TRANSCOMUNICAÇÃO INSTRUMENTAL

Tradução de Else Kohlbach - Editora Civilização Brasileira


LIVRO "TELEFONE PARA O ALÉM",
DE FRIEDRICH JÜRGENSON, PARTE 28


Nova experiência de contato científico com o Além, dentro dos recursos atuais da era tecnológica.

ADITAMENTO: O CASO RIGMOR ANDERSON - PARTE 2


Era um encantamento poder ouvir a voz cálida de Rigmor! Como em vida, ela falava no seu simples dialeto västmanländischen. Foneticamente, a frase soou mais ou menos assim: Fräd -- dä Rigmor Anderson, em vez de Fred -- detta är (esta é) Rigmor Anderson.


Logo a seguir começou a falar uma mulher, em alemão e sueco, mas pude ouvir apenas uma parte de suas palavras. Disse ela com veemência: Rigmor... du musst zu Fred... Pelle auch deutsch sprechen... (Rigmor... tu deves ir ao Fred... Pelle também fala alemão...)


Mais uma vez ecoou a voz do homem de fala rápida que exclamou azafamado em três idiomas: "Frederico, eu quero comunicar rapidamente. Eivor... os mortos..." (Eivor era a mãe de Rigmor.)


Nesta altura, Lena sussurrou: Nimm Kontakt, Mutter e em seguida acrescentou: Man liebt, man hat Frieden... (Toma contato, mãe -- Se se ama, se tem paz...)

No primeiro plano ressoou outra vez a voz de Rigmor, que disse vagarosamente e entre pausas: Fred -- ich habe... Munthe... e ajuntou muito emocionada: Ich bereue... (Fred -- eu tenho... Munthe... -- Eu me arrependo...) Ouviu-se um harmonioso acorde de órgão, seguido da voz do meu amigo Falck. Num tom meio cantante, perguntou em sueco, com seu sotaque norueguês: "Onde se recebe a conta?"


Soou um novo acorde, e o homem de fala apressada interveio, dizendo clara e enfaticamente: Det är braattom -- Rigmor denk an Karma!... (É urgente -- Rigmor pensa em Carma!...)


Em primeiro plano, Rigmor cantava pensativa: Det är Karma (Isto é Carma), e acrescentou rapidamente: Hungrig... (Faminta...) O resto foi abafado por outros ruídos.


Mais uma vez soou aquela rápida voz de homem, que borbulhava a sua comunicação numa cadência ritmada em sueco e alemão: "Frederico, uma comunicação importante -- o Mälar conseguiu Mölnbo, mantenha contato, Rigmor informa Mikael -- nós irradiamos pelo rádio, nós lançamos ponte do aparelho dos mortos -- nós lançamos ponte -- Lena está de posse da ligação e do intervalo. Nós transmitimos através do rádio -- examina o rádio..." Depois ajuntou com uma ênfase toda especial: "Rigmor deseja contato..."


Este foi o resultado do primeiro reexame da fita magnética.

Embora uma parte da transmissão fosse abafada por ruídos secundários, não podendo ser ouvida corretamente sem o auxílio do filtro e do amplificador, esta gravação teve uma singular importância.


Telefonei ao Berndt e, em poucas palavras, informei-o dos resultados dos meus contatos. Ele prometeu vir a Nysund no domingo, 26 de junho. No decurso das semanas subseqüentes, recebi comunicações diárias através do rádio. Com exceção de algumas mensagens pessoais, tratavam principalmente de Rigmor e de seus parentes mais próximos.


Com a permissão de Berndt, divulguei apenas o essencial dessas comunicações particulares, que poderão ser de grande utilidade para todos nós. Devo também acentuar que Berndt Anderson, depois das duras provações por que passou -- não creio que possamos avaliar totalmente a profundidade de sua dor -- permitiu, por mera compreensão para com os seus semelhantes, a publicação de sua experiência pessoal.

No domingo pela manhã, Berndt veio visitar-me. Intencionalmente, eu ocultara as particularidades da gravação. Eu mesmo queria convencer-me até que ponto Berndt seria capaz de reconhecer as vozes e compreender o texto.


Infelizmente, teve de retornar a Köping nesse mesmo dia, de modo que não pudemos fazer uma gravação juntos, mas apenas submeter as gravações do dia 21 de junho a um controle geral.


Era uma bela manhã cheia de sol, e nós estávamos sentados à mesa do café na sala de visitas. Nossa conversa girava em tomo de coisas bem triviais.


