TRANSCOMUNICAÇÃO INSTRUMENTAL

Tradução de Else Kohlbach - Editora Civilização Brasileira


LIVRO "TELEFONE PARA O ALÉM", DE FRIEDRICH JÜRGENSON, PARTE 2

Nova experiência de contato científico com o Além, dentro dos recursos atuais da era tecnológica.

CAPÍTULO 3

OS PONTOS DE INTERROGAÇÃO EM TORNO DE ANASTÁCIA. SOU MUITO CURIOSO – AUSCULTAR É UMA ARTE DIFÍCIL. ESTOU SENDO OBSERVADO. DE ONDE VÊM AS VOZES?

PARA UM MELHOR esclarecimento do que se segue, devo dizer que, nos últimos anos, vinha apresentando nas emissoras suecas uns programas de caráter histórico-cultural. O último deles versava sobre o destino dramático do reinado do czar e terminava com o seu assassinato e o de sua família em Jekaterienburg. No entanto, a pergunta ficou no ar: "Estava o drama da família do czar, naquela noite de pavor, definitivamente encerrado?"


Eu acompanhara atentamente o "caso Anastácia" e conseguira obter vários livros russos muito elucidativos, alguns dos quais não tinham sido traduzidos para outros idiomas. Pelos acurados estudos que realizei, julguei haver-me aproximado bastante da verdade e, assim, resolvi fazer um programa a esse respeito na radiofonia sueca.


Mas encontrando certa resistência por parte de alguns dirigentes radialistas, desisti da idéia. Contudo, o destino de Anastácia continuava a interessar-me, de modo que, reservadamente, prossegui nas pesquisas. A história da humanidade nos mostra muitos exemplos drásticos em que o incrível foi comprovado com realismo cruel.

No caso de Anastácia, a trágica contradição do seu destino parecia fundarse na sua salvação miraculosa, fazendo-a ressurgir em circunstâncias tão extraordinárias, ocasionando um rosário de intermináveis sofrimentos. As conseqüências de sua salvação se revelaram tão trágicas e desesperadoras que bem se poderia indagar, se naquela época, a morte não teria sido mais misericordiosa para ela.


Minha mesa estava repleta de traduções, planos, notas e livros sobre o tema Anastácia, e eu dedicava a esse assunto quase todo o meu tempo. Somente à noite, costumava ligar o gravador de som, na expectativa de receber outras mensagens daquela fonte misteriosa que transmitira o canto dos pássaros noturnos da Noruega. Isto também me preocupava. Nada de importante aconteceu até o dia 12 de julho. Não sei exatamente a hora, mas já dominava a escuridão noturna e o clarão da lua crescente penetrava obliquamente pela janela.


Naquela ocasião, ainda não possuía fones auriculares, que nos capacitam a ouvir sons quase imperceptíveis. Assim, tinha de confiar na atuação da pequena lâmpada de controle do gravador, que emite uma luz vermelho-alaranjada, anunciando a indução de impulsos eletromagnéticos.

O quarto estava escuro e silencioso, induzindo-me a uma leve sonolência. Foi então que ocorreu algo que me despertou completamente: a lâmpada de controle de repente começou a luzir, piscando, lampejando e, de vez em quando, apagando-se totalmente. Algo se aproximava, que deveria fazer-se ouvir na fita magnética, respectivamente, e ser verificável. Tenso e impaciente, permanecia curvado sobre o aparelho.


Ao apagar-se a lâmpada, comecei a auscultar a gravação mas, sinceramente, pouco podia perceber, pois o tom ruidoso e vibrante dificultava enormemente a auscultação. Estando muito cansado nessa noite, resolvi controlar a gravação com maior rigor na manhã seguinte.

Ao fazê-lo, logo ficou claro que eu ainda não estava suficientemente apto para o árduo trabalho de escuta. Constantemente deixava-me perturbar e distrair por fortes ruídos secundários, não tendo também a mínima noção de como eliminar essas perturbações.


Faltavam-me os fones auriculares, que teriam facilitado bastante a auscultação. Quando, finalmente, depois de algumas horas de escuta concentrada, já me havia acostumado aos ruídos secundários, começou a destacar-se daquele caos ruidoso uma agradável voz de homem. Falava em inglês, com profunda convicção e sigular entonação.


