TRANSCOMUNICAÇÃO INSTRUMENTAL

Tradução de Else Kohlbach - Editora Civilização Brasileira


LIVRO "TELEFONE PARA O ALÉM",
DE FRIEDRICH JÜRGENSON, PARTE 27


Nova experiência de contato científico com o Além, dentro dos recursos atuais da era tecnológica.

ADITAMENTO: O CASO RIGMOR ANDERSON - PARTE 1


UM ANO SE PASSOU desde a conclusão deste livro em Pompéia. Retornei à minha querida Campania, desta vez com a intenção de participar da escavação de uma casa em Pompéia, depois de obter os meios e a autorização dos serviços públicos compententes para esse fim.


Vinha filmar um documentário para a televisão sueca, mostrando detalhadamente todas as fases da escavação. Do alto do meu terraço, pode-se avistar a casa, cuja fachada já foi desenterrada.


Quando, em junho de 1967, o plano de escavação começava a concretizar-se, ocorreu na Suécia um trágico acontecimento, que me forçou a ocupar-me novamente, durante longo tempo, com a gravação das fitas magnéticas.

Para que o leitor possa ter uma visão mais ampla do caso, devo reportar-me ao Capitulo 46. Naquela época, eu escrevera entre outras coisas: "Hoje reina novamente a esperança no lar dos Anderson." Mencionei também que suas duas filhas, Mariann e Rigmor, visitávam-nos freqüentemente no verão de 1965.


A mais moça, Rigmor, que tinha dezesseis anos e era uma jovem meiga e muito bonita, apesar de sua juventude, parecia haver compreendido bem a importância dos contatos nas fitas magnéticas. Foi ela que animou o pai a fazer novas gravações, e como era dotada de um ouvido muito sensível e podendo concentrar-se facilmente, os dois realizaram um trabalho conjunto coroado de êxito.


Eu havia copiado e examinado a maioria das gravações das fitas magnéticas de Berndt. Não havia a menor dúvida de que as vozes gravadas por Berndt -- que, aliás, se serviam da mesma linguagem poliglótica -- eram procedentes dos mortos.


Mas a voz de sua falecida esposa, Eivor Anderson, não se manifestava em nenhuma fita magnética, o que me parecia estranho e incompreensível, pois sempre fora uma esposa e mãe extremosa, não se justificando, portanto, que se esquivasse terminantemente a estabelecer um contato com sua família.


Rigmor era muito parecida com a mãe, tanto no aspecto físico como no temperamento. Tinha a mesma índole suave, gentil e paciente, e era natural que o pai sentisse uma profunda inclinação pela caçula.


Minha irmã, Elly, que mantinha relações de amizade com a família Anderson, comunicou-me, certo dia, que Rigmor ficara noiva. Passou-se meio ano, e eu não tivera mais notícias dos Anderson.

Em princípios de junho, justamente durante a visita de amigos de Nápoles, minha irmã me telefonou de Köpingen. Muito nervosa, contou que Rigmor estava desaparecida há quatro dias. Temia-se um crime sexual, pois recentemente duas mulheres tinham sido assassinadas sem que se descobrisse o criminoso.


A polícia divulgara a notícia pelo rádio, e fazia investigações nas cercanias de Köpingen, auxiliada por destacamentos militares. Estas foram as informações de Elly.


Como essa trágica ocorrência foi amplamente divulgada pela imprensa sueca, basta acrescentar que, só onze dias depois, encontraram Rigmor estrangulada num matagal. Como ficou provado mais tarde, fora assassinada pelo noivo, depois de haver rompido com ele. Assim noticiavam os jornais.

Tudo isto parecia um horrível pesadelo. No íntimo, desejava que a pobre garota não tivesse sofrido muito, mas, em todo o caso, para ela o pior já devia ter passado. Quanto ao seu pai, receava que não pudesse recuperar-se do golpe sofrido.


