TRANSCOMUNICAÇÃO INSTRUMENTAL

Tradução de Else Kohlbach - Editora Civilização Brasileira


LIVRO "TELEFONE PARA O ALÉM",
DE FRIEDRICH JÜRGENSON, PARTE 17


Nova experiência de contato científico com o Além, dentro dos recursos atuais da era tecnológica.

CAPÍTULO 29


O DR. BJORKHEM TEM OS SEUS DIAS CONTADOS. “MÚSICA DE RADAR” E MELODIAS DE SINALIZAÇÃO. O NÚMERO DE COMUNICAÇÕES PESSOAIS AUMENTA CADA VEZ MAIS.

SENTAVA-ME diariamente no meu quarto do sótão registrando as novas gravações. Quando minha mulher veio para o campo com as crianças, ainda floresciam os lilases e os narcisos brancos. O verão se aproximava, e eu ainda não me decidira a escrever a introdução do meu livro.


Gostaria de permanecer anônimo, mas isto não seria possível, pois alguém teria de responder às perguntas formuladas pelos leitores. Um belo dia comecei, indeciso, a escrever a introdução, a primeira, porque mais tarde escrevi outras três, mas não me dei por satisfeito. Finalmente, depois de muito pensar, resolvi fazer a quinta.


Certo dia, o Dr. Björkhem e a Sra. Eva H. Vieram visitar-nos. Apesar da alegria do reencontro, sentia, no íntimo, uma profunda tristeza, pois sabia do precário estado de saúde do Dr. Björkhem. Rodei as últimas gravações, entre as quais o monólogo de Hitler e uma mensagem muito clara em inglês.


O Dr. Björkhem tinha um extraordinário poder de concentração e uma audição muito aguda. Era uma tarde tranqüila, ensolarada e embalada pelo gorjeio alegre dos pássaros, e nós estávamos sentados, um tanto desconfortavelmente, no pequeno quarto do sótão.


-- O senhor ainda obterá muitos outros resultados -- disse o Dr. Björkhem, antes de nos despedirmos, com seus olhos de pesquisador brilhando de pura alegria. A sua previsão em breve se comprovaria.

Com o afluxo de novas irradiações, dia a dia foi crescendo o meu interesse e entusiasmo. As comunicações dos meus amigos invisíveis eram de tal modo extraordinárias, claras e incontestáveis, que jamais pude habituar-me a elas e sentia uma crescente e renovada admiração.


Muitas vezes via-me tão assoberbado de trabalho que chegava até a desanimar. Tinha sempre de contar com surpresas e fatores totalmente desconhecidos, e as irradiações apresentavam tamanha variedade, que não proporcionavam o menor ponto de partida para o trabalho rotineiro.


Nas modificações diárias das formas de comunicação, havia uma circunstância que me parecia extremamente interessante e me causava imensa alegria. Os meus amigos dedicavam especial atenção às irradiações musicais, modulando suas comunicações não apenas através de solos, conjuntos e coros, mas também por meio da chamada "música de radar", dando muitas vezes a essas transmissões um cunho humorístico. Alguns cantores aproveitavam certas "melodias de senha", que eles haviam escolhido como sinal de identificação, de acordo com seu gosto e caráter.

Foi num mês de julho que ouvi pela primeira vez Lena cantar. Cantava sem acompanhamento, de modo espontâneo e natural. A canção era uma curiosa combinação de árias de óperas italianas e cançonetas napolitanas. Com sua voz graciosa e pura, Lena improvisava, com uma simplicidade infantil.


Cantava um tema sobre um edifício de devoção (devot building), em inglês, alemão, italiano e sueco. Daí por diante, passei a reconhecer facilmente o seu timbre claro, mesmo quando ela se apresentava no meio de um coro.


Uma sonora voz masculina, que gravei diversas vezes na fita magnética, me dava muito o que pensar. Tinha certeza de já haver escutado antes essa voz, cuja inflexão lembrava, de certo modo, Hitler, se bem que o timbre de voz fosse mais grave e o orador se expressasse num refinado alemão.


Não me causaria surpresa se viesse a saber que, durante sua vida na Terra, fora ele também um orador brilhante, pois sua dicção era impecável. Um dia consegui gravar um monólogo mais longo que, de certo modo, lembrava os monólogos de Hitler.


O "velho judeu" e outras vozes masculinas também participaram da conversa. O "velho judeu" intercalava palavras chistosas, algumas vezes de sentido dúbio, e tirava o orador do estado de sonolência que o acometia de quando em quando.

No restante, os interlocutores pareciam lançar um olhar retrospectivo ao passado. Eu tinha a vívida impresão de que o orador remontava à mais longínqua antiguidade, pois mencionara Pompéia, Plínio, Tito, Olimpo, além do meu nome. Não obstante as perturbações atmosféricas, podia perceber a voz, às vezes num tom bem alto e nítido.


