TRANSCOMUNICAÇÃO INSTRUMENTAL

Tradução de Else Kohlbach - Editora Civilização Brasileira


LIVRO "TELEFONE PARA O ALÉM",
DE FRIEDRICH JÜRGENSON, PARTE 21


Nova experiência de contato científico com o Além, dentro dos recursos atuais da era tecnológica.

CAPÍTULO 37


NÃO HÁ DÚVIDA: STALIN FALA. DIÁLOGO ENTRE STALIN E HITLER. OS ADORMECIDOS E OS DESPERTOS, OS LÚCIDOS E OS PERTUBADOS. UMA CANÇÃO PARA HUGO.

A IRRADIAÇÃO continuava, e Lena anunciou novo contato. Desta vez ela sussurrava rápida e nervosamente: "Man weckt Stalin!..." (Estão acordando Stalin!...) a seguir, uma voz de mulher disse calmamente num russo estropiado: "Não se deve matar" -- "Perdoem-me!" disse uma voz de homem em sueco, num tom gemente com sotaque russo, e soava como se o homem estivesse meio sonolento.


Ouvira algumas vezes Stalm falar pelo rádio, e posso quase afirmar que reconheci sua voz, com aquele timbre especial e sua maneira típica de expressão. No entanto, mal pude compreender a frase curta, pois a voz falava em sueco e sobretudo revelava-se transtornada pelo medo.

Mais tarde consegui fazer várias gravações com Stalin, cuja voz era tão clara que afastava qualquer dúvida e, além do mais, chamavam-lhe pelo nome. Noutra gravação, ouvia-se Stalin chamar Hitler por seu nome próprio, em tom insistente e alto, enquanto Lena comentava essa breve palestra. "Adoelf!", exclamava Stalin com sotaque russo.


"Was willst du? Ich bin tot..." (O que queres? Eu estou morto), respondeu Hitler à distância. "Estão acordando Stalin!", avisava Lena.


Logo em seguida soou uma frase tão alta e rápida que, para poder escutar melhor, fui obrigado a mudar a rotação para 3 ¾. O resultado foi surpreendente, pois uma voz parecida com a de Stalin disse em tom normal: "Friedrich -- Pravda ist tot!" (Frederico -- o Pravda está morto!)

Em setembro, ainda continuavam as irradiações do reino dos mortos. Entre outros, falou um certo Jakup, também chamado Mufti, cuja voz eu já conhecia de outras gravações. Falava em alemão e árabe, com bela e expressiva inflexão, e dava sonoras e estridentes gargalhadas. Stalin também se manifestou, com unia expressão russa não muito correta, revelando um acentuado sotaque georgiano. Dirigiu-se a Jakup e disse um tanto divertido: "Jakup amigo, ouves? Não brinques... porque se ele não tem medo da alminha morta, então Frederico é como nós -- também não tem medo do Diabo chifrudo!...


O Conde Ciano e duas mulheres tomavam parte na palestra. O ambiente era alegre e agradável, e ria-se muito. Mas nem tudo que cheguei a ouvir dos mortos era alegre. No dia 12 de setembro fiz uma gravação chocante, angustiante e trágica. Falava uma voz de judia alemã que me era bem familiar e que, aparentemente, ainda se encontrava semi-adormecida. A mulher estava muito agitada, quase tomada de desespero, embora se esforçasse, por meio de uma poesia grotesca, para dar expressão a seus sentimentos e inquietação íntima. O homem também falava num tom nervoso e perturbado, ambos em alemão.

Durante longo tempo meditei sobre essa conversa aparentemente confusa, sobre a voz agitada da mulher, que parecia estar totalmente descontrolada. Por que ela manifestava seus sentimentos de forma tão comprometedora? No tocante à canção que me foi transmitida -- e isto ocorreu na terceira vez -- continha uma mensagem bem interessante, que apresentarei mais adiante.


Teriam essas duas criaturas morrido de modo violento? Ou, quem sabe, sentiam-se atormentadas, num estado de semiconsciência, por terríveis recordações?

Mais tarde, pude ouvir mais uma vez, com grande alívio, essas duas vozes falarem com toda a calma e consciência. Não obstante, de vez em quando, os dois recaíam naquela sonolência perturbadora, em que reviviam sonhos ângustiosos. Felizmente essas idéias fixas se dissiparam com o correr do tempo, graças à interferência de outros mortos já despertos, que auxiliavam aquelas almas perturbadas. É provável que fossem submetidos a um sono mais profundo, da mesma forma com que se ëostuma tranqüilizar e ninar uma criança para que adormeça.