A princípio, antes do esclarecimento do crime, os jornais publicaram várias notícias sobre o desaparecimento de Rigmor, alimentando ainda a esperança de encontrá-la com vida. Segundo soube mais tarde por Berndt, tudo para ele se tornara claro desde o primeiro dia, assunto a que voltarei mais adiante.


Após o telefonema de minha irmã, adiei o projeto de Pompéia e resolvi dedicar toda a atenção ao caso de Rigmor. Nos primeiros dias, não entrei logo em contato com os meus amigos invisíveis. Estava um tanto indeciso e conjeturava que, se Rigmor tivesse sido assassinada, competiria à polícia descobrir o criminoso.


Quanto ao meu trabalho de contatos através das fitas magnéticas, cumpria-me apenas a estabilização da ponte de ligação, mas, de forma alguma, a organização de um escritório de informações criminais. Se Rigmor teve uma morte violenta, só com o tempo poderia refazer-se do choque sofrido.


Sabia também, por experiência, que até as pessoas que têm morte natural encontram, logo após a passagem, dificuldade de orientação e às vezes caem num estado de grande perturbação.

Cabia-me, portanto, examinar tudo de modo objetivo. No tocante à voz de Rigmor, ela revelava um timbre claro e se expressava quase sempre num dialeto de Västmanländischen. Pessoalmente, tinha certeza de reconhecer a sua voz.


No entanto, para evitar quaisquer equívocos ou sugestões inconscientes, resolvi copiar todas as gravações que realizamos juntos durante suas visitas naquela época. E o fiz em ordem cronológica, esforçando-me para dar realce à sua voz. Com isto, obtive um claro material comparativo, um ponto de partida firme, no qual eu podia confiar.


No dia 10 de junho de 1966, comecei, um tanto hesitante, a estabelecer o contato na fita magnética, com a esperança de que a minha assistente Lena me desse alguns prognósticos. Devo assinalar aqui que, nessa data, ainda não sabia se Rigmor tinha morrido ou se abandonara o lar por algum motivo particular.


Primeiro tentei entrar em contato com minha assistente Lena através do microfone, formulando uma pergunta pelo microfone e utilizando, como sempre, a velocidade 7 ½ i.p.s. (19 cm/seg.). Depois da gravação, passei para a velocidade 3 ¾ i.p.s. (9,5 cm/seg.) e aguardei a reação de Lena.


Sabia, por experiência, que Lena costumava falar num tom sussurrante, dando suas respostas ora aos borbotões, ora lentamente. Era evidente que, nessas ocasiões, Lena se servia de certas vibrações de minha voz e de outros ruídos. Fazia-o de modo magistral, contando antecipadamente com certa dilatação do tempo, ocorrida durante a passagem para a velocidade mais reduzida de 3 ¾.

Ao formular pela primeira vez a pergunta sobre o destino de Rigmor, preparava-me, como de costume, para escutar o sussurro de Lena, o que quer dizer que me concentrava em certa freqüência sibilizante, não dando aos outros sons perceptíveis nenhuma atenção. Com grande surpresa, não recebi qualquer resposta direta, a não ser uma frase sussurrada logo no início: Heute abend durch das Radio... (Hoje à noite pelo rádio...)


Um pouco desiludido, resolvi então realizar à noite o contato pelo rádio. Encontrava-me num estado de grande tensão, O caso ainda não fora esclarecido, e a possibilidade de que a pobre garota ainda estivesse com vida não era de desprezar. Justamente essa torturante incerteza é que dificultava um sereno auscultamento.


Isto já acontecera em certa ocasião, quando me passou despercebida uma resposta dada com toda a clareza. Só depois de meio ano me dei conta dessa parte importante que antes não percebera. O caso ocorreu em Pompéia do seguinte modo: como as minhas escavações se houvessem atrasado consideravelmente, por motivos técnicos, resolvi, nas horas vagas, examinar minuciosamente as gravações referentes a Rigmor.


Foi exatamente na época em que uma enchente devastadora assolou Florença e a Itália do Norte, e violentas tempestades desabaram no Sul da Itália. Eu pedira emprestado um gravador de som maior e nos momentos em que cessavam os trovões e relâmpagos, examinava as minhas gravações de julho de 1966.

