TRANSCOMUNICAÇÃO INSTRUMENTAL

Tradução de Else Kohlbach - Editora Civilização Brasileira


LIVRO "TELEFONE PARA O ALÉM",
DE FRIEDRICH JÜRGENSON, PARTE 25


Nova experiência de contato científico com o Além, dentro dos recursos atuais da era tecnológica.

CAPÍTULO 45


MINHA PRIMEIRA CONFERÊNCIA. UM ILUSIONISTA PROFISSIONAL É PERSUADIDO. UM EDITOR E UM REDATOR CHEGAM DE FREIBURG. – MINHA SEGUNDA ENTREVISTA À IMPRENSA, COM PREPARATIVOS E ÊXITOS EXCEPCIONAIS. A PROVA DE FOGO EM NORDHEIM.

OS AMIGOS me pedem que realize uma conferência. A conferência se realiza, seguida de livres debates sobre o tema. Formulam-se muitas perguntas. Um certo cavalheiro empenha-se diligentemente em me enrascar e se estabelece um interessante debate, com a entusiasmada participação do público e, afinal, o aguerrido cavalheiro desiste das perguntas.


Algumas semanas depois, recebe o telefonema de um senhor, que deseja visitar-me, com a intenção de comunicar algo muito importante sobre o fenômeno de vozes. Ao recebê-lo, reconheço aquele perguntador mordaz. É ilusionista e chama-se Johnie Lindell. O que ele conta é bem singular.


Ao assistir à conferência, levara um pequeno gravador, que ocultara entre os joelhos. O minúsculo microfone fora colocado como uma flor na lapela. Assim agira com a intenção de desmarcarar um impostor. Ao chegar em casa, pôs-se a escutar o que havia gravado, e, de repente, percebeu uma voz de mulher que fazia comentários, cantados em alemão e sueco, sobre a minha conferência.


O mais interessante foi que a voz de mulher se intercalou exatamente no momento em que eu me referia à assistência de Lena.


Entre outras coisas, a voz cantava: "Escutai, escutai, contato -- escutai -- em Mölnbo há brilho de sol!"

Tirei uma cópia dessa gravação. Lindell parecia alegre e emocionado, reconhecendo que o fato era realmente sensacional, se bem que lhe fosse um pouco embaraçoso confessá-lo.


"Eu pretendia desvendar uma fraude", declarou ele, "mas, em vez disso, Lena antecipou-se, e o senhor está vendo..." E apontando para a janela acrescentou: "Realmente, hoje em Mölnbo brilha o sol, embora há muitas semanas venha chovendo..."


Em março, visitaram-me dois cidadãos de Freiburg -- Breisgau, na Alemanha. Um deles é o Sr. Kirner, da Editora Bauer, e o outro, o Sr. Geisler, da revista Die Andere Welt.


O resultado da sua permanência em Nysund -- fizéramos juntos algumas gravações pelo microfone e pelo rádio -- foi descrito detalhadamente em dois artigos da revista Die Andere Welt, em março e abril de 1964.


Devo confessar que tanto o Sr. Kirner quanto o Sr. Geisler são pessoas esclarecidas, objetivas e amáveis. Estou certo de que sua colaboração ativa no campo das ciências transcendentais será de suma importância para a Alemanha e outros países de fala alemã.

Após o lançamento do meu livro na Suécia, tive um curto período de descanso. Durante esse tempo, escrevi uma série de artigos sobre o "segundo desaparecimento" de Pompéia, pois suas partes escavadas vinham sofrendo uma devastadora invasão de ervas daninhas.


A terça parte dessa antiga cidade já se havia transformado numa espécie de matagal, com grande prejuizo para as numerosas pinturas murais e os pisos de mosaico.


Meus artigos e fotos nos jornais despertaram o interesse público, e a televisão sueca me propôs rodar um filme de curta metragem sobre Pompéia. No verão recebi uma visita da América.