Parecia-me que Berndt queria contar-me algo muito importante, mas se mostrava hesitante, como se esperasse o momento oportuno, ou talvez uma pergunta de minha parte. Não sei se por transmissão de pensamento, intuição ou por simples acaso, voltei-me para Berndt e lhe perguntei sem rodeios:


-- Não seria a incerteza pelo destino de Rigmor mais doloroso do que a pura realidade?


Berndt fitou-me tranqüilamente, como se já esperasse a pergunta.


-- Desejo contar-te algo... -- principiou ele com voz grave -- uma coisa sobre a qual ainda não falei com ninguém. Na noite de 1º de junho, quando Rigmor foi assassinada, eu sabia que ela havia morrido.

Em resumo, ele narrou o seguinte: "Como o meu trabalho, nesta primavera, foi transferido para as cercanias de Estocolmo, eu passei a morar ali e visitava, nos fins de semana, as minhas filhas em Köping. Na noite de 1º de junho, por volta das 21 horas, fui deitar-me, pois estava muito cansado e queria descansar um pouco. Não sei em que pensava, mas estava acordado.


De repente, senti um choque violento, e um gélido pavor da morte se apoderou de mim, dando-me uma sensação de estar morrendo. Tive a clara intuição de que Rigmor morrera!


Sei que as palavras nada significam quando se quer expressar determinadas emoções, mas a certeza da morte de Rigmor era tão real, que eu continuei deitado na cama como que paralisado, e isto porque fui acometido de uma nova sensação, uma sensação de paz absoluta e salvação. Rigmor está com sua mãe, pensei comigo. Ela está bem -- todo o pavor e tortura já passaram..."

Fez-se uma pausa prolongada, e eu a aproveitei para perguntar:


-- Não telefonaste logo para Köping?


"Não, não telefonei. Talvez não quisesse apagar a última centelha de esperança que havia dentro de mim, por uma espécie de medo, de pusilanimidade."


Berndt calou-se por alguns instantes, e depois prosseguiu:


"Mariann, minha filha mais velha, telefonou-me alguns dias depois. Rigmor, nessa época, estava morando sozinha na nossa residência em Köpingen. Do trabalho de Rigmor haviam telefonado a Mariann. Para mim tudo estava claro. Avisamos a polícia. O resto tu já sabes.


-- Suspeitavas quem era o assassino? -- perguntei.


-- Sim, suspeitava, mas não queria acreditar. Janne era um bom garoto, mas quando vi seu rosto arranhado tive logo a certeza. Estava ansioso para que ele confessasse, pois doía-me pensar que o corpo de Rigmor se achava exposto no mato e sujeito a ser atacado por animais selvagens. Mas, como tu sabes, isto não aconteceu.

O resto já era do meu conhecimento. Os jornais descreveram a tragédia com os mínimos detalhes. No dia em que Rigmor deveria ser sepultada, o noivo confessou o seu crime. Eu sabia que a interferência de Berndt fora decisiva e sabia também que ele, apesar de sua grande dor, era demasiado humano e compreensivo para perdoar o assassino.


Ele tinha pena do rapaz, que num momento de desvario emocional, se deixara arrastar àquele ato de brutalidade. Pensando bem, seria difícil avaliar a quem o destino ferira mais duramente nesse drama. Mas, quem sabe se os mortos nos poderiam orientar neste sentido!


Levantamo-nos e nos dirigimos ao estúdio, que se encontra na parte superior da vila. Daqui se descortina um belo panorama sobre o Long-See, e pode-se trabalhar tranqüilamente e desfrutar da quietude do campo. Eu havia colocado antes a fita magnética com a gravação de Rigmor e então acionei o aparelho para a reprodução.


Sabia que Berndt tinha um ouvido muito sensível, que amda mais se aprimorara após suas experiências com as gravações. Além disso -- o que me parecia mais importante neste trabalho -- ele conhecia as artimanhas da imaginação e, conseqüentemente, tinha um elevado senso de autocrítica.


Ao ouvir a voz da harmoniosa soprano, ele pediu-me que rodasse essa parte algumas vezes. Compreendeu o texto exatamente como o compreendi e conforme o anotara, mas não estava certo de que se tratasse da voz de Rigmor.

-- Se ela falasse, eu reconheceria imediatamente a sua voz -- disse ele com convicção.


