TRANSCOMUNICAÇÃO INSTRUMENTAL

Tradução de Else Kohlbach - Editora Civilização Brasileira


LIVRO "TELEFONE PARA O ALÉM", DE FRIEDRICH JÜRGENSON, PARTE 3

Nova experiência de contato científico com o Além, dentro dos recursos atuais da era tecnológica.

CAPÍTULO 5

CANÇONETA COM COMENTÁRIO. CINCO VEZES LATE UM CÃO. ALGUÉM ESCUTA E VÊ JUNTO. O SURPREENDENTEMENTE NOVO E IMPETUOSO ESTÁ SE DELINEANDO.

CERTO DIA, pedimos emprestado um disco aos nossos vizinhos Ingrid e Lennart R., a fim de gravá-lo na fita magnética. A cançoneta denominava-se "As Marionetes", e a música era de autoria do próprio Lennart R. Aliás, essa canção conquistou o primeiro prêmio no festival de Pesaro. Tanto a melodia como a letra eram bem sugestivas.


Rodei o disco numa eletrola portátil e gravei a música diretamente pelo microfone. Durante a escuta da fita magnética, ao terminar a música, ouviu-se uma voz de homem que dizia em sueco: "Isso está certo, ponto por ponto".

Dias depois, numa tarde tranqüila, achava-me novamente às voltas com uma gravação, quando ecoou o latido distante de um cão. O animal encontrava-se no lado oposto do lago, a uns duzentos metros de distância, e seus cinco latidos roucos, naturalmente, foram captados pela fita magnética.


Em seguida, ao analisar a gravação na velocidade de 3 ¾ i.p.s. (9 cm/sec.), mais lenta, portanto, que a velocidade de gravação soou, em vez do latido do cão, a seguinte frase em alemão escorreito: Mölnbo. Hauptblock. Zwölf Uhr zwölf! (Mülnbo. Bloco principal. Doze horas doze!)

Ocorreu então novamente uma dessas metamorfoses mágicas, cuja origem e manifestação a parapsicologia do futuro terá de decifrar. Quatro anos depois é que eu pude achar uma explicação, particularmente clara para mim, a respeito dessa frase misteriosa e aparentemente inexpressiva: Mölnbo. Hauptblock. Zwölf Uhr zwölf!


Após minha primeira entrevista à imprensa no verão de 1963, começaram a chegar numerosos visitantes à minha casa em Mölnbo, e verificou-se então que aqueles que se dirigiam para lá através da estrada de ferro, via Estocolmo, utilizavam o trem da manhã e chegavam à estação de Mölnbo às 12 horas e 12 minutos. (A pequena cidade de Mölnbo fica a sessenta quilômetros ao sul de Estocolmo.)


De 1964 a 1965, inúmeras pessoas me davam notícia de que haviam gravado em suas fitas magnéticas vozes análogas às que eu gravara. Mais adiante voltarei ao assunto, fornecendo maiores detalhes.

Dentro de pouco tempo organizaram-se grupos de pesquisas paralelas que, de certo modo, eram por mim dirigidas e controladas. Mas voltemos ao outono de 1959. Uma tarde, minha sogra veio visitar-nos em Mölnbo, manifestando o desejo de conhecer também o sótão da nossa casa, de modo que a conduzi até lá, amparando-a na subida da íngreme escada.


Nesse momento, minha mulher ocupava-se em lavar o chão. Antes que minha sogra entrasse no quarto, consegui, imperceptivelmente, ligar o gravador de som. Fi-lo com o intuito de surpreendê-la com o som de sua própria voz. Mas logo ela demonstrou não se interessar em ouvir a sua voz e pouco depois se despediu sem ouvir a gravação.

Mais tarde, ao escutar a gravação, constatei o seguinte: iniciou-se com a voz de minha mulher conversando com sua mãe, num volume de som normal. De repente o som desapareceu e houve um estranho silêncio.