Um instrumento semelhante a um órgão Hammond entoava harmoniosos acordes finais e, a seguir, ouvia-se a voz de Lena dizer rapidamente: "Nimm weg! ta bort quick!" (Tira! ta bot* rápido). Naquele verão recebemos -- minha mulher e eu -- muitas mensagens pessoais, entre as quais algumas bem detalhadas que, por motivos compreensíveis, deixo de publicar.


Devo esclarecer, no entanto, que não se tratava de receitas padronizadas, conselhos ou advertências. Nossos amigos sabiam, de modo figurado e muitas vezes humorístico, despertar em nós uma nova forma de encarar os problemas, cuja solução estava sujeita ao nosso próprio raciocínio e maior compreensão.

Naquela época -- julho, agosto e setembro de 1960 -- afluíam quase diariamente múltiplas irradiações. Mal podia dar conta de tanto trabalho, mesmo que as irradiações não durassem mais de dez a quinze minutos, já que o reexame e o registro dos textos exigiam um tempo considerável.


Devo a esses exames minuciosos das irradiações a profunda visão daquele plano de existência intemporal, cujos fenômenos sempre me causavam grande assombro, e até mesmo choques e perplexidades. Só depois que me eduquei para aceitar os acontecimentos mais espantosos sem qualquer idéia preconcebida, consegui vencer minha timidez e preconceitos. Naturalmente, ainda me esperavam muitos equívocos, pois freqüentemente havia perturbações atmosféricas, e as gravações nem sempre eram bastante claras.


Mas, de qualquer forma, estabelecera-se a ponte, e, pouco a pouco, eu ia conseguindo melhores gravações.


* ta bort -- expressão sem sentido definido no mundo dos vivos. (N. da T.)

CAPÍTULO 30

A CANÇÃO DE OLGA. SEMPRE ORADORES E CANTORES NOVOS. O HUMOR BERLINENSE DE KOTZIK. UMA PROFESSORA DESCONCERTANTE.

NO FIM DO OUTONO, começamos a reforma da casa-grande de nossa propriedade campestre em Nysund. Era um trabalho árduo e incômodo. Os tetos e paredes foram pintados, colocaram-se janelas novas, o velho soalho foi lixado e calafetado e, por fim, mandamos fazer uma moderna instalação de água quente, para que toda a família pudesse ocupar a casa no Natal.


Quanto a mim, lamentava deixar a pequena cabana à orla da mata, pois naquele ponto distante e acolhedor havia melhores condições para um trabalho tranqüilo. O primeiro inverno que passamos no campo foi extraordinariamente ameno e curto. Já em fevereiro, derretia-se a neve e em princípio de abril floresciam as primeiras anêmonas azuis.


O tempo aprazível convidava o nosso amigo Hugo a amanhar a terra e plantar os seus tomates. Com sua incansável disposição para o trabalho, pôs-se a cuidar das estufas e até chegou a semear alface ao ar livre, embora o subsolo ainda estivesse gelado.


Como minha mulher costumasse ir à cidade, e as crianças ficassem até a tarde na escola, eu mesmo preparava a comida; e confesso sinceramente que o fazia com grande satisfação, pois não me utilizava de qualquer receita, mas, por amor à experiência, combinava prazerosamente os alimentos.


Diariamente vagávamos -- Hugo e eu -- pela mataria fechada que se estende por vários quilômetros ao redor de Mölnbo, e ao voltarmos, cansados e famintos, a comida nos parecia duplamente deliciosa. Aliás, Hugo julgava que os meus contatos espirituais eram mais importantes que as gravações das fitas magnéticas.

A concepção de vida de Hugo baseava-se na filosofia do budismo moderno e nos ensinamentos de Krishnamurti, mas ele observava também com vivo interesse o desenvolvimento da União Soviética. Acreditava mesmo que a grande renovação do Ocidente seria realizada pelos povos eslavos. Essa renovação, ele não sabia dizer se seria efetuada através de uma ainda desconhecida síntese espiritual ou social, contudo alimentava a esperança do estabelecimento da igualdade de direitos entre os povos e da vitória do socialismo espiritual.


Nos últimos anos, porém, Hugo começou a mudar perceptivelmente o seu modo de pensar, decerto em conseqüência de nossa convivência espiritual, mas, lamentavelmente, demonstrava pouco interesse pelas gravações das fitas magnéticas. A despeito de toda sua inteligência e vivacidade, ele não pôde compreender a importãncia da ponte de ligação fisiotécnica dos mortos.