O Sr. W. G. Roll, Presidente da Sociedade de Parapsicologia da Carolina do Norte, veio procurar-me, acompanhado de sua mulher. Realizamos várias gravações num ambiente alegre e comunicativo, algumas delas muito claras e geralmente humorísticas.

Enquanto isso, o Prof. Bender entrou em contato com alguns físicos e técnicos em acústica, conseguiu organizar uma equipe de cientistas para realizar uma experiência em Nordheim, da qual participaria também um membro do Instituto Max-Planck.


Depois da morte de Felix, não mais encontrara sua mulher, a Sra. Irmgard Kersten, de modo que a convidei, a ela e ao seu filho Arno, para passar uns dias conosco em Nysund. Rodei inicialmente a primeira gravação de Felix, mas eles não puderam compreender o texto, desejando ouvir umas gravações mais nítidas. Então apresentei o monólogo de Hitler, que ambos compreenderam palavra por palavra.


A seguir, coloquei a fita magnética com a gravação de Stensson. Não lhes falei sobre quem iria apresentar, mas quando Felix me chamou duas vezes pelo nome, ambos se puseram de pé e exclamaram emocionados: "Esse é o papai! E o papai!"

A Sra. Irmgard Kerston mais tarde me escreveu uma carta, na qual reafirma expressamente ter reconhecido a voz do marido. Ofereceu-se também para tomar parte na próxima conferência de imprensa. Eu já havia convidado a Sra. Falck para participar dessa conferência, que se realizou no dia 12 de junho de 1964 em Nysund.


Antes, porém, fizemos alguns preparativos técnicos especiais. Um amigo nosso, o engenheiro Törnquist, instalara dois alto-alantes na sala e colocara um filtro muito sensível no meu gravador de som. Embora já tenha passado dos quarenta anos, Törnquist tem um ouvido supersensível, pois ainda percebe sons com 20.000 freqüências.


Apareceram cerca de quarenta jornalistas, mas desta vez havia uma grande diferença! Eu não estava mais sozinho, porquanto ao meu lado se encontrava Claude Thorlin com as suas fitas magnéticas e seu gravador de som. A Sra. Kersten, Arno Kersten e a Sra. Falck estavam entre os jornalistas e piscavam os olhos para mim. Reinava na sala uma atmosfera animada e acolhedora.

Quase todos os repórteres já conheciam o caso e haviam acompanhado atentamente o seu desenvolvimento. Dei umas explicações preliminares e passei a fazer as demonstrações das fitas magnéticas, dentre as quais escolhi aquelas que tinham sido gravadas na presença de conhecidos cientistas e pessoas idôneas.


Depois que a Sra. Kersten e a Sra. Falck fizeram espontaneamente e com profunda convicção, suas declarações, enquanto eu rodava as fitas sonoras correspondentes, parece que os últimos vestígios de dúvidas dos jornalistas se dissiparam.


Quando Claude Thorlin se levantou e iniciou a sua palestra, reinava um silêncio absoluto na sala. Com palavras simples, ele relatou como, por mero acaso, lhe foi despertada a atenção pela primeira vez para o fenômeno das vozes e como, gradativamente, foi vencendo o seu ceticismo, de modo que, com o tempo recebeu novas comunicações.


Mais tarde, quando ele fez ouvir suas gravações, e nós dois, alternadamente, apresentamos certas vozes, a entrevista parecia ter chegado ao auge. Contudo, outras surpresas ainda nos estavam reservadas.

Dois jornalistas, um italiano e outro sueco, propuseram que fizéssemos uma gravação em comum. Concordei, se bem que um tanto relutante. Temia que -- e o confessei abertamente -- com tantos ouvintes, fosse quase impraticável um controle direto nas gravações pelo microfone.


Ademais duvidava que todos se mantivessem em silêncio, e sobretudo me acometia aquele receio de que os meus amigos do Além não comparecessem prontamente. Os jornalistas se comprometeram a não perturbar a experiência e, assim, coloquei uma nova fita e deixei rodar o aparelho.


