TRANSCOMUNICAÇÃO INSTRUMENTAL

Tradução de Else Kohlbach - Editora Civilização Brasileira


LIVRO "TELEFONE PARA O ALÉM",
DE FRIEDRICH JÜRGENSON, PARTE 23


Nova experiência de contato científico com o Além, dentro dos recursos atuais da era tecnológica.

CAPÍTULO 41


NYSUND TRANSFORMA-SE EM UMA ESPÉCIE DE POMBAL. A VOZ VINDA DO AUTOMÓVEL. LENA NOS MANDA PARA A CAMA. A HILDA DESCONHECIDA NOS PREVINE E ACONSELHA.

O QUE SE SEGUIU depois era inevitável. Das profundezas do desconhecido, algo novo, tenaz e objetivo abriu o seu caminho. Algo nasceu, cresceu e desdobrou-se, não mais podendo ser ignorado. No que me diz respeito, minha situação mudou da noite para o dia. Embora certos círculos de doutrina racional não quisessem admitir de bom grado a existência do Além ou de uma dimensão mais elevada, por outro lado, não mais podiam negar o fenômeno.


Ademais, ao excluírem-se quaisquer hipóteses de fraudes ou embustes, após as investigações dos técnicos em radiodifusão, ninguém mais especulou sobre a minha idoneidade. E graças a todas estas circunstâncias, o conjunto da obra avultou em importância e autenticidade.

Naturalmente, terminou a minha tranqüilidade. Primeiro foi o acúmulo de cartas recebidas. Jornalistas, técnicos em radiodifusão, em acústica e cientistas de toda a espécie se faziam anunciar quase diariamente. O telefone, de repente, transformou-se em um tirano.


Nessa época, senti pela primeira vez a fibra elástica, quase metafísica, de que era tecido o tempo. As horas e os dias voavam céleres, febris. Por mais que me esforçasse em dividir racionalmente as horas do dia, não conseguia dar conta das tarefas planejadas. Tudo ao meu redor se havia transformado.


Quando, nos meus, tempos de cantor e pintor, reunia-me com altas personalidades ou outras pessoas interessantes, esses encontros se relacionavam direta ou indiretamente com a arte. Mas agora a situação era muito diferente. A maioria das pessoas que me preocupavam tinham, de algum modo, relação com a morte.

Como a morte costuma exigir o seu tributo sem fazer distinção entre posição e raça, idade ou sexo, daí resultou que eu me encontrava com indivíduos essencialmente diferentes, sendo forçado, pelas circunstâncias, a participar dos mais assombrosos e, às vezes, dos mais comoventes destinos.


Daí por diante foram os mortos que, repentinamente, me atribuíram o papel de homem de confiança, uma tarefa, aliás, bem melindrosa e de grande responsabilidade, a qual, sem a assistência dos meus amigos invisíveis, jamais estaria à altura de executar.


Os inúmeros acontecimentos que então se sucediam rapidamente só podem ser citados de passagem. Mas antes de reportar-me às breves mensagens, muitas vezes em estilo telegráfico, devo descrever algumas gravações que, por seu conteúdo, apresentação e nitidez, eram de uma extraordinária força comprobatória.

Como já narramos anteriormente, a canção judaica Nagila Hava fora-me apresentada em quatro versões, em que o texto era sempre modificado. Ao gravar a canção pela terceira vez -- era uma gravação nítida e em parte bastante sonora -- descobri que dois dos meus amigos mortos se apresentavam ao mesmo tempo. Um era Arne, que falava sobre o destino de um cantor, acrescentando outros comentários.


O cantor era o meu amigo russo Gleb Bojevsky, ex-oficial de marinha que se refugiou na Palestina durante a revolução russa. Bojevsky era um homem generoso, muito culto e versátil, que estava sempre cercado de um grupo de jovens -- todos paupérrimos -- que às vezes costumavam escavar túmulos fenícios, outras vezes construíam uma chalupa, na qual velejavam até Chipre para pescar cavalas. Apesar das duras privações, tinham todos -- inclusive Bojevsky -- aquele espírito aventureiro e dinâmico da adolescência, que lhes fazia a existência tão precária parecer plenamente rica e digna de ser vivida.


Bojevsky morrera em 1945 de pneumonia. Mesmo assim, continuava a cantar alegremente, e o seu canto era comentado minunciosamente por Falck. Que Falck estava bem informado sobre o destino de Bojevsky, isto se evidenciava claramente do texto. Desta vez Falck falava mais em sueco, empregando, uma vez ou outra, algumas palavras alemãs e russas. Quanto a Bojevsky, cantava alternadamente em alemão, russo, italiano, sueco e árabe. Improvisava livremente num estilo poético bem rimado.

