TRANSCOMUNICAÇÃO INSTRUMENTAL

Tradução de Else Kohlbach - Editora Civilização Brasileira


LIVRO "TELEFONE PARA O ALÉM", DE FRIEDRICH JÜRGENSON, PARTE 6

Nova experiência de contato científico com o Além, dentro dos recursos atuais da era tecnológica.

CAPÍTULO 11


A FITA MAGNÉTICA DO DIA 31 DE DEZEMBRO. “MISERICÓRDIA PARA O MUNDO, ALELUIA!” O TANGER DOS SINOS COM ACOMPANHAMENTO DE CORO. “ESTE FOI HITLER, QUE NÃO SE ENVERGONHA”.

COMO FICOU CONSTATADO mais tarde, a comunicação pelo microfone era um meio simplesmente provisório, um expediente cujas possibilidades eram muito limitadas e que dependia grandemente das freqüências físicas do som.


Em face desses meios limitados, não era possível obter uma conversação completa e mais prolongada, e isto explicava por que as frases pareciam tão desconexas e esporádicas. Entretanto, essas primeiras tentativas de comunicação tiveram extraordinária importância, embora não se possa compará-las às comunicações que se seguiram posteriormente.

Na noite de S. Silvestre, houve uma gravação muito interessante, que passarei a narrar sucintamente. Eram quase 23 horas, quando coloquei no gravador uma fita nova, na expectativa de fazer uma gravação durante a passagem do ano.


Como de costume, o gravador estava no estúdio, e o microfone num canto da sala de estar, a uma distância aproximada de três metros do rádio, que num volume de som baixo, transmitia o programa de Ano Novo.

Mentalmente, fiz uma pergunta aos meus amigos desconhecidos: desejava saber quem eram eles. Assim que liguei o aparelho, disse uma voz: Bismarck! Depois soou uma melodiosa voz de mulher, que cantando e adaptando-se ao som da música do rádio exclamou: nur Deutsche! (Somente alemães!)


Após curto intervalo, ouviu-se novamente a mesma voz de mulher, que agora, como que a grande distância, recitava: Gnade der Welt -- Allelujah!... (Misericórdia para o mundo -- Aleluia!...)


Pelo claríssimo e quase infantil timbre da voz era facilmente reconhecível a modulação de um soprano agudo.

O restante da canção foi abafado pelas nossas próprias vozes. Conversávamos inteiramente despreocupados. Ninguém, além de mim, pensava em gravação de vozes de espíritos naquela hora. Alegres e alvoroçadas, as crianças esperavam com impaciência o tanger dos sinos à meia-noite.


Durante um pequeno intervalo de nossa palestra, ecoou, de repente, a voz do meu falecido amigo Pasquale, de Pompéia, que emocionado me chamou pelo nome. Pasquale fora um dos meus mais dedicados amigos. Morrera subitamente, um mês após minha partida de Pompeia, em agosto de 1958.

Nessa noite de S. Silvestre, várias vozes de mulheres, para mim desconhecidas, freqüentemente me chamaram pelo meu nome próprio. Então tornou a ecoar o já mencionado Koloratursopran e começou a recitar solenemente: Federici... Gnade wird sein, verzeih uns im Herzan... (Frederico... Misericórdia será, perdoa-nos do imo do coração...)


As palavras restantes perderam-se em meio às nossas vozes. No dia seguinte, ao reexaminar a sequência das palavras numa velocidade de 3 ¾, escutei uma estupenda linguagem metamorfoseada. Haltet uns wach -- heute kannst du fragen..., murmurava em alemão uma sonolenta voz de homem. (Mantém-nos despertos -- hoje tu podes perguntar.)

Pouco antes da meia-noite, quando a emissora sueca transmitia um concerto de órgão -- as variações para canto coral de Brahms -- ressoou novamente a cristalina voz de mulher que, acompanhando o solo de órgão, pôs-se a cantar um improviso.


O concerto era transmitido da Gamlakyrkan (igreja antiga) da Suécia e apresentava um expressivo solo de órgão. Simultaneamente o acompanhava (isto quando se escutava a fita magnética) uma voz límpida de mulher, e, na verdade, com uma entonação sutil e um cálido vibrato.


