TRANSCOMUNICAÇÃO INSTRUMENTAL

Tradução de Else Kohlbach - Editora Civilização Brasileira


LIVRO "TELEFONE PARA O ALÉM",
DE FRIEDRICH JÜRGENSON, PARTE 19


Nova experiência de contato científico com o Além, dentro dos recursos atuais da era tecnológica.

CAPÍTULO 33


SERAPO E SUAS VINCULAÇÕES. BORIS SACHAROW TAMBÉM PROFETIZAVA CERTO...

QUASE UMA SEMANA depois da morte de Hugo, recebemos um dinheiro extra, e como minha mulher há um ano e meio não tivera férias, resolvemos, juntamente com minha irmã Elly, viajar para a Itália.


Fomos de avião até Roma, onde alugamos um carro e, após uma demorada visita a Pompéia, seguimos para Paestum. Depois de longa procura, hospedamo-nos num hotel moderno, mas situado numa zona bastante tranqüila, próxima a uma maravilhosa praia. Felizmente, esse lugar ainda não fora descoberto pelos turistas, de modo que se podia desfrutar dos seus bucólicos encantos naturais.


Ali cresciam vinhas magníficas, plantações de tomates e olivais, onde pastavam manadas de búfalos negros; encontravam-se, a espaços, pequenos sítios de colonos com bandos de crianças, cabritos e ovelhas. Mulheres passavam, carregando baldes d'água em postura ereta, e o ar exalava o inebriante odor dos tomilhos, das figueiras, abetos e das folhas de fumo.


Certo dia o nosso querido amigo Enzo B. veio visitar-nos, com a intenção de nos levar a Serapo, uma praia de Gaete, onde sua família estava passando o verão. Era uma bela praia, embora a região fosse bastante povoada.

Só bem mais tarde, depois de retornarmos à Suécia, vim a descobrir uma parte importante gravada na fita magnética, que me passara despercebida e cujo texto é o seguinte: "Friedel, damit du weisst -- Serapo..." (Friedel, para que saibas -- Serapo...), e mais adiante: "drei Stück in einem Aeroplan -- Mamma mia!" (três pessoas num aeroplano: mana mia!)


Ao perceber, finalmente, a conexão, fiquei tão pasmado que nem pude exclamar "mamma mia!" Por mais surpreendente que possa parecer essa predição, tentei explicá-la com o seguinte raciocínio:


Nosso amigo Enzo B. viajara no mês de maio para Serapo, à procura de hospedagem para o veraneio. Ali, por acaso, encontrou-se com a viúva de um amigo, que costumava alugar quartos durante a temporada de verão.


Enzo então alugou os quartos, e daí, já naquela época, Serapo se estabelecera como um "ponto firme". O segundo "ponto firme" consistia no fato de que também em Estocolmo, no mês de maio, nos foi assegurado o recebimento de uma importância em dinheiro, se bem que só a recebêssemos em julho.

Todos esses fatores deviam ser conhecidos por nossos amigos indivisíveis, levando-os facilmente a tirar conclusões para o futuro, pois decerto sabiam que a minha saudade da Itália aumentara demais nos últimos anos.


Como não houvesse tempo para viajar de carro, tivemos de tomar um avião. Eu me contentara com essa tentativa de interpretação dos acontecimentos, mas três anos depois chegaria a melhores conclusões, pois por mais lógicas e razoáveis que fossem as minhas conjeturas, não podiam alcançar os desfgnios espirituais do Além.


Quando, certa manhã -- na primavera de 1964 -- reexaminava uma fita magnética mais antiga, de março de 1962, gravada na época em que ainda morávamos em Estocolmo, descobri de repente a voz do meu amigo de infância Boris Sacharow, que disse nítida e enfaticamente: "Boris, nota -- Serapo!" -- e depois de algum tempo acrescentou à meia voz: "Serapo -- Sonnenschein... (Serapo -- luz do sol...)