Primeiro ele trouxe notícias de um conhecido que há pouco tempo morrera em Estocolmo. A seguir, referiu-se ao significado dos contatos, mencionou o meu nome de família e repetiu duas vezes as palavras: "Nós viajamos -- Friedel nos procura!"


O texto do seu canto traduzido é o seguinte: "Quando desejado -- poliglota! Oba, meu Jürgenson -- é verdade -- o iogue ouve -- melodia sete Luk -- Bojevsky é fantasma em Mölnbo -- Friedel procura a temida ponte dos mortos -- Não, não -- todos serão agradavelmente surpreendidos. Toca em mim -- um brêmane com um cachimbo aquático -- No mercado se examina uma melancia -- todos examinam o coração em Mölnbo..."


E dizia ainda outras coisas mais. No tocante à expressão "o brâmane com um cachimbo aquático", devo esclarecer que ele se referia a si mesmo em uma de suas vidas passadas na Índia. "Provar melancias" relaciona-se ao tempo que passamos juntos na Palestina, onde, no mercado, examinávamos as melancias apertando-as, para ver se estavam maduras. Neste caso, significa também que, de modo semelhante, o meu coração é examinado pelos amigos espirituais, para sondar sua maturidade.


Afinal intercalou-se uma voz feminina, que disse com sotaque russo: "Bojevsky -- Jürgenson."

No verão de 1963, minha mulher, meu filho e eu viajamos para a Itália. Estivemos com Enzo e Gioconda em Serapo, onde ocorreu o seguinte: Uma noite, Enzo, Gioconda e eu passamos de carro pelo cais de Gaeta. Sentado ao volante, Enzo ligou o rádio. Depois do noticiário, houve um pequeno intervalo, e então uma voz de mulher exclamou em tom alto e penetrante pelo rádio: "Friedel -- Friedel, amanhã!"


Gioconda se voltou para nós e disse nervosamente: "Vocês ouviram? Estavam chamando Friedel."


Assustado, Enzo quase foi de encontro a um poste na calçada, mas felizmente deu uma freada violenta e conseguiu parar o carro. Todos ficamos bastante emocionados, pois pela primeira vez eu era chamado através de um rádio de automóvel.

Na noite seguinte, reunimo-nos em casa de Enzo e Gioconda. Enzo tinha um velho gravador de som e um transistor bem usado, e como não pudesse estabelecer um contato direto, ligamos o rádio através do microfone. O tempo estava abafado, e eu sentia dor de cabeça, mas mesmo assim corria solícito a escala. Pouco depois, a voz clara de Lena se fez ouvir: "Vão para a cama! Vão dormir! É tarde demais!", disse ela em italiano e alemão.


Durante a escuta, todos nós ouvimos esta frase. A seguir, iniciou-se uma alta e animada discussão em italiano. Não conseguimos fazer outras gravações, pois fomos impedidos pelo tremendo ruído do rádio. Uma hora depois, irrompeu uma forte trovoada, O tempo tornou-se escuro como breu, entre relâmpagos e trovões ininterruptos. Perguntava a mim mesmo se Lena tivera antecipado conhecimento do temporal ao dizer: "Friedel -- Friedel, amanhã!"

Embora essa gravação fosse curta e estranha, Enzo e Gioconda tiveram uma prova convincente, que lhes despertou o interesse. Em princípios de setembro, ao regressar da Itália para Nysund, liguei o rádio na mesma tarde. Imediatamente, fiz contato com Lena e consegui tres gravações bem diferentes, irradiadas por duas vozes de homem e uma de mulher. Tratava-se de uma mensagem de caráter particular.


O estranho e esquisito nessas gravações é que elas se diferenciavam visivelmente, não apenas quanto ao seu conteúdo, mas também com relação ao volume e qualidade do som. Na primeira não houve quaisquer pertubações. Se bem que o volume de som fosse bastante baixo, podia-se compreender sem nenhum esforço o texto completo, assim como reconhecer a voz do orador.

Na segunda gravação, a voz irrompia através do solo de saxofone, falando mais tarde durante os intervalos. Ao terminar a música, a voz se fez ouvir imediatamente, e, apesar das perturbações atmosféricas podiam-se compreender todas as palavras.