Na seguinte apresentação da soprano, Berndt puxou a cadeira para bem perto do rádio. Depois de ouvir várias vezes o canto, cujo texto compreendeu perfeitamente, ele falou com um ar pensativo:


-- Esse hjälpa aberto é bem característico do dialeto västmanländisch. É bem possível que esta seja Rigmor...


-- Espera um momento -- disse eu -- vou mostrar-te a gravação de 21 de junho.


Berndt aproximou-se ainda mais do aparelho, todo ele parecendo a concentração personificada. Apertei a tecla da reprodução e deixei rodar a fita. Quando a suave voz de mulher pronunciou a palavra versuch (tentativa), Berndt estremeceu.


-- Repete mais uma vez -- exclamou rapidamente, e sua voz revelava uma agradável surpresa.


Depois de ter repetido a palavra "tentativa" durante algum tempo, Berndt tombou exausto na cadeira. Eu sabia o que ele ia dizer agora, e já me alegrava antecipadamente.


-- Foi Eivor! -- exclamou ele comovido. -- Essa era a voz dela, tenho certeza.


-- Escuta o que vem agora -- falei rapidamente, e então soou o ponto alto da irradiação: Fried, de-är Rigmor Anderson.

Nem sei mais quantas vezes auscultamos essa gravação; o certo é que, ao cair da tarde, estávamos bastante cansados.


-- O que mais te impressionou nas gravações? -- perguntei a Berndt.


-- O tom vivo das vozes -- respondeu ele espontaneamente. É claro que também o sentido das palavras, mas, antes de tudo, as vozes. Não há qualquer dúvida: os mortos vivem!


-- Então a voz de Eivor não se modificou? -- tornei a perguntar.


-- De modo algum. Talvez ressoe um pouco mais forte do que nos últimos anos de sua enfermidade, porém o timbre continua o mesmo, assim como o de Rigmor. O que mais me alegra é que as duas estão juntas agora.


Berndt prometeu voltar no sábado seguinte e, ao despedirmo-nos, ele tinha um aspecto realmente alegre.

Passei toda a semana às voltas com as gravações das fitas magnéticas. Geralmente, as irradiações se realizavam à noite. Como não gostasse de trabalhar até alta noite, começava o controle das gravações bem cedo. As horas do dia não bastavam, pois nunca recebera tão numerosas e longas irradiações.


A intensidade do som e a clareza das comunicações eram bem irregulares. Havia gravações de extraordinária nitidez, mas havia outras em que as vozes se precipitavam numa terrível balbúrdia. Recebi uma série de mensagens particulares, a maior parte de velhos amigos da Rússia, da Estônia e da Palestina.


Arne Falck, por exemplo, continuava a enviar suas mensagens numa cadência cantante. Bojevsky, meu amigo russo da Palestina, dava o seu nome por extenso repetidas vezes, falava russo, iídiche e alemão. Meu bom amigo sueco Hugo F., que morrera em Nysund nos meus braços, intercalou-se, de repente, e disse nitidamente em alemão e sueco: "Boa-noite, tu estás muito cansado!"


Logo em seguida, soou a voz de minha mãe, que repetiu pressurosa: "Meu Friedel, tu estás muito cansado!" Realmente, já era bem tarde, e eu trabalhara intensamente durante o dia inteiro, embora Lena já me tivesse advertido várias vezes para não trabalhar à noite.

A inconveniência do trabalho excessivo não acarreta apenas a fadiga auditiva e nervosa, mas impede também que se realize uma verificação objetiva.


Nesse mesmo dia, gravara uma frase estranha, proferida por um homem que me parecia idoso, cuja tradução é a seguinte: "Rigmor vive depois da carne (corpo físico) muito mais agradavelmente." Nunca ouvira antes essa voz.


No dia seguinte ocorreu um fato interessante. Tenho falado constantemente sobre as atividades de minha assistente Lena. Sua atuação é extraordinária e inestimável. Sem ela, seria impossível estabelecer quaisquer contatos, e como Lena também faz comunicações importantes, é inegavelmente relevante o papel que ela representa nesse lançamento da ponte entre o aqui e o Além.


Conquanto já estivesse há mais de oito anos em permanente contato com Lena, ainda não conseguira identificar realmente a sua personalidade. No dia 29 de junho, recebi uma comunicação bem detalhada. Era uma transmissão puramente particular, em que falaram vários amigos, entre os quais Hugo F.