Ao submeter uma fita mais antiga a um novo controle, procuro fazê-lo de maneira imparcial. Escuto a fita magnética, polegada por polegada, como se nunca a tivesse ouvido antes. Este, aliás, é um bom sistema, pois é impossível recordar todos os detalhes.


Eu havia gravado o caso Rigmor numa fita magnética longa (540 m) e de ambos os lados. Mas verifiquei que a escala cronométrica da fita magnética que eu pedira emprestado em Pompéia não condizia com a contagem cronológica por mim anotada, o que me parecia uma circunstância favorável, pois, praticamente, me obrigava a começar tudo de novo.


Mas eu dispunha de muito tempo e, além disso, encontrava-me num estado de espírito harmonioso. Como já mencionei, fez-se ouvir logo no início o sussurro de Lena: "Hoje à noite pelo rádio..." Antes, porém, que concluísse a pergunta dirigida a Lena -- eis aqui o ponto importante -- ressoou uma voz de homem, muito nítida, que disse num tom rápido e firme: "Rigmor tot!" (Rigmor morta!) A voz, que lembrava a de Felix Kersten, falava em vez de sussurrar.

Só em casos muitos raros as vozes gravadas com a velocidade normal, depois da mudança para a velocidade reduzida de 3 ¾ i.p.s., eram tão claramente compreensíveis. Tratava-se de um fenômeno extremamente estranho, pois, levando-se em consideração que a gravação fora feita na velocidade 7 ½ i.p.s., todas as vozes e sons, gravados simultaneamente com a minha voz ao formular a pergunta, deveriam, na mudança para a velocidade 3 ¾ i.p.s., ter baixado automaticamente uma oitava inteira. M


as o homem que disse "Rigmor morta" falou com timbre de voz comum e, em verdade, exatamente como se tivesse sido gravado com a velocidade 3 ¾ i.p.s., o que, do ponto de vista técnico, é absolutamente impossível.


O fato é que a voz fora gravada, a resposta foi dada, podendo ser constatada por todos. Contudo, em conseqüência de minha precipitação e precária concentração, não escutara a resposta.


No dia 11 de junho de 1966, onze dias depois do desaparecimento de Rigmor, seu cadáver foi encontrado por jovens que faziam exercícios de adestramento voluntário nas proximidades do matagal.


No dia seguinte muito cedo, Berndt me telefonou e, de qualquer forma, eu estava intimamente preparado para receber a notícia. Ele pouco falou; disse apenas o seu nome e fez uma pausa. Respondi que estava esperando o seu telefonema e que há pouco recomeçara os contatos nas fitas magnéticas, tentando fazer uma ligação. Finalizando, pedi-lhe que viesse a Nysund. Berndt concordou, acrescentando: "mas somente depois do enterro."

Aquilo que não foi dito nessa breve conversa me fez compreender a importância decisiva de tais comunicações para uma pessoa vencida pela dor. No caso de Berndt, que fora atingido por uma tragédia tão brutal, só uma manifestação pessoal da morta poderia atenuar o sofrimento da família.


Sabia que era possível estabelecer uma comunicação, porém de um modo natural e espontâneo. De minha parte, cabia-me apenas ter muita paciência e perseverança para abrir o caminho conducente a essa comunicação e à sua continuidade. Em outras palavras, eu, que estava tateando no escuro, precisava encontrar o meio mais adequado para realizar o contato desejado.


Na mesma noite, liguei o rádio e comecei, como de costume, a auscultar as ondas. Como já disse antes, não se pode, de modo algum, concretizar esse empreendimento sem o auxílio de um assistente espiritual. Dependendo, portanto, da colaboração de Lena, procurei logo entrar em contato com ela, tentando compreender corretamente as suas indicações sussurradas e em geral muito rápidas.