Pouco depois, ouvimos uma voz de homem dizer durante um breve intervalo: "Elna -- o trabalho..."


A Sra. Falck pediu licença para falar. Emocionada e com lágrimas nos olhos, disse: "É Arne, meu falecido marido... eu me chamo Elna!"


Os jornalistas insistiram em fazer outras gravações. Uma mulher se anunciou e avisou em alemão: "Horcht -- Kontakt!" (Escutem -- Contato!)

Iniciou-se então uma balbúrdia tão grande que eu propus ligar o rádio, para evitar perturbações acústicas resultantes do falatório. Conseguimos depois duas gravações que, a bem dizer, foram ouvidas por todos.


Primeiro uma voz de homem idoso disse, num tom arrastado e monótono, entre outras coisas: "Hört die Tota auf Pressekonferenz... wir kontakta Mölnbo..." (Escutai os mortos na conferência à imprensa... nós, contato Mölnbo...) Em seguida, uma clara voz de mulher pôs-se a cantar.


A princípio pensamos que se tratasse de uma transmissão comum de rádio, mas ao escutarmos mais atentamente, percebemos a seguinte frase: "Lilla Claude, Freddie -- hör pä Radio Lena!" (Pequeno Claude, Freddie -- escutam pelo rádio-Lena!)


As palavras rádio e Lena estavam ligadas. Já havia escutado muitas vezes semelhantes abreviaturas "sincronizadas", tais como: aparadio -- junção de aparelho e rádio -- ou Mölnbro, em vez de Mölnbo (bro = ponte). Por volta da meia-noite encerrou-se a conferência. Nos dias seguintes os jornais publicaram uma série de artigos extraordinariamente objetivos e honestos.

Algum tempo depois minha mulher e eu viajamos para a Itália. A escavada Pompéia ostentava um matagal mais denso e agressivo. Rodei ali um filme de curta metragem, e depois segui para Paestum, onde fui atacado por uma violenta febre reumática.


Ainda não estava completamente restabelecido quando me reuni à equipe que ia realizar um teste científico em Nordheim, com a participação do presidente Roll. Começamos as gravações sob condições favoráveis para os cientistas, com instalações de controles múltiplos, estereomicrofones, etc.


Encontrando-se tudo ainda na fase de investigação com experimentações e como tínhamos combinado um segundo encontro em Nysund para outono de 1965, com aparelhos de construção nova, desejo apenas mencionar rapidamente o seguinte: não obstante o mal estar que sentia e do ritmo de trabalho intenso que realizava, apresentaram-se algumas vozes que foram registradas simultaneamente por todos os gravadores de som.


Posso acrescentar ainda que depois das nossas gravações coletivas -- dura prova para mim -- sentia-me imensamente aliviado, dedicando-me, após sete anos, novamente à pintura.

CAPÍTULO 46

PARA TELEVISÃO O RISCO É GRANDE DEMAIS. ALGUNS CIENTISTAS SE ESQUIVAM. OITOS PESSOAS, ALÉM DE MIM, RECEBEM MENSAGENS DE MORTO. MUITA COISA DEPENDE DO PONTO DE VISTA PESSOAL DO CIENTISTA. O CASO ANDERSON.

NO INVERNO e na primavera de 1964-65, recebi muitas visitas interessantes, entre elas o diretor de programação da televisão sueca, Nus Baehrendtz e sua mulher. Na sua presença, consegui captar pelo microfone duas vozes claras e gravá-las na fita magnética.


O Prof. Laurent veio novamente procurar-me. Nessa ocasião, convidara também o casal Thorlin e deixara à mão algumas gravações muito nítidas, conseguidas pelo redator Sting Söderling. Mais adiante darei maiores detalhes sobre o assunto.