De repente, ressoou uma voz de mulher muito familiar, que disse num alemão estropiado com um acentuado sotaque russo: Du hörst von den Toten ene Meinung. (Tu escutas dos mortos uma opinião.) E então ela contou quem fora Lena na vida terrestre.

Fiquei agradavelmente surpreso e, ao mesmo tempo, um pouco admirado, ao saber que alguns mortos costumam mudar os seus nomes depois da morte. Com relação a Lena -- eu contiuarei a chamá-la pelo pseudônimo -- ela fora, durante a vida terrena, uma criatura bondosa e espiritualizada.


Não encontro palavras apropriadas, mas o certo é que tudo nela era sinceridade e afeição. Apesar de sua requintada sensibilidade, tinha um espírito prático e ia enfrentando corajosamente as vicissitudes cotidianas da Rússia Soviética do seu tempo.


Sua mãe era russa, e o seu pai sueco. Lena era casada com um dos meus amigos de infância em Odessa, e quando abandonei a Rússia em 1925, perdemos todo o contato. Sei apenas que por motivos políticos ela separou-se do marido, e daí por diante nada mais soube a seu respeito.


No dia 1º de julho, recebi uma série de comunicações interessantes. Uma voz de mulher falou longamente sobre Rigmor. Entre outras coisas, contou que Rigmor recebera um guia que lhe estava ensinando alemão e que ela já superara as maiores dificuldades.


Pouco depois soou a voz de Rigmor, que cantava alegremente em sueco: Pe-e-lle -- Riiig-mor! Aah! Pelle kämpft im Radio -- Pelle? Kannst du helfen meinen Vater?... (Pe-e-lle -- Riiigmor! Ah! Pelle luta no rádio -- Pelle? -- Tu podes ajudar meu pai?...)


Fiquei meio perplexo. Escutava o canto de uma jovem recentemente assassinada, e ela cantava jovialmente, num tom jocoso... Era isso a morte?

No dia seguinte, Berndt veio visitar-me. Ao apresentar-lhe a voz de homem que dissera calmamente: "Rigmor vive depois da carne mais agradavelmente!", Berndt exclamou, num tom sincero e espontâneo: "Esse é meu pai. Ele morreu há pouco tempo!"


Durante o canto de Rigmor, Berndt, que se aproximara bastante do aparelho, gritou, com os olhos brilhando: "É Rigmor -- é sua voz, eu a reconheço!"


Fiquei imensamente satisfeito ao verificar que Berndt compreendera todo o texto, palavra por palavra, sem que eu tivesse de explicá-lo antecipadamente. Chegou até a captar corretamente algumas palavras em alemão, russo e italiano, mesmo sem entender o sentido das frases.


Passamos toda a manhã às voltas com o gravador. Depois de uma leve refeição, resolvemos fazer uma gravação juntos. Liguei o rádio e imediatamente consegui contato. Uma harmoniosa voz de mulher entoou uma canção em três idiomas.


Como sempre, Lena também se apresentou, mas havia fortes perturbações atmosféricas. Assim que acabamos de interpretar o texto -- Berndt tinha plena certeza de que a cantora era Eivor -- ocorreu algo estranho. Cantando, a mulher se referiu a Berndt, mencionou um caso ocorrido em Dalarma, citou com minúcias casos particulares e encerrou seu canto com as seguintes palavras: Berndt spukt nun im Rario... (Berndt é agora fantasma de rádio...)

Como Berndt me explicou mais tarde, tratava-se aqui de uma excursão a Dalarma. Eivor, Berndt e um amigo haviam estacionado o carro à beira do lago Siljan. Fora pouco antes da morte de Eivor, mas, naquela ocasião, ela se sentia extraordinariamente bem disposta, e todos estavam muito alegres.


Mais tarde, ainda gravamos várias vozes, que em geral transmitiram mensagens particulares. Primeiro ressoou uma voz que disse de modo lacônico: Berndt, d'är Einar. Berndt levantou-se bruscamente e exclamou com alegria e surpresa: "Einar Johanson, meu querido amigo! Ele estava conosco naquele dia em Dalarma, ele morreu há pouco tempo!"

Naquela noite não pude conciliar o sono. Sentei-me diante da janela aberta e pus-me a contemplar os matizes do horizonte. Diante de mim estendia-se o lago, como um espelho luminoso sob a noite quieta e morna. Era exatamente a hora em que os esverdeados reflexos da tarde começam timidamente a transformar-se em aurora boreal.