Devo confessar que, apesar da minha experiência de oito anos, nem sempre consigo entender prontamente as palavras de Lena. Decerto, Lena também se defronta com grandes dificuldades técnicas, causadas não somente pelas perturbações eletromagnéticas, mas também por muitos outros fatores para mim ainda desconhecidos.


O simples fato de poder ela às vezes expressar-se clara e nitidamente, embora, em outros casos, se comunique por meio de fragmentos de palavras e frases apressadas e abruptas, é, por si só, bastante eloqüente. Ao que parece, o decurso do nosso tempo -- talvez calculado em segundos -- é de suma importância para os nossos colaboradores do Além, e ainda que se consiga estabelecer uma comunicação favorável, não se pode fugir à impressão de que todos eles vivem eternamente apressados, como se tivessem de aproveitar ao máximo um curto espaço de tempo, tal como se quiséssemos, de uma condução em movimento, saudar de passagem um amigo.


Felizmente, também é possível realizar, com velocidade normal, comunicações de uma incontestável clareza, sem essa dilação de tempo. Tais contatos constituem a melhor prova de eficiência e são de tal importância que dispensam maiores comentários. Uma mensagem desse tipo proporciona àquele que a recebe a mais pura alegria da eternidade e da imortalidade.

Quando à noite, depois do telefonema de Berndt Anderson, eu estava sentado diante do aparelho de rádio, Lena anunciou-se de repente e exclamou num tom rápido e enérgico: Kontakt halten! (Manter contato). Liguei imediatamente o gravador, regulei o volume de som, e fiquei atento a escutar os sons do éter.


Devo lembrar aqui que, mesmo que se obtenha uma gravação bem clara, apenas uma parte mínima da comunicação pode ser compreendida de imediato. O fenômeno não somente é demasiado rápido, mas também na maioria dos casos, surgem ruídos secundários e perturbações atmosféricas que causam embaraços a um ouvido não adestrado.


Só depois de concluída a gravação é que se pode fazer um controle meticuloso, que nas gravações claras também exige muito tempo.


Foi positivo o resultado da gravação. Desta vez, felizmente, não havia perturbações atmosféricas, e eu percebia apenas aquele ruidoso som característico que quase sempre costuma ocorrer nos contatos diretos. Logo depois ressoaram as enérgicas chamadas de Lena: Lena, Lena! -- tag Kontakt -- Radarkontakt!...

Durante algum tempo tudo ficou quieto no éter. Súbito, de algum lugar distante -- não sei expressar-me mais adequadamente -- uma voz de mulher começou a cantar, ou melhor, a voz provinha de um vibrante tinido, que depois se transformou num texto claro, apresentado simultaneamente em alemão e italiano.


Eu conhecia a melodia -- era uma seqüência típica de sons muito usada pelos mortos -- mas a cantora, um soprano de voz clara, quase infantil, ainda não ouvira antes. A mensagem era uma interessante saudação a mim dirigida e dizia assim: "Pelle (em casa me chamam Pelle) -- prezado Pelle! Os mortos saúdam -- Skal! Ao jovem um Skal!"


Logo em seguida ao canto, intercalou-se uma voz de homem, que exclamou em alemão, num tom rápido e insistente, talvez dirigindo-se a Lena: Wenn sie mit ihm spricht, gib eine Mitteilung! (Quando ela falar com ele, dê uma comunicação!)


Neste ponto, involuntariamente, interrompi a gravação. Quem seria o soprano que me saudou com aquela típica linguagem poliglótica? Como já declarei, não conhecia a voz e nunca ouvira antes essa entidade feminina cantar. Teria sido Rigmor? Depois de tudo que lhe aconteceu, nem sequer podia imaginar que motivos teria ela para manifestar tão esfuziante alegria.

Fiz algumas perguntas a Lena, mas não obtive resposta. Wir arbeiten... Apparat halten... (Nós trabalhamos... manter o aparelho...) -- era tudo que ouvia dela.


No dia 16 de junho, liguei novamente o rádio acoplado com a fita magnética. Lena assinalou "contato direto" com um amigo há pouco falecido. Ela mencionou claramente o seu nome, mas a voz do morto se perdeu no sussurro do éter.