Lamentavelmente, nossa conversa e algazarra atrapalharam, de modo que só se podiam ouvir, aqui e ali, algumas passagens. As palavras mais perceptíveis que se destacavam em meio ao nosso vozerio eram: Friede der Welt... Gnade, Gnade... Amen... (Paz ao mundo... misericórdia, misericórdia... Amém...) O cântico parecia vir de grande distância.

À meia-noite começaram a tanger os sinos das igrejas do bairro antigo de Estocolmo. Era um ruído ensurdecedor, pois morávamos no centro da cidade velha e defronte da antiga igreja alemã.


De repente, ecoou na fita um vigoroso coro masculino. Era um curioso fenômeno sonoro, pelo fato de o coro masculino aproveitar certos tons vibrantes dos sinos como acompanhamento estimulante.


Aclamamos o Ano Novo com um uníssono skol (viva) e fizemos tinir as taças de champanha. Lá fora, os sinos das igrejas vibravam num coro retumbante. As crianças manifestavam sua alegria ruidosa e entremeava-se em surdina, no momento inaudível para nós, o coro masculino com seu enternecido Paz, Paz! Mas continuávamos perdidos em altos "vivas" a nossos amigos, desejando-lhes um feliz Ano Novo de 1960.

Dirigi-me então ao microfone, para saudar os meus ainda anônimos amigos, mas antes que eu erguesse a taça, antecedeu-me -- como constatei mais tarde na fita, claramente audível -- uma amável voz feminina, que disse em sueco incorreto: "Frederico é tão galante", ao qual se segue o meu skol.


Mais tarde, quando tudo já estava mais tranqüilo, ouviu-se uma voz de homem. Parecia idoso, e sua voz soava alquebrada, abafada e um tanto rouca, repassada de resignação e tristeza. Era como se toda a conversação se processasse em monólogo meditativo ou indolente solilóquio.


Wir lebten in der tiefsten Wirrnis..., começou a voz em alemão, die Menschen herunterzudrücken und knechten... die anderen entzogen sich -- ich nicht... darum bin ich... (Nós vivíamos na maior confusão... para oprimir o povo e escravizá-lo... os outros se retrairam -- eu não... por isso eu sou...)

As frases subseqüentes foram abafadas por nossas palavras. Algum tempo depois, o homem pós-se novamente a falar, acrescentando apenas mais uma frase com um estranho significado: Wir lebten in bösem Kompott (nicht Komplott.) (Vivíamos num grave kompott -- não complô.) E a voz silenciou.


Pouco tempo depois fez-se ouvir aquela voz feminina que anteriormente havia dito: "Frederico é tão galante", e exclamou um longo e irônico Heil! A seguir, acrescentou agitada: Das war Hitler -- er schämt sich nicht -- er war hier... (Este foi Hitler --ele não se envergonha -- esteve aqui...)


Embora a mulher falasse em alemão, podia-se reconhecer perfeitamente o sotaque judaico, o sotaque de uma mulher polonesa.


Mais uma vez, ela fez ouvir a sua voz, e justamente no final da fita magnética: Das war Hitler -- er sieht euch! (Este foi Hitler -- ele está vendo vocês!), exclamou num tom alto e nervoso, acrescentando rapidamente com voz mudada e constrangida: ich sage Hitler -- er liebt mich! (Eu digo Hitler -- ele me ama!)


Com esta esdrúxula explicação, encerrei as gravações de "vozes de espíritos" naquela noite.

CAPÍTULO 12

OS CIENTISTAS TOMAM CONHECIMENTO. TOTALMENTE SEM A PARAPSICOLOGIA, NÃO VAI. RECONHEÇO QUE NÃO POSSO ESPERAR QUASE NADA DOS CIENTISTAS.

A CLARA MANIFESTAÇIO de vozes de origem ignorada, gravadas na presença de testemunhas idôneas, despertou a atenção nos meios científicos.


No decorrer daquele inverno, reuniam-se em nossa residência, de vez em quando, pequenos grupos de ouvintes interessados, entre os quais se encontravam, além do Dr. Björkhem, vários outros cientistas.