No final do outono de 1961, recebi numerosas transmissões puramente musicais, que muito me agradavam, pois se constituíam de solos e coros das mais variadas espécies. Todas essas apresentações musicais, que incluíam pequenas cançonetas e até óperas e oratórios clássicos, transmitiam, de modo claro e inconfundível, mensagens exclusivamente pessoais para minha mulher, minha irmã Elly e para mim. Eram mensagens discretas, graciosas e bem-humoradas, que nos tornavam felizes e intimamente emocionados.

As melodias e acordes das canções, operetas e óperas eram aproveitadas pelos repentistas. Assim, por exemplo, enviaram-me quatro vezes mensagens na canção hebraica Nagila Hava, sempre com texto novo e naquela linguagem poliglótica a que, com o correr dos anos, já me habituara. A ópera Rigoletto era freqüentemente utilizada pelos repentistas como mensageira de suas comunicações. Isto talvez se deva ao fato de ter eu representado outrora o papel principal dessa ópera, conhecendo-a, portanto, quase de cor. Sempre que ouvia no rádio essa música tão familiar, ligava logo o gravador de som, mesmo sem receber qualquer aviso de Lena.


Através do Rigoletto de Verdi me foi possível estabelecer os mais estranhos contatos, alguns alegres e outros de maior gravidade, dos quais Lena participava com sua bela voz de soprano.

Certa noite gravei uma curiosa transmissão, em forma de comédia, na qual participaram cinco pessoas. Havia uma voz de mulher e três de homens que me eram familiares. À distância, ouvia-se uma maravilhosa voz feminina a cantar, e eu também já a escutara várias vezes, embora o seu nome me fosse desconhecido. Era um meio-soprano, que cantava em bemol nos idiomas italiano, inglês, sueco e alemão. A canção era dedicada a Hugo e começou bem alto. Com a intervenção de outras vozes, a canção baixou de tom, fazendo-se ouvir principalmente nos intervalos:


"Mälar -- escuta! escuta! escuta! -- nós viajamos!


Escuta -- nós falamos além do céu


Escuta nosso programa -- para o rádio o céu está límpido...


Está... (cantando?) no céu tua parenta


Hugozinho estava em Mölnbo, nós não podíamos... ele já estava morto.


Escuta, tu deves apresentar-te em nossas vidas


Hugo quer ouvir através do rádio Frederico -- o Friedel a quem ama...


Bengt! (um garotinho a quem nossa família muito estima)


Nós viemos depois de Hugo... Escuta, bom caminho para Hugo


Um bom caminho para Hugo hoje...


Hugo era tão modesto, tão humano...


Hugo era um bom homem... em Mälarhöjden..."


Estas palavras infantilmente ingênuas foram proferidas com tanto calor, suavidade e carinho que, involuntariamente, deixávamo-nos envolver pelo encanto da canção. A cantora repetiu várias vezes as palavras "tua parenta", contudo ainda não pude descobrir o seu nome.

CAPÍTULO 38

GRAVAÇÕES EM PRESENÇA DE CONVIDADOS. AS TRANSMISSÕES VEM EM QUANTA. VISITA AO DR. BJORKHEM.

EM PRINCÍPIOS de dezembro recebi uma irradiação que, depois do monólogo de Hitler, poderia classificar-se como gravação histórica número dois. No seu gênero, foi uma gravação única. Representa um documento importante sobre a nudez da psique humana, permintindo-nos formular um conceito sobre a profundidade psíquica de um homem, que até há bem pouco tempo representava um relevante papel no nosso mundo religioso. Em atenção aos seus parentes, chama-o-ei Aristoanimus, evitando tanto quanto possível os detalhes. Devo acentuar apenas que, com a apresentação de Aristoamus na fita magnética, mais uma vez se torna evidente a extensão de nossa falência moral. O inverno passou veloz, e mal o percebi. O tempo parecia duplicar sua velocidade.


Na primavera, recebi muitas visitas, mas a maioria delas não confiava nem nos seus ouvidos, ao escutar as fitas magnéticas. Não podiam compreender tais fenômenos, e só aqueles que já haviam tido alguma experiência extra-sensorial mostravam mais compreensão.