De repente, apoderou-se de mim o desejo de gravar uma fita magnética. Era um estranho impulso, pois não costumava tentar contato pelo rádio depois das 22 horas. Desta vez, porém, liguei o aparelho. Sabendo, de antemão, que Lena não gostava de colaborar a essas horas, não procurei girar os botões do mostrador, deixando tudo ao acaso.


Não havia quaisquer perturbações, nem sons ruidosos, vozes ou músicas. Súbito, ecoou um som metálico de intercalação e uma conhecida voz de homem pôs-se a recitar, meio cantado, num tom claro e penetrante: Burchardt -- Mölnbo, wir warten auf Lena! (Burchardt -- Mölnbo, nós esperamos Lena!) Logo a seguir, intercalou-se o meu amigo de infância Burchardt, que cantou em resposta: Lena hat Schwarige! (a grafia correta é Sverige em sueco) (Lena conseguiu Suécia...) Era uma característica de Burchardt, deturpar as palavras. Pouco depois se ouvia uma intercalação em surdina, e então Lena falou num tom pesaroso: "Tantas criaturas..." Por alguns instantes, tudo permaneceu em silêncio no éter. Tratar-se-ia de um daqueles contatos místicos pelo radar, de que Lena falava freqüentemente?

A fim de evitar mal-entendidos, devo dar aqui alguns esclarecimentos. Sob a denominação de "radar", "écran" ou "tela de radar" se designa normalmente um aparelho móvel, semelhante à antena, que irradia impulsos eletromagnéticos em determinadas direções, que, por sua vez, encontrando uma massa compacta -- um avião, uma encosta de montanha, nuvens etc. -- num movimento reflexivo como um eco, retornam ao ponto de partida, desenhando o objeto atingido com pontos luminosos sobre a tela do radar.


A tela do radar substitui, durante a escuridão ou nevoeiro, a vista humana. Se os mortos também se utilizam de aparelho semelhante, então se pode deduzir que nós e o nosso mundo, em casos comuns, também temos de ser invisíveis para o Além. Isto me faz recordar uma comunicação que gravei na primavera de 1967. Uma voz clara de homem falou num tom rápido e um pouco forçado: "Elly e Friedel, nós conhecemos os seus pensamentos, nós os captamos através do radar..."

Hoje, lamento não ter me formado em Física-eletrônica. Estou certo de que um técnico em Física poderá aperfeiçoar consideravelmente as comunicações com os mortos por antenas dirigidas, filtros e alto-falantes. Haveria um enorme progresso se fosse possível obter uma recepção sem interferência, mais ou menos como a que consegui naquela serena noite de julho.


No dia seguinte Berndt voltou a Köping. Parecia satisfeito e confortado. Uma semana depois, minha mulher, minha irmã e eu viajamos para Pompéia. Tentei por várias vezes encerrar este livro, mas acontecimentos imprevistos me obrigavam sempre a continuar a narração.


Quando, na primavera de 1967, permaneci durante algum tempo na Suécia, Berndt veio passar um fim-de-semana em Nysund. Gravamos então várias mensagens, que se comprovaram positivas. Entre elas, uma em que Eivor Anderson saudava o marido com a mesma melodia que cantara no mês de julho anterior. Rigmor também se apresentou cantando e recitando com a mesma cadência e ritmo em alemão e sueco.

A alegria que os mortos geralmente demonstram tem, sem dúvida, uma razão muito profunda. Não devíamos tentar explicá-la baseados unicamente no fato de que os mortos tenham sido bem sucedidos numa "grave operação", mas antes na sua faculdade de poderem ver e penetrar a natureza real do sofrimento por outro ângulo.


Eles não conhecem apenas a transitoriedade do desgosto e do medo, mas sabem também como os seres humanos se emaranham constantemente em preocupações e misérias. Os mortos chegariam, igualmente, a resultados negativos, se participassem de nossos desgostos, tentando consolar-nos.


"Nós vivemos -- nós somos felizes!" -- eis a essência de suas mensagens. Em verdade, isto diz tudo: a imortalidade da vida, a força transformadora da morte e a existência da ponte entre o aqui e o Além.


Se pudéssemos realmente alcançar o verdadeiro sentido destas palavras, então estaríamos aptos a mudar fundamentalmente a nossa concepção de vida. A quintessência da vida se manifesta na eterna criação. Mas, onde reina o medo e o desgosto, o espírito não pode desenvolver-se livremente.

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FONTE DO TEXTO

http://www.transcomunicacao.com



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