Um célebre cientista sueco, o Prof. Ölander, e a secretária da Sociedade de Parapsicologia da Faculdade de Estocolmo, a Sra. Eva H., ajudaram-me a entrar em contato com um perito da Faculdade de Tecnologia (especialista em acústica vibratória) em Estocolmo. Depois de mostrar-lhe algumas fitas magnéticas, ele prontificou-se a assistir a uma gravação em nossa casa.

Eu pedira emprestado para aquela noite um novo gravador de som, em virtude de estar o meu já muito gasto. Além do Dr. Björkhem e da Sra. Eva H., estavam presentes alguns outros amigos.


Nessa noite eu compreendera pela primeira vez quão absurdas e inconvenientes são semelhantes demonstrações públicas. Realmente, chegara à conclusão de que não poderia convencer um cientista especializado, nem tampouco dar importância às suas opiniões.


No seu setor, eram esses homens, sem dúvida, competentes e muito bem informados. Um deles havia construído um telefone eletromagnético que, por meio de impulsos elétricos, podia produzir quaisquer palavras ou sons da voz humana. Essa obra-prima técnica representa, indubitavelmente, um feito extraordinário, sob o qual se ocultam longos anos de árduas e meticulosas pesquisas.


Não obstante, ou talvez por isso mesmo, nenhum desses homens havia pesquisado o setor da parapsicologia e da metafisica. Como pesquisadores apegados aos trabalhos metódicos da ciência empírica, não estavam também interessados em fenómenos ocultos, que neles despertavam sistematicamente a mais alta desconfiança.

Em tais circunstâncias, era natural que esses dois cientistas demonstrassem um reservado ceticismo e certa prevenção, no tocante às minhas gravações. Ademais, esses misteriosos fenômenos vocais ultrapassavam o seu campo de pesquisa, ultrapassando também a sua competência.


Eles trouxeram consigo seus gravadores de som e fitas magnéticas. Inicialmente, nenhum dos três gravadores funcionava, e só muito tempo depois dois deles começaram a funcionar.


Eu me pus a pensar, naquele momento, como devia ser difícil, e quase impossível, a um simples pesquisador materialista, compreender, de modo imparcial, algo totalmente novo e imprevisto. Durante meses a fio, eu próprio havia travado uma árdua luta para vencer totalmente o meu ceticismo.

Passamos a maior parte da noite discutindo. As poucas tentativas de gravação não deram resultado.


-- O que está acontecendo com a hipnose? -- perguntou um dos especialistas em radiodifusão, ao Dr.Björkhem.


-- Bem -- respondeu ele lentamente -- o senhor deve fazer esta pergunta aos chamados peritos, que negam a hipnose, embora nada entendam do assunto.

Devo declarar aqui que, dentre todos os pesquisadores e cientistas com quem travei relações durante todos esses anos, ninguém superou o Dr. Björkhem em humildade, simplicidade e equanimidade. Então compreendi que, se a mais célebre autoridade em hipnose na Suécia tentou ocultar sua resposta à pergunta de um cientista com o sarcasmo, provavelmente isto se deveria a intermináveis desilusões e incompreensões.


Nessa noite, apresentei algumas das mais antigas gravações, entre as quais a da noite de S. Silvestre. Ao ouvir as vozes em alemão, um dos cientistas observou que, decerto, algum radioamador estava brincando comigo.


-- Bem, isso é bem verdade -- concordei. -- Mas os radioamadores deviam ser videntes, para poderem aproveitar o momento exato em que eu ligava o gravador de som.

O que houve de positivo naquela noite foi o fato de eu compreender, de uma vez por todas, a inutilidade e a insignificância dessas demonstrações a tais "peritos". Por que razão deveria buscar o apoio de pessoas estranhas a uma causa, da qual não poderiam ter a mínima noção?


De qualquer forma, eu mesmo ainda tateava às escuras, se bem que já tivesse alcançado alguns vislumbres em meio a toda aquela complexidade. Não obstante, era prematuro demais apresentar os fatos -- principalmente aos cientistas.

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FONTE DO TEXTO

http://www.transcomunicacao.com



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