TRANSCOMUNICAÇÃO INSTRUMENTAL

Tradução de Else Kohlbach - Editora Civilização Brasileira


LIVRO "TELEFONE PARA O ALÉM",
DE FRIEDRICH JÜRGENSON, PARTE 26


Nova experiência de contato científico com o Além, dentro dos recursos atuais da era tecnológica.

CAPÍTULO 47


ESPERANÇA PARA TODOS ENLUTADOS E SOLITÁRIOS. O QUE NÃO SE DEVERIA ESPERAR. COMO SE PODE ENTENDER A LINGUAGEM DOS MORTOS. ALGUNS CONSELHOS TÉCNICOS. CUIDADO COM A IMAGINAÇÃO E AS ILUSÕES! O ÍNICIO DE UMA NOVA ÉPOCA PARA A HUMANIDADE.

EM VERDADE, todo aquele que procura comunicar-se com os mortos movido pelo amor, pela saudade ou preocupação com o destino dos seus entes queridos, todo aquele que deseja realmente, com sinceridade e grande paciência, participar na construção da ponte entre o aqui e o Além, poderá transpor as barreiras do mundo invisível.


Isto não significa que se poderá estabelecer, de um momento para outro, uma ligação com um morto de quem se deseje ter notícias. No Além, nem todos são acessíveis imediatamente pois nem todos estão despertos e conscientes da mudança ocorrida no momento da morte. Não se necessita apenas de infinita paciência, mas também não se deve desanimar com os primeiros insucessos.

Há igualmente a possibilidade de que, na tentativa de entrar em contato com determinados mortos, se manifestem repentinamente outras pessoas, parentes ou amigos. De qualquer modo, este será um bom começo e dai por diante deve-se prosseguir pacientemente.


Grande parte do êxito depende de nós mesmos, sendo também importante a maneira de estabelecer contato. Justamente nesse ponto nossa atuação pode ser obstrutiva ou favorável. O mais aconselhável é manter a naturalidade, evitar atitudes patéticas, importantes e solenes.


É preferível ser simplesmente alegre do que assumir uma pose cerimoniosa e forçada. Jamais devemos esquecer que os mortos são humanos como nós. A palavra "fantasma" de modo algum deveria ser por nós empregada, pois se acha associada a uma cadeia infindável de idéias errôneas. Quem for capaz de conhecer todas essas distorções, terá mais facilidade em se aproximar da zona de consciência dos mortos.

Quantas vezes já captei nas minhas fitas magnéticas, nas mais diversas modalidades, a enfática afirmação existencial dos chamados mortos, que clamavam, recitavam e cantavam: "Wir leben! Wir leben! Wir Tote -- wir leben! (Nós vivemos! Nós vivemos! Nós, mortos -- vivemos!), ou então: "Friedel! Die Toten leben, weil sie eben keine Toten sind!" (Frederico! Os mortos vivem, mesmo porque eles não estão mortos!), ou ainda: "Wir sind MENSCHEN! Die Toten sind Menschen!... (Nós somos seres humanos! Os mortos são seres humanos!...)


Jamais esquecerei a ocasião em que me foi transmitida, através do coral da Traviata de Verdi, uns versos encantadores, que me emocionaram profundamente e me proporcionaram imensa alegria.


Por essas estrofes, apresentadas em tom humorístico, mas que revelavam uma recôndita seriedade, percebi mais uma vez a extensão do abismo que, como seres vivos, erguemos entre nós e os mortos.


O poema terminava assim: "Man kann nicht bei Friedrich gespenstisch sein, man fühlt sich bei Friedel als Mensch..." (Não se pode ser fantasmagórico junto ao Fniedel; a gente se sente junto ao Friedel como ser humano...)

Convém lembrar que não se deve esperar dos mortos prédicas confortadoras. Já bastam as sonoras pregações que vimos fazendo durante séculos sobre o amor, a fraternidade, a liberdade, a igualdade, a justiça e a humanidade e que nos fizeram perder a capacidade de ouvir e ver a realidade e a verdade.


Não importa saber se nós mesmos é que fracassamos em nossos sistemas religioso-filosóficos. O fato é que construímos um mundo de misérias e conflitos, no qual duas grandes potências criam um clima de nervosismo com a ameaça da bomba de hidrogênio.


Portanto, não esperamos dos mortos tratados político-morais ou ético-filosóficos. Todos esses espalhafatos intelectuais perdem sua significação no Além e teremos de abandoná-los, queiramos ou não, juntamente com o nosso livro de cheques, sobre o leito mortuário.


Se pretendermos entender a linguagem simples dos mortos, teremos de nos libertar da tirania do intelecto, pois onde domina a arrogância e a frieza do espírito se entorpecem os sentimentos do coração.