Aumentei ao máximo o regulador de som e pude então escutar uma conversa em alemão, o que me parecia esquisito, pois nenhum de nós falara alemão, mas unicamente sueco. Numa grande tensão, coloquei os fones auriculares e pus-me a anotar a palestra, palavra por palavra.

Após umas breves observações de Mônica, intercalaram-se estrondosos ruídos, e o volume de som diminuiu sensivelmente. Uma voz ecoou a grande distância, dizendo em alemão: Jetzt kannst du Radar hören, sehen... lass mich hören... (Agora podes ouvir o radar, ver... deixa-me ouvir.) Sie will ja gar nichts sagen! (Ela até não quer dizer nada), respondeu uma voz masculina, também em alemão, e eu reconheci imediatamente a voz que, em outra ocasião, havia proferido as palavras: Friedrich, du wirst beobachtet! (Frederico, tu estás sendo observado!)


Uma segunda voz observou de passagem: Bei Monika ist's häuslich. (Em casa de Mônica o ambiente é familiar.) Repentinamente soou a voz de minha sogra, fazendo uma pergunta em sueco à sua filha. "Não fale sobre isso...", respondeu Mônica um tanto aborrecida, depois de prolongado intervalo. Das hörte sie! (Isto ela ouviu!), observou agora a segunda voz masculina em alemão.


Wie sie da arbeitet! (Como ela trabalha aí!), interferiu, com admiração, a primeira voz de homem. Ich sehe sie! ich höre direkt!... (Eu a vejo! ouço diretamente!) Nesse instante, sem nada suspeitar, eu havia interrompido a gravação.

O que eu captara era indubitavelmente excepcional. Aqui estava a prova insofismável de que a nossa conversa no sótão fora presenciada, de algum modo, por alguém através do "radar", sendo ouvida, vista e comentada.


Considerei esta prova como um grande progresso, e perguntava a mim mesmo se a gravação, tão nítida, teria alguma relação com as reações magnéticas da lua cheia.


Ao fazer um retrospecto das ocorrências daquele verão e outono de 1959, levando em consideração o espaço de oito anos e tentando precisar bem o meu estado de alma naquele tempo, devo reconhecer que eu me havia transformado interiormente em um gigantesco ponto de interrogação e que todos os meus sentidos e aspirações visavam unicamente a encontrar uma explicação para os fenômenos que se manifestavam dentro de mim e ao meu redor.

Ao mesmo tempo, achava-me num estranho estado de agitação interna. Algo brotava e crescia dentro de mim, e tateava penosamente para alcançar a luz da consciência. Diariamente, sentia que algo se desmoronava dentro do meu ser.


Eu havia penetrado em um campo de transmutação, em uma esfera de tensão, onde, constantemente, se alternavam a morte e o nascimento. Na realidade, encontrava-me num centro de tempestades e de caos, e daí nasceu, lentamente, um novo entendimento.


Poderia expressar-me melhor da seguinte maneira: um plano de existência, oculto e misterioso, abriu um canal em minha direção e, evidentemente, de duas formas simultâneas -- uma interna, através do inconsciente, e a outra externa, por meio físico-acústico, através do gravador de som.


Que não se tratava de imaginação de minha parte, mas de uma realidade viva e objetiva, comprovavam, de modo incontestável, as fitas magnéticas com suas gravações, que podem ser reproduzidas à vontade e em qualquer lugar.

Creio que tal acontecimento, na forma que se processou, é absolutamente novo na história da humanidade. Confesso sinceramente que é difícil descrever fatos revolucionários desse tipo, e mais difícil ainda é vivê-los.


Por mais interessantes e fantásticos que sejam, estão sujeitos, na realidade, a se transformar numa viva cabeça de ponte, já que se trata de uma experiência só realizável com o necessário discernimento e força psíquica.


Algum poder superior deve ter-me escolhido para pioneiro e também para cobaia, pois passei, física e moralmente, por uma infinidade de infortúnios e provações. Hoje estou certo de que as provas e crises se acumularam justamente nos primeiros dois anos de "abertura".