Assim, não apenas há dois meses, mas há um ano e quatro meses, tiveram os meus amigos conhecimento de nossa viagem a Serapo. Era evidente que os nossos cálculos tridimensionais encontram, na esfera intemporal e imensurável, fatores completamente desconhecidos e muito superiores à nossa lógica e suas conseqüências.

CAPÍTULO 34

AOS PÉS DO LEITO MORTUÁRIO DE UMA AMIGA. DO PODER QUE CONSEGUE TRANSFOMAR A AFLIÇÃO E A MORTE EM IRRADIANTE ALEGRIA.

EM FINS DE SETEMBRO, tive a notícia de que uma grande amiga, já bastante idosa, estava agonizante. Nos seus momentos de lucidez, ela me chamava freqüentemente. No dia seguinte, fui visitá-la no hospital com o coração oprimido, pois pressentia que esta seria a última vez que nos veríamos.


Anoitecia, quando entrei no seu quarto particular. A atmosfera que domina nesses quartos de isolamento onde um ser humano agoniza é de tal modo deprimente, que se pode sentir quase fisicamente o sofrimento e a desesperança daqueles que estão marcados pela morte. O aposento estava fracamente iluminado.


O pequeno abajur de cabeceira lançava uma luz pálida sobre o aparelho de transfusão montado ao lado da cama. Involuntariamente, meu olhar foi atraído por uma retorta de vidro da qual pulsava lentamente um líquido róseo que, por sua vez, achava-se ligado à veia da paciente por meio de um finíssimo tubo de borracha.

A enferma se encontrava em estado de semiconsciência, febril e com a respiração acelerada, e, de vez em quando, deixava escapar um gemido, que soava como um grito de dor de uma criança desamparada. Sentei-me ao lado da cama e pus-me a observar emocionado aquela fisionomia que me era tão familiar.


Sem acordá-la, tomei cuidadosamente o seu pulso. Batia descompassadamente, às vezes parava por algum tempo e, de repente, retomava seu ritmo acelerado e febril. Ela devia estar sentindo fortes dores, que a acometiam periodicamente, fazendo-a soltar aqueles gemidos fracos que tanto me comoviam.


Tal como ocorreu com Hugo, fui novamente subjugado por aquela sensação de impotência. Algo se rebelava dentro de mim e gritava desesperadamente: "Ajuda! Salva a vida dela! Suaviza as suas dores!" Era horrível não poder ajudar e ser forçado a assistir, impotente, à luta com a morte de uma pessoa querida.

Não sei dizer como tudo aconteceu. Só me lembro de que, subitamente, fui possuído de uma compaixão tão poderosa, que dentro de mim não havia mais lugar para quaisquer outros sentimentos e pensamentos. Como num passe de mágica, tudo se transformou, e o quarto da agonizante foi invadido por uma onda de alegria.


A enferma abriu os olhos e me fitou com um ar interrogativo. Com a rapidez de um relâmpago compreendi que devia falar, informá-la sobre aquilo que eu sabia do Além e que a agonizante já parecia pressentir.


Jamais havia falado assim, de modo tão estranho. Falava com o coração transbordante, e ela, calada e atenta, acompanhava minhas palavras e gestos. De vez em quando abanava a cabeça, concordando. Creio que foi mais a sinceridade de sentimento do que as palavras que nos uniu e permitiu que nos entendêssemos mutuamente, sem restrições.


Era como se algo imperecível nos tivesse arrancado da torrente do tempo e do sofrimento; era um estado, uma condição que não pode ser traduzida em palavras. Muito tempo depois da morte dessa amiga, senti necessidade de refletir sobre essa maravilhosa ocorrência, sobre aquele poder insondável, capaz de transformar até o pavor da morte em alegria radiante, e prometi a mim mesmo jamais dar-lhe um nome.

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FONTE DO TEXTO

http://www.transcomunicacao.com



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