A linguagem dos mortos é uma linguagem figurada e sem disfarces do subconsciente. Livre de quaisquer compromissos, quer decorrentes de falsas amabilidades, elucubrações estilísticas ou escrúpulos morais, a linguagem dos mortos transmite diretamente a verdade da alma.


Da mesma forma, eles falam como crianças que ainda não foram corrompidas pelo espírito de dissimulação. Nós próprios deveríamos retomar à infância, não de modo pueril, mas como seres humanos que conseguiram, finalmente, libertar-se do pesado fardo do passado, porque sem uma completa transformação mental jamais poderemos compreender o Novo.


Já me perguntaram muitas vezes qual a melhor maneira de entrar em comunicação com os mortos. Como já disse antes, isto depende exclusivamente de nossas motivações, assim como de nossa paciência e perseverança.


Tratando-se de uma questão muito sutil, também aqui não se podem fornecer fórmulas nem receitas, conquanto esteja sempre disposto a partilhar prazerosamente do resultado de minhas experiências de sete anos.

Inicialmente, devo dar alguns conselhos técnicos: um sólido gravador de som, não muito pequeno -- duas trilhas são suficientes -- tem a vantagem de não se desgastar rapidamente, mesmo com freqüentes mudanças de ligação.


Convém usar a velocidade maior (19 cm/seg. - 7 ¼ i.p.s.), pois assim não apenas se obtém melhor qualidade de som, mas também é possível escutar e controlar a gravação com velocidade reduzida, para um maior entendimento.


A presença de muitas pessoas, geralmente, é perturbadora. Coloca-se o microfone a uns dois ou três metros de distância, e liga-se o volume de som normal. Deve-se permanecer completamente descontraído, conversando em tom normal e fazendo de vez em quando alguns intervalos.


É aconselhável iniciar as gravações citando a data, a hora e os nomes das pessoas presentes. Não deixar rodar a fita mais de quatro minutos de cada vez, porque o auscultamento de gravações mais prolongadas ocupa muito tempo.

Antes de entrar em pormenores mais importantes, devo fazer uma advertência: quanto mais positivos e atentos conseguirmos ser, menores serão as probabilidades de sermos conduzidos a erros e equívocos motivados por nossa imaginação, pois não existe maior inimigo do que o nosso próprio pensamento animado pelo desejo! Gostamos sempre de escutar aquilo que ardentemente desejamos. Recebi numerosas fitas magnéticas para controle que, conforme fui informado, deveriam conter "vozes de espíritos" e que, na realidade, não apresentavam o mínimo vestígio desses fenômenos transcendentais. Em gravações baixas, é preferível escutar cinqüenta vezes do que fazer conclusões precipitadas com base em associações de sílabas, que mais tarde, ao serem corretamente interpretadas, revelarão o equívoco.


O auscultamento é uma arte difícil, que tem de ser aprendida paulatinamente. Não se aplica apenas às fitas magnéticas, mas deve ser exercitada a cada dia e a cada hora. Na nossa época de extrema agitação, quem será capaz de concentrar-se pacientemente para escutar, de modo atento e equilibrado, todos aqueles que nos dirigem a palavra? Na realidade, não estamos constantemente preocupados em perseguir os nossos próprios pensamentos?

A arte de escutar requer quatro condições: relaxamento, atenção, silêncio mental e tranqüilidade interior. Nossa civilização raramente nos dá oportunidade para o recolhimento e a reflexão. Ao contrário, com o seu progresso técnico e os múltiplos meios de comunicação, arrebatou ao ouvido humano sua natural sensibilidade.


Isto não se refere apenas aos centros urbanos, pois atualmente no campo há pouca diferença. Todos esses ruídos, quer sejam produzidos por aviões a jato, automóveis, motocicletas, rádios, tratores, serras mecânicas ou pelo trânsito, exercem um efeito maléfico e embotador sobre os nervos e o poder receptivo do nosso cérebro.


Desse modo, não apenas o tímpano e o nervo auditivo vão-se insensibilizando, mas o cérebro perde a capacidade de captar as sutilezas do som e os ruídos mais delicados.


Quando se pensa que, nos dias atuais, os dentistas podem tornar os seus clientes insensíveis à dor por meio de ruídos e música, em vez de injeções de anestesia, então se pode compreender os efeitos devastadores causados ao ouvido humano pelo ruído constante.

Se quisermos obter bons resultados na escuta das fitas magnéticas, devemos sobrecarregar o mínimo possível os nossos ouvidos com a música tumultuosa do rádio e da televisão. Procuremos a tranqüilidade, se possível na natureza, escutando as vozes dos pássaros, dos ventos e das ondas, e até do próprio silêncio, pois tudo isso é sumamente benéfico. Sob condições favoráveis, geralmente as vozes afluem logo, no início da gravação, proferindo às vezes uma frase curta, um nome, uma saudação ou uma exclamação. Não se deve esperar muito no princípio. Há dias em que não se consegue gravar nenhuma voz, mas nem por isso devemos ficar impacientes, pois as gravações terão de ser feitas naturalmente.