Alguns amigos me enviaram saudações, e todos pareciam bem informados sobre os meus planos relativos a Pompéia. Uma voz de homem disse-me rapidamente em alemão: Hier aus deinem Pompeji -- man hört den Bojevsky. (Aqui da tua Pompéia -- se escuta Bojevsky.)


A seguir, ressoou a voz do "velho judeu", que acrescentou em sueco: "Adeus, eu espero em Nápoles."

Um amigo do nosso filho mais velho, Sven, que na época estava conosco, pediu-me que o deixasse tomar parte numa gravação. Há alguns anos, ele perdera o pai, e eu concordei sem mais delongas. Em resumo: o jovem recebeu algumas saudações.


Não sei se eram de seu pai, mas, em todo caso, ele foi chamado duas vezes pelo nome e uma vez pelo seu apelido, que era bastante exótico. Raras vezes vi um homem chorar com tanta emoção durante a escuta da fita.


Mais tarde, ao ficar sozinho, liguei novamente os aparelhos. Lena avisou "contato direto", mas, para minha decepção, escutei a voz de uma locutora russa. Meu primeiro impulso foi mudar a onda, porém, após tantos anos de experiência, sabia que Lena não costumava enganar-se, e assim deixei rodar a fita. Eis o resultado desta gravação:


Iniciou-se com uma voz de homem que me era familiar, que disse em alemão e sueco: Här ist Schweden! (Aqui é a Suécia!) Quase simultaneamente Lena assinalou contato direto e uma voz de homem exclamou rapidamente: Madchen! (Garota!). Em seguida, fez-se ouvir aquele som ruidoso tão familiar entre o qual a voz da locutora russa forçava passagem. Sua última frase foi: "Com as seguintes palavras..."


Nesse momento soou uma clara voz de moça, o mesmo soprano que me cumprimentara, gracejando. Friedrich! Jag vill hjälpa Friedrich! (Frederico -- eu quero ajudar Frederico!), cantava ela nitidamente em sueco. Fez-se uma pausa prolongada e depois ouvi novamente a mesma voz. Cantava em alemão, como que a grande distancia: Glaub', wir kommen! (Creia, nós viremos!)

Lena avisou apressadamente "contatos com radar" e acrescentou uma mensagem pessoal. Três amigos falaram quase que ao mesmo tempo. E então voltou o belo soprano; sua voz parecia um pouco emocionada, quando ela cantou em alemão: Der Friedel sucht uns! (O Friedel nos procura!) Nesse momento, veio o ponto alto da irradiação: a mesma voz avançou bruscamente -- tal como num filme, quando se transfere uma cena especial, com a ajuda da objetiva Zoom, para o primeiro plano -- e pôs-se a cantar com voz clara e alta, em alemão e sueco: Jag behövede kjälp -- ich bin bei Freddie! (Eu precisava de ajuda -- eu estou junto ao Freddie!)


Aí se interrompeu a irradiação.

Agora competia a mim verificar quem era o soprano. Como Lena não me dera informação, eu mesmo precisava certificar-me. Uma coisa era evidente: por seu tom claro, juvenil e cantante, a voz tinha maior nitidez que as outras e por sua alta freqüência sonora, sobrepunha-se sem dificuldade a todos os ruidos e tons mais graves.


Provavelmente, fora esse o motivo pelo qual essa menina-moça escolhera o canto para sua mensagem. Devia conhecer-me também, pois duas vezes dirigiu-se a mim chamando Pelle, duas vezes Frederico e uma vez Freddie. As palavras hjälpa e hjälp (ajudar e ajuda) interessavam-me de modo especial, porque em ambos os casos se podia reconhecer o dialeto västmanländischen. A cantora teria sido Rigmor? Minhas suposições me pareciam justas, mas o pai de Rigmor poderia julgar com mais facilidade.