Se bem que, após esses anos preparatórios, as dificuldades e problemas não tenham absolutamente diminuído, pude observar uma crescente estabilidade e serenidade. O importante é que houve um intróito a uma nova orientação, levando-me a superar a penosa fase das constantes perguntas e especulações e a alcançar um estado libertador de discernimento e compreensão.


Em verdade, cheguei à conclusão de que as maiores dificuldades e obstáculos encontram-se dentro de nós mesmos e de que as tentativas de aproximação provindas de uma oculta dimensão de existência não seriam realizáveis sem a remoção desses obstáculos e embaraços; ao contrário, conduzir-nos-iam, inevitavelmente, a novos equívocos.


Dos três episódios que se sucederam em curto espaço de tempo, podem-se perceber claramente as tentativas de aproximação e as dificuldades decorrentes do contato com dois diferentes planos de existência e consciência. Ainda bem que os do "lado de lá" dispõem de um admirável bom humor.

CAPÍTULO 6

FITA MAGNÉTICA NÚMERO 4. BRINCADEIRA ESDRÚXULA COM CARINO. A METADE DA MAÇÃ.

NO DIA 17 de setembro de 1959 ocorreu um caso, em que coube outra vez ao nosso poodle Carino o papel principal, e ele o desempenhou, também desta vez, com naturalidade e bravura. De minha parte, tinha de contentar-me com o papel de ouvinte obscuro, papel esse, aliás, que me fora reservado em outras ocorrências.


Batizei a fita magnética de que se trata aqui de "Folguedos de Carino no Gramado". Esta fita tem o número 4 e do outro lado está gravada a inauguração de minha exposição em Pompéia. Em minhas notas sobre esse dia lê-se o seguinte: "17-9-1959, lua cheia 000, muitas alterações -- 022 -- corrente elétrica, sinais violentos."

Já observei que só posso avaliar acertadamente o verdadeiro significado de uma gravação quando escuto novamente uma antiga. Numa fria manhã de fevereiro de 1962, encontrava-me outra vez no nosso sítio em Mölnbo.


A paisagem estava inteiramente coberta de neve. Tal o negativo de uma fotografia, predominavam o branco, o preto e o cinzento. Sentei-me diante do gravador e coloquei a fita do dia 17 de setembro de 1959. Esperei um pouco que o aparelho esquentasse, pressionei o botão e então...

É uma tarde ensolarada de outono. A claridade invade o meu quarto no sótão. Em pé, diante do aparelho, com os fones auriculares ajustados, ligo e desligo o gravador. O sol invade alegremente, com seus raios mornos, o meu quarto. Carino, o nosso cãozinho preto, dorme tranqüilo sobre a cama de Mônica. Lá fora, reina uma calma absoluta.


Ligo novamente o aparelho e, de repente, soam sinais violentos. Sons ensurdecedores e chocalhantes, como ruídos telefônicos enormemente intensificados, fazem estremecer todo o aparelho. Curvado sobre o gravador, sinto, repentinamente, espalhar-se pelo meu rosto, pescoço e mãos, um formigueiro e um estranho tremor.


Parecia-me que eu havia penetrado numa vibrante corrente. Carino levanta-se e pousando as patas sobre o peitoril da janela põe-se a espiar atentamente o jardim. Seu olhar oscila rápido da esquerda para a direita, e sua cauda treme de agitação.

Em voz alta, pergunto: "O tio chegou, ou a tia?..." Penso jocosamente nos venusianos com seus discos voadores. No aparelho ecoam alguns sinais ensurdecedores. Será que se deve interpretar isso como resposta? Os sons penetram todo o meu ser, até à medula; o aparelho vibra visivelmente. "Vamos descer?", pergunto ao Carino.


Imediatamente se interrompem os sinais. Deixo o aparelho ligado para a gravação e desço a escada com Carino. Saio e dou uma volta ao redor da casa, observando atentamente o céu e perscrutando o silêncio da floresta -- mas não descubro nada. Entrementes, Carino pula entre as macieiras com saltos verdadeiramente desarvorados.