Além disso, o engenheiro Törnquist chegou com seus alto-falantes e aparelhos de filtragem. E assim pudemos começar tranqüilamente nossa série de experiências. No primeiro dia, ouviu-se apenas a voz de Lena, que declarou resolutamente: "Heute wird nix". (Hoje não tem nada!) E ficou nisso, apesar de todos os nossos esforços.

No dia seguinte, que era um domingo, tivemos mais sorte. Não apenas captamos numerosas vozes, nítidas pelo microfone, mas também algumas se fizeram ouvir através do rádio. O mesmo cantor, que há um ano cantara: "Farbror Churchill Tackar Ove!" entoava dessa vez um breve: "Die Wellen eindämmen!" (Reprimir as ondas!)


Laurent teve a impressão de que as gravações estavam, de algum modo, relacionadas com a lua, e mais tarde declarou na imprensa que pretendia instalar uma antena dirigível em Nysund.


Quanto à televisão, nada fora resolvido, já que os seus dirigentes revelavam uma incompreensível indecisão, ou melhor, uma deplorável timidez. Apesar da publicidade em torno do caso e de todas as declarações positivas de técnicos e cientistas, na realidade não se tomaram quaisquer providências a fim de investigar tecnicamente o fenômeno.


Para reduzir ao máximo o custeio das pesquisas minha mulher e eu oferecemos nossa cabana na floresta, que se compunha de quatro compartimentos, cozinha e banheiro, como sede das experiências. Dentro das nossas condições, era tudo que podíamos fazer. No entanto, nada aconteceu.

Ao divulgar-se a notícia de que cientistas alemães estavam estudando com grande interesse o fenômeno e já começavam a obter êxito nas suas experiências, com o auxílio de amplificadores de som e filtragem -- o que significava que tinham encontrado um método capaz de estabilizar sensivelmente a construção da ponte de comunicação com o Além -- a radiofonia sueca pareceu manifestar um novo interesse.


Até que enfim apareceram homens dispostos a tirar as castanhas do fogo. Doravante, na Suécia, só nos restava ficar quietinhos, bem comportados, e esperar que o assunto fosse divulgado na Alemanha, depois do que seguiríamos, tranqüilos e seguros, a trilha dos audaciosos alemães.


Na última entrevista à radiodifusora sueca, declarei que agora só nos cabia aguardar os acontecimentos, pois, de acordo com o meu ponto de vista, o privilégio da avant première deveria ser concedido à televisão alemã, uma vez que os cientistas daquele país enfrentaram o problema de modo franco, positivo e com a maior dedicação.

Antes de eu viajar para a Itália, várias pessoas já realizavam experiências com gravações de fitas magnéticas segundo o meu sistema, dentre as quais as seguintes: 1. Claude Thorlin, Elkistuna;


2. O redator Urban Strensstrom e senhora, Svenska Dagbladet;


3. O redator Stig Söderling, Elkilstuna Kuriren;


4. O redator Evert Hallin, Elkilstuna Kuriren;


5. O redator Anders Elmquist, Aftonbladet;


6. Ture Feldin, Sundswall;


7. Berndt Andersson, Köping;


8. O engenheiro N., Estocolmo;


9. O Dr. K. Raudive, Bad Krozingen/Baden.

Copiei e examinei a maioria dessas gravações e em todas elas foram comprovados incontestavelmente os mesmos fenômenos de vozes. Em todas também se observava o idioma poliglótico, sendo que nas gravações de Feldin e Andersson as vozes falavam principalmente em sueco, talvez porque ambos só entendessem esse idioma.


A Feldin apresentam-se freqüentemente os seus falecidos pais, que lhe trazem notícias particulares em dialeto tipicamente nórdico. Conseguiu também fazer uma gravação de rádio, transmitida em dois idiomas, com excelente qualidade de som.


Em todas as gravações escuta-se aquele som ruidoso característico, o rumor da ligação e o eco específico. Numa delas, uma voz de homem chama, ou melhor, grita, com um timbre metálico que parece perder-se numa abóbada gigantesca: "Achtung! -- Ture! (nome próprio de Feldin) er hört pa radio!" (Atenção! Ture! ele escuta através do rádio!)