Mas os mortos, por seu turno, falavam sempre de Hugo nas fitas sonoras e algumas vezes se mostravam preocupados com o seu estado de saúde. Ele tinha crises freqüentes de lumbago, que prejudicavam um pouco o seu trabalho de jardinagem, mas graças ao seu auto-domínio, superava-se corajosamente. Em certo sentido, já havia dominado os seus instintos e necessidades físicas, e quando uma doença mais séria o abrigava a deitar-se, punha-se a resmungar, mal-humorado.

Naquela primavera recebi uma transmissão muito estranha. Como de hábito, veio-me por uma espécie de apresentação simbólica, que por meio do canto, de observação e exclamações, tentava transmitir-me uma mensagem particular.


Ouvia-se o canto de uma excelente voz de mulher, que poderia ser a de Grace Moore ou então de Lina Cavallieri. No final da irradiação, soou o nome de uma amiga de infância de minha irmã, a quem também estava ligado por laços de amizade.


Nossa amiga de infância chamava-se Olga Z. e embora se tivesse casado e divorciado, sempre a chamáramos pelo seu nome de solteira. Não via Olga há vinte e três anos, devido à ruptura de comunicações ocorrida durante a Segunda Guerra Mundial. Graças a uma circunstância toda especial, minha irmã Elly descobriu o endereço de Olga. Resumindo: Olga veio visitar-nos no mês de junho em Nysund e antes de viajar comprometeu-se a datilografar o manuscrito do meu livro.

Entrementes, afluíam novas transmissões. Certa vez, uma bela voz de soprano, com um timbre suave e cálido, apresentou uma canção húngara, cantada, entretanto, em alemão, russo, sueco e húngaro. Ao mesmo tempo, sua canção se fez acompanhar de outra voz feminina em tom mais alto, que parecia cantar a grande distância e num texto igualmente poliglótico.


Dava informações sobre as atividades de Hitler no Além e mencionou claramente o meu nome e o de Mälarhöjden. No final, falou uma voz de homem: "Banbanzef ljubit (liebt) sähr Mälarhöjden! (Babanzef ama muito Mälarhöjden!)


Reconheci imediatamente a voz de um oficial russo-branco, que tinha sido casado com minha prima, na Estônia, e que morrera pouco antes do fim da guerra na frente oriental como oficial alemão.


Em junho anunciou-se na fita magnética um velho conhecido, de nome Paul Kotzik, massagista que trabalhara com meu pai no sanatório. Encontrara Kotzik pela última vez no ano de 1915. Naquela época, era o massagista da mulher do governador de Odessa e podia, apesar da guerra e como alemão, movimentar-se livremente na cidade.

Kotzik era um ótimo massagista. Tinha uma saúde perfeita e andava durante o ano inteiro sem chapéu e sem casaco. Tinha um excelente humor, era muito amável conosco e com as crianças e me ensinou a arte de fotografar. Apesar de ter muita sorte com as mulheres, preferia viver sozinho. Kotzik era natural de Berlim, e tinha um temperamento tipicamente berlinense -- jovial, seco e insolente.


Depois de tantos anos, decerto não teria reconhecido sua voz, se não me tivessem chamado a atenção. Kotzik falava com sotaque berlinense, puro e bem claro. Sua voz era a de um homem maduro. Lá no fundo, um violino tocava uma estranha e melancólica melodia. Kotzik pôs-se a falar rápida e ininterruptamente. Parecia apressado, e sua voz soava plangente e triste.


Logo no início, uma voz mecânica de homem anunciou nitidamente, como que através de um alto-falante e muito rápido: "Hör Kotzik." (Escuta Kotzik.)


A mesma voz altissonante exclamou mais uma vez com toda a clareza: "S'war Kotzík." (Escuta Kotzik.) Kotzik encerrou sua apresentação com uma exclamação bem alta: "Ah, jetzt komnt der Mölnbowagen!" (Ah, agora vem a condução de Mülnbo.)

Divulgarei também essa gravação, depois de submetê-la a minuciosa análise e eliminar as perfurações. No mês de maio, recebi uma breve comunicação que me passou despercebida e cujo sentido só pude compreender em agosto. Era a voz do meu amigo de infância Herbort B., que disse baixinho mas claramente: "Friedrich, damit du weisst -- Serapo!" (Frederico, para que tu saibas -- Serapo!)


O resto da mensagem veio alguns dias depois, mas já com outra voz. Creio que era a do meu professor de canto Danni. Revelava uma cadência divertida e disse admirado: "Drei Stück in einem Aeroplan -- mamma mia!" (Três em um aeroplano -- mamma mia!)


Inadvertidamente, não dei a devida atenção a algo que, na realidade, era uma espantosa profecia. Antes, porém, devo narrar um fato que ocorreuem julho e causou profundo pesar a toda a nossa família.

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FONTE DO TEXTO

http://www.transcomunicacao.com



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