Em todos os contatos pelo rádio das últimas semanas, eu me concentrava em Rigmor, pedindo-lhe que enviasse uma mensagem a seu pai. Sabia perfeitamente que sua apresentação na fita sonora seria de suma importância, não apenas para o seu pai e irmãs, mas também para todos aqueles que acaso tivessem perdido os seus entes queridos num desastre repentino.


Acrescia-se a circunstância de que o trágico destino de Rigmor fora minuciosamente comentado pela imprensa sueca, podendo, no caso de um contato pela fita magnética, positivar-se.

A frase "Friedrich, jag will hjälpa Friedrich!" fazia-me acreditar numa promessa direta de futura colaboração. Se se tratasse de Rigmor, então ela teria se recuperado de forma extraordinariamente rápida do golpe mortal. A simples circunstância de servir-se da linguagem poliglótica dos mortos deixava entrever uma consciência já desperta e ampla, assim como uma admirável faculdade de adaptação, pois, que eu saiba, ela nunca falara italiano em sua vida terrena.


Se realmente pudéssemos comunicar-nos com Rigmor e obter a sua colaboração, poderíamos então ter uma idéia da situação, no Além, de uma pessoa há pouco assassinada, que, pela primeira vez, daria informações a esse respeito na fita magnética.


Ademais, poder-se-iam conhecer as conseqüências de um brutal ato físico sobre a psique humana, o que significaria uma aproximação dos meandros da lei de causa e efeito.


Esperava impacientemente a visita de Berndt Anderson, mas o sepultamento de Rigmor se retardara devido à necropsia. Mas aí aconteceu algo que, como num passe de mágico, colocou o caso Rigmor sob uma clara visão.


Recebi uma irradiação que ultrapassou qualquer expectativa. No entanto, nem de longe suspeitava que isto seria somente o princípio de uma série de irradiações planejadas que me foi enviada no decorrer dos oito dias seguintes.

Em 21 de junho de 1966, na noite de solstício de verão, por volta das vinte horas, liguei, como de costume, o gravador de som ao aparelho de rádio e pus-me cuidadosamente a virar o botão, na esperança de estabelecer uma ligação com Lena. Algum tempo depois, ela se intercalou num comprimento de onda que quase não apresentava perturbações.


A seguir, soou uma voz de mulher bastante familiar, falando ao mesmo tempo sueco e italiano. Conversava com alguém sobre o vício do fumo, e tinha-se a impressão de que a conversa era mantida no primeiro plano, junto ao microfone.


Pouco depois disse uma voz de homem: "Frederico -- o Mälar escuta!" Como já expliquei antes, o nome Mälar ou Mälarhöjden, que é um subúrbio de Estocolmo no Mälarsee (lago de Mälar), representa uma senha para um centro especial do Além, de onde, segundo fui informado, são irradiadas todas as mensagens a mim dirigidas.


A mesma voz de homem prosseguiu numa velocidade forçada tão espantosa, que apenas pude entender algumas palavras isoladas, após o que houve uma mudança nitidamente reconhecível na característica do som.


Em meio ao ruído, destacou-se uma suave voz de mulher, que numa amável e incentivadora entonação disse em sueco: "Experimenta..." Ao ouvir a voz, tive plena certeza de que se tratava da mãe de Rigmor. Não conheci a Sra. Eivor Anderson em vida, e as poucas frases que gravara depois de sua morte não eram de forma alguma suficientes para dar-me uma idéia precisa sobre o seu timbre de voz.


Apesar disso, tinha, intuitivamente, a certeza de que era ela. Aquela apressada voz de homem intercalou-se novamente, falando simultaneamente em alemão, sueco e italiano. Não consegui compreender o texto completo, mas dele pude deduzir que se faziam comentários a meu respeito, sobre o meu gravador de som e o aparelho de rádio.


Parecia-me também que animava alguém a falar. Súbito, a voz de uma mulher jovem ressoou em primeiro plano e disse um pouco embaraçada e hesitante, em sueco: "Fred -- é Rigmor Anderson..."

Continuação deste texto

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FONTE DO TEXTO

http://www.transcomunicacao.com



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