes ou eram por Lena anunciadas, e eu não as escutara antes e, portanto, não existiam discos nem fitas magnéticas gravadas, a pergunta "quem é quem" podia darme muita dor de cabeça.


Contudo, não duvidava de forma alguma da exatidão de suas afirmações, mas a dificuldade consistia no fato de que os mortos, na maioria das vezes, apresentavam-se em grupos e falavam rápida e indistintamente.

Nem todas as vozes se prestavam para gravações na fita magnética, pois algumas emitiam sons átonos e abafados, tornando suas comunicações quase imperceptíveis, mesmo a um ouvido treinado. Já mencionei sucintamente o caso Chesman. Os contatos que com ele mantive no princípio de maio de 1960 tinham um conteúdo bem interessante, mas um péssimo som.


Pretendo submeter também essa gravação a uma análise técnica e filtragem antes de tornar público o seu texto. Entretanto, posso afirmar que desde o primeiro contato com Chesman pude deduzir que ele parecia encontrar-se em um craft (avião) e que, de algum modo, lhe foi inculcado o conceito Mälarhöjden. Observei que o nome Mälarhöjden era insistentemente repetido por Chesman, embora sua pronúncia fosse um tanto difícil para um americano.

Chesman, aliás, nada mencionou sobre a sua execução ou seus dolorosos problemas. A sua nova situação devia absorvê-lo totalmente. Parecia sentir um grande alívio, pois sua voz revelava um semidítono alegre, por vezes quase divertido, e era-lhe perceptivelmente difícil dominar a sua euforia. Na manhã seguinte, ocorreu um fato estranho. Naquela época, já havia quase abandonado o hábito de fumar, e um maço de cigarros, meio vazio, estava em cima da mesa ao lado do rádio.


Liguei o gravador e imediatamente obtive contato. Falava uma voz feminina conhecida, que mencionou duas palavras de senha e disse claramente em sueco e alemão: "Escuta, Friedel, nosso amigo precisa deitar plano, chato no chão." Nesse momento mexera, por distração, no mostrador de escala e, de repente, recebi uma reportagem sobre o casamento da Princesa Margaret. Quando sintonizei a onda anterior, a conhecida voz de mulher tinha desaparecido. Pressenti que a comunicação se referia a Chesman e fiquei à espera.


Súbito, Lena pôs-se a sussurrar com veemência: "Fora os cigarros! Para baixo! Tira, tira!" Automaticamente peguei o maço de cigarros e joguei-o na lareira.

Algum tempo depois, ao recolocar os fones no ouvido, haveria de participar de um espetáculo que bem poderia chamar de surrealista. A princípio, tive a impressão acústica de um lugar espaçoso ou átrio, no qual diversas vozes emitiam um som oco.


Ao mesmo tempo, podiam-se ouvir as chamadas e ligações telefônicas, num rumor que se entremeava de um estranho som melódico. Como soube mais tarde, esses tons de contato sonoro partiam de certos radares ou robôs sobre os quais, na época, ainda não estava suficientemente informado.


Reinava uma grande emoção entre os presentes naquela espécie de átrio, e eles conversavam numa alegre mistura de idiomas, dentre os quais pude distinguir o alemão, o sueco, o inglês, o iídiche e um extravagante idioma-fantasia, familiar talvez aos habitantes do Além mas que para mim se afigurava uma algaravia sem sentido.


Evidentemente, tratava-se de Chesman, que fora acometido de um violento desejo de fumar e, além disso, encontrava-se num estado semidesperto. Se, como já disse, a qualidade da gravação não era boa, para mim foi satisfatória, pois desse dia em diante deixei de fumar definitivamente sem a menor dificuldade.

Sempre que certas conversas dos mortos se afiguram estranhas e desconexas, pode-se observar que, na sua essência, existe um sentido oculto. Naquele átrio, provavelmente, conversava-se sobre pessoas que tinham passado por crises psíquicas violentas e que agora se encontravam num estado de total reação.


Tinha a impressão de que os mortos constantemente extravasavam seus sentimentos de modo espontâneo e irrestrito. Desse ponto de vista, poder-se-ia considerar o Além como o plano de existência do subconsciente global, onde todos os impulsos podem manifestar-se livremente. Em outras palavras, é o plano de existência da emoção, da imaginação e das sensações.


Tudo aí parecia processar-se com espantosa velocidade, mudando-se, formando e transformando. O mesmo ocorria com a linguagem que, com a rapidez do raio, podia transmudar-se num conjunto poliglótico, cujo colorido se caracterizava pelo gênero dos diversos grupos humanos.