O redator Söderling realizou uma das mais convincentes gravações pelo microfone. Como sua mulher tivesse viajado, ele convidara dois amigos para um bate-papo em sua casa. Conversavam animadamente e, a certa altura, Söderling disse aos seus amigos: "As vozes não falam somente sueco, mas se apresentam até em aramaico..."


Nisto, ele foi interrompido por uma voz de mulher, que exclamou bem alto em sueco: "Det kan vara vilket ord som helst! (Isto pode ser qualquer uma palavra!)

Dois dias antes de minha viagem, encontrei-me com um engenheiro alemão, que trabalha numa firma sueca como diretor técnico e especialista em acústica, que negocia com aparelhos de televisão e gravadores de som alemães.


O engenheiro N. percebeu na fita magnética uma clara voz de homem, num intervalo que se seguiu a um solo de piano. Falando em alemão, disse a voz rapidamente: "Hier bin ich." (Aqui estou eu.)


Posteriormente, ele procedeu a uma análise meticulosa da fita magnética, verificando que se assemelhava às produzidas pelos físicos alemães. Afinal chegou à conclusão de que as vozes não se serviam unicamente do microfone como canal de entrada, mas que outras peças sensíveis do gravador de som também podiam ser utilizadas como receptor.


Uma circunstância interessante consistia em que nestas gravações todas as trilhas existentes na fita magnética eram irradiadas ao mesmo tempo, e nas trilhas restantes, que em geral são inacessíveis às gravações, ouvia-se um ruído esquisito.

No que diz respeito ao Dr. Konstantin Raudive, de Bad Krozingen, Alemanha, devo destacar de modo especial o seu trabalho de pesquisa. Ele me visitou em 1965 pela primeira vez em Nysund, onde fizemos gravações com ótimos resultados, gravações essas dirigidas exclusivamente ao Dr. Raudive.


Depois do seu regresso à Alemanha, o Dr. Raudive dedicou-se a intensivas pesquisas sobre as vozes e, para esse fim, instalou um pequeno mas engenhoso laboratório. Sua principal preocupação era chegar ao fundo da questão por meios e métodos puramente científicos.


Com o correr dos anos, conseguiu atrair para Bad Krozingen numerosos cientistas e especialistas ilustres, que assistiram às gravações e admitiram a existência do fenômeno. Hoje não é mais possível negar ou ignorar o fenômeno das vozes, do ponto de vista científico, sobretudo se nos basearmos nos trabalhos do Dr. Raudive.


O resultado de suas pesquisas de longos anos, ele o reuniu num livro, que já se encontra traduzido em português. Pode-se considerar essa obra um alicerce científico e um complemento deste livro.

Nesta altura, devo prestar alguns esclarecimentos. Sendo os fenômenos das vozes os primeiros a serem pesquisados por meios físiotécnicos na história da humanidade, apresentam ainda um aspecto totalmente desconhecido. Tudo que se oculta por trás desse fenômeno ultrapassa a nossa percepção psíquica, quer se trate de um técnico em acústica, de um físico, psicólogo, psiquiatra, parapsicólogo ou de um médico.


Se pretendermos continuar a investigar esses fenômenos em grupos de pesquisa científica, testes ou outras experiências técnicas, nossa tarefa consiste unicamente em especificar as ocorrências de modo objetivo. Não devemos esquecer que, neste campo de pesquisa, temos de tatear no escuro.


Na realidade, não apenas tentamos evitar as ilusões, os truques e as fraudes, mas também descobrir a origem da força do fenômeno, filtrando e aumentando certas vozes fracas e reduzindo as perturbações.