Após um pequeno intervalo, soou o nome de Churchill e, repentinamente, ouviu-se outra voz masculina falando alemão. Apesar de não haver qualquer sotaque na pronúncia, a frase não obedecia à ordem gramatical, pois dizia a voz literalmente: Zarengebiet müssen wir noch Frühlings (!) besprechen. Tradução: "Setor do czar precisamos nós ainda primaveril (!) discutir..."


Setor do czar -- não teria um significado específico? Pensei imediatamente em Anastácia. Friedrich, du wirst beobachtet... ("Frederico, tu estás sendo observado..."), acrescentou a mesma voz com ênfase acentuada.

Antes que terminasse a irradiação, soou uma frase, que foi balbuciada com extrema rapidez: Friedrich, wenn du auch des Tages ins Deutsche uebersetzt und deutest -- jeden Abend versuche die Wahrheit zu lösen mit dem Schiff... mit dem Schiff im Dunkeln! A voz me chamava pelo nome e dizia: "Frederico, mesmo que tu traduzas e interpretes durante o dia, todas as noites procura descobrir a verdade com relação ao navio -- com relação ao navio no escuro!"


Essa frase enigmática pôs minha fantasia em atividade. Embora tudo me parecesse misterioso, era totalmente claro que aquela mensagem se destinava a mim. Ainda na mesma tarde, consegui captar um som esquisito na fita magnética, que lembrava o silvo vibrante de um projétil detonado, percorrendo sua trajetória. Em meio a esse som silvante, fez-se ouvir, de repente, em tom alto: "Frederico", e depois uma voz trêmula balbuciou: "in look".

Como explicar esse ruído esquisito? Para poder pesquisar sem ser incomodado, levei o aparelho para o sótão da casa-grande, na época, ainda desabitada. Aí eu não perturbava o sono de minha mulher, o silêncio era total, e não precisava preocupar-me com coisa alguma.


Quando a lua crescente surgiu na copa das tílias escuras, pus o microfone na janela entreaberta e liguei o aparelho. Desta vez a lâmpada de controle demorou mais a luzir. Uma estranha sensação se apoderou de mim, diante da possibilidade de receber novamente comunicações pessoais de "algum ponto do espaço". No nosso mundo extremamente racional, onde o dia-a-dia decorre insípido e prosaico, tal um trem de carga a seguir o seu itinerário ruidosamente sobre os trilhos, provavelmente, não há lugar para vivências tão misteriosas.

Ao apagar-se a lâmpada de controle, rodei apenas uma vez a fita e larguei-a na cama cansado, mas bastante satisfeito.


No dia seguinte comprei um fone auricular e um dicionário da língua polonesa. Foi uma dura prova de paciência, um trabalho enervante e sumamente árduo que me propus realizar, pois essa nova gravação era excepcionalmente difícil de compreender, já que as vozes utilizavam simultaneamente o sueco, o russo, o alemão, o polonês e o italiano. Mas uma coisa era certa: as vozes se referiam ao caso Anastácia e apresentavam detalhes sobre o dramático salvamento da filha do czar por dois homens.

CAPÍTULO 4

OUTRA VEZ ESSE SOM RUIDOSO! “TELEFONE, MÔNICA.” CARINO ESCUTA. PRESSINTO ALGO.

NUM DOS DIAS SEGUINTES, por volta das 22 horas, estava diante do gravador de som, ligando e desligando quando, subitamente, percebi aquele som ruidoso que já me era tão familiar. Colocara os fones auriculares e escutava vozes e ruídos a princípio fracos, mas que pouco a pouco começaram a se desdobrar, numa daquelas irradiações especiais de inteligência desconhecidas e invisíveis.


Percebia vozes, sons, música, comentários, até que ouvi tocar o telefone na sala do andar térreo, o que bruscamente me trouxe à realidade. Aborrecido, tirei os fones, deixei o aparelho ligado continuando a gravação e desci a passos largos a escada, seguido de perto por Carino, o nosso cão.

Era a minha mulher que me telefonara. Falei-lhe rapidamente da gravação que estava fazendo no momento. Ela queria saber pormenores e fazia perguntas. Mas eu tinha a impressão de estar sentado sobre agulhas, inquieto e receoso de que a gravação pudesse repentinamente ser interrompida.