Lembro-me de que, certa vez, depois da visita de dois cientistas, a voz de Kersten ressoou de repente na fita magnética e exclamou categoricamente em sueco estropiado: "Nós queremos vir sem coação!" A espontaneidade é um fator decisivo.


Nesse ponto de encontro de duas dimensões, onde nos defrontamos com fenômenos desconhecidos, não pode haver absolutamente nenhuma compulsão. Grandes preparativos e expectativas conduzem a precários resultados.

Se para as gravações das fitas magnéticas é de grande e até quase decisiva importância uma atitude tranqüila e despreocupada, então, durante a escuta da gravação, é imprescindível uma equilibrada objetividade. Mas, antes de tudo, é indispensável a vigilância mental e boas condições físicas. Os mortos podem ler os nossos pensamentos, e este é um fato simples de que nos convencemos em pouco tempo.


Contudo, isto nada tem de desagradável, que nos possa constranger ou embaraçar, se nos comportarmos com naturalidade. Ao contrário, a certeza de nossa autenticidade, que não irá ser criticada por olhos que nos observam, dá-nos uma sensação libertadora que nos deixa inteiramente à vontade.


Conquanto os mortos conheçam nossas fraquezas, mas, por delicadeza e compreensão não as critiquem, isto não significa de modo algum que eles as apóiem e muito menos que se deixem induzir, por meio de astúcias e sofismas, à prática de ações que não estejam em harmonia com os seus objetivos. No tocante às comunicações pelo rádio, seria prematuro dar quaisquer indicações enquanto não se encontrar o meio de comunicação através do microfone. Além disso, não se pode realizar uma comunicação através do rádio, sem o auxílio de um assistente do Além. No entanto, estou certo de que todo aquele que deseje sinceramente dedicar-se à construção da ponte, poderá contar com a presença do assistente invisível.

Em conclusão, cumpre ressaltar que ainda vivemos no plano terreno e, portanto, jamais deveríamos esquecer que, por meio dessa ponte, estamos aptos, pela primeira vez, a decifrar gradativamente o problema da morte de maneira física e objetiva.


Todas as expressões que exaltam o pioneirismo, a singularidade e a universalidade não são suficientes para assinalar a importância desse acontecimento no nosso tempo. Sabemos que um homem não pode realizar-se se não estiver em relação com o seu meio ambiente. No isolamento ele é apenas um nada estéril, sem possibilidade de desenvolvimento e progresso.


Mas como não é possível separar a vida da morte, já que representam uma unidade, e como há milênios erguemos uma muralha entre nós e os mortos, o nosso desenvolvimento só pode realizar-se de modo unilateral. Obstinadamente, levamos a existência a pular numa perna só, criando, assim, um mundo de estropiados intelectuais.


Hoje a ponte para o Além se tornou uma realidade, que se baseia sobretudo na devoção dos mortos, pois só pela iniciativa oriunda de um plano de existência superior se podia estabelecer essa comunicação. Cem anos atrás, isto não seria possível, em virtude do atraso tecnológico.

Minha participação nessa obra teve apenas um caráter preparatório, se bem que me sinta antecipadamente recompensado, pois nenhum trabalho me proporcionou tanta alegria, surpresa e perplexidade como esse maravilhoso quebra-cabeça.


Devo repetir que o problema da morte oculta a chave da existência. Ao solucioná-lo, desaparece não somente o medo angustiante da morte em si mesma, mas também se dissipa ao mesmo tempo a interminável corrente de sofrimento a ela ligada.


Mas temos de modificar fundamentalmente a nossa mente, abolindo, pouco a pouco, nossos habituais pensamentos e emoções. O processo é lento, entremeado de obstáculos, porém, finalmente, o túmulo perderá sua carecterística macabra. Então ninguém desejará mais cobrir-se de luto para visitar os mortos no cemitério, pois poderá ouvir em casa as suas vozes vivas.


Comecei a escrever este livro há sete anos, na Suécia, numa calma e aprazível manhã de outubro. Naquela época, encontrava-me na minha tranqüila cabana do bosque, de onde avistava a colina verdejando na paisagem colorida.


Hoje o termino em Pompéia, numa fresca manhã de outubro, cheia de sol, sob um céu sem nuvens e ao sopro de uma brisa suave. Algumas horas antes, houve uma forte tempestade em Campania, com aguaceiro, ventania e trovoada. Mas agora tudo renasce com renovado vigor, e exala uma deliciosa fragrância de ozônio, alecrim e terra úmida.