A fundamental mudança de vida pela morte deveria ter eliminado não apenas as fronteiras lingüísticas, mas também as diferenças de classes, posições e raças, por nós tão severamente observadas, e que aí não tinham a mínima significação.


Não obstante o estilo confuso da linguagem dos mortos, ela não deixava de ter a sua própria lógica. Talvez se trate de uma "consequência irracional", que, libertada das limitações do cérebro, se deixa levar e guiar unicamente pelo "sentimento da verdade." Como, de modo geral, a natureza humana seja mais propensa à alegria do que à tristeza, no Além predomina uma atmosfera alegre e descontraída. As condições do novo plano de existência propiciam maneiras naturais e muitas vezes fazem brotar uma alegria infantil e transbordante.

Enquanto que nós, habitantes da Terra, podemos ocultar os nossos sentimentos, intenções e pensamentos sob a densidade dos nossos corpos, a natureza sutil dos mortos reflete todas as suas íntimas sensações, e, portanto, eles não precisam de palavras para se entenderem mutuamente. Assim, poderíamos comparar, de certo modo, a comunidade dos mortos a uma colônia de nudistas espirituais.


Mas é justamente esse desnudamento espiritual que elimina automaticamente qualquer fingimento ou hipocrisia, daí resultando inter-relações bem mais perfeitas e naturais, pois lá, onde nada se pode ocultar, nada também se deve temer.


Como em breve deveria ser demonstrado, nas esferas da realidade póstuma despertada não existe realmente qualquer motivo para temores. Não obstante, persistem, pelo menos no principio, os temores da reminiscência, que pelas imagens do passado, podem tornar-se presentes. Tais manifestações de angústia costumam ocorrer freqüentemente no estado de modorra e, por isso, dá-se uma atenção toda especial ao despertamento dos adormecidos.


Provavelmente, Chesman também se encontrava nesse desagradável estado de dormência em que, movido por recordações despertas, viu-se atormentado pelo desejo de fumar. Não raro atraíam-me a atenção certas expressões que, aparentemente, tinham relação com o enigma daqueles aviões místicos.


As palavras: "Freddie, nós voamos", ou "Friedel, estamos sentados no navio dos mortos", assim como as expressões teleship, craft, etc., foram muitas vezes ouvidas e gravadas na fita magnética. Embora não conseguisse saber algo mais positivo sobre o assunto, era evidente que se tratava de algum meio de transporte ou uma espécie de vôo.


Voava-se sem relação com o espaço-tempo, alcançando-se justamente por essa espécie de vôo a superação dos estados de consciência terrena. Esses vôos ultrapassavam a velocidade da luz e levavam àquele estado visualizado por Einstein e que H. G. Well descreveu em seu romance sobre a máquina do tempo. A solução desse problema, só podemos achá-la na quarta dimensão.

Hoje, que o enigma fundamental -- a sobrevivência pessoal -- encontrou uma solução objetiva mediante o contato com os mortos pelas fitas magnéticas, a questão relativa à natureza e à espécie daqueles veículos voadores, me parece de importância bastante secundária, se bem que não deixe de ser interessante. No entanto, a prova de que o homem continua a viver depois da morte como unidade consciente, é muito mais significativa, assim como o fato de que os mortos podem comunicar-se conosco por meio do rádio e do gravador de som.


Personalidades preeminentes da Antiguidade, da Idade Média ou da época barroca extemporânea nunca se comunicaram comigo. Suponho que a maioria delas já reencarnou e morreu várias vezes e, no momento, encontra-se na Terra ou no Além sob outros nomes.


O fato impressionante de que pessoas como Hitler, Stalin, Trotski, Lênin, Van Gogh, Eleonora Duse, Annie Besant, minha mãe, d'Annunzio, Göering, Himmler, Felix Kersten, Montedoro e tantos outros cientistas judeus e cristãos conhecidos, músicos, compositores e cantores, assim como rudes trabalhadores e operários, se apresentassem juntos, tratando-se por "tu" e procurando realizar uma missão coletiva -- esse simples fato é de significação decisiva.

Ao saber que no Além se realizara uma verdadeira reconciliação entre os carrascos e suas vítimas, senti uma enorme satisfação. Esta era a primeira prova prática da possibilidade de se criar uma comunidade humana universal. Não tinha a menor dúvida de que todos esses mortos haviam compreendido o verdadeiro sentido da lei de causa e efeito, conseguindo penetrar o mistério original da vida e da morte.