A certa altura, minha atenção foi desviada para o estranho comportamento de Carino que, de súbito, contrariamente a seus hábitos, havia-se retirado de mansinho da sala, disparando escada acima. Após alguns instantes, no quarto situado acima da sala onde eu me encontrava, pôs-se a fazer ruídos com a cadeira colocada à frente do aparelho.


Todos esses ruídos, naturalmente, deveriam ser gravados na fita. Desliguei rapidamente o telefone e subi preocupado a escada, de volta ao sótão. Carino estava sentado na cadeira, abanando alegremente a cauda.


Levei-o dali para a cama, coloquei os fones auriculares e, atentamente, comecei a auscultar. As interferências aumentaram de volume, e percebi apenas alguns fragmentos de palavras confusas -- e a irradiação parou.

O que descrevo agora, descobri-o somente mais tarde, após várias auscultações da fita magnética. Houve dois toques de tímbales, depois uma voz oprimida de homem disse: "Telefone, Mônica." Continuei a escutar concentradamente.


Seguiu-se o momento em que tocou o telefone e eu tirei ruidosamente os fones auriculares. Assim que os coloquei na mesa, a irradiação foi bruscamente interrompida. Escuta-se então o barulho que fiz ao sair correndo do quarto. O telefone toca mais uma vez, percebe-se o rumor de uma porta fechando-se e depois silêncio total.

Da minha conversa no telefone na sala do andar térreo não se ouve nada. Escuta-se apenas o leve ruído de rotação da fita. Minha conversa com Mônica deve ter durado cerca de seis minutos. Em seguida, ouve-se o ruído de minha entrada no quarto e da colocação dos fones auriculares.


Simultaneamente intercala-se novamente aquele som ruidoso vibrante; a irradiação continua, sem nada apresentar de compreensível. Finalmente, desaparece o som ruidoso, e eu desligo o aparelho.


Mais tarde ocorreu-me a idéia de escutar o que se passara durante os seis minutos em que falei com minha mulher no telefone, embora, como já disse, no momento em que tirei os fones auriculares, o som desaparecera, o que me fez deduzir que a irradiação fora interrompida. Não obstante, escutei também essa parte da fita magnética. A princípio ouvi um som muito alto, que interpretei como a expressão "Carino".

Involuntariamente, lembrei-me do estranho comportamento de Carino e então tomei a examinar atentamente a fita. Depois da palavra "Carino" em tiple agudo, reinou completo silêncio durante dois minutos, exatamente.


Então uma agradável voz masculina começou a cantar baixinho -- aliás, sem palavras -- a primeira estrofe de Volare, uma canção italiana muito conhecida. -- "Muito a propósito" -- pensei comigo -- "pois se alguém pode voar, devem ser vocês, meus amigos invisíveis".

"Ah, Carino!" murmurou repentinamente uma voz de homem, e logo a seguir se ouve Carino subir a escada. O ruído de suas patas torna-se cada vez mais intenso e no momento seguinte Carino abre a porta encostada.


"Carino -- d'Ammannzio -- tu me escutas?", pergunta uma amável voz de homem a meio tom. O cão pula sobre a cadeira, que bamboleia com estrépito.


"Carino, aqui está o aparelho", a voz ressoou novamente no silêncio do quarto e então se ouve nitidamente a pergunta: "Carino, tu me conheces?"

Como resposta, Carino pôs-se a fungar, como se quisesse umedecer a garganta. O diálogo não pôde prosseguir, pois nesse instante eu subia a escada ruidosamente, e abrindo precipitadamente a porta corria em direção à mesa, pondo Carino sobre a cama e colocando os fones nos ouvidos. Logo se fez ouvir o som ruidoso.


É uma vivência convincente e animadora poder ouvir a gravação outra vez, e mais uma vez, e sempre. Quanto mais recebia as vibrações sonoras e as palavras dos meus amigos invisíveis, mais alegre e tranqüilo me tornava. Aqui, enfim, encontrei a segurança íntima que me fez pressentir que tudo isto representava apenas um modesto princípio de futuras ocorrências extraordinárias e inimagináveis.

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FONTE DO TEXTO

http://www.transcomunicacao.com



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