TRANSCOMUNICAÇÃO INSTRUMENTAL

Tradução de Else Kohlbach - Editora Civilização Brasileira


LIVRO "TELEFONE PARA O ALÉM", DE FRIEDRICH JÜRGENSON, PARTE 4

Nova experiência de contato científico com o Além, dentro dos recursos atuais da era tecnológica.

CAPÍTULO 7

O EQUÍVOCO DOS DISCOS VOADORES. PARA MIM CHEGA! AS COISAS COMEÇAM A FALAR. ESTOU FICANDO ESQUIZOFRÊNICO?

NESTE PONTO preciso confessar que não posso dar uma explicação incontestável e racional aos fenômenos descritos, e não sei se qualquer outra pessoa, depois de sete anos, seria capaz de decifrar o mistério das "vozes do Nada".


Embora hoje já tenha formado uma idéia puramente pessoal, baseada em certas ocorrências, que satisfazem relativamente a minha lógica e a minha razão, não pretendo, de modo algum, opor-me à uma explicação objetiva. Sou, por natureza, contra o dogmatismo obstinado que não tolera crítica e rejeita a autocrítica.

Sou também bastante sincero para revelar aos leitores que naquela época -- em setembro de 1959 -- adotara uma idéia que, mais tarde, verifiquei ser errônea: Eu estabelecera uma correlação entre as vozes enigmáticas e os denominados objetos não identificados (UFO -- discos voadores).


Já naquele tempo, o número desses misteriosos objetos voadores avistados ultrapassara em muito os 100 000, e praticamente não existia um país na terra no qual não se tivessem observado essas enigmáticas máquinas voadoras.


A idéia de que poderia haver uma relação entre as vozes de homens e mulheres, gravadas nas minhas fitas magnéticas, e a tripulação desses UFOs não era assim tão absurda.

Acrescentando-se ainda várias observações e experiências minhas e de minha família, tudo concorria para fortalecer-nos na suposição de que estávamos tratando com seres de outros planetas. Quero evitar aqui a reprodução de minúcias, mas peço encarecidamente ao leitor que não chegue à precipitada conclusão de que eu pretenda forjar uma combinação de esperanças fantásticas e lendárias.


Sempre me esforcei por manter-me sereno e ponderado e se, naquela época, cheguei a uma conclusão errônea, baseado em observações e constatações verídicas, isto é algo que acontece à maioria dos pesquisadores e descobridores durante a sua vida.


Mas é preciso ter coragem de admitir o próprio equívoco. De enganos e erradas deduções está calçado o caminho que conduz a novos conhecimentos e descobertas. Será sempre assim, enquanto existirem seres humanos pensantes, dotados de sensibilidade.

Assim é que depois que nós -- minha mulher e eu -- tivemos de reconhecer que as nossas audaciosas esperanças e expectativas não se realizariam, sentimo-nos envergonhados e, além disso, atraiçoados e escarnecidos por aqueles seres desconhecidos.


Lembro-me ainda de que, sentindo-me saturado de tudo e colocando o dedo na tecla para desligar o gravador de som, ouvi nitidamente as palavras: Bitte warten warten -- hör uns an... (Peço esperar, esperar -- escuta-nos...), pronunciadas por voz de homem.


Mas não esperei, nem quis ouvir mais nada. Coloquei a tampa no aparelho, juntei as fitas magnéticas e estava firmemente decidido a acabar, uma vez por todas, com essa "tolice". Sentia uma amargura infinita e atribuí a culpa desse suposto fracasso àqueles "espíritos" que, positivamente, zombaram de todos nós.

Arrumamos nossa bagagem, fechamos a cabana da floresta e a casa-grande à beira do lago e retornamos a Estocolmo. De algum modo senti-me aliviado, embora a nossa partida me parecesse uma fuga.


Ao chegar em casa, tratei de guardar as fitas magnéticas dentro do armário de ferramentas e empurrei o gravador de som bem para baixo da minha escrivaninha, a fim de que saísse do meu campo visual.


Passei a ter uma invencível antipatia contra tudo que se relacionasse com gravação de sons e, além disso, nem sequer conseguia auscultar as fitas magnéticas gravadas, a fim de submetê-las a um exame mais sério.


Nós, homens e mulheres, não gostamos que os outros se riam à nossa custa, nem nos àgrada parecermos ridículos aos seus olhos. Preferimos passar como vítimas das atividades fraudulentas alheias, ao invés de admitir que fomos vitimas de nossa própria ignorância e dos nossos desejos.

Quando a amargura se dissipou, pus-me a refletir mais calmamente sobre as ocorrências lá do bosque de Mölnbo. Resolvi então começar por onde me parecia estar situado o ponto mais fraco e, na verdade, pretendia submeter a noção "planetariano" a uma análise rigorosa.


Segundo as informações de muitos pioneiros da investigação dos UFOs -- os chamados "homens de contato" -- os "planetarianos" encarnam um tipo de humanidade melhor e mais evoluída, aptos a se apresentarem ao terrícola, mergulhado em temor e perturbação, como um tipo ideal.