A terceira gravação foi excepcional. Embora, no início, se escutasse música e vozes secundárias, e a voz de mulher falasse baixinho, não se perdia uma palavra, porque a voz aproveitava com habilidade os intervalos. Esta não apenas ultrapassava todas as gravações feitas até então em volume de som e nitidez, mas também a voz dos intérpretes denotava uma emoção tão profunda que, involutariamente, deixávamo-nos arrebatar, subjugados por suas palavras que, por vezes, dava-nos arrepios. Numa espécie de canto declamado, uma voz feminina ressoava a grande distância, em suave


piano, aproximando-se, pouco a pouco, até atingir o fortíssimo. Havia algo nesse lento crescendo, que deixava entrever um ardor oculto ou penetrante. Essa mensagem, a mim dirigida, continha uma espécie de advertência e um conselho. Foi transmitida em cinco idiomas, rítmica e alternadamente divididos.


A dicção era correta, mas a construção das frases não obedecia às regras da gramática. E isto era intencional, a fim de afastar a suposição de que talvez se tratasse de uma radiodifusão comum. Eis aqui uns trechos, na sua linguagem original:

"Horchen, mein Gott, tack! (em alemão e sueco) Botschaft Tote... von Botschaft... Mein Gott, Hilda, tack... ob sie tala (alemão e sueco) -- wenn du pratast (alemão e sueco incorreto) -- so hören dölige (sueco incorreto) Menschen -- pallu (estoniano) fallen tief aut (inglês -- out) -- Friedrich, Kontakta (sueco) -- Sterben (gestorbene, tote) -- Menschen in Autmosphära... und si (gestorbene, tote) -- Menschen in Autmosphära... und sie raten, und sie tala (alemão e sueco) Välkommen (sueco) Friedel von Serapo!..." (Tradução: "Escutar, meu Deus, obrigado! Mensagem mortos... da mensagem... meu Deus, Hilda, obrigada... se ela fala -- quando tu conversas -- então escutam homens -- muitos caem na profundeza -- Frederico, contato -- Morrem (os mortos) homens na atmosfera... e eles aconselham, e eles falam. Bem-vindo Friedel de Serapo!...")

Até hoje não sei quem é Hilda. Em todo o caso, ela me prevenia contra as pessoas más e me aconselhava também a entrar em contato com os mortos, pois eles podem aconselhar e falar. Tive, muitas vezes, ocasião de comprovar a verdade de suas advertências.


Deve-se observar, durante a leitura da mensagem, que a maneira de falar desconexa e gramaticalmente incorreta é proposital e tem a finalidade de diferenciá-la das emissões normais das radiodifusoras. Observe-se particularmente o ritmo na mudança de idiomas. As últimas três palavras: Friedel de Serapo referem-se à circunstância de eu ter voltado de Serapo por via aérea justamente naquele dia.

CAPÍTULO 42

VOZES NA CASA DA FAMÍLIA THORLIN. RECITAL COM ACOMPANHAMENTO DE SOPRANO. UM CANTO CORAL DE TRÊS VOZES.

VAMOS PASSAR agora aos acontecimentos mais importantes dos últimos dois anos, portanto do tempo decorrido após minha primeira entrevista à imprensa.


Um dia veio visitar-me, juntamente com sua mulher, um senhor chamado Claude Thorlin, de descendência inglesa residente em Eskilstuna. Ele havia feito, por acaso, umas gravações de vozes através do microfone, nas seguintes circunstâncias: A família Thorlin, que comprara um novo gravador de som, queria gravar a voz do seu amigo Koge O.


Depois de colocar uma fita nova, Koge P. pós-se a declamar seus poemas. Durante a escuta da gravação, ouve-se claramente a voz de Koge, secundada, nos intervalos, por um melodioso soprano. No início, diz ela: "Escuta -- teu karma..." em sueco.


Koge leu também um artigo a meu respeito e as vozes por mim gravadas. Nesta altura, intercalou-se um coro infantil, que cantava em sueco: "Escutai, escutai o rádio -- escutai o nosso contato."

Noutra gravação -- Thorlin estava gravando a voz do seu cunhado inglês -- interveio uma voz de mulher bem clara e alta que, em alemão e inglês transmitiu uma mensagem direta para Thorlin, como se verificou mais tarde.


Entusiasmado com essas gravações, Thorlin continua diligentemente suas pesquisas. Conseguiu fazer algumas gravações bem interessantes através do rádio, entre as quais uma em que sua mãe se apresenta e o saúda, enquanto um coro canta em três idiomas: "Estamos de viagem para Mölnbo -- em visita ao Friedel..."


Pude reconhecer muitas vozes, dentre elas a do "velho judeu", que se distingue perfeitamente. Uma voz semelhante à de Lena indica a freqüência de ondas, exclamando: "Halten, halten, tag Kontakt." (Manter, manter, tomar contato...) -- em alemão e sueco. Thorlin e eu nos tomamos muito amigos.

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FONTE DO TEXTO

http://www.transcomunicacao.com



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