Isto não quer dizer de modo algum que, depois da morte, todos se transformam imediatamente em anjos de pureza. Até certo ponto, deve-se atribuir a transformação que ocorre na psique dos mortos à libertação das fraquezas físicas e, particularmente, às influências daquela dimensão imensurável e eterna, que com suas simultâneas mutações lhes possibilita o grande privilégio da percepção direta.


Do ponto de vista de nossa existência, é difícil avaliar e, para a maioria das pessoas, seria impossível conceber os efeitos práticos dessas ilimitadas percepções.


Assim, por exemplo, os mortos podem compreender a causa e efeito de todos os fenômenos, como uma unidade simultânea e encerrada em si mesma. Portanto, estão aptos a perceber, no seu aspecto puramente prático, os absurdos e distorções das doutrinas ideológicas, quer sejam de natureza religiosa, científica ou política.


Seu conhecimento é, muitas vezes, bastante satisfatório. Tendo por missão velar pelos moribundos e recepcionar os desencarnados, têm plena consciência das causas daquilo que chamamos morte.


Sabem que quando os homens não se exterminam mutuamente através das lutas de classes, raças ou religião, encurtam a existência com seu modo absurdo de viver, bebendo, fumando, numa contínua agitação; banqueteiam-se, amam e odeiam até a morte, e é bem verdade que a maioria se dedica à auto-destruição, sendo raros os que morrem numa idade avançada.

Os mortos estão bem informados, pois no Além os fatos falam por si mesmos e são inconfundíveis. Todas as noções e idéias contraditórias que incessantemente tumultuam o nosso raciocínio, tais como destruição e vida eterna, Céu e Inferno, Deus e o Diabo, ética e imoralidade, amor e ódio, perdem, no além-túmulo, sua consistência temporal e imaginária força motriz, aniquiladas por sua própria absurdidade.


Por isso, os verdugos e os torturados, os juízes e os condenados, os poderosos e os simples, poderão recomeçar juntos uma nova existência, num equilíbrio natural e total das contradições.


Os mortos não encontraram no Hades nenhum "Inferno de Dante", nem tampouco um Deus pessoal. Ali também não existem as noções de Céu, Inferno e Diabo, a que se referem as Escrituras Sagradas. Foi o próprio homem quem criou, mediante seu poder de imaginação altamente imperfeito, a imagem de um Deus pessoal.


Mas como a realidade paira muito acima de qualquer concepção abstrata e não é apreensível pelo rudimentar raciocínio de um cérebro tridimensional, os homens forjaram um bode expiatório, ao qual podem atribuir a causa de todo sofrimento e infortúnio. Mas com Deus e o Diabo como base fundamental da visão universal, cerrou-se a porta do autoconhecimento.


Os mortos conhecem este círculo diabólico e suas conseqüências, pois muitos deles foram despachados das profundezas dos nossos infernos terrestres diretamente para o Além. Ademais, também têm ciência de tudo, pois das alturas da dimensão imponderável podem objetivamente contemplar a história da humanidade com todas as suas implicações.

Apreensivos, eles olham para trás, pois o número dos nossos infernos terrestres aumentou consideravelmente nos últimos decênios. Mas, antes de tudo, descobriram a origem desse círculo vicioso fatal, que consiste na maneira errônea de sentir e pensar, que submete a maioria das criaturas a uma espécie de fascinação hipnótica.


No entanto, apesar de toda a aparente desesperança, os mortos sabem que esse satânico círculo de aço pode ser rompido. A grande dificuldade reside no fato de que nós -- que ainda vivemos na Terra -- estamos emaranhados num fantasioso estado de sonho, e consideramos esse sonho uma realidade.


Se bem que em nossos sonhos muitas vezes tenhamos escutado o apelo dos que já despertaram, atribuímo-lo às fictícias imagens oníricas. Mas como poderão os mortos despertos se dirigir a nós, se há milênios continuamos adormecidos, alheios ao clamor dos mestres universais que vivem em nosso plano para o despertar da nossa consciência?

Na realidade, não temos banido, perseguido e assassinado grande parte desses apregoadores do despertar? E não foram nossos irmãos e irmãs por nós conduzidos à "última morada," sepultados e cremados com luto e lágrimas, e depois esquecidos? Em verdade, quem se preocupa com o destino dos mortos? Quem poderá dizer se não lamentamos e choramos mais a nossa própria dor e a nossa solidão depois da perda?


E quem pretenderia ainda entrar em contato com os mortos e fantasmas, cuja reputação é tão duvidosa? Evidentemente, os obstáculos sempre se encontraram e ainda se encontram apenas do nosso lado, uma vez que, por parte dos mortos, já se erigiu a ponte de comunicação.

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FONTE DO TEXTO

http://www.transcomunicacao.com



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