Uma parte dos adeptos dos UFOs está prestes a fazer uma moderna reformulação religiosa com base nesses fatos, ou seja, uma ideologia interplanetária oculta.

Há milênios -- principalmente em tempos críticos e perigosos -- existem em nosso planeta seitas de toda a espécie, escolas ocultas e movimentos para a salvação do mundo, em parte religiosos, em parte visando a uma concepção política mundial. Fomos também contagiados por esta "deliciosa ideologia" de doutrinação e redenção por entidades extra e superterrestres.


Não obstante, estava convicto de que neste discutidíssimo setor do UFO e da ufologia, não podia haver fumaça sem fogo, pairando apenas a indagação: o que era realidade, o que era ilusão ou fantasia e como seria possível perceber a centelha da Verdade nesse emaranhado de contradições?


Quanto mais sereno eu meditava sobre o assunto, mais claramente começava a reconhecer a distorção, que não apenas neste setor deforma o raciocínio humano. No fundo, já me havia aproximado bastante da solução, mas sofrera um sensível retrocesso, em virtude de minhas próprias deficiências.

Não tinha mais qualquer dúvida de que, no tocante aos fenômenos das fitas magnéticas, tratava-se de ocorrências superfísicas e parapsíquicas, que só podiam ser investigadas de maneira prudente e com imparcialidade, sem idéia preconcebida. Passou-se o mês de outubro. Meu gravador continuava abandonado debaixo da escrivaninha. Então aconteceu algo que me encheu de assombro e inquietação.

Tudo começou naquele dia em que se tornaram audíveis ao meu redor estranhos fenômenos sonoros. Certa hora, por exemplo, quando estava sentado no meu estúdio escutando o rumor da chuva, pude distinguir nitidamente exclamações breves, palavras inteiras e truncadas, às vezes frases mais longas, vindas da chuva lá fora e que, indubitavelmente, eram sussurradas pela voz de alguma mulher.


As frases com freqüência repetiam-se, sendo proferidas ora em alemão ou em sueco, e diziam mais ou menos o seguinte: Kontakt halten! Mit dem Apparat Kontakt halten -- bitte hören -- tag kontakt med apparaten -- bitte, bttte hören!... (Manter contato! Com aparelho, manter contato. Favor ouvir (sueco: tag kontakt med apparaten), favor, favor ouvir!...) Essas palavras poderiam confundir-se com a crepitação do forno ou com o rugitar do papel.


Não havia dúvida de que se tratava de um verdadeiro fenômeno acústico, e não de imaginação, pois reconheci imediatamente a inflexão e característica da voz feminina que freqüentemente se fizera ouvir nas gravações apteriores. Apesar de tudo, isto me inquietava, e eu resistia a esses contatos importunos que me despertavam imagens lendárias e históricas de assombração.


Ademais, pensava nos sintomas de esquizofrenia (personalidade múltipla), em que é típica a audição de vozes de seres invisíveis. Esta particularidade provocou-me um grande mal-estar, e embora me sentisse perfeitamente saudável e normal, a dúvida deixou um afiado "espinho" dentro de mim.

Estaria sendo vítima de perturbação mental? Essa idéia me pareceu ridícula. Dormia maravilhosamente bem e jamais fora oprimido por temores, nem perseguido por imagens fantásticas. Minha capacidade de concentração era perfeita e tudo estava em ordem, no tocante ao aspecto físico e espiritual.


Entretanto, ouvia vozes ao meu redor; até através do ruído do meu aparelho elétrico de barbear, podia ouvir nitidamente aquela voz de mulher que, com incansável persistência, sussurrava a sua frase em alemão: Bitte -- bitte Kontakt halten -- hören -- hören -- am Apparate hören -- bitte Kontakt ha1ten!... (Peço manter contato -- escutar, escutar, escutar no aparelho -- peço manter contato...)


Devo ao meu amor próprio ofendido não ter atendido ao apelo dessa voz feminina, pois teria sido mais simples captar o insistente cochicho na fita magnética. Isto era lógico: se esses cochichos realmente existiam, não sendo portanto uma alucinação auditiva de minha parte, então seria possível gravá-los na fita. Desde que fossem captados uma vez, ter-se-ia fixada a prova de sua objetividade e com isso qualquer suspeita de perturbação sensorial seria para sempre eliminada.

Naquela ocasião, encontrava-me num estado de grande tensão nervosa. Minha audição tornara-se sutilíssima, e então senti que, em verdade, entrava na esfera da clariaudiência.


Era estranho: involuntária e impetuosamente desabrochou dentro de mim uma experiência dominadora, difícil de ser vivida. Durante essa crise espiritual, comecei até a fumar, uma fraqueza de que até hoje me arrependo.

CAPÍTULO 8

MEU AMIGO DE INFÂNCIA BORIS SACHAROW. O CAMINHO DO SILÊNCIO. UM CHOQUE SAUDÁVEL.

EM NOVEMBRO dois amigos alemães vieram visitar-me em Estocolmo. Em consideração a eles, venci minha resistência Intima e pela primeira vez, depois daquelas ocorrências, peguei novamente as fitas magnéticas. Não havia feito ainda qualquer organização das gravações, e agi de modo apressado, pois creio que só consegui apresentar aos meus amigos o fenômeno do cão ladrando.