As uvas começam a amadurecer na pérgula. Pendem em pesados racimos negro-azulados sobre a minha cabeça e balançam levemente ao vento. Os muros limpos de Pompéia ostentam um novo brilho. Não existe mais poeira, e as pedras da calçada da Via del Abbondanza estão pontilhadas de poças d'água. Do parapeito do meu terraço, avisto grupos de turistas que passam, mas suas vozes não chegam até a mim. Aqui no alto ainda reina a paz campestre, e sinto imenso pesar de ter em breve de me afastar deste tranquilo recanto. Lá embaixo, dormita a parte da cidade de Pompéia ainda não escavada. Estranho! Justamente aqui eu deveria, há sete anos, participar da escavação de uma casa, a "Avedere". Em vez disso, entrei nas escuras profundezas de uma gruta desconhecida de natureza psico-espiritual.


Mas hoje, que a "ponte" já está bastante fortificada, voltei ao mesmo ponto de partida. Acaso? Destino? Carma? Quão pouco sabemos nós dos secretos desígnios do destino. No entanto, uma coisa é certa: o segredo da vida e da morte jaz oculto na profundeza de nossa conscifincia, cuja escuridão não poderemos dissipar sem introspecção e autoconhecimento.

PALAVRA FINAL

ESFORCEI-ME para evitar certas idéias gerais como Deus, amor, espiritualidade, bem e mal. Por dolorosa experiência, sei que palavras dessa natureza conduzem freqüentemente a equívocos, transformando-se em enormes obstáculos. Basta nos aprofundarmos, por exemplo, na noção de espírito e espiritualidade. Em geral concebemos o espírito como uma espécie de antagonismo da materialidade, assim como opomos a energia à matéria e a luz à escuridão.


Entretanto, hoje sabemos que, na essência, a energia e a matéria são iguais e que a energia pode transformar-se em matéria e a matéria em energia. Em outras palavras, engendramos a noção de espírito em oposição à matéria, sem termos, todavia, com isso descoberto os limites entre um e outra.

Assim, por exemplo, uma flor, no sentido biológico, compõe-se principalmente de água e, em resumo, representa um processo físico reacionário. Por mais prosaico que possa parecer, isto é absolutamente exato e não pode ser contestado. Mas a flor representa ao mesmo tempo beleza e graça, que se manifesta por meio da cor, da forma e do perfume.


A objeção puramente materialista de que a flor é composta de água, nada muda no caso. O simples fato de que a água, combinada com outros elementos, pode contribuir para a formação de uma flor aumenta ainda mais o prodígio de uma florescência, pois o que realmente importa é a obra de arte em si mesma.

Onde estão aqui situados os limites? O que é a beleza, o perfume, o Espírito? Indubitavelmente, penetramos de modo unilateral na denominada zona da matéria densa. Isto se refere sobretudo a nós mesmos e ao nosso próximo, a quem julgamos e tratamos de acordo com a sua conta bancária, seu título, posição social e raça.


O mesmo escalão de valores é aplicado ao "plano espiritual" por nós imaginado, valendo tanto para o aluno como para o mestre, tanto na zona astral ligada à Terra como no remoto Nirvana. Mas tudo não passa de palavras ocas, e prevalece apenas enquanto não tivermos experimentado na carne, no sangue e em toda a densidade da matéria a verdadeira natureza do ser.


Aí então compreenderemos que todas as linhas divisórias são limitações do consciente egoísta, porque a essência espiritual não admite negação nem separação entre o Espírito e o Ser.

Para finalizar, voltarei mais uma vez à parte técnica, a fim de responder a uma pergunta, freqüentemente formulada, sobre a conveniência de usar os fones auriculares durante a escuta das gravações nas fitas magnéticas, ou se conviria utilizar o alto-falante instalado no próprio gravador de som.


Em princípio, isto depende do volume de som, de sua sonoridade e nitidez. Um fone auricular nem sempre transmite todas as freqüências existentes; superdimensiona certos sons, mas, ao mesmo tempo, pode baixar sons sibilantes especiais. Por outro lado, o alto-falante facilita, de modo mais "genérico", a percepção do conteúdo de uma gravação.


Sem qualquer dúvida, em ambos os casos, a capacidade auditiva individual representa um fator decisivo. Na verdade, seria aconselhável usar as duas modalidades, iniciando com o alto-falante e, nos casos difíceis, utilizando os fones auriculares para controle.

Parte 27   Índice   Parte 25

FONTE DO TEXTO

http://www.transcomunicacao.com



Sorria ao acordar
e antes de dormir!

Muito obrigado pela visita,
veja sempre as novidades!






Google
 
Web www.eurooscar.com








Se não vê à esquerda o menu
rolante do site, clique aqui.

If you do not see the left
scrolling menu, click here.





Home