Para compreender objetivamente esse fato inédito, jamais ocorrido antes, o pesquisador tem de revelar antes de tudo um espírito esclarecido e a necessária maturidade. Seu êxito não depende somente da organização técnica, mas especialmente da total libertação de quaisquer ideologias e princípios doutrinários, assim como da coragem para tornar pública esta nova causa.


O intelectualismo muitas vezes pode constituir uma barreira, principalmente quando se trata de hipóteses teóricas ou especulações doutrinárias.

Passo a apresentar um pequeno exemplo. Na minha primeira conferência de imprensa, um técnico da radiofonia sueca me perguntou por que não comuniquei à radiodifusão as perturbações da rede.


-- Que perturbações? -- indaguei admirado.


-- As suas vozes, naturalmente -- respondeu ele, acrescentado: -- Elas poderiam ser causadas pelas perturbações da rede.


Assim, cada um procura amoldar o assunto à sua bitola, porque ao homem é difícil ultrapassar os limites de sua especialidade.

Desde 1964 me foi possível receber gravações através de gravadores portáteis, tanto ao ar livre como em ambiente fechado. Esses aperelhos de bateria excluem, de antemão, toda e qualquer "perturbação da rede" imaginável e mostram, inequivocamente, que as vozes afluem diretamente do éter. Certa vez eu recebi, de manhã bem cedo, nos tranqüilos jardins de Pompéia, saudações de Lena, e numa época em que era proibida a visita à cidade antiga.

Antes de relatar outras ocorrências, quero falar rapidamente sobre o caso Berndt Anderson, que na sua simplicidade representa um exemplo a ser observado em inúmeros casos semelhantes. Anderson perdeu a mulher em 1963, em conseqüência de uma enfermidade renal, naquela época ainda considerada incurável.


Desta forma, desfez-se brutalmente um casamento feliz, e a existência para ele perdeu todo o sentido. Não podia de modo algum compreender como uma criatura tão moça e bondosa viesse a morrer sob o suplício de tão horríveis padecimentos. Tudo isto parecia cruel e injusto.


Suas três filhas também sofreram enormemente com essa perda. Não apenas haviam perdido uma mãe extremosa, mas tinham de presenciar, angustiadas e impotentes, o profundo desgosto do pai. Um dia Anderson leu algo sobre "as vozes de espíritos de Mölnbo".


Uma centelha de esperança ressurgiu. Certa noite, sua mulher lhe apareceu. Ele estava num estado intermediário entre o sono e a vigília, e tinha consciência disso, mas viu sua mulher e ouviu-lhe a voz. "Eu vivo... Eu vivo!", sussurrou ela, e depois se desvaneceu.

Teria sido isso uma realidade ou ilusão? Anderson comprou o meu livro e depois de o haver lido resolveu procurar-me. Assim que Anderson chegou a Nysund, logo na primeira gravação ocorreu o seguinte: Eu acabava de dar as boas-vindas aos meus amigos invisíveis, quando uma suave voz de mulher exclamou: "Isto nós sabemos." Pouco depois a mesma voz sussurrou: "Eivor..."


"É minha mulher!", disse Anderson emocionado. "Reconheci imediatamente a sua voz -- ela se chamava Eivor..."

Na semana seguinte Anderson tornou a visitar-me. Veio com suas duas filhas Mariann e Rigmor, que também reconheceram logo a voz de sua mãe. Hoje a esperança retornou ao lar de Anderson. As mensagens dirigidas a Anderson não foram exclusivamente pessoais. Eu também obtive, através de suas gravações, algumas informações, mas, antes de tudo, consegui um colaborador de confiança, cuja vida passou a ter uma nova significação.


É evidente que, mesmo com a maior boa vontade, só uma vez ou outra -- como foi o caso de Anderson -- poderei servir de intermediário. No mais, pouco me restaria a fazer, não somente por uma questão de tempo, mas também porque está além das minhas possibilidades servir de mediador nos contatos, a não ser em circunstâncias especiais.

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FONTE DO TEXTO

http://www.transcomunicacao.com



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