Na noite anterior à viagem dos meus amigos, pude obter, por um feliz acaso, a pista de um dos meus amigos de infãncia, de quem há vinte e sete anos não tivera notícia e que, durante esse tempo, havia se tornado um dos mais conhecidos professores de Yoga da Alemanha. Trata-se de Boris Sacharow, autor de vários livros de Yoga, e que deve ser conhecido por todos os praticantes de Yoga que conhecem o idioma alemão. Bons e eu estávamos ligados por uma velha amizade desde a infância, pois não apenas nos criamos juntos na mesma cidade de Odessa, mas também os nossos pais, ambos médicos, eram colegas. Mas o que mais nos unia era o profundo desejo de conhecer o sentido oculto da vida.

Eu encontrara Boris pela última vez em Berlim, no ano de 1932. Naquela ocasião, ele morava em casa de uns parentes meus em Charlottenburg. Apesar de suas consideráveis aptidões e sua grande vocação para o estudo dos idiomas, ele lutava com sérias dificuldades materiais. Sem dúvida, faltava-lhe o senso prático da vida. Além disso, era estrangeiro, e a Alemanha encontrava-se, naquela época, mergulhada numa crise quase catastrófica. Boris teve de tornar-se chofer de táxi. Trabalhava geralmente à noite, exercitando-se durante o dia em desenhos de propaganda e estudando diligentemente Yoga e astrologia. Desde o início da Segunda Guerra Mundial, eu não mais tivera notícias dele.

Alguns amigos alemães prometeram-me tentar descobrir o endereço de Boris, e eu esperava impacientemente o dia em que pudesse reencontrar o meu velho amigo de infência. Entrementes, minha clauriaudiência desenvolvia-se com espantosa rapidez. Felizmente logo me habituei a essa nova faculdade, aceitando-a como se tem de aceitar fatos inevitáveis, sem opor resistência. Não procurei mais contato com os meus "amigos anônimos do espaço". Não me satisfaziam os esclarecimentos fornecidos, em tais circunstâncias, por parapsicólogos, espiritualistas, ocultistas, ufólogos e sabe Deus quantos outros "istas", pois queria saber tudo com exatidão, queria convencer-me por experiência própria, e não apenas contentar-me com explicações alheias.

Com o decorrer do tempo, tornei-me mais tranqüilo, mas não vencera ainda a minha aversão ao gravador de som. Certa noite, deitado num divã do meu estúdio, tentava revisar com serenidade aquelas estranhas ocorrências. Intimamente, lamentava haver interrompido a comunicação com meus amigos invisíveis. Sentia um grande vazio, uma dolorosa frustração, e não sabia ao certo como poderia recomeçar as experiências, sem expor-me a novas decepções. Tentei fazer um retrospecto da minha vida, a fim de descobrir o que nela havia de essencial. Sim, o que é então essencial na vida humana? Acorriam-me à memória cenas de infância, repletas de paz e felicidade infinitas, imersas no abismo do tempo... Como esses êxtases começam a rarear com o correr dos anos.

Outras vivências desenrolavam-se diante de mim: a guerra, a revolução, o casamento, o divórcio, alegrias fecundas e construtivas, êxitos e desilusões -- mas, acima de tudo, brilhava a luz radiosa da vivência na eternidade, verdadeira, real, imperecível... Decerto que essas experiências constituíam o âmago, o essencial na minha vida, e eu perguntava a mim mesmo se não obteria uma resposta por meio daqueles "êxtases sublimes", daquela "absorção no imensurável".

Submergi lentamente num estado de profundo repouso e, interiormente, comecei a imobilizar-me, embora estivesse completamente desperto e consciente. Então aconteceu algo que antes nunca havia acontecido: ouvi claramente a voz amortecida de um homem falar a uns três metros de distância. Dizia em alemão: Hör mich an, nimm Teil an der Arbeit... (Escuta-me: toma parte no trabalho...) Minha respiração parou. Ao mesmo tempo, senti um toque gélido no diafragma. Com um salto, pus-me de pé, abri rapidamente a janela e comecei a respirar profundamente o ar frio do inverno. Aquilo foi um choque para mim, mas foi também um alívio libertador. Esse contato -- o mais impetuoso de todos -- chegara no momento exato.

Hör mich an, nimm Teil an der Arbeit... Não era isso um apelo para que eu continuasse a prestar a minha colaboração? Nesse momento tive plena consciência de que os contatos, iniciados há um ano, não deviam ter sido interrompidos, pois o fato era evidentemente mais sério e importante do que fora possível compreender até então. Rapidamente me recuperei do choque. Uma sensação de alívio pelo reencontro da comunhão espiritual encheu-me de alegria, devolvendo-me a antiga confiança. Apesar dos meus erros e equívocos, os meus amigos invisíveis não me haviam esquecido, e depois, quando o "gelo se derreteu" restabelecendo o equilíbrio, resolvi, um pouco antes do Natal, retomar os contatos através do gravador de som.

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FONTE DO TEXTO

http://www.transcomunicacao.com



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