Retorno ao quarto do sótão e ouço Carino latir clara e alegremente; ao segundo latido, soa uma voz de mulher que diz bem alto: Snouth -- bist du blindi?... Estas palavras, em inglês e em alemão modificados, certamente eram dirigidas a Carino e podem ser traduzidas assim: "Focinho -- tu estás cego?"

Coloco os fones auriculares e continuo à escuta. Durante um longo tempo tudo permaneceu quieto. Desta vez não há interferências. Súbito, dois violentos estrondos ecoam no aparelho. Mais tarde, ao repassar esta parte dos estrondos com a velocidade de 3 ¾ i.p.s., torna-se audível, depois do segundo estrondo, uma voz de homem, com entonação comum, em alemão: bist mal ruhig! (Fica quieto.)


A gravação continua. Passados uns dez minutos, aqueles sinais violentos recomeçam a sacudir o aparelho. Carino permanece lá fora no jardim, embora eu tivesse deixado a porta aberta e ele não costumasse me deixar sozinho. Bem longe ecoa agora uma chamada de tiple agudo: "Mölnbo!"

Ainda no lado de fora, Carino começa a ganir e a emitir pelas narinas uns sons sibilantes. No aparelho, ouve-se um ruído estridente e alarmante. Carino continua a ganir, impaciente e obstinado. Retiro os fones, digo algumas palavras a mim mesmo e desço a escada. A fita reproduz claramente o que eu falo com o cãozinho no jardim.


Sentado no gramado, Carino não se arreda dali. Dou novamente uma volta ao redor da casa. Nada, nada mesmo! Volto ao quarto do sótão e me posto diante do aparelho. Lá fora, Carino se manifesta em tons provocantes. Corre entre as macieiras e, em seguida, ouve-se o seu latido alegre e claro. É um latido de manifestação de alegria, divertido e provocante, cada vez mais intenso, exatamente como costuma fazer ao brincar com a bola.

"-- O que aconteceu com ele?" -- pergunto a mim mesmo admirado. Retiro os fomes auriculares e pela terceira vez desço a escada. Carino rosna divertido, alegremente agitado, e não toma conhecimento da minha presença.


De repente, meu olhar cai sobre um galho em que se balança uma maçã. A calmaria é absoluta, não se vê nenhum pássaro, e mesmo assim a maçã balança no alto da árvore. Curioso é que a maçã é cortada transversalmente e resplandece alvacenta à luz do sol...


Carino permanece indeciso no gramado. Falo com ele durante alguns minutos, mas tenho a impressão de que está bastante perturbado, pois não vem para o meu lado. Perplexo, miro a maçã, que agora está imóvel na árvore. Ouve-se na fita magnética quando fecho a porta e coloco os fomes auriculares.

No mesmo momento soa uma voz de homem, que diz em alemão o seguinte: ... it sehr klare Aufnahme hilft der Mond... (...é gravação bem nítida -- a lua ajuda...)


O homem fala depressa e na cadência de sua voz há um tom de quem está satisfeito. Depois dessa frase nítida, percebem-se ainda uns sons agudos e sibilantes, seguidos, afinal, de uma voz de mulher com típico sotaque berlinense: Heute --Mälarhöjden... (Hoje -- Mälarhöjden...)


Com isso terminou a fita e a gravação. O que eu narrei aqui, pode-se, durante a escuta da fita, perceber tom por tom, palavra por palavra. A voz de Carino dispensa comentários mais detalhados. Os sinais ensudercedores falam por si mesmos, assim como as vozes dos dois desconhecidos.

Parte 4   Índice   Parte 2

FONTE DO TEXTO

http://www.transcomunicacao.com



Sorria ao acordar
e antes de dormir!

Muito obrigado pela visita,
veja sempre as novidades!






Google
 
Web www.eurooscar.com








Se não vê à esquerda o menu
rolante do site, clique aqui.

If you do not see the left
scrolling menu, click here.





Home