Após os primeiros momentos de assombro, meus convidados acabavam se convencendo da realidade dos contatos, e sua prevenção inicial era substituída por uma generalizada euforia. Muitos ouvintes não conseguiam relaxar-se nem concentrar-se profundamente. Por meio da escuta, pode-se avaliar a natureza íntima de uma pessoa e sobretudo até que ponto ela se deixou afetar pela tumultuosa vida diária, já que a contínua atividade, a impaciência e a dissipação interior são típicas do psiquismo dos tempos modernos.


Observei que até os meus amigos e conhecidos, apesar de sua sincera boa vontade e benevolência para com os meus trabahos de pesquisa, revelavam dificuldades no ascultamento. A maioria se cansava logo e ficava impaciente, principalmente quando não conseguia compreender o texto. Mas quando eu repetia as palavras, tudo se afigurava tão claro e simples que lhes causava espanto a sua inépcia. Na realidade, eles esqueciam que isso me custara muitos anos de árduos exercícios, um fato que éde decisiva importância. Só as gravações bem altas e nítidas eram compreendidas por todos sem qualquer dificuldade.


Um dia um escritor sueco veio visitar-me. Como se tratasse de um homem muito expansivo e às vezes inconveniente resolvi fazer uma gravação na sua presença, se bem que nunca soubesse com antecedência se os meus "amigos" viriam ou não. Daquela vez eles vieram, e fizeram uma gravação de caráter bastante dramático. A mulher do escritor que, aliás, se havia suicidado, estava sendo despertada. Chamavam-na claramente pelo nome, e ela acordou com um angustioso grito de pavor.

Emocionadíssimo e perplexo, o meu hóspede aceitou tacitamente a realidade da cena. Com ele eu não precisava mais desperdiçar palavras, pois os fatos falavam por si mesmos, reais e incontestáveis. Há tempos que eu não ouvia a voz de Hugo, mas em compensação me traziam informações sobre ele:


"Hugo sabe dos fatos, Hugo está passando bem -- Hugo examma satélites da lua -- Hugo realiza vôos cósmicos" e, finalmente: "Hugo examina obras atômicas..."


Em abril estabeleci um breve contato com Hugo. Uma voz de mulher exclamou rapidamente: "Hugo nimm kontakt mit Federico!" (Hugo toma contato com Frederico). A seguir, Hugo fez ouvir o seu tão familiar "Ich ko-o-omme!" (Eu ve-e-nho!)

Não percebi mais nada, pois outras vozes se intercalaram. Tive a impressão de que Hugo perdera a oportunidade do radar. Ainda faltava meio ano para que ele pudesse dirigir-se claramente a mim na fita magnética. Um dos fenômenos mais perceptíveis nos últimos anos consistia em que a freqüência dos contatos estava sujeita a oscilações periódicas. Havia semanas em que eram raras as comunicações, mas em outras as irradiações se sucediam numa seqüência rápida. Os mortos a denominavam quanta. Mas eu não podia saber com antecedência quando começavam ou terminavam esses quantas.


Os mortos também se apresentavam alternadamente, isto é, determinadas personalidades podiam comunicar-se durante algum tempo, até que outras lhes tomassem a dianteira. No dia 14 de abril, minha mulher e eu fomos visitar o Dr. Björkhem. Tendo o seu estado de saúde se agravado, impedindo-o de sair até de automóvel, resolvi levar o gravador de som com várias fitas magnéticas, o que nunca fizera antes.

Apesar de abatido e doente, continuava vivo e intenso, o seu interesse pelas gravações. Depois de ter-lhe feito ouvir algumas gravações, tentamos obter novas mensagens. Como não fosse possível ligar o rádio diretamente ao gravador de som, captamos as irradiações através do microfone. Para esse fim, utilizamos dois pequenos aparelhos de rádio, um dos quais ficara no colo de Mônica.


Apesar das circunstâncias desfavoráveis, recebemos algumas comunicações. Falou uma voz de mulher que me era familiar, e o Conde Ciano que, aliás, mencionou o piccola radio que, na sua opinião, era mais adequado à recepção do que os aparelhos maiores. Retiramo-nos bastante tarde, e o Dr. Björkhem acompanhou-me até o carro. Durante algum tempo, ainda vi seu vulto esguio parado diante da casa. Ele parecia estar profundamente mergulhado em seus pensamentos.

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FONTE DO TEXTO

http://www.transcomunicacao.com



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